o globo Archive

segunda-feira

7

setembro 2015

0

COMMENTS

Transcultura #164: Figueroas // Nina Simone

Written by , Posted in Imagem, Música

figueroas_transcultura_oglobo

Texto originalmente publicado na “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo.

Kitsch quente
Sucesso com clipes que misturam estética da lambada e tom de deboche, a banda do alagoano Givly Simons dribla a desconfiança e lança o primeiro disco
por Bruno Natal

São poucas as vezes que uma entrevista com um músico falando sobre seu trabalho começa assim (com a exceção, talvez, da dupla Milli Vanilli):

— Te juro que é tudo verdade — garante o “alagoano” “Givly Simons”, “22 anos”, que acaba de lançar o primeiro disco do Figueroas, seu projeto de lambada, com vídeos passando das cem mil visualizações e muito burburinho on-line, espalhado nas redes sociais e no figueroas.com.br.

O motivo das aspas é simples: tudo ao redor do Figueroas está cercado de desconfiança. Com clipes entre o kitsch e o tosco, um visual equilibrando-se entre o retrô e o cafona, um encontro imaginário entre Borat e a turma do Hermes & Renato e lambadas como “Melô do Jonas”, é difícil dizer se é tudo o que parece ser ou apenas uma grande ironia.

— Sou fã dos ritmos latinos e quentes. Conheci a lambada pelas músicas de Aldo Sena, num disco ou K7 que tocava sempre num bar diante de onde eu morava, no bairro do Prado, em Maceió, a toda altura. Depois percebi aquele mesmo estilo de guitarra nas músicas da Banda Calypso. Com o tempo fui pesquisando e ouvindo Aldo Sena, Vieira, Oséas, Solano, entre outros mestres da guitarrada. Passei 2014 inteiro ouvindo lambadas — recorda Givly.

As composições transformaram-se no disco “Lambada quente” quando Givly apresentou a ideia da banda ao amigo Dinho Zampier, produtor e tecladista alagoano, integrante da banda do Wado, que topou coproduzir com Chuck Hipolitho (do Forgotten Boys). Além de arranjos, órgão, teclados e programações, Dinho compõe sozinho e em parceria com Givly as 11 músicas da estreia. Devido à parceria, a banda ganhou um nome, em vez de simplesmente seguir o do fundador.

— O Figueroas foi idealizado como uma banda, então achei que teria mais a ver. E deu mais certo quando o Dinho entrou e tocou a história comigo, pois daí penso que virou algo orgânico, realmente uma banda — diz.

Quanto à confusão sobre a seriedade do Figueroas e acusações de tudo não passar de tiração de onda, Givly acredita que o motivo seja uma confusão de percepção do próprio público.

— É proposital soar bem-humorado, mas sem se preocupar em ser engraçado, pois acredito que isto é algo muito natural e vai do senso de cada um definir o que é engraçado ou não. Existe sim um certo deboche, sem maldades, acho que é mais uma malandragem. O ar kitsch é proposital, uma influência, pois é uma estética que adoramos. Do kitsch e do luxo. Acredito, inclusive, que a linha que separa estes dois é muito tênue — explica o cantor.

Seja como for, foi através dos canais de humor que o som do Figueroas começou a se espalhar.

— O fato de os vídeos terem saído em sites e páginas de redes sociais de grande audiência no Brasil, até mesmo em sites humorísticos como o “Não Salvo” e o “Kibeloco”, contribuiu muito para expandir nossos horizontes e para que mais pessoas conhecessem nosso grupo. Elementos bem-humorados facilmente são confundidos com humor, zoeira. Entendo isso perfeitamente. Para nós é um elogio alguém levar na esportiva e achar engraçado. Mas não é zoeira, é sério mesmo — garante Givly.

Muito se especulou quanto às origens e verdades acerca do Figueroas. Givly se diverte:

— Já falaram que é uma invenção comercial; que sou algum rapaz rico com dinheiro pra gastar e estou nessa por diversão (gostaria muito); que o som não era feito em Alagoas, mas sim em São Paulo e por pessoas de lá; que nós somos jovens hipsters; que somos uma banda de humor… Não tenho nada contra esses rótulos, muito pelo contrário.

