É com muito orgulho que o URBe apresenta a resenha exclusiva do UNDERmeSENSI, mantendo sua diagramação característica (valeu, Marcio!), da apresentação do Mad Professor na Casa da Matriz, na quarta feira. Como previsto, o soundsystem do Digitaldubs quase bota a casa abaixo:
Mad Professor y MC Gra Poetisa
foto: Marcelinho da Lua anda dizendo que é dele mesmo… Sei não.
–UNDERMESENSI?
–SIM SENHOR, VERY WELL…..
ISSO AÊ, NA NOSSA URBe,O NOSSO GOLE DE DRAMATICIDADE JAMAICANA
SMASH POTATO BOM mesmo, TEM QUE AMASSAR COM A MÃO, ENTÃO A PRIMEIRA PRESSÃO… A QUE FICA*……JAH ONTEM! *( no Marrocos se chama zero zero e em Portugal um bom azeite)
Segunda-feira. Rio de Janeiro. 850 pessoas no Circo Voador para ver um show que começou as 22h30. Acho que só quem é daqui sabe a quantidade de paradigmas que foram quebrados só no que está descrito nessa frase. Sem falar no fato que foi o público que trouxe o Miike Snow pro Rio, o que teve uma repercussão enorme.
Pra coroar, atingimos a meta e todos os 60 Cariocas Empolgados (incluindo, além de mim os organizadores Tiago Lins, Felipe Continentino, Pedro Seiler e Lucas Bori), que com o apoio da Tecla Music, Grupo Matriz, da produtora Das Duas e do canal Multishow viabilizaram a vinda da banda, tiveram seu dinheiro devolvido e assistiram ao show DE GRAÇA.
Parabéns para todos! Isso que é ser “very important people”, participar ativamente da vida cultural da cidade, não é ficar pertubando pra entrar de graça, sem nenhum motivo especial.
Depois do show, rolou Maldita (de graça para os empolgados e com desconto para quem tinha o ingresso) na Casa da Matriz, com direito a um set de um dos integrantes da banda.
Pra fechar, lançamos a nova mobilização (recebida aos urros quando foi anunciada no microfone): Queremos Belle & Sebastian no Rio! Agora tem até saite próprio, todos os detalhes estão lá:
Dessa vez não vou escrever muito sobre o show, mas digo logo, foi bonzão! Mais pesado do que o disco, surpreendeu positivamente. Só faltou mais ataque na bateria, fez falta uma pressão ali pra sacudir a galera.
Mantendo o espírito coletivo da empreitada, abro a casa pra quem quiser mandar seus relatos, vídeos, fotos. Vou colando e atualizando esse post ao longo do dia.
“(…) a graça tava mesmo no underground do palco: na plateia. Teve gente que falou, ouviu, bebeu (mas não dirigiu), sorriu e até pulou, mesmo em músicas que nem valiam essa empolgação toda. Enquanto isso, a toda hora alguém passava pelos cinco amigos – Pedro, Tiago, Bruno, Lucas e Felipe – para dar os parabéns, como se fosse o aniversário de algum deles. Na verdade, o clima era de um “feliz faça você mesmo” para todo mundo ali presente: os cinco e também Sandro, Carolina, João, Nado, Catharina, Daniel, Adrianna, Márcia, Zé, Marcelo, Gabriela, Antônio, Maria…”
“Havia chegado a hora, a tal noite em que o Miike Snow subiria ao palco do Circo Voador depois da iniciativa que mobilizou 60 cariocas e algumas empresas a financiar a vinda da banda ao Rio de Janeiro. Era uma segunda-feira, não se sabia ao certo quantas pessoas apareceriam pro show, mas chegando lá, a reação de todos era a mesma e nas rodinhas antes do show não se falava em outra coisa: “Tá cheio, né?”. Dava pra sentir o clima de realização em todos, mesmo naqueles ainda cansados do fim de semana. Teve um que chegou a fazer piada me dizendo: “Já é sexta-feira de novo, né?”, do lado de dentro do Circo Voador parecia sim.”
Texto da semana passada da coluna coletiva que publico todas as sextas no jornal O Globo:
Um dia no campo Um dia de sol em Londres para conferir o festival Field Day
por Bruno Natal
Num país onde festivais de música são verdadeiras instituições (Glastonbury já é praticamente um rito de passagem adolescente), após um início tímido o Field Day Festival começa a se destacar entre tantos outros eventos. Em sua quarta edição, realizada semana passada no Victoria Park, em Londres, conseguiu fugir das obviedades das repetitivas escalações dos concorrentes, quase sempre com os mesmos chamarizes, sem com isso comprometer seu apelo pop. Uma tarefa que soa mais fácil do que de fato é.
