resenha Archive

quarta-feira

15

dezembro 2010

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Deodato de volta ao Rio

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“Skyscrappers”

O arranjador chegou a ficar 15 anos sem tocar no Brasil. Semana passada esteve no Rio para mais um show imperdível, dessa vez “apenas” três anos após as suas últimas apresentações por aqui.

O repertório do show foi feito em conjunto com os curadores/produtores do evento, Batman Zavarese e Chicodub, deixando bem ao gosto dos fãs. Foi uma formação diferente das outras duas utilizadas por aqui (com a Jazz Sinfônica em São Paulo, com um trio no Rio) – e melhor.

O show esquentou muito nesse formato. No Teatro Casas Grande ganhou o calor que faltou nas duas apresentações na Sala Cecília Meirelles em 2007. Ao trio foi adicionado uma guitarra, percussão e um naipe de metais. Os dois últimos itens fizeram toda diferença.

Convidado para ilustrar o show, o designer Breno Pineschi criou um telão utilizando a técnica conhecida como map projection (português, por favor), criando um telão em profunididade e auxiliando muito a viajem psicodélica de Deodato.

Foi uma noite totalmente fora do usual, felizmente de casa cheia. Vamos ver se o Deodato encolhe ainda mais os períodos de ausência por aqui.

terça-feira

16

novembro 2010

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Of Montreal @ Seattle

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O Planeta Terra está chegando e o Of Montreal vem aí. Nosso correspondente em Seattle, Rodrigo, viu o show há duas semanas e conta como foi:

Voltei do show do Of Montreal, no Paramount, que é um lugar fenomenal, mas o som tava UM LIXO, os caras passaram o show inteiro saindo na porrada com os microfones e guitarras.

Agora, tirando o som, a empolgação e doidera dos caras é fora do padrão, rolou desde uma simples chuva de penas até o vocalista enrabando uma mulher vestida de porca. Crowd surfing do guitarrista foram dois, e eu perdi a conta do dos coreógrafos (ou sei lá o nome de quem fica dançando igual, fantasiado no palco).

Fora isso uma cena inédita na minha história de shows: guitarrista desce no meio da platéia e ajoelha, e com isso toda a comissão da frente da platía ajoelha junto! No fim todos pulam juntos quando a batida recomeça.

O bis foi um aburdo, com eles abrindo com “Thriller”, emendando “Wanna Be Starting Something”, do Michael Jackson.

Foi bom o show? Foi. Entrará pra história? Não. Culpa do som =(

ahhh e eu PS gigante: conhece a Janelle Monáe? Ela fez o show de abertura, canta pacas num som meio funk/soul com um sintetizador forte no fundo. Juro que teve uma hora que me senti assistindo uma coisa meio Jackson5 com Outkast.

Falta menos de uma semana para o show no Brasil.

sexta-feira

15

outubro 2010

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A calma e a elegância do Air no Rio

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Air, “Be a Bee”

Vestidos de roupa social branca da cabeça aos pés, comedidos e cercados de teclados e sintetizadores (Wurlitzer, Moog, Korg… ajustados entre cada música por um roadie de chapéu de mineiro chileno) cuidadosamente posicionados, um telão minimalista, a pose do palco… A elegância do Air beira a breguice.

É um risco milimetricamente calculado para resultar kitsch, fazendo brotar o adjetivo favorito para descrever a banda: chique. A estratégia (do grego strategía, do latim estrategia… divago) funciona, sem falhas. O ótimo show no Circo Voador ontem não deixa dúvidas.

No palco os franceses Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel recebem a companhia de um baterista (que também dispara as programações) e enquanto Jean divide-se entre pilhas de teclado, Nicolas se reveza entre o baixo e o violão.

Essa troca de instrumentos feita por Nicolas é o divisor, definindo as duas principais atmosferas do show, hora ensolarada e animada, hora encharcada de um peso lento, chapado.

Ao vivo a influência do Kraftwerk salta mais do que nos discos. A eletrônica gelada, os grooves retos, ainda que aquecidos pelo baixo ou entortados pelas teclas, serve como um filtro, por onde passa todo o resto: psicodelia floydiana, texturas kraut, transes trip hop, meditações dub e até mesmo l’amour da chanson francesa.

Nos momentos em que o violão toma frente, o Air poderia reivindicar para si o surrado título de Nu-Folk. Porque a mistura de eletrônica e sintetizadores com harmonias vocais e levadas de violão sim deveria ser chamada de novo folk. Essa nova leva de pseudos Bob Dylan é, no máximo, Folk-Again.

É quando a coisa pesa que ficam ais interessante. A construção de texturas, empurradas por linhas de baixo, permitem improvisos, solos de Moog (precisos, técnicos, porém viajantes) e mais liberdade para sair do programado.

