Monthly Archive: abril 2004

sexta-feira

23

abril 2004

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É legal ser underground

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15/01/2003

A questão é a seguinte: virou bacana ser underground. Pero no mucho. Para isso – usando o termo cunhado pelo autor do texto – a mudernidade resolveu suprimir o under do underground, recriar esses ambientes e torná-los mais palatáveis. Essa onda de churrasco em laje é coisa de quem vê editorial da Vogue francesa em favela e passa a achar bonito a pobreza, como se estivesse tão distante disso tudo quanto, na realidade, se está de Paris. Assim como essa roda de samba asséptica, em clima fake e platéia idem, se lixando para a música e preocupados com todas outras coisas. E o pior, com cerveja à R$3,50!, que foi o que mais me irritou quando eu fui na primeira, em novembro, e não agüentei ficar mais de 20 minutos.

Esses programas hype, mas que você não frequenta, não incomodam tanto. O problema são os lugares que você normalmente frequenta e que de repente se tornam insuportáveis. Os pitboys e a pleiboisada em geral, masculina e feminina, são um problema sim. Todos os programas legais do ano passado (Juarez, Orquestra Imperial, Reggae B, etc. Até mesmo o Monobloco, por que não?), que indicavam um verão animado na seqüência, foram destruídos por essa galera que está cagando para o lado cultural e só aparece para encher a cara, chegar em mulher (nas solteiras, nas que estão a fm, nas que estão só querendo ver o show, nas que já estão com alguém…) e tumultuar. Mas o que me intriga mesmo é outra coisa. Não sei mais se é esse pessoal que aparece onde não devia ou se esses programas cedem e estão buscando esse público. Afinal, ninguém quer ser cultura paralela a vida toda, sobretudo porque não dá dinheiro. Exemplo: A roda de samba do Juarez, na última vez que eu fui, tinha virado um pagodão. Trocaram a banda, trocaram o repertório, e com isso trocaram também o público. Melhor? Pior? Depende para quem. Antes iam algumas pessoas, escutar bons sambas num clima de paz. Depois das mudanças não é mais possível passar de carro naquela rua, pegar uma cerveja é uma missão ingrata, e o som… Fico me perguntando por que que esse pessoal que não está muito preocupado com o lado cultural, que só sai de casa para azarar e bater papo – direito deles, claro – não vai a programas que se adequem mais a isso. Festa-show das Oi e Tim da vida, apresentações do iletrado Rogê, etc. A programação é farta.

Porém, existe solução. Quer roda de samba? Vai para Lapa! Quer curtir bateria de carnaval ou blocos? Aparece numa quadra de escola de samba ou no Cordão do Bola Preta! Quer experimentar a cultura dos marginalizados? Ao invés de subir em uma laje da zona sul busque um projeto social numa comunidade carente e vá à confraternização de final de ano numa laje de verdade! Agora, se quiser ver fusão de bossa nova com música eletrônica, vá assistir o Bossacucanova no Ballroom mesmo! Lá não tem maquiagem.

sexta-feira

23

abril 2004

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Dízima periódica

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24/02/2003

Traficantes param o Rio de Janeiro. Não, espera. Essa frase já foi usada ano passado. Apagar, começar de novo. A cidade acordou refém dos bandidos. Não, não, isso também soa repetitivo. Volta tudo. Quer saber? Não precisa de introdução, é impossível escrever qualquer coisa que não pareça redundante. Todo mundo sabe qual é o assunto, não precisa nem dizer. Esta rotina de medo, traficantes desafiando a polícia e todo o resto, o pânico espalhado pela cidade, está se tornando uma equação comum, uma dízima (seria um dízimo?) cada vez mais periódica. Dez divididos por três. 3,3333333333333…

Hoje aconteceu de novo, alguém duvida que vá acontecer outra vez? Os traficantes perderam o respeito pela lei. Quer dizer, perderam de vez, porque nunca tiveram muito mesmo. Vai longe o tempo em que a bandidagem agia somente de noite, protegido pela escuridão. Tanto em setembro de 2002 quanto hoje, está tudo acontecendo à luz do dia. Até agora não ouvi qualquer coisa que pudesse passar a vaga idéia de que a situação será controlada. O prefeito e o Ministro da Justiça acusam Fernandinho Beira-Mar (preso num presídio de segurança máxima!) de ter orquestrado toda a baderna e defendem sua retirada do Rio de Janeiro. Ah, tá. Então eu tenho que acreditar que transferir o cara que comandou uma operação deste tamanho, de dentro de Bangu I, via celular, para um presídio no Acre é a solução para esse caos? E qual exatamente vai ser a diferença, senhores ministro e prefeito, no Acre não há rede de telefonia celular? Não consigo entender de que maneira a “proximidade dos centros urbanos”, como definiu César Maia, possa estar relacionada com essa zorra que tomou conta da cidade hoje mais uma vez. Se o cara está preso, independente de onde esteja, ele supostamente está sob a tutela do Estado e portanto anulado para o crime, ora pois.

