resenha Archive

segunda-feira

24

novembro 2008

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O segredo da mudança

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Móveis Coloniais de Acaju, “Como vovó já dizia”
+ entrevista sobre o novo disco, “Complete”

Num show do Móveis Coloniais de Acaju, por mais estranho que possa soar, a música acaba assumindo um papel secundário.

Pode parecer esquisito falar isso de uma banda de 10 integrantes. Quer dizer, até você testemunhar a presença de palco do grupo, tranformando um mero show numa performance interativa onde as músicas são apenas um elemento da equação.

Preparando o segundo disco, “Complete”, produzido por Carlos Eduardo Miranda, os brasilienses mostraram algumas músicas novas, misturadas as certeiras de sempre “Copacabana” e “Seria o Rolex?”.

Espremido entre metais, bateria, guitarra, teclado e baixo, o vocalista André Gonzales consegue encontrar espaço para pular e dançar como se estivesse sozinho no palco.

O resultado fica escrachado na cara do público e dos integrantes: a troca de energia gera sorrisos e mais sorrisos, no palco e na platéia, daqueles que só vem de quem está realmente se divertindo. Esse é o segredo.

segunda-feira

24

novembro 2008

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Universo psicodélico

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Cidadão Instigado – “Minha imagem roubada”: atenção
aos metais tocados através da guitarra.
obs: o iMovie gerou automaticamente uma tarja 16:9,
resultando nesses enquadramentos de bêbado

Um dos mais talentosos compositores de sua geração, Fernando Catatau e seu Cidadão Instigado chaparam a tenda do Claro Cine com sua psicodelia, a base de Jovem Guarda, Santana, guitarrada, bagaceiras eletrônicas e letras insanas. Algumas músicas chegaram aos dez minutos de duração.

Já se vão três anos e pouco desde o lançamento de “O método túfo de experiência”, um clássico (“O tempo”, “Pinto de peitos” e “Os urubus só pensam em te comer” e “Te encontra logo” são desse disco).

Produzindo o novo disco de Arnaldo Antunes, Catatau promete para ano que vem o terceiro do Cidadão Instigado e vem mostrando algumas músicas nos shows.

Tinha tudo pra espantar os desavisados, só que a estranheza é tão boa e tão criativa que conquista até quem não nunca ouviu falar. O tempo há de fazer justiça ao trabalho do Catatau.

Circulando pelo local após a apresentação, foi grande a quantidade de gente que veio cumprimentar Catatau. O resto da banda é um esculhacho. É sempre um bom show. Sempre. Tem pouca coisa no mesmo nível.

A festa continuou até tarde com os pernambucanos da I Love Cafusú.

terça-feira

11

novembro 2008

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Festão

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URBe TV: video-entrevista com Kele Okereke e fotos

O Bloc Party tem a fama de fazer shows mornos. Foi assim no Coachella, disseram que foi assim em São Paulo e tinha tudo pra ser assim no Rio.

Só que o Rio não é conhecido do jeito que é a toa. Não é por acaso que trocentos bandas escolhem a cidade para os seus DVDs “live in Rio”.

As baixas expectativas e despretensão também devem ter ajudado para o sucesso da noite, assim como a boa organização.

Em plena segunda-feira, a combinação de ingressos a preços justos (R$60 doando um quilo de alimento, o que é uma iniciativa bacana), pontualidade (o show marcado para as 22h começou as 23h, praticamente final de tarde para os padrões carioca) e som bem passado foi infalível.

Dependendo do que se espera de um show do Bloc Party, pode ou não ser uma decepção. Tocando num lugar pequeno e apenas para o seu público, os ingleseses mostraram que dão conta. Quem foi apenas para ouvir o que eles tinham pra apresentar, se divertiu bastante.

As músicas do novo disco, “Intimacy”, ajudam bastante a dinâmica do show, com momentos de experimentação com equipamentos e eletronices que distanciam o Bloc Party do seus contemporâneos da tal cena “rock dançante”.


Kele atende os fãs após o show

O show, que terminou com um coro de “Rio! Rio! Rio!”, foi uma tremenda dose de auto-estima para cidade. Bom, pelo menos para quem estava lá.