O som estava bem tirado demais e o Circo, lotado, se esbaldou. Só faltou o rodízio de churrasco.

terça-feira

12

outubro 2010

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Bomba Estéreo taca fuego

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Quem esteve no Teatro Rival na última quinta-feira e viu o show do o Bomba Estéreo, promovido pela Dancing Cheetah, tem certeza de que quem perdeu, perdeu feio. Um dos principais grupos da cena latina de música pop, com os dois pés nas nas sonoridades terceiro-mundistas, os colombianos mostraram porque são um dos nomes mais comentados da “cena latino-americana” (uma generalização perigosa).

Ligado no 440 volts, a vocalista Liliana Saumet toma conta do palco com uma segurança que Lily Allen ou M.I.A. (a colombiana fica em algum lugar entre as duas) apenas sonham. Cuspindo letras agressivas enquanto faz charminho, a menina desembesta e toma a frente da banda, que começou como um projeto solo de Simón Meíja.

Fazendo jus ao termo “cumbia psicodélica” com o qual definem a própria música, a banda faz bom uso de efeitos e do poder dos graves, sem deixá-los alterar totalmente a essência das influências folclóricas/tradicionais colombianas, as frases de guitarra sempre lembrando a nossa guitarrada.

Foi a segunda vez que o Bomba Estéro tocou no Brasil (estiveram aqui dois anos atrás no RecBeat, em Recife). Mesmo com passagens elogiadas por festivais como SXSW, Summer Stage (NY), Sónar (Barcelona), Roskilde (Dinamarca) e Lovebox (Londres), a barreira das letras em espanhol ainda parece sólida por aqui.

É uma pena a casa não ter ficado lotada. Mas o público vai crescendo. Se houver terceira vez, não perca. Tem poucas banda voltadas para pista como o Bomba Estéreo.

segunda-feira

11

outubro 2010

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Apanhado do PercPan 2010 RJ

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Buraka Som Sistema

Baseado na única apresentação que havia assistido deles, com um DJ e dois MCs, se alguém me dissesse que o Buraka Som Sistema seria o destaque desse PercPan, ainda mais dividindo a noite com o Hypnotic Brass Ensemble, não apostaria dois tostões.

Só que eles chegaram maiores, com uma formação que inclui uma bateria, percussão e programações. O volume que isso gera visualmente no palco se reflete no som. A apresentação cresce muito. Mesmo já estando tarde e com o público não se empolgando muito, ninguém foi embora. Impacto teve.

Durante todo o show fiquei pensando como é que pode não haver UMA banda de funk (baile funk) nesse formato. O surrado DJ-MC segue sendo a regra, desperdiçando um potencial gigante. Tem a do Catra, mas isso é uma outra história.

Estou falando de um formato feito pra bombar uma pista de dança, um palco ou um clube, independente do público ser iniciado ou não nas batidas. Uma apresentação com um apelo mais pop, sem sentido pejorativo no termo.

Mesmo considerando qualquer limitação financeira, passou da hora do funk dar um passo a frente tanto em sentido de referências (e nesse sentido o Sany puxa o bonde) quanto de formato. Fico pensando no estrago que faria uma banda com bateria, programação, um MC violento e um repertório, de clássicos e/ou inéditas. João Brasil, aproveita que está em Londres e vai que é tua, lenda!


Hypnotic Brass Ensemble

Tocando antes do Buraka, o Hypnotic Brass Ensemble lutou contra a dificuldade de fazer a platéia de fato pular e se empolgar (culpa, talvez, do excesso de convidados). Pediram, falaram, insistiram numa participação do público que nunca veio.

Depois do show, muita gente reclamava do excesso de blá blá blá e da postura “yo, rap” do grupo. Não sei exatamente o que esperavam de um grupo de músicos de rua com forte influência exatamente do hip hop. Um concerto, com todos sentados, certamente fugiria muito da proposta. Pode ter faltado entendimento, ou aceitação, do que a banda tem pra apresentar, porque o show foi bonzaço.


Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou

Duas noites antes, no Teatro Casa Grande, os ritmos africanos da Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou sofreram com o som precário, sem graves e repleto de agudos de furar os tímpanos, além da ausência de um dos guitarristas, que não veio ao Brasil por medo de avião. Ainda assim foi um bom show.

As Tucanas tocaram antes, nuna tentativa bem ingênua de apresentar sons percussivos africanos, soando como uma banda de final de ano de algum colégio alternativo. Fechando a noite, o peruano Novalima também não agradou, com um som e formação meio farofada, esvaziando o lugar antes do final.

Tucanas