A governadora garantiu que está tudo sob controle. Ela já sabia dos planos dos traficantes desde a meia-noite de domingo e botou todo o efetivo da PM nas ruas. Rosinha fez essa afirmação por volta de uma da tarde. As 14h30 os plantões dos jornais davam conta que mais ônibus acabavam de ser incendiados em Niterói (tá sobrando até para a vizinhança) e que policiais trocavam tiros com bandidos no Méier. Até agora foram incendiados mais de 15 ônibus e nove carros, além do comércio ter baixado as portas em vários lugares. Tudo sob controle, como se pode perceber. Não sei o que me intriga mais: se mesmo com o Governo do Estado sabendo dos planos com antecedência as coisas terem tomado essas proporções ou se, com todo o efetivo na rua, a PM não estar conseguindo dominar a situação.

É inacreditável como a polícia desperdiça seu poder. Por incrível que pareça, a presença ostensiva de policiais ainda inibe crimes. Só que eles só estão nos lugares depois dos crimes. É revoltante passar em frente à cena de um crime e ver o carro da polícia fazendo plantão no dia seguinte. Tem que estar presente o tempo todo, treinada e preparada para patrulhar a cidade. No dia seguinte é tarde demais. Não sou muito familiarizado com os conceitos que determinam o que é e o que não é uma guerra civil. Desconfio que no momento em que todo o efetivo da polícia não consegue controlar um grupo grande de civis armados, sendo necessário buscar auxílio das forças armadas, determine alguma coisa. Pois bem, só está faltando o exército. Preparem-se, a guerra vem aí. E não é no oriente médio.

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A falta que me fazem 100ml

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23/02/03

À primeira vista, 100ml pode não parecer muito. Na verdade, isso depende do que se for beber. Se o objetivo for tomar um porre, uma taça de vinho é pouco. Quando o assunto é larica, meio Toddynho é a mesma coisa que nada. Já pensou chegar no posto e pedir para o frentista: “Põe 100ml aê!”? Não dá para ir muito longe com isso. Agora, se o líquido em questão for um suco, tudo muda de figura. 100ml é coisa pacas.

Além do capricho na preparação e da simpatia do Marcones, 100ml é exatamente o que sempre separou o BB Lanches de qualquer outra loja de sucos. Tá bom, tem também aquele pastel de carne, “kitch”, escondendo um quarto de ovo cozido, que merece até prêmio. O BB é o único lugar onde os sucos vêm em imponentes copos de 400ml, ao invés dos tradicionais de 300ml. Tinha até cartaz na parede: “Nossos sucos são servidos em copos de 400ml”. Pois é, podem tirar o cartaz. Não porque as outras lojas resolveram correr atrás e servir quantidades mais generosas, mas porque agora no BB Lanches os sucos passaram a ter os malditos 300ml. Com essa decisão da “diretoria” o BB deu um passo arriscado em direção a mediocridade.

Fui no BB esta semana, de madrugada, como de costume, quando tive a surpresa desagradável. Fiquei intrigado e resolvi perguntar para o caixa-e-dono-mas-que-diz-que-não-é-o-dono-e-é-só-caixa o motivo da alteração. Sem explicar muito, ele simplificou dizendo que todos os sucos estavam R$0,50 mais barato.Ora, se um suco de melancia de 400ml que custava R$2,50 agora custa R$2 e vem num copinho de 300ml, os preços na verdade aumentaram. Tiraram 25% do suco e reduziram o preço em 20%. Ou seja, agora custa mais caro para se tomar menos suco!

