A chuva londrina que começou a cair as 18h30 anunciava que estava chegando perto da hora da festa. Afinal, festa do URBe sem chuva não é festa URBe!
E como já está virando tradição (não por nossa culpa), o início também deu uma atrasadinha de leve e cada DJ teve 15 minutos a menos de discotecagem. Além disso, não foi possível a participação do VJ João Simi por problemas técnicos.
Falando em “de leve”, foi o próprio que abriu os trabalhos às 23h10, com sua Banda Leme, junto dos boa-praças Flu e Luciano. De Leve já havia feito uma participação na festa do ano passado, no show de estréia do João Brasil.
Mostrando suas novas composições, o trio estava bem a vontade na pequena pista do Clandestino. Talvez seja o fato de estarem quase tocando “em casa”, já que o local é bem perto da divisão entre Copacabana e Leme. Fazendo jus ao recente destaque na revista Rolling Stone, a Leme botou a galera para dançar, principalmente com seu hit “Nadadora”.
Em seguida, Gabriel Thomaz entrou na cabine e só saiu depois de aquecer a pista com uma deliciosa mistura de rock oldies de várias partes do mundo, chegando até a flertar com electro e breakbeats.
A pegada continuou com Lucas Santtana, que aprofundou seu set na música eletrônica e mashups em geral, culminando sua apresentação com uma falta sentida na noite, a de João Brasil (lembrado com “Quero fazer amor”).
Pedro Zila fez a transição com a “Dança do Quadrado” e manteve o pique no melhor espírito CALZONE de ser, misturando rock com eletrônica, soul e funk. Impressionava pelas boas mixagens, arrancando gritinhos na pista (rarara!).
Diogo Reis finalizou com chave de ouro o agito, com seu repertório único de space disco e grooves diversos. Agradou quem aguentou dançar até ás 4 e pouco da matina.
Gostaria de agradecer as pessoas que enfrentaram a chuva e forma prestigiar a festa. Os comentários na pista foram 100% positivos! Que venha 2009 e os seis anos do URBe!
Mais um ano, mais uma festa, mais uma noitada e tanto. As festas do URBe são sempre bem diferentes uma das outras, principalmente pela escalação das atrações. Só tem uma coisa que é sempre igual: na noite da festa, chove.
Nessa edição, trocou-se o 00, casa das três primeiras festas, pelo Pista 3. A mudança não teve nenhum motivo especial, além da vontade de experimentar novos ares. Num lugar menor, prestigiaram a comemoração os leitores e os amigos, sem tantos “curiosos”, como das outras vezes.
Ménage à Trois
Mantendo a tradição de se respeitar os horários divulgados na filipeta ao máximo, o show do Ménage à Trois abriu a noite com apenas 25 minutos de atraso.
Letícia Novaes (vocal), Donatinho e Pcatran (ambos comandando uma parafernália de teclados, bases e efeitos) mostraram, para os felizardos que chegaram cedo, a força da “resposta carioca ao Cansei de Ser Sexy”, como ouviu-se comentar durante a apresentação.
Enquanto Donatinho e Pcatran chamam atenção com ótimas bases — com destaque para as intervenções do filho do João Donato no teclado e em sua bateria virtual, controlada através de um joystick wi-fi do Nintendo Wii — é Letícia quem se destaca no trio.
Perfomática, a cantora/atriz/roteirista/show woman lança frases aparentemente desconexas, pedindo chupadas no umbigo e juntando a letra do seu potencial hit, “Fuck music”, com “Sexy back” (Justin Timberlake) e “Promiscuous girl” (Nelly Furtado), com a voz alterada por filtros, sobre uma batida de funk.
O BPM das músicas talvez seja muito baixo para as pistas de dança, local que parece adequado para as apresentações do trio. Acelerando as bases e ajustando as folgas, o Ménage pode ganhar mais pressão e ter um caminho surpreendente pela frente.
A expo
A anunciada exposição “5 anos de palco”, de Joca Vidal, infelizmente acabou não acontecendo. Por problemas técnicos no projetor, a instalação criada pelo fotógrafo e curador da expo, Lucas Bori, não pode ser montada.
As fotos do Joca seriam projetadas em oito telas brancas presas na parede. Cada uma dessas telas exibiria cerca de quatro fotos diferentes, alternadamente, numa solução prática e criativa para a limitação de alguns arquivos digitais.
Tentaremos montar a exposição nessa quinta (17 de maio), no Cinematéque, quando haverá o show do Lucas Santtana & Seleção Natural. Assim que (e se) estiver confirmado, aviso aqui.
