bass Archive

segunda-feira

16

abril 2018

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Poloneses regravam faixas do duo Robson e Olivetti

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Brasil e Polônia na mesma frase e, não, isto não é um artigo sobre futebol, Copa do Mundo ou algo que o valha. Trata-se de um encontro musical, digamos, “pouco usual” entre os dois países.

Isso foi possível graças ao duo Robson Jorge e Lincoln Olivetti — responsáveis por algumas das faixas memoráveis da MPB nos anos 80, como “Aleluia” e “Alegrias”, regravadas pelos músicos poloneses do canal, com pouco mais de 11 mil inscritos, “Janusz Wezuwiusz 3000”.

Acostumados a publicar covers no Youtube, os gringos tocam guitarra e baixo, e se aventuram por versões de músicas bem mais “recentes”, como “Dark necessities”, do grupo Red Hot Chili Peppers, e “Uptown funk”, de Bruno Mars.

quarta-feira

30

julho 2014

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terça-feira

29

julho 2014

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segunda-feira

28

julho 2014

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Transcultura #143: Cybass // mmrecords

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Cybass_Transcultura_OGlobo_2014

Versão não editada do texto da semana passada da “Transcultura” (coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo) e que faltou republicar aqui:

Cybass encontra a sua própria frequência
Músico se afasta do drum’n’bass em novos EPs
por Bruno Natal

Filho legítimo da cena de drum and bass, Glauber Ribeiro Barreto, 29, o Cybass, move-se para além do estilo em seus dois primeiros EPs. O último, “Altered Carbon”, lançado mês passado consolida o trabalho de produtor, iniciado aos 14 em brincadeiras com diversos programas que aprendia em fóruns online ou montando mixtapes com montagens de funk em fitas cassete.

– Comecei a ouvir música eletrônica naquele estouro mundial, de 97 pra 98, com os clássicos da época: Prodigy, Chemical Brothers e Fatboy Slim. Quando descobri o “New Forms”, do Roni Size Reprazent, e me achei no drum and bass. O Brasil na época já tinha ótimos artistas, grandes influências, como XRS, Ramílson Maia, Drumagick e Mikrob – explica Cybass.

Dedicado ao gênero por 10 anos, o drum and bass deixou marcas profundas na discografia de Cybass. Entre os motivos de orgulho estão os lançamentos pelos ingleses Under Construction (selo dos produtores Fresh, do clássico Bad Company, e Adam F) e Vibez e a participação em uma coletânea da alemã Basswerk. Remixou “Spaced Invader”, do Hatiras, lançada em 2010 pelo selo do próprio depois que escutou no Soundcloud. E também entortou “Mr. Majestic”, dos produtores High Contrast e Calibre, de 2004, um clássico do drum and bass com samples de dub. Com o tempo, se afastou do gênero.

– Quem estragou dnb foi o próprio público, que transformou o estilo quase numa religião xiita e intolerante. Nada de fora prestava, nada fora do padrão prestava, uma briga interminável pra se manter no tal “underground”. Remixava uma faixa e vinha uma galera reclamar: “você não deveria ter mexido num clássico”. Cara, mexo no som que quiser. Se não curtir, só não dar play.

Esse foi um dos motivos de ter buscado novos caminhos. Seu primeiro EP, “”Hop It!l, foi lançado pela paulistana Beatwise Recordings, casa de outro beatmaker, Sants, o que já diz um bocado sobre as sonoridades mais climáticas e menos frenéticas propostas. “Altered Carbon”, com participações de CESRV, MJP e do próprio Sants, saiu mês passado, pela inglesa Lost Tribe Records, do produtor Ambassadeurs. Ainda que voltados mais para a construção de batidas e atmosferas do que para pistas, as linhas de grave não negam a herança dos seus anos formativos.

– Acho que “Altered Carbon” veio pra firmar o amadurecimento do meu som. Sei que a música é uma mutação constante e cada vez mais rápida, mas talvez eu tenha encontrado meu próprio estilo.

O ritmo de bons lançamentos da produção atual faz Cybass acreditar que estamos vivendo um segundo boom da música eletrônica.

– Assim como nos anos 90, tem muita gente nova aparecendo, muitos estilos diferentes. A maior vantagem é que não são apenas estilos de dance music, tem muita coisa experimental, de rua, latina, gente produzindo música pra se ouvir em casa. O público de hoje aceita música feita digitalmente, sem frescura ou saudosismo barato.