E a questão nem é o dinheiro. Aumento tem toda hora mesmo, fazer o quê. O negócio era que os tais 100ml eram exatamente a quantidade que davam a sensação de estômago forrado. O novo copo é tão pequeno que dá sede só de olhar. E já estão “oficializados”, com o logo da loja e tudo. Parece que vieram para ficar. Era um diferencial da casa que muitos nem percebiam, deixavam passar despercebido entre um gole e outro. O começo do fim foi aquele neon em letras góticas, após a reforma de uns seis anos atrás. Agora tiraram 100ml do meu suco. Oh céus, onde isso vai parar?

sexta-feira

23

abril 2004

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Em tempos diferentes

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10/04/03

Entendo, e respeito, a função da OAB de fiscalizar o cumprimento das leis no Brasil. Acontece que ultimamente, como quase todo mundo, tenho tido dúvidas sobre quem tem mais direitos nesse país: as pessoas de bem ou as de mal. A verdade é que os dois tipos de pessoa têm os mesmos direitos e obrigações, sendo que quem descumpre mais obrigações começa a ter seus direitos mais restringidos. Isso vale desde direitos básicos, como à vida, até questões mais complicadas, como a privacidade e direito de defesa. Exemplo: todos tem liberdade de ir e vir. Desde que não façam besteira e tenham esse direito restrito a ir da cela para o pátio tomar banho de sol.

Então, porque esse bafafá todo em torno das restrições impostas as visitas dos advogados aos presos em Bangu I? Está mais do que claro que esta é uma situação especial e necessita, portanto, de ações especiais. Longe de mim propor que alguém tenha seus direitos revogados. Esse tempo, graças a Deus, já passou. Mas não é possível que esses bandidos (que, diga-se de passagem, não tem compromisso com lei nenhuma) continuem tendo regalias e aterrorizando a cidade de dentro de presídios supostamente de segurança máxima. Numa inversão total de valores, o direito de se reunir com advogados para sua defesa tem sido usado como forma de ataque.

Policiais, carcereiros e até os próprios bandidos admitem que esse entra e sai de advogados nos presídios tem tido a função de levar e trazer informações e objetos. Ordens e armas. Mandos, desmandos e aparelhos celular. Os doutores podem falar melhor do que eu, mas até onde sei a própria concepção de lei prevê alguma flexibilidade de interpretação em determinadas situações. E essa que o Rio de Janeiro vive é uma determinada situação.

Ao dedicar seu tempo para defender o direito do preso de ter quantos “advogados” quiser – assim com aspas mesmo – ao invés de investigar e impedir o trabalho desses funcionários do tráfico, a OAB fica parecendo uma blitz policial na Zona Sul. A cidade, literalmente, pegando fogo e os PMs atrás de IPVA atrasado em carro de garotão.

terça-feira

20

abril 2004

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Vizoo, Jan/2001

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Umbigo do mundo

Reportagem sobre uma viagem de ônibus do Brasil ao Chile, passando por Bolívia e Peru, originalmente publicado na revista Vizoo, em janeiro/fevereiro 2001.

Encarar um ônibus até Machu Picchu vai muito além de somente chegar até lá, existe muito mais para aproveitar no caminho. Por mais que uma viagem assim possa parecer uma furada, não é. É sim uma grande aventura, além de ser uma maneira relativamente barata, de se conhecer um pouco do Brasil, Bolívia, Peru e Chile.

Estão no caminho, além do famoso centro energético da terra, o Titicaca, lago navegável mais alto do mundo, a cidade de Cusco, no Peru, e o Vale de la Luna, em La Paz. Tudo que é necessário é ter a cabeça aberta para situações novas e inusitadas e um pouco de disposição para passar alguns apertos.

O melhor de uma viagem destas é chegar lá e aprender. Por isso neste texto você não encontrará a história dos Incas ou elucubrações sobre os costumes locais, vai encontrar uma sugestão de roteiro e algumas dicas de como fazer uma viagem pra lá de boa. E como toda viagem começa quando se decide viajar, é legal planejar tudo com antecedência (veja as informações básicas no box).

O começo de tudo é na rodoviária Novo Rio, de onde sai o ônibus rumo a Corumbá, no Mato Grosso do Sul, fronteira com a Bolívia. Depois de 28 horas sentado a melhor pedida é dormir por lá mesmo e partir no dia seguinte para Quijaro, já na Bolívia, de onde parte o “trem da morte”.