MauVal
Num momento de honra para o URBe, Maurício Valladares assumiu os toca-discos quando a festa já estava cheia. MauVal desorientou a pista, como ele gosta de dizer, tocando de Coltrane a Curtis Mayfield.
Ouvi dizer que Maurício não havia levado discos “de pista”, porque pensou que iria abrir a festa, como se isso tivesse sido algum problema. Não fez a menor diferença. Foi uma discotecagem educativa e quem ouviu aprendeu um bocado. Só pérola.
em cima: João Brasil e as PSG; a festa
em baixo: o público se diverte; Marcos Mion e João Brasil
Grande atração da noite, o mito João Brasil fez sua aguardada estréia nos palcos. E bota aguardada nisso. Seus novos fãs da MTV, Marcos Mion e cia, vieram de São Paulo especialmente para cobrir o acontecimento e as Pet Shop Girls causaram frenesi no Pista 3.
Abre parênteses.
Antes de mais nada, cabe aqui um adendo. Esses dias perguntaram se, apesar de muito legal, a cobertura dos passos do João não estaria um tanto excessiva no URBe. “Parece que ele é seu amigo”, disseram.
Já falei isso aqui, mas para evitar qualquer disse-me-disse, não custa relembrar: João é meu amigo sim, desde os 12 anos de idade. Além disso, minha produtora de vídeo fica no mesmo sobrado que o seu estúdio.
Nada disso, no entanto, interfere na quantidade de espaço dedicado ao João no URBe. Mesmo porque, ele não é meu único amigo que trabalha com música e nem todos eles passam por aqui. Se o que João faz não fosse genuinamente interessante, o URBe estaria falando sozinho. E, pelo que se vê, não éo que acontece.
Fecha parênteses.
Voltando ao que interessa, João Brasil começou a milhão. Após a entrada ao som de “Carmina Burana” e uma vinheta exaltando a si mesmo, João abriu com “Baranga”, à pedidos da equipe de MTV, dançando com as loiras do programa Mucho Macho, enfiado num roupão de oncinha e de óculos escuros.
Não foi uma má idéia começar com seu grande sucesso. Com o público ganho, João emendou “Supercool” e contou a espetacular história do pau molão, para delírio dos presentes.
Cantandoao vivo, João tocou teclado em algumas músicas, soltou as bases através de um laptop e os samples pelo midi.
Lidando com seu público cara-a-cara pela primeira vez, João falou bastante. Nervosismo de primeiro show, normal. O público entrou na onda, atendo o seu pedido e entoando “pau molão! pau molão!” entre todas as músicas.
Vieram “Elisa”, “O carnaval acabou com meu fígado” e a inédita “Cobrinha fanfarrona (ela vai te pegar)”. “Monica Valvogeu” teve direito a sample da jornalista e surpreendeu quem nunca tinha ouvido tão bela declaração de amor.
Brasil incluiu no repertório o mais recente sucesso internético, “VTNC”, de autoria desconhecida, que voou por e-mail essa semana, se consagrando em apenas três dias.
Na parte final, João convidou seu ídolo De Leve, apresentando-o como seu rapper favorito, para juntos cantarem “Mamãe virei capitalista” e “O que que nego quer”, essa última do MC de Niterói e que tem base de João. Ao vivo, os dois funcionaram ainda melhor que nas gravações.
O encerramento triunfal veio com o bis de “Baranga”. Jogo ganho de goleada, João partiu pra festa com tudo e nunca mais foi visto.
URBe SS
Com a pista fervendo após a catarse provocada por João Brasil, botei som por uma hora. Começando com “Pela orla dos velhos tempos” (na versão de Lucas Santanna) e partindo para “Outsiders” (Franz Ferdinand), “First gear” (Rapture), “Phanton” (Justice), “Zdarlight” (Digitalism), “Gravity’s rainbow (Soulwax remix)” (Klaxons), “Paris” (MSTRKRFT) fechando com “Fluorescent adolescent” (Arctic Monkeys).
Mustache DJs
Na sequência, Filipe Raposo representou o Mustache DJs, desfalcado de sua metade, Breno Pineschi. E tome space disco, disco music e outros sacolejos, até as 3 e pouco da manhã, quando a pista continuava cheia.
DJ Babão
Encerrando a festa, o DJ Babão deu um show de mixagens. A precisão de Babão é assustadora, virando músicas a cada minuto e meio, sempre acertando e fazendo a pista gritar.
