segunda-feira

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maio 2013

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Transcultura #113: Sants // ET

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Versão extendida do meu texto na da semana passada da “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Um DJ na linha de frente da cultura bass
Festa Kick Boom comemora o primeiro aniversário no Fosfobox com a presença do produtor paulista Sants
por Bruno Natal

Completando um ano de existência, a festa Kick Boom, dos residentes Cybass e SkullB, traz o DJ Sants direto de Jundiaí pra tocar na comemoração, no próximo dia 23 de maio, no Fosfobox. Com apenas 20 anos, Sants é apontado como um dos novos nomes da cena bass brasileira.

— Comecei a produzir por volta de 2007, tocando em festas de garagem, na zona leste de São Paulo e na Bahia também, onde rolava drum and bass — conta Diego Augusto dos Santos, nome verdadeiro do DJ Sants. — Logo comecei a produzir e pessoas como o Chico Correa foram essenciais no processo de reflexão de como queria me apresentar. Ele foi um dos primeiros caras quue vi usando um computador com mesa de efeito e sequenciadores numa apresentação ao vivo.

Suas produções refletem a fase de drum and bass, o período em que caiu dentro do ghettotech e a atual, em que está ouvindo coisas mais introspectivas, com menos sintetizadores e mais groove e melodia. Seu EP de estreia, “Soundies”, foi difundido por blogues e aproximou Sants de nomes estabelecidos na cena, como Apavoramento e Wobble no Rio e a Metanol.FM em São Paulo.

— Esse tipo de retorno é o mais prazeroso porque em nenhum momento eu fiz isso buscando agradar ou ser hype. A parada rolou muito na brincadeira, no meu quarto, regurgitando aquilo que ouvia o dia inteiro, misturado com as minhas referências de adolescência. E as pessoas enxergaram o que eu quero dizer, então é significativo.

Seu som tem se espalhado também pelas músicas dos outros, através de convites par produzir faixas com outros artistas, como o misterioso rapper carioca Reverendo e o Bonde do Rolê.

— Não produzi com muitas pessoas que não sejam próximas ou com as quais não tenha ao menos referências e gostos em comum. Tenho curiosidade de sair dessa gama por um tempo, trampar com gente que não faz idéia do que é bpm, loop, sidechain. Muitas vezes a gente acaba colocando esses termos técnicos na frente do groove sem nem perceber.

Fã do hardcore continuum ao ponto de dizer ter ouvido o catálogo da Hyperdub inteiro, ghettotech, kuduro, moombahton, zouk, Sants diz que hoje está em busca do groove. nos lançamentos da Soulection e da HW&W. Ao vivo ele se apresenta com laptop e uma controladora.

— Já sampleei Deodato, Hugh Maseketa, Hiroshi & Claudia, Darondo, Oddisee, Lonnie Liston Smith, Novos Crioulos, Red Hot Chili Peppers, Mercury Program, Cassiano, Sadakazu Tabata & Avantgarde10, Yma Sumac, Eddie Harris, a lista é longa. O que mais importa no sample para mim é a minha ligação com ele, sempre. Normalmente está ligado aos momentos que a gente passa ouvindo essas músicas e ao que acontece durante esse período, seu cérebro acaba fazendo essa bendita ligação cognitiva entre o sample e aquela época.

É justamente esse aspecto pessoal, acredita Sants, que tem chamado atenção nas suas músicas.

—Minhas composições brincam, não são expressões muito sérias ou fanfarronas, são apenas momentos, fotografias, reflexo daquilo que eu entendo sobre mundo até agora. Não sou culto, erudito. Nunca fui o cara que lia Bukowski ou curtia Tecnotic quando ninguém nem sabia o que era. Peguei a fase média desses gêneros: o dubstep na época do Burial, o drum and bass do Marky. A mesma coisa se aplica aos meus gostos pessoais: não curto coisas muito indigeríveis ou subjetivas, por mais belas que elas sejam, vai soar redundante na minha visão. Tem que existir um apelo de imagem, algo que você consiga criar um laço, uma identificação forte.

Sants enquadra suas referências pessoais como algo geracional, parte de uma espécie de consciente coletivo.

—Minha geração não cresceu convivendo entre grupos sociais. Até os 16 anos a gente só sabia ver TV, jogar videogame e usar a internet. Isso acabou sendo o nosso maior espelho cultural. Saímos dessa esfera e começamos a lidar com o mundo extra-cibernético. Quando o caminho inverso ocorre, não há deslumbre ou supresa. Todos viveram as mesmas coisas na internet. Todo mundo jogou Tony Hawk Pro Skater quando tinha entre 10 e 14 anos e na mesma época pegou gosto por coisas muito similares as minhas, musicalmente falando. Você vai percebendo parâmetros se repetindo, até chegar ao que a gente tem hoje.

Tchequirau

O ex-ministro da defesa do Canadá mandou a letra: existe ao menos quatro tipos diferentes de extra-terrestres vivendo entre nós, ao menos dois trabalhando com o governo dos EUA. Eis que todos filmes de ET hollywoodianos possam na realidade se tratar de documentários.

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