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terça-feira

24

março 2015

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Transcultura #161: Natalie Prass // Jungle

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NataliePrass_OGlobo_Transcultura_2015

Texto da semana passada para “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo.

Fossa indie
Arranjos grandiosos e letras sobre desilusões amorosas marcam a estreia da cantora americana
por Bruno Natal

Normalmente, o disco de uma cantora é dominado pela voz da mesma, ainda mais um que carrega o nome da própria no título. Embora as composições e o canto da americana Natalie Prass sejam o centro das atenções, são as luxuosas cordas e os metais que roubam a cena em seu homônimo disco de estreia. Os arranjos amplificam a voz delicada, quase vulnerável, complementando a interpretação.

Grandiosos, eles foram executados por mais de 30 músicos no estúdio do selo Spacebomb, na Virgínia, onde o disco foi gravado. Ao vivo, como nos shows que ela fez nesta semana no festival SxSW, em Austin, no Texas, a formação da banda tem bateria, baixo e guitarras, uma delas tocada por Natalie.

— Foi um desafio não ter as cordas quando montamos o quarteto, porque definitivamente não havia orçamento para trazer uma orquestra pro palco — explica Natalie, após a primeira dessas apresentações, no pequenino e abarrotado Cheer Up Charlies. — Os arranjos se tornaram uma parte central das músicas, então foi divertido transferir as partes do cello para o baixo e dos metais para guitarra.

Outro destaque importante na sonoridade do disco, o teclado Wurlitzer deu defeito na passagem de som e não pôde ser utilizado, tornando o show mais curto. Ainda assim, se tivesse funcionado, teria sido tocado pela própria Natalie, se revezando entre as teclas e a guitarra.

— Um dia espero ter um tecladista fixo na banda. Estávamos em turnê com o Ryan Adams por um mês e o tecladista dele, que também gravou no disco, tocou nos shows, e fez muita diferença.

A voz de Natalie já gerou comparações com Janet Jackson, por conta da versão de “Any time, any place” (gravada pela irmã de Michael Jackson no álbum “Janet”, de 1993). Outra versão curiosa no show foi “She’s like the wind”, originalmente interpretada por Patrick Swayze no filme “Dirty dancing”.

Com influências de soul, r&b e country, o independente “Natalie Prass” traz letras sobre os dramas do amor, dores de cotovelo, corações partidos etc. Da desilusão da abertura com “My baby don’t understand me” ao encerramento no estilo princesa da Disney de “It is you”, Natalie fala de triângulos amorosos (“Christy”), falta de confiança (“Why don’t you believe in me”) e de paixões inescusáveis (“Bird of prey”).

Produzido por Matthew E. White, que também assina os arranjos, e Trey Pollard , o disco estava pronto desde 2012 e só agora a autora, de 28 anos, pôde ver o trabalho lançado. O motivo do atraso foi o inesperado sucesso, naquele ano, do primeiro lançamento do selo, o disco “Big inner”, de White, que consumiu boa parte do tempo do Spacebomb, do qual ele é dono.

Natalie e White se conhecem desde os tempos de colégio, nas praias de Virginia Beach, quando tocaram em algumas bandas de rock juntos. O reencontro se deu em Nashville, para onde Natalie se mudou após não conseguir se adaptar a Boston, onde passou um ano estudando no Berklee College of Music. Enquanto seu disco não ia para a rua, ela excursionou com a compositora e atriz Jenny Lewis e gravou mais dois discos, ainda sem previsão de lançamento.

— Não sei vou lançar esses discos, talvez algumas músicas avulsas. Duke Ellington queimava suas partituras. Não sei se essas músicas têm um lugar no mundo, mas fico feliz de tê-las composto — diz ela.