Carioca radicado em São Paulo, mesmo sem se enxergar como parte de uma cena (“só que não tem como fugir, você acaba fazendo parte de um círculo de pessoas com interesses e gostos em comum”, diz), Cybass lista diversas iniciativas alinhadas Brasil afora, como os coletivos Heavy Baile, Doom e Wobble (Rio); Metanol, Beatwise, A$$, Dirty Kidz, Sound Proof, Free Beats e Só Pedrada Musical (São Paulo); INVDRS, A Volta e Sweet Grooves (Curitiba); e Perde a Linha, Racha Piso, os DJs Lui J, Weirdo e Freeky (Brasília).

– Sei que tem gente que não gosta, mas muito se deve ao trap, o filho bastardo do bass, que chegou trazendo o rap de uma forma descontraída e dançante. Já era o som que levantava a galera aqui em SP em 2012. Levou um tempinho pra ficar mais pop e “Harlem Shake”, do Baauer, deu o empurrão que faltava e foram surgindo vários artistas usando essa fórmula.

Ainda que fale em fórmula e na questão das cópias mal feitas, Cybass defende o trap e sua atual onipresença nas pistas de dança. Uma ditadura do trap para alguns.

– Talvez quem ache isso não consiga definir o que é influência do trap, ou mesmo o que é trap. Muita coisa variou do estilo, mas o trap continuou a mesma coisa. Aqui em São Paulo já não ouço tanto assim. Em algumas festas ainda é o que faz pista, mas não é uma regra. Tenho visto um crescimento de outros estilos, que são muito bem aceitos.

Tchequirau

mmrecords

Para comemorar seus 25 anos de existência, um dos mais tradicionais selos independentes do Brasil, o midsummer madness, reformulou seu site, www.mmrecords.com.br. Fundado como um zine por Rodrigo Lariú, o mm reorganizou as centenas de lançamentos exclusivos, nacionais e internacionais.

sexta-feira

25

abril 2014

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Transcultura #135: Axé Bass // Coisas Que Eu Achava Quando Era Criança

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transcultura_oglobo_axébass

Versão integral e sem edição do texto de março da “Transcultura” (coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo) e esqueci de republicar aqui:

A hora do axé bass
União de hip hop, dubstep, trap e outros ritmos eletrônicos começa a formar uma cena eletrônica em Salvador e arredores

por Bruno Natal

É o novo som de Salvador, é o novo som de Salvador. Mundialmente conhecido por seu carnaval, axé e também pela forte influência da cultura africana nas tradições locais, a Bahia tem adentrado também outro terreno fortemente relacionado a diáspora negra: a bass music.

Do reggae e dub ao hip hop, onde você escutar um grave pulsando e uma batida conduzindo o transe, pode ter certeza que África está ali. Portanto era de se esperar que o som eletrônico que carrega o grave no nome e que é a base do recente sucesso do dubstep e do trap encontrasse ecos em Salvador.

Formado por Mahal Pita, 26, e Rafa Dias, 24, o A.MA.SSA tem como objetivo conectar Salvador e a Bahia ao restante do mundo e o mundo a Salvador e a Bahia. “A música é uma das ferramentas”, dizem eles. Para eles o bass sempre esteve presente em Salvador, de uma forma ou de outra.

– Esse conceito bass, que de certa forma se aplica a um recorte recente, para nós foi sempre uma experiência bastante familiar. Ouvimos reverberar pela cidade essa sensação de potência, carros com paredões de som tocando pagodão, muitas vezes distorcido pela obsessão pelo grave, festas de largo com as tropas de percussionistas tocando nos surdos, de samba duro à samba reggae e, no topo da cadeia do poder sonoro, o carnaval, a cada ano maiores e mais potentes trios elétricos empurrando a massa – explica Mahal.

Grupos como A.MA.SSA, Som Peba, Bemba Trio, Mauro Telefunksoul, os DJs Hashta, Lucas Brasil, Kongo, Toshiro, Murilo Lobo e festas como Bass Down Low, Quintas Dancehall do Ministereo Público SoundSystem, as produzidas pelo Da A.Ma.ssa e pelo Coletivo Crokant, Sexxxta Bass (em Ilhéus), e Groove and Bass (em Vitória da Conquista). Recentemente parte dos artistas foram reunidos na coletânea “Bass Culture Bahia”, lançada pela governo do Estado, que serviu como catalisador da cena bass baiana e incluiu nomes já conhecidos como Baiana System e Lucas Santtana.

O DJ e produtor Mauro Telefunksoul, 37, parte dos coletivos Pragatecno, Crokant e do Naxapa Controle de Som, acredita que a “mandinga, percussão forte, suínge, calor humano e a musicalidade” do baiano são um fator diferencial no som produzido na boa terra.