Único da noite a tocar com vinis, Babão misturou “Tive razão” (Seu Jorge) com uma base de hip hop, “Bizarre love triangle” (New Order) com “Hollaback girl” (Gwen Stefani) e tocou a versão funk de “Sending all my love” (Linear) e “It’s automatic” (Freestyle).
No saldo final, a Letícia perdeu o casaco, o João os óculos, o Pcatran o suporte do teclado e muita gente perdeu a linha. O que só comprova que a jogação foi quente, a mais divertida festa do URBe até hoje. Ano que vem tem mais.
3 anos, o vídeo: toscamente gravado com uma câmera fotográfica
digital. No escuro.
Já é uma tradição. No dia da festa de aniversário do URBe, cai um temporal, bate o desespero “ih, não vai ninguém!” e, no final, dá certo. Na comemoração dos 3 anos, mais uma vez, foi exatamente assim.
Com um atraso de quase seis meses, finalmente a festa saiu do papel. Depois do susto com a chuva, as coisas entraram nos eixos e cerca de 400 pessoas foram ao 00 se acabar até as 4h e pouca da manhã.
As 23h, quando o Cooper Cobras começou a tocar, ainda havia pouco público. Azar de quem chegou tarde.
O power trio provou que não se passa anos ouvindo Fu Manchu, Karma to Burn e outros ícones do stoner rock impunemente e mostrou músicas contaminadas pelo estilo, como “Até o fim do show”, “Primeiro lugar” e “Pequenas tragédias”. A performance energética do grupo, que sem fazer força vai chamando cada vez mai atenção, com direito a subidas no bumbo e dancinhas, garante a diversão.
Como bom anfitrião, fiz as honras da casa e botei som depois do show. Enrolado com a produção da festa e Sem tempo pra separar músicas, levei uma pá de CD-Rs véios e embolei New Order, Mr. Catra, Ellen Allien, Les Rythmes Digitales, João Brasil, Madonna e Daft Punk. No final, consegui entregar a pista cheia para o próximo DJ.
Segura o “lainâp”
O lugar já estava bem cheio quando Rogério Flausino assumiu as carrapetas. Fazendo um set de house e tocando praticamente só vinis, o mineiro arrancou gritos de empolgação da galera. Além, claro, de comentários elogiosos de alguns incrédulos que diziam “ué, mas é muito bom!”.
Entre remixes da DFA — para “Deceptacon” (Le Tigre) e “Dare” (Gorillaz) — e discos da Antipop, Flausino manteve a pista lotada e passou a bola, redondinha, para Nego Moçambique.
Matias e o Comitê Presença 2006
Enquanto o o bicho pegava do lado de dentro, do lado de fora o comitê de candidatura do Capitão Presença a presença angariava votos para causa. Sob o comando do criador e da criatura, houve farta distribuição do material de campanha e os bottons foram bastante disputados.
Finalizando seu aguardado segundo disco no estúdio do Dudu Marote, Nego Moçambique contou que a masterização está marcada para dia 28 de setembro. Será que agora, depois de muitos atrasos, realmente sai? “Reza a lenda”, brincou o próprio.
Enquanto a bolacha não vem, Nego tocou várias músicas novas nessa apresentação. Coisas tão novas que nem no disco estarão, pra desespero do dono da sua gravadora, Daniel Di Salvo, alucinado justamente por essas produções.
Com equipamento novo — substituiu todos os periféricos que utilizava por uma MPC 4000 — Nego, mais uma vez, arregaçou. Dançou, cantou, pulou e fez pular durante mais de uma hora de breaks, grooves e colagens insanas demais pra explicar. A galera se acabou na pista e isso é o que importa.
Durante a troca de equipamentos para entrada do live do Bass Comando, levemente complicada, Alexandre Matias aproveitaria o horário de pico para adiantar alguns dos mash ups que prometeu.
Não deu certo. Devido a uma creca inexplicável no sistema de som, os graves sumiram, os agudos alfinetaram com força e não houve mais jeito de tocar CDs. Uma pena, pois pelo pouco que chegou a tocar, deu pra ver que a seleção prometia.
Chato mesmo é a sede irrefreável por ser VIP nessa cidade. A quantidade de gente que me pediu pra liberar a cartela (o que não fiz nenhuma vez, pois todo o dinheiro do caixa é utilizado pra pagar os artistas) foi inacreditável.
A entrada custava uma merreca, R$10, valor com o qual não se assiste nem mesmo uma apresentação do Mulato Zimbábue, quanto mais uma escalação caprichada como a dessa festa. Não dá pra entender mesmo.