O famoso “trem da morte” faz o trajeto entre Quijaro e Santa Cruz de la Sierra e é exatamente como dizem: lotado de galinhas, porcos e traficantes. Traficantes de açúcar, é bem verdade, já que este pó branco é muito mais barato no Brasil. Mesmo assim, há várias buscas policiais no caminho, uma das razões que fazem o trajeto de 18 horas poder chegar a até três dias.

Para fugir dos animais, pode-se pagar um pouco mais para ir na classe Bracha ou na Pullman, que ao contrário do que sugere o nome, são superiores a Primeira classe. De Santa Cruz parte-se para La Paz na mesma tarde, chegando na manhã seguinte. E é aí que se enfrenta o maior dos problemas.

La Paz, capital da Bolívia, está a 3.600 metros acima do nível do mar. À noite, ainda no ônibus, já começam os efeitos da altitude: tonturas, ânsia de vômitos e uma pressão absurda na cabeça. Um dos melhores remédios para o mal das alturas, ou “soroche” como é chamado pelos locais, é a folha de coca. O cultivo e o comércio desta folha, planta sagrada dos Incas, é legal tanto na Bolívia quanto no Peru e não se trata de droga alguma. A cocaína é um derivado da folha, alterado quimicamente. Normalmente a folha é consumida em forma de chá ou simplesmente mascada.

Depois de um bom dia de descanso e de uma noite de sono a altitude já não incomoda tanto. Mesmo assim é bom ficar pelo menos mais dois dias em La Paz para se adaptar totalmente, pois todos os outros pontos da viagem estão a pelo menos 2.200 metros acima do nível do mar. Em La Paz não se pode deixar de visitar o Vale de la Luna, as ruínas de Tiwanako e, se sobrar um tempinho, o estádio onde o Brasil perdeu da Bolívia nas eliminatórias da Copa de 94, com aquele tremendo frango do Tafarel. Deve ter sido a altitude.

A próxima parada é a cidade de Copacabana, as margens do lago Titicaca. A melhor opção antes de seguir para Puno, no Peru, é dormir na Isla del Sol, que nem sempre tem água, mas com certeza terá uma das melhores trutas que você pode comer. Dois dias são o suficiente em Puno, o bastante para conhecer as ilhas flutuantes dos Uros, construídas no meio do Titicaca com uma raiz típica da região, e as imperdíveis ruínas de Sylustani.

A doze horas de Puno está Cusco, que em quechuá, língua original dos Incas e até hoje uma das línguas oficiais do Peru, quer dizer “umbigo do mundo”. Isto porque esta foi a capital do império incaico até ser dominada pelos espanhóis, quando adquiriu a atual aparência européia. A Plaza de Armas é onde tudo acontece. É lá que você vai encontrar desde agências de viagens que oferecem passeios às atrações turísticas da cidade até as boates que agitam a noite de Cusco e, o que é melhor, de graça. Nos arredores de Cusco estão às maiores e mais impressionantes construções Incas. Existem dois passeios que levam as mais importantes: o que vai ao Vale Sagrado, passando por Pisac e Olataytambo, e o que vai a Qorikancha (Templo do Sol) e Sacsaywaman, entre outros. Não se pode deixar de ir. Quanto as boates, as mais indicadas são a Mama Africa e a Xcess, cheias de turistas de toda parte, principalmente argentinos e chilenos.

Mas o que tornou Cusco conhecida mundialmente é que daqui se sai para o “Camino Inca”, ou o caminho real Inca até Machu Picchu. É possível fazer a trilha por conta própria, mas é melhor comprar um pacote em uma das agências de viagem da Plaza de Armas. É fundamental pesquisar bastante, pois os preços variam muito, indo de U$50 até U$435. Os pacotes normalmente incluem barraca de acampar, saco de dormir, comida para os quatros dias, um guia credenciado e carregadores. Os carregadores são os responsáveis pelo conforto durante a caminhada; são eles que levam toda a cozinha, comida e as barracas, além de cozinhar todas as agradáveis refeições.

Nos quatro dias de caminhada você vai ver de tudo; turistas de todo lugar do mundo, animais, plantas exóticas e muitas, muitas escadarias. A trilha de trekking mais famosa da américa do sul tem 42 quilômetros de extensão. No primeiro dia caminha-se bastante, com subidas leves, saindo dos 2.200 metros de Cusco até os 2.800 metros do local do primeiro acampamento. A empolgação ajuda muito durante todo o caminho, mas sem dúvida ela é mais necessária no segundo dia. É então que se parte rumo ao Pico da Mulher Morta, nome sintomático deste pedaço da trilha. Além das folhas de coca uma boa pedida para esta subida é uma pastilha chamada Coramina-Glucosa (laboratório Novartis), vendida em farmácias de Cusco. Em apenas sete quilômetros se vai dos 2.800 até os 4.300 metros deste pico. Falta ar, faltam pernas, falta tudo. Mas quando se chega ao topo a emoção é indescritível. Um misto de felicidade com uma sensação de superação que é inigualável.