Ainda que não seja um festival de bandas independentes, a escolha do Phoenix como principal atração da noite definiu o tamanho do resto das bandas presentes no evento. Num país saturado de shows, o principal acerto do Field Day é ser fiel a própria proposta de ser médio, não apenas em termos de público (cerca de 20 mil), mas também das atrações que oferece.
Com curadoria de conhecidos grupos promotores de festas e shows londrinos (Adventures in the Beetroot Field, Bloggers Delight, Bugged Out, Eat Your Own Ears), as cinco tendas trouxeram bandas que talvez fossem atrações intermediárias em algum outro festival tendo a chance de se apresentar para um público atento, não apenas contando as horas para ver quem quer que fosse.
O dia de sol começou devagar e bandas como Is Tropical e Egyptian Hip Hop (que não tem nada de egípicio ou de hip hop, apenas uma molecada de Manchester mandando meio mal ao vivo) tocaram pra pouca gente. Ambas com integrantes mascarados, o que deve ser alguma nova tendência sem sentido.
Com o recém lançado “Crooks & Lovers” entre os discos mais elogiados do ano, o Mount Kimbie foi o primeiro a encher uma tenda, ainda que minúscula. Utilizando o dubstep como plataforma, a dupla expande a sonoridade, adicionando guitarras, percussão digital e analógica ao vivo, construindo bases atmosféricas e seguindo uma estrada ensolarada, paralela a aberta por Burial. Em seguida o Memory Tapes fez um show negando o que tem de mais interessante, substituindo as experimentações eletrônicas por uma formação guitarra e bateria sem graça.
Apresentado-se como “gênio musical”, o pianista Chilly Gonzales, colaborador de Feist, Peaches e Jamie Lidell, subiu ao palco de roupão e acompanhado por dois bateristas. Irreverente, o canadense autor da mixtape “Pianist Envy”, com versões ao piano de Daft Punk a 50 Cent e Beyoncé, mostrou habilidade no instrumento e ainda mais na interação performática com o público.
No momento brasileiro da noite, Gruff Rhys (do Super Furry Animals) se apresentou com o brasileiro Tony Da Gatorra. O californiano Dâm Funk, acompanhado de um baterista e de um tecladista, emulou o G-Funk de George Clinton – influência que não faz questão nenhuma de esconder, chegando a mostrar uma bandeira do Parliament Funkadelic no palco – e a marra do Prince, trocando o visual entre cada música.
Formada por oito irmãos, filhos do trompetista da Sun Ra Arkestra, Phil Cohran, os americanos do Hypnotic Brass Ensemble fizeram o melhor show do festival. Composta apenas por metais e uma bateria, a big band conquista assim que entra em cena, só pelo visual inusitado. Quando começam a tocar isso vira um detalhe e o que chama atenção é a tuba fazendo as vezes de baixo, a coreografia dos integrantes e o fato de tocarem perfeitamente encaixados sem partitura ou maestro. Caminhando pelo gramado, um dos integrantes afirmou que o HBE toca no Brasil, no Rio e em São Paulo, em outubro.
Líder da banda Deerhunter, Bradford Cox mostrou seu projeto parelelo, Atlas Sound, de músicas densas, tão delicada quanto seu físico, alterado por consequência de uma doença conhecida como síndrome de Marfan, que faz com que braços e pernas fiquem desproporcionalmente longos. Sozinho no palco, multiplicou seu violão através de loops, mostrando que folk não precisa ser apenas imitar o Bob Dylan.
No mesmo horário, o antes experimental Caribou mostrou as músicas de “Swim”, mais macias sem perder a psicodelia. O Phoenix entrou logo depois, herdando os problemas de som (baixo e abafado) que haviam prejudicado o Caribou. Com as guitarras baixinhas, a banda fez uma apresentação apagada, sem a pegada de sempre. É torcer pra durante o(s) show(s) do Brasil estarem perfeitos.
Nas saída o Moderat, projeto paralelo misturando Modeselektor e Apparat, sacudia a tenda. Ninguém se importando se esse não era o maior festival de todos os tempos, apenas ouvindo boa música. Estavam exatamente como sugeria a faixa acima do palco principal: como a formiga nos dias de verão.