O fervo
Fechando a tampa, o Bass Comando confirmou as origens (John Woo é integrante do Apavoramento) e aterrorizou o 00 com suas experimentações com baixas frequências e MCs sacanas.
Do hino do Flamengo a “Melô do gaitero”, todas as coisas graves tiveram vez. Eram 4 horas da manhã quando o grupo encerrou os trabalhos e constatou que havia entornado todo seu cachê. E em plena quarta-feira, ainda tinha gente querendo dançar, mas a festa tinha acabado.
O lance é guardar a vontade pro ano que vem. A festa de 4 anos pode ser maior ainda.
Demorou mais saiu. O aniversário “oficial” é dia 28 de abril, mas a festa de 2 anos do URBe só aconteceu na quarta passada. No entanto, a escalação caprichada fez a espera valer a pena. Mais diversificada do que em 2004, misturou show de rock, live pa de breakbeat, sets the tech-house e reggae e uma exposição de arte.
Bastante gente, entre leitores, coleguinhas, amigos e até alguns perdidos passaram pelo 00 para conferir as atrações, dar os parabéns, tomar uma cerveja, trocar idéias ou fatura um adesivo do URBe (aliás, quem quiser um, dá um toque por e-mail). É sempre bom sair do mundo virtual e encontrar pessoas no plano físico. Só por esse motivo já valeria a pena fazer a festa, mas teve muito mais.
Yeah rock!
A tarefa de abrir as comemorações ficou para o Moptop, às 22h30. Gabriel Marques (voz e guitarra), Rodrigo Curi (guitarra), Daniel Campos (baixo) e Mario Mamede (bateria) fizeram uma apresentação enxuta e precisa, de apenas 40 minutos.
Apesar do lugar não possuir estrutura para shows, a qualidade do som estava boa (um obrigado à Lontra Music pelo PA e mesa de som!), o que ajudou bastante. No repertório, músicas da demo “Yeah rock!” (disponível para baixar no saite) e covers de White Stripes (“Seven Nation Army”) e Kinks (“You really got me”).
Após o show, foi minha vez de dar aquela tapeada no som. O set teve de tudo: Radio 4 (“Party crashers”), Bloc Party (“Banquet”), Les Rythmes Digitales (“What’s that sound”), Technotronic (“Pump up the jam”), Daddy Yankee (“Gasolina”), Chemical Brothers (Believe”), M.I.A. (“Galang”)… A mistureba segurou a pista direitinho por uma hora.
Exposição “Vice Versa”
A essa altura, meia-noite, a festa já estava cheia e bastante gente ficou do lado de fora batendo papo e conferindo a exposição conjunta de telas de Antonio Bokel e TOZ, intitulada “Vice-versa”. Amigos desde os tempos de faculdade, a dupla exibe trabalhos complementares em sua simbiose.
Enquanto TOZ aproxima o grafite do universo das galerias, Antonio leva suas telas para respirar o ar das ruas. A exposição foi o encontro de dois caminhos, duas respostas para a mesma questão: como enxergar a cidade através da arte.
Muchachas na pista
Enquanto isso, do lado de dentro, Spark, destaque da primeira festa e único repeteco desse ano, não decepcionou. O catarinense mandou um set irretocável de tech-house, breaks e electro. Classudo demais.
Nepal entrando, Spark saindo
No auge da festa, 1h30, Nepal assumiu o comando. Era a estréia do Neskal, live pa da dupla Nepal e Fiskal. Infelizmente, por problemas pessoais, Fiskal não pôde se apresentar, deixando tudo a cargo do Nepal. O novo projeto com a marca do Apavoramento Sound System promete breakbeat com influências do funk de George Clinton e companhia. Promete e cumpre. Cheias de balanço, as produções agradaram em cheio, congestionando a pista quase imediatamente.
O Neskal mal começou e já está dando resultados. A primeira música de trabalho, “Don’t push”, recém-lançada pelo selo Groovemasters, do DJ espanhol Nitro, e está figurando no top 10 da Streetwise Music, uma das principais lojas do estilo.
MPC e Cristiano Dubmaster
Finalizando a festa, MPC e Cristiano Dubmaster (Nelson Meirelles faltou), mais conhecidos como Digitaldubs, purificaram o ambiente alternando graves chapados do reggae setentista e pedradas de dancehall e ragga. Deve ser a tal chave de ouro.
Cultura digital, música, urbanidades, documentários e jornalismo.
Não foi exatamente assim que começou, lá em 2003, e ainda deve mudar muito. A graça é essa.