Tchequirau

Uma das bandas mais elogiadas da atual temporada de shows, o Jungle fez uma versão do hit do Mark Ronson com participação de Bruno Mars, “Uptown Funk”.

sexta-feira

6

março 2015

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Transcultura #160: Pete Hebert e Dicky Trisco na Moo

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transcultura_petehebert

DJs britânicos são atração da versão ‘mini’ da Moo
Festa acontece hoje no hotel Pestana, com Pete Herbert e Dicky Trisco
por Bruno Natal

Ainda uma das festas mais bacanas da cidade, a Moo tem realizado edições num formato reduzido, as (mini) Moo. Hoje acontece mais uma, na cobertura do hotel Pestana, em Copacabana. Mantendo a tradição de receber atrações internacionais, são os DJs e produtores britânicos Pete Herbert e Dicky Trisco que fazem o som da noite, ao lado dos residentes Diogo Reis, Badenov e Vitor Kurc.

A edição celebra também o lançamento do primeiro EP do selo Mareh Music, sediado em São Paulo. “Mareh 001” inclui a faixa “Disco chocolate”, da dupla que se apresenta na noite, além de “Nerve control”, do nova-iorquino Eric Duncan, atração de uma edição anterior da festa.

Além de disponível para download, o EP foi lançado em vinil, com distribuição na Europa, EUA e Japão. Sócio da Mareh, que organiza também festas disputadas pelo litoral brasileiro, Guga Roselli conta que o selo lançará produções de artistas nacionais.

— Os próximos nomes incluem a dupla Selvagem, formada por Millos Kaiser e Augusto Olivani, e Vitor Kurc — revela Roselli.

Herbert volta ao Rio depois de ter tocado aqui em 2009, numa outra edição da Moo.

— Só toquei no Rio naquela vez e foi um festão, gente legal e uma atmosfera ótima. Vamos fazer um set nos revezando a cada música. A ideia é tocar disco, house, balearic, techno e qualquer outra coisa que der vontade conforme a noite avançar. Assim que é divertido — garante ele.

Segundo Herbert, a faixa lançada pela Mareh reflete boa parte de suas experiências nas pistas.

— Começamos a trabalhar nessa faixa em meio às festas de fim de ano organizadas pela Mareh, em 2013, então a produção é completamente influenciada pela experiência nesses eventos. Nós também começamos nosso próprio selo, Paradise Row, com músicas que tentam capturar essa mistura de pessoas e diferentes estilos num lugar só.

segunda-feira

23

fevereiro 2015

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Transcultura #159: Mensagem de Amor // Jungle

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Transcultura_Oglobo_FelipeGuga_2015

Texto da semana passada para “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo.

Mensagem de amor
Em resposta às dores de uma separação, designer cria série de desenhos que fazem sucesso on-line e já planeja livro e mostra
por Bruno Natal

Foi um coração partido, esse amargo combustível, que empurrou Felipe Guga — 35 anos, designer de formação, ilustrador de ofício, artista de colagens e DJ de várias festas do Rio — em direção a uma série de desenhos que fazem sucesso on-line. Ainda sem título, a sequência de ilustrações traz mensagens positivas, de certa forma na contramão de muito do que se vê em redes sociais.

— Essa série começou da forma mais básica e clichê possível: necessidade. A ideia surgiu após eu ter um relacionamento afetivo rompido, antes da virada do ano. Senti a necessidade emocional de gerar um conteúdo 100% ligado a coisas leves e para cima, tanto para eu mesmo superar essa dor, quanto para quem mais se identificasse com isso — conta Guga. — Queria colocar no mundo um desenho ou uma frase que pudesse atingir outras pessoas e fazer vibrar, espalhando amor e luz. Por isso escolhi materiais e canetas com cores flúor.

felipeguga_amor_02

As frases escolhidas têm fontes e inspirações diversas. De Osho, Ghandi, Jesus e Manoel de Barros a ditados populares, às vezes adaptados. As palavras ganham ilustrações que complementam a mensagem.

— O amor sempre foi falado por algumas dessas pessoas iluminadas, mas muitos não estavam escutando quando foi dito. A frase “perdão é o detox do coração” é minha, por exemplo, e foi uma das ilustrações mais repostadas da série — diz Guga.

Nas redes sociais, Felipe Guga compartilha diversas outras séries, conforme vai realizando-as, em tempo real. O processo criativo é simples: escolher uma frase e fazer a ilustração, simplificando o traço e conservando as imperfeições gráficas.

