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sexta-feira

20

abril 2012

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Coachella 2012: um festival de pessoas, sol e música

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fotos: URBe (via Instagram)

Cada Coachella é uma história diferente e por isso é um dos festivais mais legais de se cobrir. Mais do que o ano da entressafra, o Coachella 2012 será lembrado como o ano do frio, da chuva, o Coldchella. Pela primeira vez (até onde pesquisei) choveu e o frio de 10 graus desnorteou um evento pautado, primordialmente, pelo sol. E ficou bastante claro esse ano o quanto o sol é fundamental para o festival.

Espécie de termômetro da música pop independente contemporânea (OK, ficou parecendo estatística do Zagallo: “nunca perdi pra país com a letra Z e que joga com listras vermelhas verticais”), goste ou não, através das suas escalações, apresentações e até horários, entende-se um pouco do momento pelo qual passa o cenário musical.

A ascensão do festival e o interesse em participar de medalhões como Madonna e o empenho em impressionar do Daft Punk e sua pirâmide em 2006, a expansão de dois para três dias de shows em 2007; a consolidação como rito de passagem e afirmação para bandas visto em 2009; o gigantismo atingido em 2010, quando todas as bandas agora graduadas juntaram-se na mesma escalação e aumentou-se o número de ingressos disponíveis; a correção de rumo em 2011. Cada edição tem as suas peculiaridades (as intros de cada uma das resenhas apontadas dão uma analisada melhor em cada assunto).

A julgar pelo que se viu em 2012 (e se verá novamente nesse final de semana, quando pela primeira vez o Coachella terá um segundo final de semana, espelhando as atrações do primeiro) o momento atual é de entressafra. A escalação trouxe as tradicionais reuniões de bandas extintas (At The Drive In, Mazzy Star), nomes grandes pra chamar público (Dr. Dre & Snoop, Radiohead) e muitas, mas muitas bandas novatas.

O que não se vê, ao menos não em números expressivos, são aquelas bandas recém-estouradas, equilbrando-se entre um público médio, quase chegando no grande. Não faz sentido escalar novamente a última leva a conseguir fazer essa transição de pequeno para médio porte (MGMT, Hot Chip, Vampire Weekend, 2ManyDJs/Soulwax, Chromeo, etc), porém, não há novos postulantes a esse posto. Com isso, foram muitas apostas, algumas das quais podem voltar ao festival em outras condições.

Isso não deixa de ser totalmente alinhado como espírito do Coachella, mesmo que hoje ele tenha se tornado muito maior. É muito bom que não haja um desespero pelo sucesso (mesmo porque, hoje os ingressos esgotam antes da divulgacão da escalação) e se repeite o tempo das coisas. Mérito da curadoria. O fato de a atração mais comentada ter sido um holograma diz muito sobre isso.

Resta ao público garimpar, é esse interesse que move o festival. Ainda que em alguns casos o hype do mundo real seja mais rápido que o da rede, fazendo com que shows fiquem abarrotados no início e, de repente, esvazie, com as pessoas indo buscar outras coisas, num universo de mais de 140 atrações o que predomina é um público aberto ao novo, mesmo que para alguns isso dure apenas três dias.

Isso faz toda diferença do ponto de vista prático. Sem um público interessado cena nenhuma, de nada, se sustenta (sim, estou falando sobre o Queremos!de maneira enviezada).


Nuvens, vento, gorros… (foto do @rhermann)

Dia 1
Breakbot, Givers, James, Neon Indian, GIRLS, Arctic Monkeys, Pulp, Frank Ocean, Mazzy Star e M83

Dividido entre ver as novas instalações e correr atrás de alguma das boas atrações que ficam salpicadas no horário em que o campo de polo ainda está vazio, a entrada é sempre um momento confuso. Enquanto Breakbot fazia um set bem parecido com o que fez no Rio, tocando depois do Mayer Hawthorne The Rapture no Circo Voador (e sem banda, como era esperado), o Givers fazia um show sub-qualquer bandeca de rock. Restou passar pelo palco principal pra pegar um pouco do rapper Kendrick Lamar. Tarde demais; só deu tempo de ouvir o ele se despedindo e aturar a velharia do James enquanto almoçava.

