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segunda-feira

26

janeiro 2015

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Transcultura #156: Tropicantesimo // Hit

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Texto da semana passada para “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo.

O transe tropica do DJ Fabrizio Mammarella
por Bruno Natal

Como o resultado de uma viagem imaginária e lisérgica por praias desertas, o recém-divulgado set “Tropicantesimo”, do produtor e DJ italiano Fabrizio Mammarella, disponível no Soundcloud do autor, traz batidas lentas e hipnóticas, percussões africanas e coros suaves, induzindo ao transe. A influência das batidas africanas vem sendo apontada como uma das novas tendências nas pistas de house. Apesar de afirmar que não segue tendências, Mammarella, um dos grandes nomes do chamado italo house, aponta outros produtores italianos que vêm se destacando pelo mundo e que também seguem esse caminho.

— Há muita coisa nova indo nessa direção, especialmente entre produtores como Clap Clap, Go Dugong ou Populous — afirma ele, dono do selo Slow Motion, dedicado exclusivamente a artista italianos. — As músicas que fazem parte de “Tropicantesimo” são discos psicodélicos africanos que venho colecionando desde o início da minha carreira, há dez anos. Na verdade, as batidas africanas nunca deixaram de ser tendência.

Segundo ele, o set, que tem quase duas horas de duração, foi montado para um festa de mesmo nome, que acontece na capital italiana.

— É um evento bem conceitual, com instalações e performances num club chamado Fanfulla — explica Mammarella, que lança seu primeiro disco solo na semana que vem. — Uma equipe decora todo o lugar com galhos de árvores, flores, parreiras, o cheiro toma conta do lugar. É como caminhar num jardim no Rio. A cabine do DJ fica no centro da pista. A festa é sempre num domingo e começa com alguns sets mais lentos, antes do show em que dois cantores e um dançarino se apresentam ao som do que o Hugo Sanchez, DJ residente e criador da festa, estiver tocando.

A referência ao Rio não vem por acaso. Mammarella já esteve na cidade três vezes, para tocar na festa Moo.

— Gosto muito da festa, por todo cuidado com os detalhes e a seleção musical — diz ele. — Nas minhas idas ao Rio fui apresentado a comidas incríveis, além de lojas de discos e museus. Espero voltar logo.

Tchequirau

Parte de uma série de vídeos Pop Music Masterclass, da rede alemã 1Live, em que Chilly Gonzales disseca hits, o pianista canadense dá uma grande aula de produção, composição e arranjo para aqueles que buscam o sucesso radiofônico ao analisar “Shake It Off”, da Taylor Swift.

segunda-feira

12

janeiro 2015

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Transcultura #155: De olho em 2015 // Ronson x Tame Impala

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Texto da semana retrasada da “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo.

Cinco artistas nacionais para ficar de olho no começo de 2015
por Bruno Natal

Entre rimas, vozes, batidas e texturas, cinco nomes que merecem toda a atenção no começo de 2015.

1. De Leve

Após anos afastado do microfone, o rapper de Niterói lançou um EP em 2014. A boa repercussão o fez retornar aos palcos e em 2015 ele promete um disco cheio. Só falta agora a volta do lendário coletivo Quinto Andar, do qual é um dos fundadores.

2. Diogo Strausz

DJ, músico, integrante de bandas como R.Sigma, Diogo vem despontando como um dos principais produtores da nova geração, com bons discos realizados para Castello Branco, Alice Caymmi e João Capdeville. O histórico recente já pede atenção total no que ele vier a produzir em 2015. Em janeiro ele lança seu disco solo, “Spectrum Vol. 1”, com participações do Bonde do Rolê, Kassin e do pai Leno (da dupla da Jovem Guarda Leno & Lilian, do sucesso “Coisinha estúpida”).

3. Castello Branco

Responsável por um dos melhores discos de 2013 (mesmo que não tenha tido o alcance merecido), a grata surpresa se prepara para o novo disco. Agora radicado em São Paulo, Castello Branco estará mais distante das raízes campestres e hippies que inspiraram sua estreia. Fica a dúvida de como a influência da selva de pedra se refletirá em seu som.