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Tchequirau
Chocalho e ovinho é coisa do passado, viciei nessa bateria eletrônica online, encontrada por acaso, pra tocar usando o teclado. Perfeita pra você participar (e estragar?) a rodinha de violão dos seus amigos mais talentosos.
Piada irrestível: um dos melhores momentos, o TWBA em silêncio
Semana passada o The Whitest Boy Alive tocou no Rio e, pra resumir em uma palava, foi uma catarse. A platéia adorou, cantou junto como se todas as músicas tocassem no rádio e a banda brincou por uns momentos de ser maior do que é.
Voto vencido, fui dos poucos que não acharam isso tudo.
O baterista é um relógio, não erra nada. O problema é ser preciso demais para um som que pede suingue. O baixista, animalesco, até ajuda a balançar a coisa e o tecladista faz o papel principal, criando as melodias e fazendo a cama.
O problema pode ter sido o líder da banda, o guitarrista e vocalista Erland Øye, que passa boa parte do show dando esporro da platéia que fala demais — “como há quatro anos atrás”, disse, referindo-se ao show do Kings of Convenience no TIM Fest.
Os discos são muito bacanas. Ao vivo, sei não, falta sal naquilo ali.
Os deuses da músicas ouviram nossas preces e operaram um milagre na Apoteose. O show do Radiohead teve um som perfeito, como nunca se viu naquele lugar. O que um bom técnico de som não é capaz de fazer…
Thom Yorke não passou, segundo algumas fontes, duas horas fazendo aquecimento vocal em vão. Era indispensável que fosse assim para que as delicadas músicas do excelente “In rainbow” que ocupam boa parte do repertório soassem tão boas quanto aparecem no disco.
Infelizmente, o show perfeito em todos aspectos técnicos (a parte gringa da equação) contrasta com a produção capenga a que estamos acostumados (a parte brasileira).
Filas quilométricas para o banheiro, a impossibilidade de pegar bebidas com tranquilidade e a truculência dos seguranças justificam a percepção do público médio (aquele que se precisa conquistar para vender 35 mil ingressos) de que o programa é uma furada.
Ouvir um “vai se fuder” e outros poemas durante um show que custou a bagatela de R$200 (x2) só por ter perguntado se o armário iria ficar mesmo parado na minha frente bloqueando a visão não é uma furada, é um total desrespeito mesmo. Se a produção se interessar — o que eu duvido — anotei o número da camiseta do sujeito.
Los Hermanos, “Todo carnaval tem seu fim”
vídeo: marceloguy (enquanto o do URBe não sobe)
Contratados a peso de outro, a missão dos Los Hermanos era esgotar os ingressos que teimavam em não sair das bilheterias. Falharam duas vezes: as entradas não esgotaram e o aguardado show foi frio, com a banda desentrosada no palco, mesmo com muitos fãs fazendo o tradicional coral.
A única novidade foi “Cher Antoine”, tocada ao vivo pela primeira vez. De resto, foi abaixo da expectativa (que, sim, eram altas demais), com o show sendo muito prejudicado pela má qualidade de som.
Kraftwerk, “Aero Dynamik”
Espremido entre duas bandas cultuadas como poucas, a reação ao público Kraftwerk era a incógnita da noite. A música eletrônica totalmente sintética foi bem recebida pela turma mais acostumada as guitarras.
A apresentação tem toda a elegância, eficiência e simplicidade que se espera dos alemães. Tem quem diga que a cada turnê o show cai um pouquinho, devido a substituição dos teclados por laptops e, provavelmente, pelo fato de cada vez menos integrantes originais façam parte do grupo, restando apenas um.
Seja como for, toda vez que se assiste ao Kraftwerk o embasbacamento é o mesmo. É como se eles tivessem apertado e girado todos os botões de sintetizadores possíveis e imagináveis antes de todo o mundo.
Você escuta “Trans Europe Express” e pensa “pô, parece baile funk”, ouve “Tour de France” e se questiona como o povo do trance conseguiu estragar e desgastar tantos timbres bonitos, olha pro telão e vê de onde o Daft Punk ou Etienne de Crecy tiraram algumas de suas idéias.
O show curto incluiu as músicas mais conhecidas, como “Radioactivity”, “Autobahn” e “Musique non stop”. Faltou mesmo “Pocket calculator”.