* já botaram o show INTEIRO no YouTube, filmado da beira do palco.

sexta-feira

24

outubro 2008

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Carência

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Sonny Rollins
fotinho fora de foco, feita lááá de longe
URBe Fotos

Para muito além da música, é impressionante como um evento cultural (como o Tim Fest) pode falar tanto de uma cidade (como o Rio) e do estado das coisas.

Um dos dias mais estranhos desse último ano em Londres foi quando descobri, por acaso e apenas no dia seguinte, que havia ocorrido uma etapa do Red Bull Air Race na cidade. No dia do evento, circulei bastante e não notei nada de diferente. Nenhum tumulto, nada de confusão. A corrida só aconteceu para quem esteve interessado em acompanhar.

Quando esse evento (ou outro do mesmo tamanho, ou até menor) acontece no Rio, a cidade pára. Não interessa se você não se importa com corrida de aviões, você está fadado a passar o domingo preso em engarrafamentos e outras alegrias do gênero.

O motivo é muito claro, tem a ver com a carência (não só) do Rio por grandes eventos minimamente bem produzidos — além, óbvio, da infra-estrutura precária. Lembrei dessa história ontem, durante o show do Sonny Rollins.

É essa carência que desperta a quantidade gigante de reclamações em relação ao evento, da produção a escalação. São tão raras as chances de se ver algo interessante que faz disparar o nível de exigência quando elas aparecem, no que em outras circunstâncias deveria ser apenas um show.

Se isso explica os ânimos exaltados em relação ao Tim Fest 2008, não justifica erros como o PA magrelo, sem graves e estalando, os atrasos e o desrespeito com as leis.

Uma das principais reclamações é em relação ao preço dos ingressos, absurdos de caro, ainda mais se comparados com os 100 reais cobrados pelo Planeta Terra pra ver todos os shows da escalação oferecida por eles.

A julgar pelos comentários que se ouvia antes do show, Sonny Rollins deve ser um dos maiores nomes da música no Brasil. A quantidade de vezes que eu ouvi “cara, não perderia esse show por nada, ele é incrível” (o adjetivo da vez, incrível, normalmente é dito com uma expressão meio blasé) faz pensar porque o show do sujeito não é uma data oficial do calendário do Rio.

Carioca é um bicho esquisito. Qual o problema de dizer que estava indo lá atrás da lenda, para conhecer mesmo? Acredito até que essa é uma das funções do evento, divulgar e criar público para a boa música. Não sou entendido em jazz (o que eu conheço um pouco mais e gosto é o samba-jazz brasileiro) e não vejo problema em admitir que se ouvi três músicas do Rollins na vida, foi muito.

O show foi OK, muito prejudicado pela tradicional má qualidade de som (fritando sem parar), por uma iluminação multi-colorida mais apropriada ao Cirque du Soléil e, principalmente, pelo tamanho do lugar. Será sempre um mistério incompreesível porque investem tanto dinheiro em cenografia em vez de equipamentos (e técnicos!) de som de qualidade, num evento de MÚSICA.

Certamente a intenção ao colocar o Sonny Rollins no maior dos palcos foi a melhor possível. Acontece que um show de jazz não cabe num lugar daqueles. Como alguém comentou, “jazz não combina com PA”. Ainda mais com os BPM lentos das músicas tocadas. Perdido, lá no fundo da tenda, entre o vai e vêm das pesssoas, a reação involuntária era a dispersão.

Nas mesas em volta a fumaça subia, sem pudor, apesar do aviso de “proibido fumar” e de uma lei em vigor no Estado. Perguntei ao segurança a respeito disso e a conversa foi curiosa.

Segundo ele, a “orientação era pra não incomodar quem estivesse fumando”. Ué, mas não é uma lei? “Pra você ver…”. Num momento em que se fala tanto em mudanças, é assustador ouvir um troço desses. Mudanças, sim. Lá no quintal dos outros, né.

Na Casa da Matriz, onde a fiscalização está batendo forte, contam que a orientação aos seguranças é bem outra. Na marca do pênalti pra perder a licença, a Casa está cumprindo a lei bonitinho. Como no exterior, além da educação, é a pena que faz a lei ser seguida. A produção do Tim Fest talvez não esteja preocupada com a fiscalização.

Como ia dizendo, um simples evento de música pode falar muito de uma cidade e sua sociedade. Vai vendo.

quinta-feira

23

outubro 2008

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