4. Manara

Menino prodígio da cena eletrônica carioca, à frente do selo Domina, em 2014 fez turnê pela Europa a reboque do lançamento do seu primeiro disco, “Ihnteractions”, calcado no house e no techno. Promete o segundo para 2015.

5. Lila

A cantora Eliza Lacerda (do Quarteto Primo e do bloco Fogo e Paixão) estreia em EP produzido pelo cantor e guitarrista Lucas Vasconcellos (de bandas como Binário e Letuce), com participações luxuosas como a do baterista Domenico Lancelotti. O trabalho vem mixado por Iky Castilho, mais conhecido pelos trabalhos de produção no hip-hop.

Tchequirau

Produtor de mão cheia, Mark Ronson convidou uma penca de gente pra participar do seu quarto disco, “Uptown Special”. Até agora já foram lançadas “Uptown Funk”, com Bruno Mars, “Feel Right”, com Mystikal, e a melhor até aqui, “Daffodils”, com Kevin Parker, do Tame Impala (que participará ainda em duas outras faixas).

sexta-feira

9

janeiro 2015

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Transcultura #156: Magma e Moo

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Texto da de hoje “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo.

As festas Magma e Moo agitam as pistas do fim de semana
Magma celebra house e techno enquanto Moo, em edição ‘mini’, traz o DJ americano Eric Duncan

por Bruno Natal

O fim de semana marca um encontro de nomes novos e estabelecidos da música eletrônica carioca. Juntas, as festas Magma (hoje) e Moo (sábado), repletas de atrações, dão continuidade a tradição da boa pista, as vezes tão difícil de encontrar na cidade.

Hoje, o coletivo Magma, que além da festa produz um programa de rádio semana on-line, junta os amantes do house e do techno no Vidigal, na Oficina do Jô, de graça

— Buscamos música para abrir os ouvidos e fazer o corpo derreter — conta Nicholas de Lucena, DJ e um dos criadores da festa. — Apostamos em boas surpresas que surgiram ano passado, como a carioca Hollanda e a paulistana Tati Pimont, além dos residentes SVRIN, Nico e a_hank.

Em edição reduzida, num espaço menor e com ingressos limitados, a Mini Moo acontece, sábado, no Cais da Imperatriz, na Gamboa e além dos residentes Diogo Reis e Badenov, tem o nova-iorquino Eric Duncan, da dupla Rub N Tug, como atração.

— Os sets do Eric Duncan são contagiantes e muito animados — explica Bruno Guinle, um dos fundadores da festa. — O Diogo e o Badenov também estão cheios de surpresas no case, além de clássicos das pistas da MOO e três re-edits que lançamos e estão disponíveis para download no Soundcloud da festa.

Tchequirau

Com influência da Motown, a dupla inglesa Slow Club deixou para trás o nu-folk pelo qual ficaram (des)conhecidos nos dois primeiros discos e finalmente emplacaram. Ouça “Tears of Joy”.

segunda-feira

15

dezembro 2014

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Transcultura #154: Dônica // Black Alien

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Texto da semana passada da “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo.

O passo da Dônica
Com influências que vão do rock progressivo ao Clube da Esquina, o novato grupo carioca pula o circuito independente e lança seu primeiro EP digital direto por uma grande gravadora
por Bruno Natal

Contrato com a Sony, campanha de lançamento da primeira música com depoimentos em vídeo de Baby do Brasil, Vik Muniz e Fernanda Torres e abertura de show do Jota Quest. Pouco comuns para um grupo de rock de moleques entre 17 e 18 anos, esses são alguns dos fatos que acompanham a Dônica, banda carioca que fatalmente carregará por algum tempo o subtítulo “banda do filho caçula do Caetano”.

Formada por José Ibarra (vocal e piano), Miguel “Miguima” Guimarães (baixo), André “Deco” Almeida (bateria), Lucas Nunes (guitarra) e Tom Veloso (composições), a Dônica segue um caminho pouco usual para uma banda alternativa. Indo direto para uma gravadora multinacional, pulando o circuito independente, aposta num modelo tradicional e não na internet, como é natural para grande parte das bandas pós-2000.