— Quando desenvolvo alguma ilustração diferente de tudo o que já fiz ou que tem potencial para se desdobrar, entro de cabeça. Fazendo um paralelo com meu trabalho de DJ, eu diria que uma série é um set, ele ganha mais força e sentido a partir do momento em que acrescento músicas — explica Guga.

felipeguga_amor_01

A repercussão foi instantânea, e o objetivo inicial de espalhar vibrações positivas foi atingido, acredita ele.

— A parte mais surpreendente desse trabalho é ver pessoas postando as imagens sem me dar crédito. Acho elegante quando creditam, mas as pessoas se apossam da mensagem e isso significa que saiu do controle e é legal. O amor não tem dono, é uma energia, não sou dono do amor, sou dono da imagem, mas se a imagem foi repostada sem crédito está perfeito também, significa que a energia se espalhou. Minha maior frustração como designer de estampas é nunca tido uma delas pirateada na Uruguaiana. Não há fator de sucesso maior do que isso — brinca.

O plano agora é transformar as ilustrações em uma exposição ainda neste semestre, com trabalhos à venda e, eventualmente, num livro reunindo todas as imagens.

— Estou negociando para expor algumas peças, umas 30 ao menos, já são 130 no total. A ideia do livro está latente, estou produzindo diariamente e bastante para ter conteúdo e material suficiente a mostrar para algum editora, já com a coisa bem encaminhada— planeja Guga.

Tchequirau

Conhecido pelos ótimos clipes, o Jungle lançou mais um. Dirigido pela própria banda, em parceria com Oliver Hadlee Pearch, “Julia” apresenta mais uma coreografia inventiva e bela fotografia.

sexta-feira

13

fevereiro 2015

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Transcultura #158: Aori // Back to the Moon

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Transcultura_OGlobo_Aori

Texto da semana passada para “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo.

Rimas Atualizadas
Pioneiro do hip-hop carioca e ex-integrante da cultuada dupla Inumanos, ele volta com novo EP, cobra profundidade do gênero e aposta em produções assinadas por mulheres
por Bruno Natal

Um dos nomes mais atuantes do hip-hop carioca e nacional, seja à frente da dupla Inumanos (ao lado do DJ Babão) ou como mestre de cerimônias da tradicional disputa de rappers Batalha do Real, o MC Aori saiu de cena e foi se dedicar ao marketing. Dez anos após o lançamento de “Volume dez”, único disco do Inumanos, ele volta ao microfone para lançar o EP “Anaga”.

— Nunca deixei de ser um MC na minha mente, mas foi preciso energia extra pra organizar essas histórias — conta ele. — Fiz hip-hop por 15 anos seguidos, sem parar, e dei um tempo pra refrescar a mente. Reciclei as ideias e agora tenho mais histórias pra contar, a partir de um novo ponto de vista. Nesse EP as histórias são bem pessoais, não é fácil botar isso pra fora.

Antes de “Anaga” — produzido por DJ Babão e Berna, com participações de Maomé (ConeCrewDiretoria) e Marcão Baixada —, o último lançamento de Aori havia sido a mixtape “Aumenta o volume”, em 2009. Além dos amigos e parceiros querendo ouvir coisas novas, o maior impulso para rimar de novo veio de casa.

— Hoje em dia a cena está revigorada, o que me motivou a bater essa bola com a galera de novo. E também queria que a minha filha tivesse essa imagem do pai músico — diz o MC, pai de Aaliyah.

Diferente das letras do Inumanos, repletas de metáforas exageradas, “como num gibi da Marvel”, Aori resolveu falar, de maneira mais leve, de coisas cotidianas. Segundo Marcão Baixada, as músicas são como crônicas, pequenos contos, “sobre nada”. As batidas secas e sem firulas valorizam o discurso.

— “Clima”, por exemplo, é um monte de divagações rimadas durante um dia muito quente de verão no Rio. Quem é daqui ou já passou um dia desses entende e sente o que rola no seu cérebro quando o termômetro bate 40 graus. Temos que andar sempre na batida, senão… — brinca o MC.

Para Aori, a popularização do hip-hop no Brasil e o acesso mais fácil à tecnologia mudaram a cena — nem sempre para melhor.

