resenha Archive

sexta-feira

9

dezembro 2011

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Murcof e a performance na música eletrônica

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Um apresentação memorável deve se destacar em dois quesitos (ao menos): o musical, óbvio, e a performance. Ontem, Murcof sobrou na primeira parte na sua apresentação no Novas Frequências. Construções ambiente com arranjos de cordas sinteizadas, cortes, batidas tortas, é um recital de um homem só.

É aí que vem o problema. Por se tratar de apenas uma pessoa sentada de frente para o computador, a performance simplesmente não existe. É um problema recorrente quando se fala em apresentações de música eletrônica, uma reclamação que vem desde quando se começou a colocar os DJs em cima do palco, amplificado na era da música de laptop.

É como se estivesse ouvindo um disco em grupo – o que em parte é o desejo de Murcof, que queria ter se apresentado totalmente no escuro, sem aparecer. A sensibilidade ao montar os arranjos ao vivo, controlando os efeitos, entrada e saídas de cada canal, num fluxo contínuo de sons é perceptível. O que faz falta mesmo para quem assiste é ter algo para acompanhar, uma vez que é um show, não uma audição.

Talvez um telão com uma câmera mostrando o que se passa na tela (quem nunca colou vendo guitarristas ao vivo?) e o uso dos periféricos talvez enriquecesse a experiência Talvez não, apenas tirasse o foco da música, dos sons. E era com isso, e somente com isso, que Murcof estava preocupado. Essa parte ele entregou, com louvor.

quinta-feira

8

dezembro 2011

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Sun Araw no Rio

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A sensação após o show do Sun Araw, ontem abrindo o festival Novas Frequências, foi atordoante. A chapação proporcionada por camadas e mais camadas de guitarras e sintetizadores, batidas programadas da MPC, ecos, delays e efeitos de pedal, fizeram alguns dormir. Outros, mais insistentes, mergulharam nessa maçaroca sonora, em busca do grave, lá no meio, pulsando calmamente, amassando o cérebro, como um prêmio pela aventura.

Liderado pro Cameron Stallones, sósia magrelo sósia do Anthony Kiedis (RHCP), o trio reconstrói as músicas gravadas solitariamente pelo texano em seu quarto em Los Angeles. Psicodelia e repetição são palavra de ordem, loops de linhas de teclado e de guitarra induzindo ao transe, linhas de baixo vindas do dub. A ligação coma  Jamaica é forte, recentemente Cameron foi a Jamaica gravar com o The Congos.

Perto do final do show, um dos cabos da shahi baaja ( instrumento indiano tocado por um dos músicos, googlei essa, óbvio) deu o famoso Maucon (mau contato) e saiu de cena. O acontecimento evidenciou que a dinâmica constante, deixando o som um tanto reto, poderia variar mais. Soou bem sem o instrumento, poderia variar mais.

O problema foi também responsável pelo “momento extintor de incêndio no museu” da noite. Ninguém teria percebido que se tratava de um defeito se o músico não tivesse apontado. O ruído causado pelo cabo era totalmente compatível com a sonoridade lo-fi do Sun Araw. Numa banda tão experimental, faltou incorporar o imprevisto.

Nada que tenha prejudicado a apresentação, uma das grandes surpresas do ano. Nem passava pela cabeça ver o Sun Araw ao vivo, muito menos no Rio.

segunda-feira

24

outubro 2011

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Corta. Cola. Deleta.

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foto: URBe Fotos

O título é só pra não perder a piada, um exagero – e as mais de 1.500 pessoas alucinadas com o show no Circo Voador ontem certamente discordam. Fui disposto a gostar, pra mim é que não dá, mesmo. Esse Cut Copy é chato pra dedéu. Timbragens bregas, “estilo Songify” como ouvi dizer por lá. Só gosto deles remixados. Por outra pessoa.

quarta-feira

19

outubro 2011

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Wado, "Samba 808" (2011)

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Demorou mas chegou. Ontem a noite Wado soltou “Samba 808”, seu sexto disco. No Twitter, antes de fazer comentários sobre cada música, o compositor anunciou o lançamento como um parto. A ilustração do rescém-nascido da capa seria então uma espécie de metalinguagem, dupla (tripla, considerando “Feto”, música do primeiro trabalho): nasceu não apenas o disco, como, cinco bolachas depois, nasce também o Wado. Ou um Wado, por precaução, já que o catarina radicado em Alagoas segue se reinventando.

Lançado exclusivamente em formato digital, não há previsão de lançamento físico. O CD é mesmo dispensável, um vinil iria bem. Seja como for, é uma atitude interessante. Sem gravadora, selo, nada. É o disco e a internet, a “cultura MP3”, como explicou Wado no texto de apresentação.

Em “Samba 808”, os sambas, funks e as chapações ensolaradas da tríade “Manifesto da Arte Periférica”, “Cinema Auditivo” e “A Farsa do Samba Nublado”, sempre enfeitados por efeitos eletrônicos e camadas de sintetizadores, encontram as batidas terceiro mundistas do “Terceiro Mundo Festivo” e a diáspora negra cantada em “Atlântico Negro”, quando Wado inverteu a ordem dos fatores e a programação ganhou destaque.

Equilibrando-se entre essas duas variações – eletrônica ao fundo ou a frente – “Samba 808” encontra, desde o título, a mistura exata. É um disco catalisador de ideias musicais espalhadas pelos outros trabalhos. Aqui, como de costume, as referências são absorvidas, filtradas e devolvidas de maneira sutil, onde as timbragens são mais importantes do que emular batidas.

Num disco carregando “samba” no nome, “Não Para Não”, re-interpretação chapada do funk “Elas Estão Descontroladas”, demonstra até onde se estica o conceito de “versão” de Wado – fará Tom Zé feliz. O sopro de inovação chega longe. Um dos destaques do disco, “Com a Ponta dos Dedos” coloca Marcelo Camelo sobre uma base eletrônica (primeira vez?) – e traz de brinde uma Mallu não-creditada.

Ao que parece, Wado chegou e cansou de esperar. E se gente suficiente não escuta suas composições pelo caminho usual, ele está disposto a encontrar algum atalho. Das dez músicas, sete tem alguma participação especial. A lista pode abrir portas físicas e janelas virtuais para Wado em diferentes públicos: além de Camelo; Zeca Baleiro, Chico César, Curumin, Fabio Góes, Fernando Anittelli, André Abujamra e Alvinho Lancellotti também participam.

Tomara. Disco após disco, Wado continua não recebendo a atenção que merece. Já é hora disso mudar, de vez.

Ouça todas as músicas:

O próprio Wado escreveu o texto de apresentação do “Samba 808” e comentou cada faixa no twitter:

segunda-feira

19

setembro 2011

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Tudo rosa: Ariel Pink e Pains no Circo Voador

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Ariel Pink
fotos: URBe Fotos (via Instagram)

“Esse Ariel Pink é maluco”. Essa deve ter sido a frase mais repetida na noite de sexta por quem viu o sujeito no palco do Circo Voador a frente da sua banda de apoio, o Haunted Graffiti. Líder da banda e tido com um dos precursores da onda lo-fi, Ariel vive no seu próprio mundo. Diz que não ouve música e que pouco se importa em ser referência.

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