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abril 2004

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É legal ser underground

Written by , Posted in Urbanidades

15/01/2003

A questão é a seguinte: virou bacana ser underground. Pero no mucho. Para isso – usando o termo cunhado pelo autor do texto – a mudernidade resolveu suprimir o under do underground, recriar esses ambientes e torná-los mais palatáveis. Essa onda de churrasco em laje é coisa de quem vê editorial da Vogue francesa em favela e passa a achar bonito a pobreza, como se estivesse tão distante disso tudo quanto, na realidade, se está de Paris. Assim como essa roda de samba asséptica, em clima fake e platéia idem, se lixando para a música e preocupados com todas outras coisas. E o pior, com cerveja à R$3,50!, que foi o que mais me irritou quando eu fui na primeira, em novembro, e não agüentei ficar mais de 20 minutos.

Esses programas hype, mas que você não frequenta, não incomodam tanto. O problema são os lugares que você normalmente frequenta e que de repente se tornam insuportáveis. Os pitboys e a pleiboisada em geral, masculina e feminina, são um problema sim. Todos os programas legais do ano passado (Juarez, Orquestra Imperial, Reggae B, etc. Até mesmo o Monobloco, por que não?), que indicavam um verão animado na seqüência, foram destruídos por essa galera que está cagando para o lado cultural e só aparece para encher a cara, chegar em mulher (nas solteiras, nas que estão a fm, nas que estão só querendo ver o show, nas que já estão com alguém…) e tumultuar. Mas o que me intriga mesmo é outra coisa. Não sei mais se é esse pessoal que aparece onde não devia ou se esses programas cedem e estão buscando esse público. Afinal, ninguém quer ser cultura paralela a vida toda, sobretudo porque não dá dinheiro. Exemplo: A roda de samba do Juarez, na última vez que eu fui, tinha virado um pagodão. Trocaram a banda, trocaram o repertório, e com isso trocaram também o público. Melhor? Pior? Depende para quem. Antes iam algumas pessoas, escutar bons sambas num clima de paz. Depois das mudanças não é mais possível passar de carro naquela rua, pegar uma cerveja é uma missão ingrata, e o som… Fico me perguntando por que que esse pessoal que não está muito preocupado com o lado cultural, que só sai de casa para azarar e bater papo – direito deles, claro – não vai a programas que se adequem mais a isso. Festa-show das Oi e Tim da vida, apresentações do iletrado Rogê, etc. A programação é farta.

Porém, existe solução. Quer roda de samba? Vai para Lapa! Quer curtir bateria de carnaval ou blocos? Aparece numa quadra de escola de samba ou no Cordão do Bola Preta! Quer experimentar a cultura dos marginalizados? Ao invés de subir em uma laje da zona sul busque um projeto social numa comunidade carente e vá à confraternização de final de ano numa laje de verdade! Agora, se quiser ver fusão de bossa nova com música eletrônica, vá assistir o Bossacucanova no Ballroom mesmo! Lá não tem maquiagem.

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