— De certa forma, o rap perdeu a potência no discurso, a representação. A cena está superviva, com muitos talentos, mas a gente não pode perder os fundamentos e a integração entre os elementos: rap, break, grafite e DJ. A velha e nova geração têm que se conectar e se comunicar, precisamos dividir o conhecimento — avalia.

Apontando na direção de nomes como Joey Bada$$, Roc Marciano, Childish Gambino e Run The Jewels, Aori enxerga no rap feminino o futuro do gênero.

— A cena de batalha lá fora está forte, pagando prêmios milionários. Por aqui, o hip-hop das mulheres é o novo caminho. O rap delas está muito mais verdadeiro que o dos homens. O rap do Brasil tem que se aprofundar, tem que promover o debate, não podemos empurrar as coisas para debaixo do tapete — afirma MC Aori.

O próximo disco não deve demorar tanto, garante ele. Nos planos do MC, está a volta do Inumanos.

— Vem aí o “Volume XI”! — anuncia. —Na real, esse EP é um esquenta para uma volta mais produzida. O Babão é um dos grandes responsáveis por esse EP, foi ele quem finalizou a pós-produção.

Tchequirau

O curta documentário “Back To The Moon” (“De Volta a Lua”) foi produzido pelo Google para divulgar a competição Lunar XPrize, patrocinada pela empresa, em que equipes estão sendo desafiadas a pousar um robô na lua. Dá um belo panorama da exploração espacial.

segunda-feira

2

fevereiro 2015

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Transcultura #157: Viet Cong // Super Bowl

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Transcultura_OGlobo_VietCong_2014

Texto da semana passada para “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo.

Banda canadense Viet Cong arranca elogios da crítica com disco de estreia
Álbum é uma boa trilha para curtir um sábado de sol com um belo casaco de moletom preto na praia
por Bruno Natal

Mesmo morando a muitos quilômetros do delta do Mekong, um grupo de canadenses formou uma banda e resolveu batizá-la com o nome dos guerrilheiros vietnamitas: Viet Cong. Contando com o baixista Matt Flegel, o baterista Wike Wallace (ex-integrantes do grupo de art noise Women) e os guitarristas Scott Munro e Daniel Christiansen, a batalha dos residentes de Calgary é no pós-punk. A essa base, somam-se influências mais distantes, como industrial, drone, krautrock, metal e sons góticos.

A primeira prova da banda veio com a demo “Cassettes”, lançada em 2014. As densas camadas de sintetizadores e guitarras dissonantes trouxeram comparações com Guided by Voices, Wolf Parade, Interpol, Deerhunter, Echo & The Bunnymen e, obviamente, Joy Division.

Amargura e melancolia

Não demorou muito e saiu o sorumbático disco de estreia do Viet Cong, homônimo, arrancando notas altas em publicações como “Spin” e “Pitchfork”. O disco vem três anos após a morte de Christopher Reimer, guitarrista do Women, com apenas 26 anos, o que decretou o fim da banda. Antes disso, em 2010, o grupo já havia entrado num hiato após uma briga no palco.

As faixas são carregadas dessa amargura e melancolia, não apenas na sonoridade, mas também nas letras, com passagens como “Não quero encarar o mundo/ É sufocante, sufocante” (em “Death”); “Eu sei que você olha as coisas para esquecer/ Conheço o mundo como um arrependimento” (em “Silhouettes”); ou “Cheque sua ansiedade/ Não é preciso sofrer em silêncio” (em “Continental”).

“Viet Cong”, o disco, fecha com um transe de 11 minutos chamado “Death”, que começa de maneira suave antes de explodir em viradas de bateria e guitarras distorcidas. Uma boa trilha pra curtir aquele sabadão de sol com um belo casaco de moletom preto na praia.

Tchequirau

Domingo é dia de Super Bowl, evento máximo para os amantes da bola oval. O show do intervalo é um dos espaços mais desejados por artistas pop, por se tratar do evento musical mais assistido do ano. E a escolha desse ano – como todos os anos – gerou polêmica e reclamações: Katy Perry.