O Kraftwerk serve como matriz para boa parte do que se ouve em música eletrônica hoje, sem soar velho ou antiquado, como se mesmo depois de gravadas essas músicas continuassem sempre a olhar pra frente.
O Radiohead entrou em cena com apenas 10 minutos de atraso em relação ao horário divulgado, garantindo uma noite tranquila para todos que dali ainda teriam que voltar para casa. Thom Yorke já chegou apresentando o Radiohead em português.
Nos dias anteriores ao show comentou-se bastante sobre o show no México que, pelo que se sabe, deixou a banda impressionada. Como bom brasileiro, logo pareceu que o troço iria se tornar uma espécie de competição, para decidir o público mais quente.
Logo na abertura, com “15 step”, com a Apoteose bem mais cheia, deu pra perceber que o público era respeitoso com a banda. Cantou-se todas a músicas, mas não aos berros. Bateu-se palmas, mas sem estalar alto as mãos. Os desatentos conversaram durante as baladas (ah, mas como não…), porém menos do que se esperava.
Casa cheia
A relação beirava a cerimônia, ainda que os integrantes do Radiohead chamassem o público, como não é do costume deles. Era como se depois de tanta espera, todos quisessem guardar aquelas notas na memória e os próprios gritos fossem um obstáculo. As excessões foram os coros mais fortes em “Karma Police”, “No Surprises” e “Paranoid Android”.
Talvez o Radiohead tenha estranhado a calma da platéia, talvez tenham ficado mesmo decepcionados com o público carioca, conhecido pela empolgação. Sendo esse o caso, provavelmente eles jamais saberão o quanto esse pequeno cuidado dos fãs fala da admiração pela banda.
Radiohead: o telão
Foi uma beleza poder ouvir em detalhes as experimentações de Johnny Greenwood quando se afasta da guitarra e vai mexer nos pedais e nos teclados. As interferências de rádios locais que ele sintoniza durante o começo de “National Anthem” deixaram muita gente sem entender de onde vinha tanto português.
Já tendo visto outros doisshows do Radiohead ano passado, dessa vez resolvi me afastar do palco na parte final, para poder apreciar o cenário de longe. Bom, por isso e porque as costas já estava pedindo arrego mesmo.
Os telões laterais e do fundo do palco mostram a banda de tantas posições que daqui a pouco vai faltar ângulo pra filmar de maneira diferentes. Saturando cores ou fazendo meias fusões, os efeitos aplicados nas imagens são sempre simples e extremamente funcionais. Porque bom gosto, como se sabe, não vem instalado no seu Mac.
Visto de longe, do alto da arquibancada, o cenário ganhava uma moldura bem carioca. A direita brilhava o Cristo Redentor e a esquerda o Morro da Coroa, com seu luminoso “Coroa paz” saudando a platéia. Pena que a banda não teve essa visão, pois diz tanto da cidade.
Dessa distância, os efeitos luminosos do palco ganham outros contornos, assumindo formas imperceptíveis de muito perto. Conversando com Mateus Araújo, ele levantou a hipótese de que durante “Everything in it’s right place” um texto fica correndo pelo palco, em letras gigantescas. Conhecendo a banda, faria sentido. Fica aí mais um enigma para ser desvendado.
Como um presente para platéia, uma demonstração de carinho, o Radiohead encerrou o show com “Creep”, seu primeiro grande sucesso e música que eles raramente tocam.
“Bom pra caralho”, como disse a banda em bom português ao final do show. Foi mesmo.
—
As músicas:
“15 step”
“Airbag”
“There There”
“All I Need”
“Karma Police”
“Nude”
“Weird Fishes/Arpeggi”
“The National Anthem”
“The Gloaming”
“Faust Arp”
“No Surprises”
“Jigsaw Falling Into Place”
“Idioteque”
“I Might Be Wrong”
“Street Spirit (Fade Out)”
“Bodysnatchers”
“How To Disappear Completely”
Bis
“Videotape”
“Paranoid Android”
“House of Cards”
“Just”
“Everything In It’s Right Place”
Tris
“You And Whose Army?”
“Reckoner”
“Creep”
* Dá pra assistir boa parte da apresentaçãona página do cybertechno, um doido que tranformou em regra pessoal filmar na íntegra e colocar no YouTube todos os shows que vai (nesse ficaram faltando algumas).
Cultura digital, música, urbanidades, documentários e jornalismo.
Não foi exatamente assim que começou, lá em 2003, e ainda deve mudar muito. A graça é essa.