As coisas começaram frias, no amplo sentido da palavra. Os shows não impressionavam e o frio ia piorando conforme o dia passava. Logo a previsão de 30% de chances de chuva se confirmaria, sem muita intensidade, só que as gotinhas estavam geladas que só vendo. Muita gente não levou a metereologia  sério e a cena de meninas de roupa curta se encolhendo tornaram-se tão comuns quanto as alienígenas jaquetas de couro circulando pelo gramado.


GIRLS

No palco menor, o Neon Indian levou o lo-fi a extremos, mostrando um show mais sujo do que gasto pelo tempo. Mesmo com três sintetizadores, guitarra e bateria, o som saia fraco e abafado, sem empolgar a boa quantidade de gente assistindo. Melhorou um pouco nas duas últimas,  os “hits” falando de uma garota polonesa e num verão caloteiro,  “Polish Girl” e “Deadbeat Summer”. Bem apropriado.

Tudo prometia melhorar com o GIRLS, mostrando as músicas do excelente “Father, Son, Holy Ghost”, um salto de qualidade tremendo da banda. Só que… O que quer que tenham aprendido no estúdio, não chegou ao palco. Sem nenhum carisma, Christopher Owens teve sua voz e violão encobertos por um baixo rachando e até pelas boas cantoras de apoio. Não foi terrível, porém não chega perto do disco.


Arctic Monkeys

No palco principal, o Arctic Monkeys mostrava como é que se faz. É impressionante o quanto a banda se converteu de um bando de moleques em um grupo de rock com cancha de palco. A única vez que havia visto a macacada ao vivo foi naquele mesmo palco, em 2007, quando estavam lançando o segundo disco, ainda desconhecidos nos EUA e fazendo brincadeiras com a situação.

Com quatro discos nas costas, projetos paralelos e sabe-se lá quantas horas de palo, Alex Turner sente-se a vontade como front man. Isso é bom e ruim. Se por um lado o domínio de palco propicia um espetáculo mais controlado, é justamente esse controle que tira um pouco do frescor juvenil que foi uma parte tão importante no estouro da banda. O tempo passa, é incontrolável. O volume das guitarras não, pelo contrário, e poderiam estar um pouquinho mais altas.

O Pulp deu sequência inglesa, com um show bem produzido, cenário grandioso e Jarvis Cocker inspirado. Vista uma música e os fãs enlouquecendo, voei para conferir o Frank Ocean. Integrante mais velho do coletivo de hip hop angelino Odd Future, Frank se debruça sobre o r&b, cantando sobre relacionamentos, não sobre escatologias como os rappers do grupo.


Frank Ocean

A Gobi, menor das tendas, transbordava e foi difícil abrir caminho. Ao conseguir avistar o palco, deu pra identificar o BadBadNotGood como seus músicos de apoio, o que subiu bastante o nível (eles ainda tocaram toda as noites no acampamento).

O trio de baixo, bateria e piano canadense já vinha ciscando pela área, fazendo versões jazzísticas das músicas do Odd Future, então foi até uma junção lógica – no show a formação era guitarra, baixo, bateria e MPC/teclado (até onde deu pra ver, a ausência de uma câmera cobrindo o lado direito do palco no vídeo com a íntegra do show não ajuda a identificar).

Ao Frank Ocean restou fazer o que sabe, cantar. Bem a vontade frente a multidão, ele perdeu bastante tempo reclamando do som. O público não viu tanto problema, as meninas soltando gritinhos sem parar. Quando acabou, Mazzy Star já estava no palco menor fazia dez minutos.


Mazzy Star

A luz azul que preenchia o espaço durante quase todo o show escondia uma Hope Sandoval emburrada, quieta, sem que ela dissesse o motivo (olhando bastante para mesa de monitor, a qualidade do som devia ser a razão). O folk blues chapado, de linhas de órgão doorianas e slides viajantes, atraiu pouca gente – o frio certamente não ajudou.

Uma pena, pois o show foi bastante bom (dá pra assistir todo no YT). Mesmo eles tendo “se livrado” de “Fade Into You” lá pela metade, era um show pra ter encantado se as condições tivessem sido melhores.

A caminho do M83, o extremo oposto acontecia em uma das tendas, onde o Atari Teenage Riot rasgava os ouvidos dos poucos que se encorajaram a encarar a bagaceira. Surpresa mesmo viria a seguir.


M83

Contrariando todos os prognóstico de um show indie e cabeçudo de shoegaze eletrônico, o  show do M83 é totalmente pop (assista completo no Daily Motion). Com luzes frenéticas e ênfase nas programações eletrônicas e na própria bateria (por vezes 4×4) em quase todas as músicas, a tenda lotada quicou sem parar enquanto Anthony Gonzales se deliciava, sem cansar de agradecer e fazer menção ao fato de estar sendo tão diferente de quando tocou no festival, em 2005.

A saída de um dos fundadores, o sucesso de “Hurry Up, We’re Dreaming”, o M83 está mesmo vivendo um recomeço. É como se fosse outra banda, nascida pra fazer sucesso. Não é exatamente meu tipo de som, principalmente os gritos de “mãos pra cima” ou nos momentos em que soa como se o Miike Snow (com quem guardam semelhanças, o que é bom) tocasse as músicas do Arcade Fire (o que seria ruim) Gostos a parte, é um showzão- e bombaria por aqui. Dispensável mesmo só o solo de sax no final de “Midnight City”.

Falando em Miike Snow, no dia seguinte eles tocaram e receberam a Lykke Li, assista a partir do minuto 29.  De volta a sexta, a atração seguinte seria o The Horrors. O frio venceu e esse ficou pra depois, encerrando a noite mais cedo.


Galocha? (foto do @rhermann)

Dia 2
Big Pink, Jaques Lu Cont, tUnE-yArDs, Andrew Bird, Noel Gallagher’s High Flying Birds, The Shins, Feist, Flying Lotus, SBTRKT, ASAP Rocky e Radiohead

O otimismo sobre uma melhora das condições climáticas se realizou apenas parcialmente: o frio continuou, mas pelo menos não choveu, o que já ajudou bastante. O sol até ameaçou aparecer algumas vezes.

Tendo perdido os shows do Destroyer e da Azealia Banks (essa tendo utilizado metade do tempo de palco que tinha), ambos muito cedo, o dia começou com o Big Pink, aturado somente tempo suficiente para Jaques Lu Cont começar seu set na tenda Sahara.


Jaques Lu Cont

Nome por trás do Les Rythmes Digitales e produtor do “Confessions On a Dancefloor”, da Madonna, Jaque Lu Cont é o pseudônimo mais utilizado pelo inglês Stuart Price (um trocadilho anglo-franco significando algo como Jack O Cuzão), talvez seu trabalho mais consistente. Agradando a atual demanda por sons rave 90, a primeira metade do set foi bem comercial, téquinêra pesada (e ainda sim bom, sim é possível), encerrada com um explosão de fumaça ao som de “Also Sprach Zarathustra”, para marcar a transição para um som mais com a sua cara.

E essa cara é um groove borrachudo, sirenes de synth, camadas de melodia se cruzando, a bateria 909 estourando no peito, em remixes de “Harder Better Faster Stronger” (Daft Punk), “Blue Monday” (New Order) e “Mr. Brightside” (The Killers, de quem também produziu o terceiro disco). Mesmo com o dia claro, a pista pegou e pegou bem.


Andrew Bird

Numa mudança brusca, o tUnE-yArDs pegou um palco grande demais para o seu som. O som etéreo, de tempos e divisões estranhas e melodias tortas, lembrando bastante o Dirty Projectors , não consegue cativar uma multidão. A atmosfera experimental e hippie provavelmente ganha muito se vista, por exemplo, num centro cultural ou na sala de casa de um dos integrantes. Andrew Bird entrou na sequência e fez um show correto com seu folk e violino, sem empolgar muito.

No almoço deu para ouvir Noel Gallagher apelar para “Don’t Look Back In Anger”, do Oasis, pra conquistar o público. Mesmo sem nenhum hit desse calibre no repertório, quem não precisou de muitos truques pra fazer um dos shows do festival foi a Feist. 19 pessoas no palco, som perfeito, o máximo da apelação foi uma piada dizendo que uma de suas músicas era sobra de estúdio do “The Chronic”, clássico do Dr. Dre, estrela maior do Coachella esse ano. Bem classudo.


Flying Lotus

Embicando para o final, vei uma sequência na tenda pequena, começando pelo trecho final da apresentação do Flying Lotus, dessa vez acompanhado por baixo e bateria, tão bom quanto sempre nos toca-discos.

Logo depois entrou o SBTRKT. Acompanhado apenas pelo cantor Sampha, o produtor Aaron Jerome reconstrói as músicas, tornando-as muito mais peadas e minimalista (show todo no DM).


SBTRKT

Passando uma lixa na produção detalhada do disco, tirando todo polimento pop, “Never Never” vira um dubstep dark, “Something Goes Right” não repete as programações, o sintetizador some e surge reta e seca. “Wildfire”, na versão com Drake e cantada por Yukimi Nagano (do Little Dragon), que deveria ser a mais adaptada devido a ausência dos intérpretes, é praticamente tocada como é gravada, antes de um final em que é toda entortada.

O ponto fraco é a decisão de Aaron de tocar bateria ao vivo (ele e Sampha dividem os sintetizadores). O que poderia ser um adendo interessante pro show acaba limitando as execuções pelo simples fato dele ser um baterista regular, porém incapaz de repetir as programações originais na munheca. Com isso, todo o show acaba sendo mais linear e perdendo dinâmica. A discussão se um artista novo deve ou não alterar tanto suas músicas quando tem apena um lançamento é secundária. Afinal, cada artista sabe de si.


Um integrante do ASAP Rocky vai pra galera

Certo de que o Radiohead não entraria em cena no horário marcado, fiquei para ver um pouco do ASAP Rocky. Acompanhado por 11 amigos no palco, pulando e dançando sem parar, alguns fazendo raps ou se jogando na plateia, do pouco que deu tempo de conferir, pareceu energético, embora rapidamente se torne monótono com a presença de apenas um DJ em cena.


Radiohead

Atração principal da noite, o Radiohead fez um show basicamente focado no “The King of Limbs” e no “In Rainbow”, com algumas concessões. No geral, foi um repertório mais lento e o cansaço de um dia inteiro de shows, somado ao frio, congelou o público.

A amigos, o guitarrista Ed disse que foi um dos piores shows do Radiohead em muito, muito tempo. Foi um certo alívio saber disso, aliviando um pouco a culpa de ter saído um pouco antes do fim (não aprendo…) para evitar o engarrafamento da saída do estacionamento.


O sol! O Sol!

Dia 3
Metronomy, SeunKuti & Egypt 80, Real Estate, Beats Antique, araabMUZIK, The Weeknd, Justice, At The Drive In, Dr. Dre & Snoop Dogg


Josh Homme é fã do Metronomy

Eis que no derradeiro dia o sol apareceu, mudando COMPLETAMENTE a atmosfera do festival. O dia começou bem, com o Metronomy fritando o coco no palco menor, transformando o gramado numa pista de dança. Josh Homme (Queens of the Stone Age) foi tietar a banda nos bastidores após o show e foram embora juntos.


Santigold

Finalmente deu para aproveitar o calor e curtir o visual do deserto largado no chão, ao som do Seun Kuti e a lendária Egypt 80. A melhora no clima aumentou a pilha, então deu pra correr descalço e ver um pedaço da Santigold, grande, dominando o palco principal bem cheio.

De lá, para o Real Estate. Longe de ser algo elaborado, é na simplicidade que eles se dão bem (show inteiro aqui – e que beleza é não ter que subir essa quantidade de vídeos no  YT!).


Real Estate

O indie preguiçoso se destaca pela guitarra enxarcada de Matthew Mondaline (também do Ducktails) e pelas longas incursões instrumentais, apoiadas em camadas de teclado (o pai do tecladista mora no Rio e trabalha n Bloomberg, ele contou depois). De ruim, a demora entre as música para afinação dos instrumentos, atrapalhando a fluidez. Uma belezura de show que teria ido muito bem no por do sol.


Thundercat

Produzido por Flying Lotus, o Thundercat fez um show de jazz funk chato enquanto na tenda ao lado, a Mojave, o Beats Antique orientalizava o hip hop através do balkan beats, com banda e dançarinas exóticas, antes do araabMUZIK destroçar os sonhos de qualquer um que toque ou queira tocar uma MPC.


araabMUZIK

O prodígio americado descendente de guatemaltecos e dominicanos arregaça não uma ou duas, mas três MPC,  numa velocidade e destreza assutadoras. Isso sem perder de foco o pequeno detalhe de fazer um som bom, algo que poderia ser relegado a segundo plano, encoberto pela performance, construindo batidas e melodias e samples de Damian Marley. No palco principal, o The Hives se esgoelava.

Com finalmente um sol para se por, a melhor escolha de banda para esse horário de ouro do festival flopou desastrosamente (veja você mesmo). Reunindo o maior público visto no palco menor, com muita gente sabendo as letras de cor e sendo celebrado com gritos histéricos dignos de ídolos adolescentes, o The Weeknd não correspondeu.


The Weeknd

Com uma voz pequena e sem alcance nenhuma, Abel Tesfaye mais geme do que canta. Ele não se aperta e bota banca, com atitude de postar, como se não fosse um sub D’Angelo ou Justin Timberlake e não percebesse que está mais próximo de um participante do American Idol do que de qualquer um dos citados.

A banda – ou os arranjos – não ajudam, soando vazia naquela imensidão a céu aberto. Uma grande decepção, considerando as boas mixtapes, no nível da causada pelo The xx, naquele mesmo lugar e horário. Agora, como dito lá em cima, pode ser questão de tempo, estrada, experiência mesmo. O The Weeknd ainda é pequeno.

Contrariando o que vinha sendo comentado, o Justice não se apresentou com uma banda e mostrou praticamente o mesmo show do disco passado, adicionando apenas luzes aos amplificadores cenográficos e as música novas de sonoridade parecida (já que o disco é mais hard rock do que metal), como “Orion”. A banda entrou bastante atrasada e fez um set bem curto num espaço já limitado de tempo. Muito pouco para o palco principal, mesmo sendo muito bom.

Espremido entre a catarse causada pelo Girl Talk no palco menor e o poperô do Calvin Harris (com Rihanna como convidada) na Sahara, o Beirut se esforçou pra conseguir se fazer ouvir na Gobi. Tarefa ingrata para eles e para os muitos que lotaram a tenda na esperança de ver o show.

No palco principal o At The Drive In fez seu retorno, enquanto a Florence and The Machine agradava a mulherada no menor. Nada disso importava, a essa altura o campo de polo já estava a espera de Dr. Dre, Snoop Dogg e sua turma.


Dr. Dre & Snoop Dogg e todo o resto

Como num especial de TV, Dr. Dre fez as vezes de anfitrião, falando bem mais que Snoop, enquanto recebia seus convidados (já sabe: clique e assista o show todo). Passeando quase cronologicamente por alguns dos sucessos que produziu, recebeu Kurupt, Warren G, homenageou Nate Dogg (morto recentemente), ouviu Snoop puxar “Jump Around” do House of Pain e cantar “Young, Wild and Free” com Wiz Khalifa e então o caldo começou realmente a engrossar.

Confirmando os boatos, 50 Cent e depois Eminem também participaram, transformando a noite num encontro de medalhões do hip hop, faltando apenas Jay Z, Lil Wayne e Kanye West pra fechar o primeiro time (mas eles não tinham nada a ver com aquilo). O que aconteceu entre essa duas apresentações foi o que se tornou o assunto mais comentado do Coachella, possivelmente não apenas dessa edição.

Durante o dia já rolava um falatório sobre a participação virtual do Tupac, o próprio holograma (papo que você vem escutando falar aqui no URBe pelo menos desde 2006) sendo citado. Não deu outra. E mesmo sem ser exatamente uma surpresa, causou espanto no sentido estrito da palavra. Mais do que uma comoção ou celebração, a visão de Tupac no palco, gritando “qualé Coachellaaaa”, deixou o clima meio sombrio. Era mais como ver um espírito do que o artista. Embora o objetivo não pareça ter sido esse, funcionou, afinal, o rapper foi assassinado há 16 anos.

No final, mesmo com a chuva e escalação “tímida” (e bota aspas nisso!), foi uma das edições que mais repercutiu. Curioso pra saber qual vai ser a história ano que vem.

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Obs 1 – Para assistir: Tem alguns links para vídeos com os shows inteiros no texto. Uma busca no Google por “nome da banda” + Coachella + full entrega os resultados. Muitos dos vídeos estão marcados como “privados”, para não serem tirado do ar pelo YouTube, então uma busca no próprio YT não acusa. Tem muitos no DailyMotion também.

