dub side of the moon Archive

quinta-feira

15

maio 2003

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JB Online, 15/05/03

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Easy Star All-Stars – “Dub side of the moon”

No aniversário de 30 anos o clássico Dark side of the moon ganha esta versão inusitada. O título, Dub side of the moon, é auto-explicativo: trata-se da versão dub do mais importante disco do Pink Floyd. O pai da idéia é o coletivo nova-iorquino Easy Star All-Stars, liderados pelos produtores Michael G e Victor “Ticklah” Axelrod, um dos mais celebrados nomes do reggae contemporâneo.

O dub é o reggae em psicodelia máxima. Nascido na Jamaica dos anos 70, das mentes de gênios como Lee Perry e King Tubby, é caracterizado principalmente pela ênfase no baixo e bateria, aliado a muitos ecos e efeitos de estúdio. O dub foi primeiramente utilizado como recurso para produzir os lados “B” dos compactos, versões alternativas das músicas lançadas na época. Acabou crescendo e se tornou praticamente um gênero musical independente. Antes restrito a um clube de admiradores, como produtores e músicos, atualmente é a forma de música jamaicana mais difundida, seja na sua forma mais pura, seja através de experimentações, principalmente com a música eletrônica.

Portanto, não é de se estranhar que os caminhos do dub e do Pink Floyd tenham se cruzado. Ambos possuem elementos ultra-psicodélicos, desenvolvidos em estúdios cada vez mais modernos e cheios de recursos. No entanto, Dub side of the moon não se trata de um simples remix das versões originais em roupagem reggae. Todas as músicas foram regravadas em estúdio. A regravação foi autorizada pelos autores originais, incluindo Roger Watters, na época principal compositor da banda. Embora cada um deles tenha recebido uma cópia do disco, ainda não se tem notícia do que eles acharam do resultado final. Uma curiosidade é que o baixista do Easy Star All-Stars, Victor Rice, é figura fácil no Brasil e, além de arranhar um português, tem até um apartamento em São Paulo.

As participações especiais vão desde o tradicional trio The Meditations, em Eclipse, à Gary “Nesta” Pine, vocalista do The Wailers, em Money, passando por figuras menos conhecidas por aqui, como Dr. Israel e Sluggy Ranks. Money, aliás, é um dos melhores momentos do disco. Aqui, o conhecido ruído de caixa registradora que abre a música é substituído pelo borbulhar de um bong, o acender de um isqueiro e o som de alguém tossindo, após uma forte baforada adivinhem de quê.

Time também não fica atrás e é responsável pelo primeiro grande momento reggae do disco. É nessa música que você provavelmente vai dizer pela primeira vez: “mas o que esses caras estão fazendo?!”, frase que com certeza se repetirá ao longo do disco. Obedecendo a ordem original do disco, antes disso tem Speak to me e Breathe, que por serem curtas não permitem um mergulho mais pronfundo no ritmo jamaicano, e On the run, numa versão drum ‘n’ bass neurótica.

Ao longo das nove músicas, Dub Side of the Moon é fiel ao original. O cuidado foi tanto que se procurou manter idêntico o tempo e a levada das músicas, ainda que em outro ritmo. Mantiveram-se as primorosas passagens de uma faixa para outra, cuidadosamente elaboradas pelo engenheiro de som de Dark Side of the Moon, Alan Parsons. O disco flui ininterruptamente, exatamente como há 30 anos atrás. Uma prova desse grau de cuidado é o fato de ser possível fazer a falada sincronia entre o disco e o filme O Mágico de Oz, com instruções no encarte e tudo.

Para completar, mantendo a tradição do dub, o disco encerra com quatro músicas de bônus com títulos pra lá de interessantes. São versões das versões, feitas com mais liberdade e menor preocupação em seguir à risca os originais. Dub ao quadrado, portanto. Time version substitui os vocais por uma melódica, espécie de escaleta, celebrizada no mundo do reggae por Augustus Pablo, que faz valer o disco. Fechando o disco vêm, Great dub in the sky, versão para Great gig in the sky, Step it pon the rastaman scene e Any dub you like, versão de Any colour you like.