— Não hesitamos em assinar com a Sony porque queremos que nossa música não fique restrita. Teremos muita mais visibilidade tanto no Brasil quanto no exterior. Apesar disso, não acreditamos que pulamos o caminho alternativo. Sempre que podemos tocamos em lugares mais underground, como foi o caso do nosso show na Cena Cultural do Baixo Gávea — explica Miguima.

Berço não é mérito, e também não é problema. O EP homônimo, produzido por Daniel Carvalho e Berna Ceppas no estúdio Maravilha8 e lançado nesta semana em formato digital, transpõe para o disco a energia que a Dônica mostra no palco. O teclado, a boa performance vocal e a presença de Ibarra são centrais, e o visual anos 1970 e a inquietude mostrada ao vivo unem-se às matrizes setentistas e oitentistas mais introspectivas escolhidas pela banda. É música pra se cantar junto, mesmo que as letras sobre um macaco extraterrestre que chega à Terra agarrado na cauda de um cometa (“Macaco no caiaque”) ou viagens a Caraíva (“Casa 180”) não soem exatamente pop num primeiro momento.

— Nós nos conhecemos na escola e a partir de encontros musicais na casa do Deco, o baterista, a banda tomou forma com o tempo. Vimos o Miguima tocando em um sarau e nos apaixonamos, chamamos pra tocar, e ele aceitou — recorda Ibarra, falando sobre o baixista talentoso, que parece um adolescente com mão de adulto, tamanha é sua técnica.

Em seu perfil no Facebook, a Dônica anuncia suas influências: o rock progressivo do Pink Floyd, Supertramp, Yes, Emerson Lake & Palmer, mais Caetano, Mutantes, Lenine, Queen, jazz, clássico e, talvez a referência mais gritante, Clube da Esquina.

— Nossos pais foram os maiores responsáveis por essas referências antigas, nos educando musicalmente. Compor é nada mais que tirar de dentro alguma coisa que já estava lá e botar para fora, por isso soamos antigos. É natural, não proposital. Gostamos também de Milton, Gil, Chico, Toninho Horta, Take 6, Alt-J. Artistas nos influenciam tanto por sua música como por sua identidade visual — lista Ibarra.

Entre seus contemporâneos, a Dônica lista alguns nomes do Rio como Baleia e Castello Branco.

— Baleia é a banda da nossa geração de que mais gostamos. Também gostamos de Nitú, Mara Rúbia e Sinara. Conhecemos faz pouco tempo o trabalho do Castello Branco, e nos pareceu interessante a combinação da voz com o violão, nos lembrou um pouco Jeff Buckley — conta Miguima.

Nas fotos sempre constam cinco integrantes. Em cima do palco, no entanto, são apenas quatro. A participação de Tom Veloso é curiosa, exclusivamente como compositor. Recentemente ele compôs com seu pai e Cézar Mendes a canção “O Sol, eu e tu”, que está no novo disco da fadista portuguesa Carminho.

— O Tom é como qualquer outro membro da banda: vai aos ensaios, dá suas opiniões em arranjos e composições. Somente não sobe no palco por não conseguirmos encaixar um violão nos arranjos e por sua timidez. Ele não é maior nem menor que os outros por não tocar nos shows. Dentro da banda, somos todos iguais — esclarece Miguima.

Tchequirau

Após anos de suspense e algumas músicas lançadas de maneira individual, finalmente Black Alien lançou a primeira faixa do seu aguardado “Babylon By Gus Vol. II – No Princípio Era o Verbo”. Com produção de Alexandre Basa, em “Terra” Black Alien surge em ritmo de aquecimento. Espera-se muito mais do resto do disco.

sexta-feira

5

dezembro 2014

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Transcultura #153: Marfox, Cut Hands // The War On Drugs

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Texto de hoje da “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo.

