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novembro 2012

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Transcultura #098: II Rio Parada Funk // doo doo doo

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Mr. Catra na I Rio Parada Funk, 2011
foto: Guito Moreto/divulgacão

A versão extendida do meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

A volta do baile
Depois de reunir milhares de pessoas, mais de 150 DJs, MCs e dançarinos, Rio Parada Funk terá sua segunda edição no dia 9 de dezembro, na Lapa, mas organizadores ainda enfrentam desafios
por Bruno Natal

A primeira edição do Rio Parada Funk, ano passado, reuniu mais de 150 DJ, MCs e dançarinos para celebrar a cultura funk. Espalhado em mais de 10 palcos no Largo da Carioca e adjacências, o evento se transformou no maior baile funk da história, com alguns jornais chegando a noticiar um público de 100 mil pessoas, incluindo turistas estrangeiros e gente que veio de outros estados só pra conferir a festa.

Os números grandiosos seriam impensáveis há nem tanto tempo atrás, quando o funk viveu seu pior período de perseguição pós-arrastão do Arpoador em 1992 (creditado aos “funkeiros”, termo tão sem sentido quanto “roqueiro”, corretamente banido no manual de redação do saudoso Rio Fanzine), com as pancadarias dos bailes de corredor, a violência dos proibidões e letras de explícitas.

– É sempre difícil trabalhar com cultura, principalmente as marginalizadas, como o funk. Na primeira edição tivemos dificuldades com o IPHAN, que entendeu que o evento não podia acontecer na Cinelândia porque abalaria as estruturas do Theatro Municipal – conta Mateus Aragão, fundador da festa Eu Amo Baile Funk e organizador do Rio Parada Funk.

O reconhecimento internacional de 2003 em diante ajudou a amolecer o preconceito local em relação ao funk, iluminando aspectos sócio-culturais importantes e dando chance ao gênero de se mostrar além das polêmicas. Porém, continua o funk continua sendo funk e nada vem fácil. Apesar do sucesso, contrariando prognósticos alarmistas, a segunda edição do Rio Parada Funk, no dia 09 de dezembro, na Lapa, enfrenta dificuldades.

– O maior desafio para este ano está sendo mesmo garantir os apoios para a infraestrutura do evento. Apesar de os artistas e equipes de som não estarem recebendo cachês, precisamos garantir a infra estrutura, como geradores, banheiros químicos, segurança, etc – continua Mateus.

O receio de marcas em relação ao funk também não ajuda. A mudança de local, saindo do Largo da Carioca, também trouxe transtornos. A produção não conseguiu datas no Sambódromo e, com isso, cervejarias e empresas de telefonia cancelaram o patrocínio. O novo endereço é a Lapa, acostumado a grandes públicos.

– Tivemos promessas de patrocínio que não foram cumpridas, alguns não completaram o pagamento prometido, o que me levou a investir tudo o que tínhamos juntado em sete anos de Eu Amo Baile Funk. E tivemos patrocinadores que pagaram, mas não deixaram a marca deles aparecer. Querem ajudar ,mas não se associar ao movimento funk – continua Mateus.

Segundo Mateus, a edição desse ano, veja só, acontece principalmente devido ao apoio da Prefeitura e da Secretaria de Cultura do Governo do Estado – parte do mesmo poder público que marginalizou a cultura funk até pouco tempo. Uma grande virada.

– Foi uma emoção muito grande para todos envolvidos na primeira edição. Muitos não acreditavam que conseguíriamos sequer autorização para que o Rio Parada Funk acontecesse. Todos nós tínhamos a sensação de estar fazendo história. E o sentimento maior foi para o fato de, pela primeira vez, o funk ser tratado como protagonista. Nos sentimos vitoriosos na luta contra o preconceito da mídia.

Por conta do sucesso da primeira edição, a disputa para ser uma das 10 equipes escaladas foi grande, todos de olho na exposição trazida pelo evento (confira a escalação no box). O principal critério de escolha é a contribuição do candidato para inovações e história do funk. Nesse quesito, ninguém merece mais homenagens do que o dançarino Gualter Damasceno, mais conhecido como Gambá, jovem criador do Passinho do Menor da Favela, febre da molecada da comunidades, registrada no documentário “Batalha do Passinho”, de Emílio Domingos (vencedor do Festival do Rio esse ano). Gambá foi brutalmente assassinado antes de ver a história da sua invenção ganhar as telas.

Filme, Parada, aos poucos o funk vai ampliando seu espaço na sociedade – dizer conquistando estaria totalmente errado, o funk é onipresente no Rio e faz parte ad cultura da cidade, mesmo que alguns continuem torcendo o nariz.

– O funk é um produto 100% carioca, movimenta milhões de reais e de jovens, é um produto direcionado principalmente para eles, gerando milhares de empregos, mesmo sendo informais. O mais interessante talvez seja o interesse que o funk desperta fora do estado e do país, cada vez mais o Rio é representado pelo funk carioca. Além disso, o funk promove o debate sobre juventude negra e favelada, apontando sugestões e perspectivas.

Então, não esqueça: da 09 de dezembro é dia de baile.

Tchequirau

Uma das bandas mais originais no cenário carioca, o doo doo doo lançou clipe novo, “Carnaval no Fogo”. Antes teve “Maré Exquizita” e “Mais”. O disco de estreia sai dia 19 de novembro, é ver se confirma as expectativas.

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