O terceiro dia é o que mais se anda e também é o que mais tem coisas para se ver e fazer. Além da paisagem montanhosa dos Andes, atravessa-se um bom pedaço de floresta e visita-se algumas ruínas muito interessantes. Winay Wayna, enorme construção Inca com muitas fontes purificadoras de água está a apenas cinco minutos do local do último acampamento. Há também um alojamento perto onde se pode tomar banho e até aproveitar para tomar umas cervejas, já que o dia seguinte é curto, com três horas de caminhada. Mas é sem dúvida o mais esperado de todos.

No quarto dia o ideal é acordar de madrugada, aproximadamente as 5:00h, para poder chegar bem cedo às ruínas. A trilha Inca é a única forma de se chegar a Machu Picchu pela parte de cima, através de Intipunku (Portal do Sol), a entrada oficial do santuário utilizada pelos incas. Os turistas que vão de trem, ônibus ou até mesmo de helicóptero só chegam à partir das 9:30 h, e chegam pela parte debaixo da cidade. Por isso os que fizeram a trilha Inca madrugam neste dia, para merecidamente ter o privilégio de avistar Machu Picchu de cima e completamente vazia. Intipunku é onde começa a choradeira. Depois de quatro dias de muita expectativa caminhando, a alegria bate forte e quase todo mundo desaba num choro coletivo.

Têm-se algumas horas até os turistas começarem chegar e mais algumas para se conhecer a cidade. Machu Picchu é realmente muito mística e energética, mas esses tipos de comentários são inúteis e ineficazes porque não há adjetivos que realmente descrevam a sensação de andar descalço por aquele lugar. Tem que ir, tirar o tênis e experimentar para entender.

Se sobrou algum…

Se sobrar tempo e um pouco mais de grana, uma idéia muito boa é ir de Cusco até San Pedro de Atacama, no norte do Chile. San Pedro fica no meio do deserto de Atacama e é lá que fica o Vale de la Luna, mais famoso do que o de La Paz, por ser muito maior e mais bonito. Tem também o Vale de Marte, utilizado pela Nasa para testar veículos e sondas antes de serem mandadas ao planeta vermelho, e passeios pelas Lagunas Andinas. Isso sem contar a própria cidade de San Pedro, bem rústica, mas com muitos restaurantes e uma vida noturna bem agitada. Para chegar lá, vá de Cusco para Arequipa, de lá para Tacna e depois para Arica. Depois é só ir até Calama, no Chile, na fronteira com o Peru, a uma hora e meia de San Pedro e pegar mais um ônibus.

Voltando para o Brasil você terá que passar pela Bolívia de novo. Saindo de San Pedro tem um trem que vai até Uyuni, mas a melhor opção é fazer uma excursão de três dias em um jipe 4×4 pelo deserto. Os preços variam de U$60 à U$80 e o passeio inclui – além de transporte, comida e alojamento – o “desfile de las lagunas” de todas as cores, verde, azul, vermelha, lotadas de flamingos andinos. No último dia se chega à maior salina do mundo, o Salar de Uyune, um deserto de sal onde se enxerga o branco até perder de vista. Um visual meio futurista, lembra o Matrix do filme. A sensação é de que se está no céu, só se vê nuvens e uma ilha lotada de cactos solitária no meio da salina.

Essencial – o que levar e o que fazer

• Peru, Bolívia e Chile não exigem visto de entrada para turistas brasileiros, somente o passaporte, mas é bom dar uma conferida se a situação não mudou antes de ir.
• vacina contra febre amarela, OBRIGATÓRIO em todos os três países.
• comprar as passagens para Corumbá com antecedência, elas acabam rápido
• bota de trekking, impermeável e capa de chuva. Chove bastante durante a caminhada, principalmente no verão.
• repelente de mosquitos
• remédios que normalmente você usa no Brasil
• Seguro de saúde para viagens internacionais