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sexta-feira

28

setembro 2012

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Transcultura #095: Quantic // Chrome Canyon

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Meu texto de hoje da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Mistura apimentada
Radicado na Colômbia, o músico inglês Quantic toca como DJ pela primeira vez no Rio, amanhã, com funk, sons latinos, hip-hop e jazz no encontro das festas Só Pedrada Musical e Ya’Ya High-Fi
por Bruno Natal

No espírito de trocas e camaradagem que a boa música inspira, amanhã será dia de um grande encontro no Studio RJ, com as festas Só Pedrada Musical e Ya’Ya High-Fi apresentando o inglês Quantic. Líder da Quantic Soul Orchestra, seu projeto mais conhecido, Will Holland toca pela primeira vez no Rio, como DJ, mostrando seus passeios por hip-hop, jazz, funk, sons latinos, caribenhos e africanos, assim como suas produções próprias misturando tudo isso.

Não se trata de mais um pesquisador musical que observa seus objeto de estudo à distância. Will viaja pelo mundo atrás dos sons que fazem sua cabeça. Foi assim que, depois de passar um tempo em Porto Rico, antes de voltar para a Inglaterra, Will visitou a Colômbia. Saiu do país com a ideia de gravar um disco por lá. Como estava querendo trocar de ares, resolveu botar o plano em prática e se mandou para Cali.

— Montei um estúdio com o mínimo de equipamento necessário, comprei um piano e comecei a gravar. Quando vi, haviam se passado três anos — diz Quantic. — Agora moro em Bogotá. Apesar de viajar muito, é a primeira vez que vivo em um lugar fora da Inglaterra. Gosto muito dos colombianos e do clima do país. A música latina é uma grande influência pra mim, assim como o jazz, o soul, a música africana.

Produtor e DJ da festa e do blog Só Pedrada Musical, Tamempi fala do encontro:

— A parceria surgiu naturalmente. Quando fechamos o Quantic em São Paulo fiz questão de leva-lo pro Rio também, e o nome do Marcelinho era ideal pra fechar a escalação. Quando o chamei, ele sugeriu juntar as duas festas, e achei a ideia ótima. As duas prezam pela qualidade.

Capitaneando a Ya’Ya High-Fi, festa semanal em que toca apenas discos de vinil, Marcelinho Da Lua vê semelhanças entre as três pontas, principalmente a partir da pesquisa de Quantic, baseada nos sons de raiz nas Américas que influenciam o mundo todo, do rap ao jungle.

— O som dele está na fronteira do orgânico com o eletrônico, da canção com a música de pista. Ele produz artistas colombianos da velha guarda, trazendo para o presente pessoas que estavam esquecidas do grande público. De certa forma, é isto que fazemos, esta provocação ao público de escutar um sample de jazz dos anos 1940 numa base envenenada de rap ou de jungle.

Apesar de ser sua primeira vez tocando por aqui, Will não é estreante no Brasil.

— Já estive no país duas vezes, gravando o disco “Traditions in transition”. O fotógrafo B+, da produtora Mochila, me colocou em contato com o grande arranjador Arthur Verocai e gravei com ele no Rio e com Comanche em São Paulo, há dois anos. Fui ao Pará, comi açaí, ouvi carimbó e vi muita similaridade entre os sons caribenhos e amazônicos da Colômbia e do Brasil — diz ele.

Will espera voltar para a Colômbia com novas gravações, feitas por aqui.

— A música brasileira sempre foi uma influência no meu som, como são as músicas jamaicana, nigeriana, ganense, colombiana, peruana, todas fazem parte da minha palheta. Gostaria de gravar mais no Brasil. Nessa viagem vou encontrar com algumas pessoas, estou levando um microfone para gravar algumas coisas.

Mesmo pesquisando muito, Will está por fora das produções mais recentes da música brasileira. Fiel ao espírito do compartilhamento das boas músicas e do encontro promovido na festa, ele está de olho na visita para mudar isso.

— Conheço o Drumagick, de ouvir no rádio na Inglaterra, e o Marcelo D2. Sons eletrônicos, mais “puros”, não conheço. Já ouvi tecnobrega. Estou empolgado pra ouvir mais coisas, gosto de pedir musicas e trocar discos com DJs locais quando estou viajando. É importante fazer isso.

Tchequirau

http://youtu.be/ZNuHFr-_NVA

O som retro-futurista do Chrome Canyon é resultado de influências de Vangelis e Giorgio Moroder do artista Morgan Z. Ele já fez remixes para Phoenix, Passion Pit, George Benson e algumas músicas do seu “Elemental Themes” podem ser escutadas na página dele.

segunda-feira

10

setembro 2012

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Transcultura #095: Jessica Povoa // Porta dos Fundos

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A íntegra do meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Foco no corpo feminino
Fotógrafa explora o corpo feminino em ensaios
por Bruno Natal

Num mercado pelo machismo e por imagens apelativas, uma menina que fotografa outras meninas nuas seria o suficiente para despertar atenção. Ainda mais quando a proposta é sofisticar os registros de gosto duvidoso. Esse é o objetivo da mineira radicada no Rio Jessica Póvoa, 23, em ensaios que divulga em sua página. Esses dias suas fotos foram censuradas pelo Facebook, em mais um capítulo no interminável debate sobre os limites entre erotismo e pornografia.

– Não sei muito que diferença faz trabalhar com nú ou com roupa grifada, muito menos que diferença faz ser menina, homem, bicha ou sei lá o quê, então isso é meio nonsense pra mim. Sempre achei as formas femininas muito mais interessantes que as masculinas, sempre me chamou mais atenção e tive mais curiosidade. Desde criança pegava Playboy escondida no armário do meu pai, super curiosa. Lembro da Marisa Orth, a única que eu alcançava ela num cavalo branco – escreve Jessica por email, da Romênia, onde está a trabalho, entre vários “hahaha”.

Formada em cinema pela New York Film Academy e em direção de arte pela Central Saint Martins de Londres Jessica combina sua múltipla formação (ela ainda passou pelos cursos de história da arte da UFRJ e de design da UniverCidade) em trabalhos pelo mundo, tendo atuado em mais de 15 países como videomaker, produtora, diretora de arte, cenógrafa e fotógrafa para trabalhos comercias.

– Estou viajando pelo Leste Europeu com uma série transmitida pela Multishow, Cidade Nua, fazendo direção de arte, elenco e produção de locações. Comecei a fazer parte da produção ano passado, na terceira temporada, filmando em Londres, Berlim, Madri e Paris. Nessa temporada estamos percorrendo Croácia, Romenia, Hungria e República Tcheca. Vou atrás de pessoas interessantes em cada cidade e dos lugares mais alternativos, mostrando bastante do submundo de cada lugar – conta.

Os trabalhos comerciais são legais e pagam as contas, porém o foco de Jessica está nos projetos pessoais.

– Vou atras de amigas e amigas de amigas, nao pago ninguém, quando é comercial elas são pagas pelo trabalho, claro.

– Tenho um livro publicado, “Ácido”, e outro em fase de produção e arrecadação de patrocínio, “Animal”. O conceito se baseia em fotografar meninas normais, encontradas nas ruas ou em qualquer outro lugar que não sejam revistas de moda ou agências de elenco, justamente pelo fato de sempre ter que respeitar esses padrões estabelecidos nos meus trabalhos comerciais.

As modelos são amigas e amigas de amigas, sem pagamento, pela arte.

– Preparo, junto com minha equipe, um projeto para cada menina, uma produção cinematográfica. Fazemos uma pesquisa com elas pra saber seus interesses, dia a dia, e a partir disso escolho as locações, crio um conceito, montamos cenário e produção dignas de editoriais de moda. Viso inserir a visão da realidade de meninas com formas reais, que poderiam até ser chamas de “imperfeições” ou “defeitos”, captando a verdadeira sensualidade em imagens simples, sem poses forçadas e o mais natural possível.

Do pedido de uma Polaroid de Natal, aos 8, até os dias de hoje, Jessica fotografou bastante em 35mm antes de ganhar uma câmera digital e agilizar as brincadeiras. Assim, pequenos filmes tomaram o lugar dos slides das apresentações das tarefas escolares. Numa era em alguns acreditam que a fotografia esteja banalizada por câmeras digitais, Jessica prefere somar.

– Essa história de que todo mundo pode ser fotógrafo acho bom e engraçado, pois daí surgem cada vez mais propostas diferentes e pessoas somando. Cada um com o seu, cada um mostrando sua visão, com técnica ou sem técnica, o negócio é fazer acontecer e mostrar coisas bonitas. Sou grande fã da fotografia analógica e uso muito digital também, claro. Todas as formas de se fotografar devem somar uma as outras e não extinguir os processos anteriores a cada nova invenção, como vem acontecendo. Isso é um enorme fracasso na arte da fotografia.

O olhar diferenciado, feminino e mais elegante vem rendendo convites para clicar para revistas masculinas. Será o fim

– Tem revistas interessadas nesse novo conceito. Tenho também um piloto pra TV, só com essas meninas “normais” e bastante sensualidade, inspirado em filmes da época da chanchada, dos quais sou sou fã, além de tema da minha monografia na Escola de Belas Artes da UFRJ. Estou montando um estúdio em Copacabana pra poder abusar mais um pouquinho, tendo um espaço para produção e uma sala especial para a maquiadora e cabeleireira que trabalha sempre comigo, Camila de Alexandre.

Tchequirau

Fundado por por Gregório Duvivier, Fabio Porchat, João Vicente e Antonio Tabet, o canal de humor Porta dos Fundos está fazendo sucesso, veja só, com humor que não é mera sátira, gritos ou insultos. Coisa rara.

segunda-feira

3

setembro 2012

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Transcultura #094: Clarice Falcão // TNGHT

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Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

As muitas faces de Clarice
por Bruno Natal

Atriz, roteirista, compositora e diretora. Para Clarice Falcão, a resposta para “o que você faz da vida?” pode se tornar complicada. Ultimamente, a filha do casal João e Adriana Falcão tem feito sucesso com músicas de pegada folk, em que se acompanha apenas por um violão ou ukelele. Para ela — que grava o seu primeiro disco, aos 22 anos —, o negócio é continuar fazendo de tudo um pouco.

— Relaciono-me de um jeito muito diferente com cada uma dessas funções, mas todas me fascinam de alguma forma — tenta explicar. — Acho que no roteiro é onde mais tenho a sensação de que sei o que eu estou fazendo. Atuar é o contrário. É um mistério. É desesperador. Nunca sei se fiz tudo errado, e, se fiz, nunca sei como é que poderia fazer certo, e se fizesse certo, nunca saberia o porquê. Compor e cantar é o que mais me diverte. Tem melodia, métrica e rima, mas também tem ideia, história, sentimento. E é tudo ao mesmo tempo. Direção, eu nunca fiz, na verdade. Já me arrisquei em um ou outro curta, mas foi tudo muito amador.

Mais de 1 milhão de “views”

Enquanto nos EUA é corriqueiro artistas terem essa formação mais ampla, por aqui isso ainda causa espanto. Para Clarice é um caminho natural.

— Nunca tive aula de música na escola, tive algumas de teatro e artes, até com alguns bons professores, mas elas eram sempre um pouco desprezadas no currículo. Sinto que isso influencia. As escolas dos EUA têm música, teatro, jornalismo, levados muito a sério, então por mais que no fim das contas a pessoa decida ser uma coisa só, ela sempre vai ter cartas na manga — diz.

A cartada mais certeira até aqui foi a música. Somadas, as duas versões de “Monomania” foram vistas 1,2 milhão de vezes no seu canal no YouTube. As composições se espalharam muito mais rápido do que a autora esperava.

— Deu um medo danado. Tinha várias músicas compostas, mas só conseguia tocar para a minha mãe. É claro que chegou a um ponto em que ela não aguentava mais ouvir. Então decidi mostrar as músicas pra outras pessoas.

A opção pelo folk foi uma consequência da escolha do instrumento e das histórias que queria contar.

— A maioria das minhas referências é de músicas “de letra”. O Chico Buarque, por exemplo, tem melodias lindíssimas, mas o que me faz chorar de verdade são as histórias que ele conta. De música estrangeira, a minha banda favorita se chama The Magnetic Fields, que tem as letras mais malucas que já ouvi. Na seção “vozes femininas”, gosto muito da Soko, da Kate Nash, da Ingrid Michaelson e da Kimya Dawson.

Fã de Tibério Azul e da mistura de eletrônica, violino e MPB do Silva, Clarice anda entusiasmada com as colaborações que vem realizando com fãs através da rede.

— Acho muito legal ver a quantidade de covers das minhas músicas, são mais de 400. Estou gravando esse disco, que é a coisa mais divertida do mundo de fazer e a mais apavorante também — conta ela sobre o trabalho que deve sair no começo de 2013.

Tchequirau

Formado por Hudson Mohawke e Lunice, o TNGHT está abrindo seu caminho nas pistas de dança através das batidas espacias de hip hop e dos graves. Coisa fina.

segunda-feira

27

agosto 2012

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Transcultura #093: Meu Rio // Internetes

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foto: Ana Branco/Agência O Globo

Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Ativismo digital
Criado há cerca de dez meses, o movimento Meu Rio vira referência de mobilização na internet

por Bruno Natal

O botafoguense Miguel Lago, 24 anos, diz que aprendeu muito cedo que nunca alcançaria a felicidade pelo futebol (palavras dele) e foi obrigado a buscá-la no mundo real. Quase todo mundo já se pegou pensando em como melhorar sua cidade. Miguel não apenas foi lá e fez, como criou uma maneira de facilitar que todos os cariocas possam também agir. O Meu Rio é um movimento apartidário e sem fins lucrativos, com a missão de fazer com que o cidadão possa se envolver efetivamente na construção de políticas públicas.

Em cerca de dez meses, o site virou referência em ativismo digital. Com suas campanhas, conseguiu fazer barulho para que a Lei da Ficha Limpa fosse aprovada na Assembleia Legislativa do Rio e as lan houses fossem reconhecidas como atividade “de especial interesse para a universalização do acesso à internet”, e não mais como casas de jogo. Também fez com que a Barcas S/A revisse a decisão de cobrar taxa por bagagem.
Mudança cultural

Hoje, entre outras coisas, o movimento luta pelo respeito aos bailes funk e por saneamento básico em 100% da cidade. Além de submeter os candidatos à prefeitura do Rio a sabatinas, transmitidas on-line e com participação do público.
— Sempre tive vontade de ajudar a mudar o país. E o Meu Rio me dá as condições de contribuir para a causa pública com total independência. Não acredito mais em mudança a partir de sistema partidário ou pertencimento à administração pública — diz Miguel.

Após receber uma bolsa do governo francês, aos 18 anos ele foi estudar Ciências Políticas e cursar um mestrado em Administração Pública na Sciences Po Paris. Foi lá que conheceu Alessandra Orofino, com quem fundou o Meu Rio. Para assegurar sua independência, o projeto não aceita dinheiro publico, e nenhum doador pode ser responsável por mais de 20% do total arrecadado.

O site mobiliza pessoas em torno de temas específicos a partir de ferramentas como Assine Embaixo (abaixo-assinado on-line), Imagine (plataforma colaborativa de ideação de políticas públicas), Panela de Pressão (em que qualquer um pode criar sua campanha para gerar mudanças na sua comunidade) e Verdade ou Consequência (um jogo para aproximar o eleitor dos candidatos a vereador). Como se exige pouco para participar — basta um clique — uma crítica recorrente ao ativismo político on-line é sua pouca eficácia em termos práticos. Para Miguel, cabe às pessoas promover as mudanças.

— Só a tecnologia não muda nada. Mas as ferramentas são meios que, se usados com a devida estratégia, podem gerar grandes resultados. Quando falamos de participação é bonito, mas nem todos podem ir às ruas de tarde ou cabem num anfiteatro onde esteja rolando um fórum. O ativismo digital rompe com essas barreiras espaciais e físicas.

Agora, com a ApaFunk, o Meu Rio tenta derrubar a resolução 013, que dá poder à polícia de vetar eventos nas comunidades pacificadas.

— Isso tem afetado sistematicamente os bailes funk, que são uma manifestação própria dessas comunidades. O governo leva orquestra pra tocar em UPPs, mas não autoriza o funk. UPP não é colonização, é integração, o que implica saber respeitar a diferença.

Cultura é parte fundamental do trabalho do Meu Rio, em sentido amplo.
— Não podemos confundir cultura com arte: a cultura engloba política, tecnologia, arte. Ela é como concebemos a cidade, o país, o planeta. Precisamos de cidadãos proativos e governos que aceitem essa proatividade.

Tchequirau

Algumas coisas que aprendi essa semana: bar mitzvah bom é na baleia, não se deve restaurar pinturas do século XIX por conta própria, dub em português é dobragem, criança não deve comer pilha, modelo vivo sofre, Seu Madruga é um senhor professor e muito mais. Obrigado, internetes!

segunda-feira

13

agosto 2012

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Transcultura #091: Lucas Santtana // “Tropical Britannia”

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Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Reconstruindo Lucas
Músicas do disco ‘Sem nostalgia’, de 2009, ganham versões remixadas em novo álbum

por Bruno Natal

Junto com a capa de “Remix nostalgia”, disco de reconstruções das músicas de “Sem nostalgia”, Lucas Santtana envia, orgulhoso, o link para tuitada do radialista e DJ franco-suíço Gilles Peterson, um dos principais divulgadores da música feita fora do eixo Inglaterra-EUA, classificando o trabalho como “acima da média”. Não é de hoje que Lucas chama mais atenção no exterior do que no Brasil, história comum a tantos bons artistas daqui.

— “Sem nostalgia”, de 2009, só saiu na Europa em 2011. Em abril fiz a turnê de lançamento por lá, 12 shows em sete países. Tínhamos que esperar isso passar para lançar o disco de remixes, que foi ideia do Lewis Robinson, dono do meu selo na Europa, Mais Um Discos. A intenção é sempre permitir que alguém conte a mesma história de outra maneira — diz Lucas.

Adepto do livre compartilhamento — o disco pode ser baixado gratuitamente —, Lucas não é estranho aos sons eletrônicos. Além de eventuais apresentações como DJ, ele costuma disponibilizar faixas abertas de suas músicas, que são os instrumentos usados em cada faixa isolados em canais de áudio independentes, para que possam ser sampleados e remixados por outros.

— O que me atrai na eletrônica são os timbres e a maneira de tocá-los nas máquinas. É bem diferente de tocar um instrumento. Isso faz com que exista o que chamo de cultura de pista, outra maneira de se fazer e pensar a música.

O time convidado para “entortar” as faixas inclui Tosca (projeto de metade da dupla Kruder & Dorfmeister), Deerhoof, Burnt Friedman, JD Twitch (metade do Optimo) e os brasileiros M. Takara e Rodrigo Brandão.

— Quem escolheu foi o Lewis, ele só me perguntava se eu aprovava as escolhas. O foco dele foi levar minha música para outros nichos. Os produtores curtiram muito o disco original. Na França ele foi eleito o disco estrangeiro de 2011 pelo jornal “Libération”. E ficou em sexto na lista da revista “Les Inrockuptibles”. E não estamos falando de categoria world music ou independente, era competindo com todos os lançamentos mundiais mesmo.

Sem nostalgia, Lucas mira na frente. Com lançamento marcado para setembro, seu disco mais recente, “O Deus que devasta mas também cura”, não deve demorar tanto para sair no exterior. A versão europeia virá com três músicas inéditas. Os remixes, espera-se, vêm na sequência.

Tchequirau

Finalmente se afastando dos mashups, João Brasil lançou um EP essa semana, como parte de sua participação no projeto Rio Occupation London. Em “Tropical Britannia” o produtor faz parcerias com Isa GT, Bumps, Moroka, Murlo e Rob Pollinate, experimentando com sonoridades do global ghettotech, post dubstep, UK funky, baile funk, tecnobrega, batidas quebradas.