O disco saiu nos Estados Unidos em fevereiro e ainda não tem previsão de ser lançado no Brasil. Algumas lojas de discos importados têm cópias, se preço não for um problema. Enquanto Dub side of the moon não sai por aqui, dá para matar a curiosidade no site da gravadora, www.easystar.com, que disponibilizou quatro músicas: Money, Great gig in the sky, Us and them e o bônus Step it pon the rastaman scene. Tanto os fãs de reggae quanto os de rock podem escutar sem susto. É material de primeira.

segunda-feira

24

março 2003

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Folha de S.Paulo, 24/03/2003

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O outro lado da lua: Projeto recria o álbum do Pink Floyd em versão dub
BRUNO NATAL
Especial para FOLHA

Alguém já disse que não se deve mexer nos clássicos. Porém, no aniversário de 30 anos de lançamento, o disco mais famoso do Pink Floyd, “Dark Side of the Moon”, ganhou uma releitura. “Dub Side of the Moon” é sua versão reggae -dub, para ser mais exato. O responsável pela versão é um coletivo de músicos de Nova York, o Easy Star All-Stars, e o resultado dessa idéia que, de tão simples parece boba, é surpreendente.

Não se trata de uma remixagem das composições originais. As músicas foram inteiramente regravadas em estúdio para ganhar suas versões no ritmo jamaicano. O disco – produzido num período de dois anos por Michael Goldwasser e Victor “Ticklah” Axelrod, tido atualmente como um dos grandes nomes do dub e do reggae – conta com diversas participações especiais, destacando-se a do vocalista do The Wailers, Gary “Nesta” Pine, e a do trio The Meditations, em “Money” e “Eclipse” respectivamente. Em entrevista por e-mail, Victor Rice, baixista do Easy Star All-Stars, conta que a principal dificuldade da regravação foi conseguir manter o tempo exatamente igual ao original.

“O reggae é uma música muito particular. Foi doloroso encontrar a pegada certa para cada música sem perder nem alterar o tempo. Mas valeu a pena. É possível até mesmo escutar “Dub Side of the Moon” assistindo a “O Mágico de Oz” “, diz, referindo-se à suposta sincronia com o filme, do qual “Dark Side of the Moon” seria uma trilha sonora alternativa.

Os membros originais do Pink Floyd, incluindo Roger Waters, não interferiram na gravação. “A única participação do Pink Floyd foi também a mais importante: ter dado sinal verde para a regravação”, conta Rice.

No entanto, embora todos os membros tenham recebido cópias do disco, não se sabe ainda se eles gostaram do resultado. Por aqui, Nelson Meirelles, produtor de bandas como Cidade Negra e O Rappa, considera que a fusão de Pink Floyd com reggae tem tudo a ver. “Sempre achei que o Pink Floyd tinha o DNA do reggae por vários motivos: pela economia de notas, pela proeminência das linhas de baixo e pelos efeitos de estúdio”, afirma.

Na verdade, essa não é a primeira vez que os caminhos do rock psicodélico e do reggae se cruzam. O Grateful Dead já ganhou versões de seus clássicos em “Fire on the Mountain – Reggae Celebrates The Grateful Dead”, volumes 1 e 2, discos de 1996 e de1997, com participações de Steel Pulse, Gregory Isaacs e Michael Rose, entre outros.

Victor Rice completa: “Escolher uma música ou disco para ganhar uma versão dub é, na verdade, uma atitude de respeito. Não há como melhorar “Dark Side of the Moon”, só é possível celebrá-lo”.

No exterior, o disco saiu em 18/2 e, por enquanto, não tem previsão de lançamento no Brasil. Mas a gravadora disponibilizou três músicas no site www.easystar.com: “Money”, “Great Gig in the Sky” e “Us and Them”.

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