segunda-feira

24

março 2003

2

COMMENTS

Folha de S.Paulo, 24/03/2003

Written by , Posted in Imprensa

O outro lado da lua: Projeto recria o álbum do Pink Floyd em versão dub
BRUNO NATAL
Especial para FOLHA

Alguém já disse que não se deve mexer nos clássicos. Porém, no aniversário de 30 anos de lançamento, o disco mais famoso do Pink Floyd, “Dark Side of the Moon”, ganhou uma releitura. “Dub Side of the Moon” é sua versão reggae -dub, para ser mais exato. O responsável pela versão é um coletivo de músicos de Nova York, o Easy Star All-Stars, e o resultado dessa idéia que, de tão simples parece boba, é surpreendente.

Não se trata de uma remixagem das composições originais. As músicas foram inteiramente regravadas em estúdio para ganhar suas versões no ritmo jamaicano. O disco – produzido num período de dois anos por Michael Goldwasser e Victor “Ticklah” Axelrod, tido atualmente como um dos grandes nomes do dub e do reggae – conta com diversas participações especiais, destacando-se a do vocalista do The Wailers, Gary “Nesta” Pine, e a do trio The Meditations, em “Money” e “Eclipse” respectivamente. Em entrevista por e-mail, Victor Rice, baixista do Easy Star All-Stars, conta que a principal dificuldade da regravação foi conseguir manter o tempo exatamente igual ao original.

“O reggae é uma música muito particular. Foi doloroso encontrar a pegada certa para cada música sem perder nem alterar o tempo. Mas valeu a pena. É possível até mesmo escutar “Dub Side of the Moon” assistindo a “O Mágico de Oz” “, diz, referindo-se à suposta sincronia com o filme, do qual “Dark Side of the Moon” seria uma trilha sonora alternativa.

Os membros originais do Pink Floyd, incluindo Roger Waters, não interferiram na gravação. “A única participação do Pink Floyd foi também a mais importante: ter dado sinal verde para a regravação”, conta Rice.

No entanto, embora todos os membros tenham recebido cópias do disco, não se sabe ainda se eles gostaram do resultado. Por aqui, Nelson Meirelles, produtor de bandas como Cidade Negra e O Rappa, considera que a fusão de Pink Floyd com reggae tem tudo a ver. “Sempre achei que o Pink Floyd tinha o DNA do reggae por vários motivos: pela economia de notas, pela proeminência das linhas de baixo e pelos efeitos de estúdio”, afirma.

Na verdade, essa não é a primeira vez que os caminhos do rock psicodélico e do reggae se cruzam. O Grateful Dead já ganhou versões de seus clássicos em “Fire on the Mountain – Reggae Celebrates The Grateful Dead”, volumes 1 e 2, discos de 1996 e de1997, com participações de Steel Pulse, Gregory Isaacs e Michael Rose, entre outros.

Victor Rice completa: “Escolher uma música ou disco para ganhar uma versão dub é, na verdade, uma atitude de respeito. Não há como melhorar “Dark Side of the Moon”, só é possível celebrá-lo”.

No exterior, o disco saiu em 18/2 e, por enquanto, não tem previsão de lançamento no Brasil. Mas a gravadora disponibilizou três músicas no site www.easystar.com: “Money”, “Great Gig in the Sky” e “Us and Them”.

Anúncios

Deixe uma resposta

2 Comments

Deixe uma resposta

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: