segunda-feira

27

agosto 2012

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Transcultura #093: Meu Rio // Internetes

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foto: Ana Branco/Agência O Globo

Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Ativismo digital
Criado há cerca de dez meses, o movimento Meu Rio vira referência de mobilização na internet

por Bruno Natal

O botafoguense Miguel Lago, 24 anos, diz que aprendeu muito cedo que nunca alcançaria a felicidade pelo futebol (palavras dele) e foi obrigado a buscá-la no mundo real. Quase todo mundo já se pegou pensando em como melhorar sua cidade. Miguel não apenas foi lá e fez, como criou uma maneira de facilitar que todos os cariocas possam também agir. O Meu Rio é um movimento apartidário e sem fins lucrativos, com a missão de fazer com que o cidadão possa se envolver efetivamente na construção de políticas públicas.

Em cerca de dez meses, o site virou referência em ativismo digital. Com suas campanhas, conseguiu fazer barulho para que a Lei da Ficha Limpa fosse aprovada na Assembleia Legislativa do Rio e as lan houses fossem reconhecidas como atividade “de especial interesse para a universalização do acesso à internet”, e não mais como casas de jogo. Também fez com que a Barcas S/A revisse a decisão de cobrar taxa por bagagem.
Mudança cultural

Hoje, entre outras coisas, o movimento luta pelo respeito aos bailes funk e por saneamento básico em 100% da cidade. Além de submeter os candidatos à prefeitura do Rio a sabatinas, transmitidas on-line e com participação do público.
— Sempre tive vontade de ajudar a mudar o país. E o Meu Rio me dá as condições de contribuir para a causa pública com total independência. Não acredito mais em mudança a partir de sistema partidário ou pertencimento à administração pública — diz Miguel.

Após receber uma bolsa do governo francês, aos 18 anos ele foi estudar Ciências Políticas e cursar um mestrado em Administração Pública na Sciences Po Paris. Foi lá que conheceu Alessandra Orofino, com quem fundou o Meu Rio. Para assegurar sua independência, o projeto não aceita dinheiro publico, e nenhum doador pode ser responsável por mais de 20% do total arrecadado.

O site mobiliza pessoas em torno de temas específicos a partir de ferramentas como Assine Embaixo (abaixo-assinado on-line), Imagine (plataforma colaborativa de ideação de políticas públicas), Panela de Pressão (em que qualquer um pode criar sua campanha para gerar mudanças na sua comunidade) e Verdade ou Consequência (um jogo para aproximar o eleitor dos candidatos a vereador). Como se exige pouco para participar — basta um clique — uma crítica recorrente ao ativismo político on-line é sua pouca eficácia em termos práticos. Para Miguel, cabe às pessoas promover as mudanças.

— Só a tecnologia não muda nada. Mas as ferramentas são meios que, se usados com a devida estratégia, podem gerar grandes resultados. Quando falamos de participação é bonito, mas nem todos podem ir às ruas de tarde ou cabem num anfiteatro onde esteja rolando um fórum. O ativismo digital rompe com essas barreiras espaciais e físicas.

Agora, com a ApaFunk, o Meu Rio tenta derrubar a resolução 013, que dá poder à polícia de vetar eventos nas comunidades pacificadas.

— Isso tem afetado sistematicamente os bailes funk, que são uma manifestação própria dessas comunidades. O governo leva orquestra pra tocar em UPPs, mas não autoriza o funk. UPP não é colonização, é integração, o que implica saber respeitar a diferença.

Cultura é parte fundamental do trabalho do Meu Rio, em sentido amplo.
— Não podemos confundir cultura com arte: a cultura engloba política, tecnologia, arte. Ela é como concebemos a cidade, o país, o planeta. Precisamos de cidadãos proativos e governos que aceitem essa proatividade.

Tchequirau

Algumas coisas que aprendi essa semana: bar mitzvah bom é na baleia, não se deve restaurar pinturas do século XIX por conta própria, dub em português é dobragem, criança não deve comer pilha, modelo vivo sofre, Seu Madruga é um senhor professor e muito mais. Obrigado, internetes!

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