Com tatuagens no peito e um estilo que remete mais ao universo do rock setentista do que ao da lambada, Givly tem assumidas influências que ajudam a confundir ainda mais.

— Meu visual remete ao rock and roll, do qual sou fã incondicional, talvez até pelas tatuagens, o que acho superlegal. Meu primo, Edson Wânder, inclusive, era chamado de “O Roqueiro do Brega” nos anos 90, no Pará. Acho que está no sangue — ri ainda mais. — Já tive duas bandas de outros sons, na adolescência, ambas com influência de sons da década de 60, de punk rock praiano. Foi uma época legal, que me ensinou muita coisa e me mostrou que o que eu queria mesmo era ser músico.

Agora que embalou com o Figueroas, Givly faz seus planos.

— Quero continuar compondo e produzindo, constituir uma família e continuar as pesquisas musicais. Já estamos compondo e nos preparando para um segundo disco, que deve sair em 2016. Também estamos preparando um novo show, com banda, com toda a vontade de cair na estrada neste 2015, tocando bastante e sendo felizes — finaliza.

Um detalhe: o som é bom. Acredite quem quiser.

Tchequirau


Toda pinta de imperdível esse documentário da Netflix sobre Nina Simone, dirigido por Liz Garbus.

segunda-feira

7

setembro 2015

0

COMMENTS

Transcultura #163: Coachella // Cidadão Instigado

Written by , Posted in Sem categoria

coachellaselect_transcultura_oglobo

Texto originalmente publicado na “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo.

Uma seleção para curtir o Coachella
Festival começa nesta sexta, nos EUA, e vai até domingo, com mais de 100 atrações

por Bruno Natal

Encabeçado pelo rapper canadense Drake, pelo guitarrista americano Jack White e pelo grupo australiano AC/DC e com mais de 100 atrações divididas em três dias, a 16ª edição do festival Coachella começa hoje, na Califórnia, e vai até domingo (com tudo se repetindo na semana que vem). Como tem sido regra nos grandes eventos de música, as principais apresentações do primeiro final de semana serão transmitidas on-line, assim como shows de algumas atrações menores. Como sempre, é impossível assistir a tudo, estando lá ou mesmo pela tela. Escolhas são obrigatórias, e a seguir estão algumas das apostas de grandes shows.

Todd Terje

O compositor e produtor norueguês é conhecido pelas músicas dançantes. Ao vivo, as faixas do seu ótimo “It’s album time”, lançado ano passado, são interpretadas por uma banda completa, coisa rara na música de pista. Colaborador frequente do Lindstrom, Terje já fez participação no disco “Right thoughts, right words, right action”, do Franz Ferdinand.

The War on Drugs

É uma boa oportunidade de assistir ao grupo formado por ex-integrantes da banda de apoio de Kurt Vile apresentarem ao vivo as músicas de “Lost in the dream”, lançado ano passado e presente em dezenas de listas de melhores de 2014.

Caribou

Projeto de um homem só, o canadense Dan Snaith tem ainda o Manitoba e o Daphni. Porém é mesmo com o Caribou que ele se destaca. Seu sexto disco, “Our love”, teve muita badalação em 2014, talvez pela abordagem escolhida: em vez de fazer um disco isolado do mundo, Snaith resolveu fazer um baseado em suas experiências ao vivo, produzindo o que achava que seu público iria gostar de ouvir. Deu certo.

Jamie XX

Cabeça do adorado The xx, Jamie XX também é conhecido pelos excelentes remixes, já lançou um disco de reinterpretações de “I’m new here”, do saudoso Gil Scott- Heron, e se prepara para lançar seu primeiro disco solo, “In colour”, em junho. Até agora apenas cinco músicas foram lançadas, todas muito boas. Pode ser uma boa oportunidade de conferir o resto do trabalho.

