segunda-feira

22

setembro 2014

0

COMMENTS

Trancultura #146: Kinkid // Morning Becomes Eclectic

Written by , Posted in Imprensa, Música

Kinkid
foto: divulgação, via Facebook

Texto da semana retrasada da “Transcultura” (coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo) e que faltou republicar aqui:

Texturas e sons camuflados formam o Kinkid
Disco ‘Colorine’ segue viagem eletrônica em que as batidas se camuflam na paisagem
por Bruno Natal

Quem ouve os sons ambientes e a cama de sintetizadores que servem de base para um monólogo em francês de “Ameir”, que abre “Colorine”, primeiro disco de Kinkid, dificilmente imagina que o produtor José Hesse, de 31 anos, estudou três anos de violão clássico e teve bandas de hardcore. Segundo lançamento do selo carioca Domina, fundado por ele em parceria com Pedro Manara e Marcelo Mudou, o disco segue sua viagem eletrônica em que as batidas se camuflam na paisagem, escondidas por texturas, e ainda assim seguem empurrando as produções adiante.

— O projeto é um pouco egoísta, faço pra mim mesmo. Equilibro a suavidade e o peso no meu som. Há quem diga ser “pra baixo”, tem outros que dançam e se identificam com as letras. Não tenho muita pretensão com o projeto, queria dialogar com quem passou por coisas como as que passei — conta José.

Sua relação com a música veio pela da avó, cantora amadora de bolero na década de 1960. A música eletrônica veio mais tarde, no final dos anos 1990, através de amigos DJs e do fascínio pelos vinis.

Inspirado no trip-hop, no som ambient e em nomes como Thom Yorke, Vincent Gallo e Boards of Canada, Hesse fez questão de gravar alguns elementos de percussão e vocais ao vivo. As apresentações do Kinkid — que já aconteceram no Art Rua 2013 e na galeria Pivô, em São Paulo — são feitas apenas com sintetizadores e baterias eletrônicas, sem computadores.

Mesmo acreditando que “o colorido do Rio gere uma sinestesia nos projetos de outras pessoas” e identifique muitos talentos por aqui, Hesse não faz uma análise muito positiva da situação cultural da cidade.

— Não sei o que acontece, acho que há um desinteresse da grande maioria pela arte ou então talvez só se interessem por modismos. Meço isso pela procura ou a mera curiosidade de pessoas de outros estados com Kinkid — diz ele.

Tchequirau

Transmitido a partir de Santa Monica, Califórnia, fundado em 1977 e desde 2008 sob o comando de Jason Bentley, o programa de rádio Morning Becomes Eclectic traz três horas de novidades musicais, apresentações ao vivo e entrevista com alguns dos mais legais artistas independentes. Dá pra ouvir online aqui do Brasil na página do programa.

Deixe uma resposta

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: