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março 2003

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Folha de S.Paulo, 27/03/03

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Matéria sobre disco de inéditas do Renato Russo que escrevi para Folha de S.Paulo.

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CD traz músicas inéditas de Renato Russo
BRUNO NATAL
da Folha de S. Paulo

Quase sete anos após sua morte, e aproveitando a data em que Renato Russo completaria 43 anos, nesta quinta-feira, a EMI lança “Renato Russo Presente”, disco que traz cinco composições inéditas e cinco raridades do vocalista da Legião Urbana, além de trechos de três entrevistas concedidas ao tablóide musical carioca “International Magazine”.

A coletânea é fruto do trabalho do jornalista Marcelo Fróes, que, a pedido da gravadora e da família do cantor, vem desde 2000 vasculhando os arquivos pessoais de Renato, Dado Villa Lobos e Marcelo Bonfá, em um levantamento de material inédito da Legião Urbana para um lançamento futuro.

Entre as raridades, algumas nunca haviam sido lançadas em CD, como o dueto de Renato e Flávio Venturini em “Mais uma Vez”, parceria só disponível antes no LP “Sete”, do 14 Bis. Outras, como a parceria virtual com Zélia Duncan em “Cathedral Song/Catedral”, são truques de estúdio. Em 1994, sem que um soubesse do outro, os dois regravaram a música de Tanita Tikaram.

“Faltou o olho no olho, mas temos em comum o fato de termos gravado sozinhos. Ele gravou a versão dele e eu a minha. Não existiu a intenção de um dueto, não cantei para acompanhá-lo ou vice-versa”, disse Zélia.
O maior achado da pesquisa, no que se refere à carreira solo de Renato, foi a parceria com Leila Pinheiro. Gravada na casa da cantora, em 1993, “Hoje” já era tida como perdida por Leila.

“Depois que gravamos, ele levou a fita e eu nunca mais ouvi essa gravação. Certa vez perguntei ao Renato e ele disse que a fita estava com Cássia Eller, mas não cheguei a falar com ela. Quando o Marcelo encontrou a fita fiquei emocionada”, disse a cantora.

A organização criteriosa de Renato Russo para seu material demo impressionou Fróes: “As fitas estavam com data, havia anotações e letras datilografadas”.

Apesar da organização, nem tudo pôde ser aproveitado. Uma letra intitulada “Para Rita Lee ou Made in Brazil” ficou de fora, pois não estava musicada.
O lançamento póstumo de material inédito de Renato Russo levanta uma questão: será que ele gostaria de ver essas músicas editadas? Fróes acredita que sim.

“Pelo nível de organização, uma coisa fica clara: se ele não quisesse que esse material fosse ouvido, teria apagado. Renato gostava de gravações piratas e de raridades. Numa das entrevistas do CD, quando eu pergunto se ele gravou determinada canção, ele diz, ‘fica para as caixas da vida’.” Produtor de três músicas do disco, Nilo Romero concorda e diz que a produção das faixas foi fiel ao espírito dos solos de Renato.

Ao que tudo indica, “Renato Russo Presente” é o começo de uma série de lançamentos envolvendo o cantor e a Legião Urbana. A pesquisa continua e espera-se conseguir mais material inédito por intermédio de fãs e gravações piratas. O baú está aberto.

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