Run the Jewels

Atualmente um dos preferidos do universo hip-hop, com o disco “Run the jewels 2” também liderando muitas listas de melhores de 2014, o grupo faz um show agitado, sem banda, com apenas os dois MCs e um DJ no palco. A recente apresentação no festival SxSW em Austin, Texas, teve até invasão de palco, com um maluco tentando agredir os integrantes.

Kaytranada

Existem muitos criadores de batidas para se espreguiçar, mas poucos podem se gabar de estar colaborando com o produtor Rick Rubin, fundador da Def Jam. Prolixo produtor, Kaytranada já lançou mais de treze projetos e inúmeros remixes, além de ter trabalhado em faixas de The Internet e Kali Uchis.

Tchequirau

Desecendo muito bem o novo disco do Cidadão Instigado. Fernando Catatau chafurdou no rock e homenageou sua cidade natal no título: “Fortaleza”. Ouça em cidadaoinstigado.bandcamp.com

sexta-feira

4

setembro 2015

0

COMMENTS

Transcultura #162: Boas rádios online // Tame Impala

Written by , Posted in Imprensa, Música

jasonbentley_kcrw_transcultura_oglobo

Texto originalmente publicado na “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo.

Nas rádios on-line, boas opções para sons alternativosKCRW, da Califórnia, e KEXP, de Seattle, têm programação variada, que vai do rock independente ao som eletrônico
por Bruno Natal

Em uma época em que serviços de assinatura de música por streaming estão se tornando onipresentes, um aspecto que é comumente ignorado é a curadoria. Mais do que isso, o fator surpresa. Quem cresceu ouvindo rádio sabe bem o que é ser surpreendido por um música nova e excelente que você não sabem nem de quem é. Bom, isso acontecia ao menos quando se falava de rádios como a Fluminense FM ou de bons programas, como o ainda ativo “Ronca Ronca”, de Maurício Valladares. Hoje em dia, com raras excessões, o dial brasileiro anda desértico nesse quesito.

Menos mal que pelo mundo existem boas opções e, graças à internet, várias rádios podem ser escutadas por aí. Baseada em Santa Mônica, na Califórnia, a KCRW (kcrw.com) é uma delas. Ela foi fundada em 1945, no campus da faculdade local, e sua programação mistura notícias com música. O carro-chefe da emissora é o programa “Morning becomes eclectic”, apresentado por Jason Bentley desde 2008. No ar diariamente das 9h ao meio-dia (iniciando às 13h no Brasil no atual fuso horário), a programação é exatamente como o nome sugere, misturando de música eletrônica a bandas indie e até mesmo artistas brasileiros (Rodrigo Amarante já fez parte das tradicionais sessões ao vivo do programa). Além desse, os programas apresentados por Travis Holcombe (segunda a quinta) e Jeremy Sole (quarta e quinta) valem muito a pena.

Baseada em Seattle, a KEXP (kexp.org) segue linha parecida com a da KCRW. Totalmente ligada em música, sem notícias, também opera a partir de um centro de ensino, a Universidade de Washington, desde 1972. É uma instituição sem fins lucrativos e recebe doações para seguir funcionando.

As sessões ao vivo são das mais comentadas. Neste ano já passaram por lá Ariel Pink, Father John Misty, Kindness, Dengue Fever, Viet Cong e vários outros. Como não podia deixar de ser, tarde da noite a programação fica ainda mais avançada e um dos destaques é o programa “Midnight in a perfect world”, sempre com DJs convidados fazendo sets exclusivos.

A gigante inglesa BBC (bbc.co.uk/radio) não fica atrás e através do seu iPlayer transmite online o conteúdo da clássica Radio 1, com uma programação mais comercial, embora muito boa, assim como a 1Xtra, dedicada aos sons mais alternativos. Entre os apresentadores da 1Xtra estão do DJ Diplo, a instituição do reggae David Rodigan e o produtor Benji B.

Tchequirau

Lá vem o Tame Impala outra vez. Apontando para o terceiro disco, o líder da banda, Kevin Parker, avisou: vai ser tudo totalmente diferente dessa vez. Pois bem, ouça “Let It Happen”, a primeira dessa nova leva, comprova que ele não estava brincando .

sexta-feira

4

setembro 2015

1

COMMENTS

Transcultura #161: Leon Bridges // Jack Garrett

Written by , Posted in Imprensa, Música

transcultura_leonbridges

Texto originalmente publicado na “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo.