– Cheguei a bass music através do Miami bass dos anos 90. Depois passei a tocar hip hop, digital hardcore, jungle, drum n bass, breakbeat, UK garage, grime até a a cultura do grave – conta Mauro, um dos pioneiros da música eletrônica na Bahia.

Para Mahal, uma revolução na concepção musical vem acontecendo em diversos guetos do planeta e em Salvador não é diferente.

– É música de periferia, baseada na tecnologia, ligada ao regional, mas sendo pensada mundialmente. Essas ressignificações não estão presentes apenas no contexto musical, estão em todo o entorno sociocultural. O pagodão atual possui em sua gênese a fusão de elementos da cultura urbana a sua própria referência de raiz: a chula, o samba duro, o lundu, o semba, o candomblé. Isso tornou sua rítmica inédita. Ao absorver influências contemporâneas, tornou-se um buraco negro, consumindo tudo que se põe ao seu alcance.

Pedro Marighella, 34, nome por trás do Som Peba e do OMÃ (esse com Thiago Felix), focado no pagodão e no arrocha, também enxerga um posicionamento político no som.

– Apesar da música de periferia ter a produção mais popular e instigante da Bahia, o estado ainda sofre muito com as diferenças sociais e o racismo. A parte da população que atua nessa produção não é diretamente atendida pelos benefícios que ela gera. Canibalizar essas referências é também uma ação política, um manifesto pela transformação necessária.
As referência estrangeiras pela qual são filtrados os sons locais seriam uma consequência inevitável.

– É muito difícil um jovem de Salvador não ter as influências do mundo nos dias de hoje. Nos anos 80, com a inclusão da região na cena global de world music, começamos a ouvir ainda mais música de diversas origens. No mesmo período a lambada, coupé decalé, zouk, pop africano influenciaram muito a música da Bahia. Influência estrangeira não são apenas músicas e bandas. Quando falamos em música eletrônica, o fato dos softwares não serem feitos no Brasil também conta, porque os bancos de samples, a linguagem empregada, os timbres dos synths deixam as sonoridades mais próximas. Começamos a ser musicalmente educados por tutoriais do Youtube – Pedro.

Ainda assim, não é fácil encontrar espaço para o som dessa bandas.

– Todo e qualquer som mais alternativo é complicado de se trabalhar por aqui. Apesar de Salvador ser a terra da música grave, como reggae e samba reggae, temos poucos lugares apropriados pra se ouvir um bom soundsystem, apenas trios elétricos nas ruas – diz Mauro.

Mahal aponta ainda o preconceito como fator dificultador.

– Ao mesmo tempo que temos um grande acervo, vasta matéria prima musical, carecemos de elementos extremamente básicos, de ordem estruturais e técnicas que acabam dificultando um progresso mais rápido e contundente. No caso específico da A.MA.SSA, que pertencemos ao universo do pagodão, ainda temos o agravante cultural e social, que é o preconceito e a resistência de quase todas as esferas da sociedade – Mahal.

Seu parceiro enxerga ainda outro empecilhos que impediriam até mesmo se falar em um cena local.

– Hoje não vejo uma cena, pois não há diálogo entre os produtores, as festas e o público, tudo é distinto – analisa Rafa.

Pedro rejeita a referência do “bass”.

– Me parece como a ironia pejorativa do “music” de “axé music”. Interessante é que o histórico do eletrônico na música pop baiana remonta ao axé mesmo. É frequente encontrar os nomes do argentino Ramiro Mussoto em créditos de disco dos 80 e 90 citado como “arranjo, samplers, programação MIDI e efeitos” ou simplesmente Carlinhos Brown tocando clap eletrônico na clássica “Fricote” de Luiz Caldas de 1985. Encontro meu “grave simbólico” nos três tipos de surdos dos blocos afro, mas estou numa boa com o “bass” cosmopolita. Amando-o e deixando-o.

Mahal é otimista na expansão do movimento grave que vem acontecendo.

– A Bahia vem assumindo cada vez mais o legado tropicalista de passear pelo mundo sem sair de casa. Já podemos observar o início dessas movimentações em outras cidades fora de Salvador. Mesmo que ainda bem tímido já é um sinal de amplitude.

Tchequirau

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“Eu achava que existia um ‘mundo das drogas’, e toda hora que a minha mãe dizia ‘ele se perdeu no mundo das drogas’, me perguntava por que as pessoas insistiam em continuar indo pra lá”. Esse é um exemplo dos depoimentos que você encontra no “Coisas Que Eu Achava Quando Era Criança”.

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