Batuques Sortidos
Festa do Novas Frequências hoje no La Paz traz inusitadas misturas de sons de Haiti, Angola, Portugal e Brasil, refletindo a proposta de apropriação de ritmos da quarta edição do festival
por Bruno Natal

Com 33 atrações de 11 países diferentes programadas para sua quarta edição, o festival Novas Frequências faz hoje uma festa no La Paz, na Lapa, com Cut Hands, DJ Marfox, Omulu x Maga Bo, Som Peba e Mauro Telefunksoul. Dentro das inúmeras possibilidades de se analisar a curadoria de um festival tão abrangente, um dos traços que unem os artistas da escalação é a apropriação de ritmos de outros continentes que não os seus para desenvolverem sonoridades próprias.

— O Cut Hands, que é escocês, injeta vodu do Haiti em uma mistura de techno e noise, enquanto o Marfox, de Portugal, pesquisa diversos ritmos africanos como a tarrachinha, a kizomba, o funaná e o kuduro — explica o curador e idealizador do festival, Chico Dub.

Apesar de nunca ter visitado o continente africano, Cut Hands acredita que essa distância e falta de experiência direta acaba incrementando sua criatividade, aguçando a imaginação. Além de Congo e Gana, o produtor também pesquisa bastante a percussão do Haiti.

— Ouvir percussões acústicas do Haiti mudou minha atitude em relação ao que era necessário para fazer uma música realmente intensa e alucinante. Até então era viciado em tecnologia para atingir isso, o que de repente descobri que não era necessário para chegar a um som tão potente.

As pesquisas levaram Cut Hands a conhecer mais sobre religiões afro-brasileiras como o candomblé, vindo também a fazer parte do seu som.

— Sou totalmente fascinado por essa música incrível. Algumas pessoas interpretam essa inspiração como uma apropriação, mas é apenas o meu estilo. Não desconstruo ou sampleio essas ritmos mágicos. É o espírito que me interessa ao evocar esses sons. Estou muito empolgado com a viagem ao Brasil e já estou tenso com a volta depois de uma estada tão curta — diz.

De Portugal e especializado no kuduro, estilo popularizado principalmente através do trabalho do Buraka Som Sistema, o DJ Marfox conhece bem a diferença entre os sons produzidos na terrinha e em Angola.

— A grande diferença está nas referências. Cresci ouvindo estilos musicais totalmente diferentes do que um produtor em Luanda ouviu. Por isso usamos samples que nos são mais familiares por termos ouvido anteriormente em outros estilos musicais que nos acompanharam desde que nos conhecemos como pessoas. Além disso, um produtor de kuduro em Luanda tem um milhão de MCs dispostos a cantarem em cima dos seus instrumentais, enquanto em Lisboa temos uma média de 10 ou 15 MCs. Por isso, 90% da música feita em Lisboa é instrumental, levando os produtores a construir algo mais compacto e sólido para a pista de dança.

Em Portugal, diz ele, acompanha-se muito o que é produzido culturalmente no Brasil. Em relação ao que é produzido pelos irmãos africanos, no entanto, o conhecimento ainda está se expandindo.

— A relação de Portugal com os países africanos que falam língua portuguesa está melhorando. Hoje temos a kizomba no topo das paradas em Portugal, algo que há cinco anos era impensável. A falta de oportunidade dada a um artista português vindo de um gueto de Lisboa faz com que me sinta um imigrante, mas, volto a dizer, as coisas estão mudando. Em Portugal nunca se ouviu tanta música portuguesa em todos os gêneros como agora — conta ele, que conhece funk carioca.

O carioca Omulu, que se também se apresenta na festa, quis saber se o DJ português deseja que a música de gueto se torne popular e, caso isso aconteça, o que virá do gueto então?

— O gueto continuará a se reinventar. O gueto sempre tem a sua forma de viver as coisas e não precisa da opinião do público em geral, imprensa, rádio ou TV para a música se tornar viral. Já o processo inverso é bem mais complicado — responde Marfox.

Tchequirau

Terceiro disco do The War on Drugs (banda fundada por Kurt Vile, hoje fora do grupo), “Lost In The Dream” chega ao final do ano firme como um dos melhores lançamentos do ano. Ouça quando der, mas é sempre legal ouvir no ano de lançamento.