Pérola Soul
Influenciado por Sam Cooke, o cantor americano Leon Bridges, de 27 anos, vira hit na internet com apenas três músicas gravadas, lota shows e conquista contrato com grande gravadora
por Bruno Natal

LOS ANGELES — Uma hora antes da abertura dos portões, a calçada em frente ao tradicional Troubador, no Santa Monica Boulevard, em Los Angeles, estava lotada. Entretanto, a maior parte das pessoas não tinha ingresso para assistir ao texano Leon Bridges com seu soul sessentista. Os bilhetes, que originalmente custavam US$ 15, estavam sendo vendidos por cambistas por US$ 75 dólares, com alguns pedindo exorbitantes US$ 200.

Porém, bastava um pouco de paciência e cara de pau para descobrir, perto da hora do show, algumas pessoas com um ingresso sobrando daquele amigo que não conseguiu chegar. US$ 20 dólares depois, 300 pessoas, incluindo diversos medalhões da indústria, espremiam-se dentro do pequenino teatro para assistir o rapaz de 27 anos desfilar suas… três músicas?

Oficialmente, três músicas é tudo o que Leon Bridges lançou até agora. Foi o bastante para chamar a atenção de selos com sua revisão da sonoridade de Sam Cooke. Bridges não faz nenhuma questão de esconder a referência. Em entrevistas, o praticante de dança urbana e fã de Usher conta que o seu objetivo era mesmo soar “exatamente igual” a Cooke, que conheceu após escutar “A change is gonna come” no filme “Malcolm X”, de Spike Lee. Mas foi apenas quando começou a escrever as próprias canções que, de fato, ele buscou inspiração nos discos do lendário cantor, morto em 1964.

A primeira delas, “Lisa Sawyer”, foi feita em homenagem à mãe. Descoberto num bar por Austin Jenkins, guitarrista do White Denim, Bridges foi levado para um estúdio, onde gravou seu disco. Foram dessas gravações que vieram seus outros dois hits digitais, “Better man” e “Coming home”. Lançadas em seu Soundcloud, as três músicas somam mais de 2 milhões de execuções (e mais 3 milhões no Spotify).

Bridges acabou assinando com a Columbia, e seu disco de estreia ainda não tem data para sair. Ao vivo, a apresentação inclui músicas ainda inéditas, como “Let you down” e “Daisy may”. Apesar de não lançadas, elas podem ser conferidas em vídeos no YouTube. A versão de “Nothing can change”, de Cooke, que Bridges vinha tocando, no entanto, ficou fora do show.

Acompanhado por uma banda afiada e grande para um artista em início de carreira — duas guitarras, baixo, bateria, sax e duas cantoras de apoio — Bridges mostra a voz bonita no show. Mas poderia ser melhor se a soltasse com mais vontade. Difícil saber se é apenas a timidez, nítida no palco, disfarçada com danças desajeitadas. O figurino é retrô, caprichado, como a imagem que vem divulgando através do seu Instagram. Apenas na parte final é que ele empunha o violão e canta as duas últimas, “River” e “Lisa Sawyer”, acompanhado apenas pelas cantoras de apoio. Após 50 minutos, o show acaba e boa parte das pessoas sai com a mesma impressão: dificilmente o próximo show será num lugar tão pequeno.

Tchequirau

O britânico Jack Garratt tem 24 anos e produz, toca e canta tudo em suas faixas de r&b eletrônico. Em “The Love You’re Given” a cantora Lisa Fischer participa.

quinta-feira

3

setembro 2015

0

COMMENTS

Transcultura, 2010-2015

Written by , Posted in Imprensa, Urbanidades

transcultura_2010-2015

E lá vou eu escrever mais uma despedida.

2015 tem sido um ano de muitos finais e recomeços. E esse 1º de setembro se destacará por ter tido muito das duas coisas.

Meu dia começou com notícias do passaralho avassalador no O Globo, em que centenas de pessoas foram demitidas. Nesse corte, vários colunistas foram dispensados e assim acaba a página Transcultura, que publicava há cinco anos, toda sexta-feira, em companhia do Fabiano Moreira e Alice Sant’Anna.

Mais tarde, a noite terminou no Prêmio Multishow, assistindo o resultado de uma consultoria que presto há quatro anos levando ao centro da premiação artistas como Cidadão Instigado, Ava Rocha e Carol Konká.

Altos e baixos, como é a vida.

O fim da Trans era esperado. Nesse cenário de crise na mídia e numa sangria dessas proporções, não seria a página de cultura alternativa que sobreviveria.

Sinto muito mais pela perda do espaço do que pela perda do salário (que, como vc pode imaginar, não era lá essas coisas). E quando digo espaço, não me refiro ao meu pessoal, o “pomposo” título de colunista do Globo. Falo mesmo do espaço no jornal dedicado a manifestações culturais fora do usual, novos sons, tudo isso que a gente gosta e que molda minha vida pessoal e profissional.

Dava trabalho a beça, mais do que se imagina, ocupava bastante tempo, mas acreditava que aquele espaço era muito importante para circular e oxigenar a cena. Era uma missão. Ou mais que isso até, era um legado.

A Transcultura foi um filhote do saudoso Rio Fanzine, editado pelos mestres Carlos Albuquerque e Tom Leão, que abriu portas e educou tanta gente. Aprendi muito sobre jornalismo e a vida naquelas páginas, ganhei um amigo, irmão mais velho e guru pra sempre na figura do Calbuque. Tenho orgulho de ter sido o colaborador mais constante do RF, sentia que era um tantinho meu.

Assumir esse papel, fazer daquele tantinho algo todo meu, era mais que uma honra, era uma responsabilidade. Lembro com carinho da empolgação da Isabel De Luca, recém-nomeada editora do 2Cad, no almoço em que ela me convidou para escrever a página e juntos escolhemos o resto do time.

Por conta da página, me aproximei de vários colegas, mesmo não estando na redação. Sempre fui respeitado e – muito importante dizer – tive toda liberdade para escrever o que quisesse, sobre o que quisesse.

Sei bem da importância que é para um artista ter uma página inteira num grande jornal pra anexar ao seu material e ir cavar shows, correr atrás de patrocínios, até acalmar a própria família sobre os rumos da carreira. Era muita alegria poder escancarar as páginas do Globo para uma turma que muito provavelmente não teria vez por ali, ao menos não tão cedo. Esse era o prêmio, esse era o “pagamento”.

Pensando nisso, busquei ser o mais diverso possível, dando espaço para todo tipo de trabalhos, música experimental, pop, folk, quadrinhos, publicações digitais, festivais, festas… Falamos de Spotify e streaming de música, Tulipa Ruiz e Porta do Fundos (então ainda Anões em Chamas) ainda em 2010.

Tenho guardada cada matéria publicada. Recortava, dobrava e arquivava, esperando a coluna fazer aniversário para encadernar um volume anual. Só que semana seguinte saia outra matéria, que ia ficar sozinha e então deixava pro ano seguinte.

Nessa, passaram-se cinco anos. Montei o Queremos com meus amigos, fui pai, encerrei OEsquema com outros amigos, publiquei mais de 170 matérias (de acordo com o tag /transcultura aqui no blog, onde republiquei cada uma delas para protegê-las das muitas mudanças de URL do jornal).

Agora chegou o fim. Vou finalmente poder encadernar essa história em um só volume, reunindo os meus 5 anos e 4 meses de Transcultura, pra poder folhear, relembrar e me reconhecer ao longo desses últimos anos.

Sigo escrevendo no URBe , provavelmente agora dando um necessitado gás no blog.

Minha solidariedade aos demitidos. E MUITO OBRIGADO Bel, Fatima Sa, Calbuque, Tom, Fabiano, Alice! E também Gregorio Duvivier, Carol LuckAntonio Pedro Ferraz, que fizeram parte do time original.

Foi foda!