Obs 2 – This is an extensive Coachella ’12 Weekend 1 review written in Portuguese, here’s an automatic translated English version (through Google Translator)

segunda-feira

26

março 2012

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Beach House, “Bloom” (2012)

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Previsto para maio pela Sub-Pop, “Bloom”, quarto disco do Beach House – adivinha – chegou antes da hora. Sucessor do excelente “Teen Dream” (que deveria ter encabeçado a lista de melhores de 2010), a bolacha foi novamente produzida por Chris Coady (TV On The Radio, Yeah Yeah Yeahs).

Alex Scally e Victoria Legrand seguem seu atmosférico dream pop, de texturas etéreas e psicodélicas, um pouco menos nebuloso, quase – até onde o Beach House se permite – pra cima. Se não é melhor que “Teen Dream”, está ao menos no mesmo nível. O que é bastante coisa.

sexta-feira

23

março 2012

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Um apanhado do SXSW Music 2012

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O Dudu Fraga esteve no SXSW e, além da cobertura muito legal sobre a parte de cultura digital do festival pro Link, fez um apanhado da parte de música do evento para o URBe. Conta aí, Dudu:

“São mais de 2 mil shows oficiais (e certamente outros 2 mil não oficiais) divididos entre 6 dias de total imersão na pacata cidade de Austin no Texas. Diferente de outros festivais de música, no South by Southwest não existe um único local onde os shows acontecem.

“Os mais diferentes lugares da cidade (bares, estacionamentos, lobby de hotel,….) viram palcos e a cidade toda respira o festival. É como se fosse o carnaval de rua do Rio (sem poder beber na rua e, consequentemente, sem pessoas fazendo xixi em qualquer lugar), todo mundo circulando atrás de um show.

“Essa atmosfera da cidade é uma das principais características do SXSW, é impossível não ser absorvido pela energia jovem, ousada e inconseqüente que a cidade é tomada, ainda mais em pleno Texas. Junta-se a isso artistas de variados estilos (da música latina, passando pelo reggae, hip hop, rock, folk, eletrônica) de variados tamanhos, porém sempre com uma pegada mais independente, e lugares pequenos (somente dois ou três lugares são para mais do que mil pessoas).

“Esse é o SXSW, um festival onde você assiste ao Gossip para não mais do que 50 pessoas e onde facilmente você esbarra e troca uma idéia com o artista que acabou de tocar.

“Incluindo os shows que assisti na parte do Interactive (festival de cultura digital que acontece antes do festival de música) foram mais de 40 shows. Entre descobertas, indicações, bandas que eu já gostava e, claro, grandes furadas escolhi os 10 que mais me chamaram atenção, sem nenhuma ordem de importância.”

Ano que vem tô lá.

Leia as mini resenhas do Dudu e assista os vídeos de algumas das atrações depois do pulo.

(mais…)

domingo

4

março 2012

4

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A estrela do SILVA

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Em sua estreia nos palcos, o SILVA teve que enfrentar uma sequência de dificuldades: o bacana Comuna não é uma casa de shows; o calor abissal no ambiente fez com que boa parte das mais de 100 pessoas saíssem antes do fim; e, mais do que qualquer coisa, a missão de entreter a platéia por tempo o suficiente para justificar o caro ingresso de R$30 tendo apenas um EP de cinco músicas para apresentar.

O capixaba Lúcio Souza superou a tarefa ingrata graças as boas músicas de um dos melhores lançamentos de 2011. As poucas músicas do EP – mais três inéditas que devem fazer parte de um próximo EP, antes do primeiro disco sair –  foram cantadas por um público composto basicamente por fãs de primeira hora (com “ôôôs” à la Arcade Fire, guardadas as proporções) , felizes de estar vendo o artista iniciar sua carreira.

A transposição para o formato ao vivo de gravações contemplativas, mais confortáveis num par de fones do que em grandes caixas de som, funcionou, ainda que prejudicada pelo PA tímido (o grave não saía). Tocando teclado na maior parte do tempo (além de guitarra e violino em duas músicas), Lúcio montou uma banda (baixo, bateria/programação e outro tecladista/efeitos), encorpando o som.

Nesse ponto o espaço diminuto do Comuna colaborou. As músicas podem ser chapadas demais para segurar um show mais longo em um lugar maior com esses arranjos – como as três mil pessoas esperadas no palco do Sónar SP em que o SILVA se apresentará. Mesmo de andamentos lentos, as músicas do EP tem elementos dançantes. Pode ser o caso de explorar e alongar esses momentos, para ajudar a dar mais dinâmica.

Ao final das oito canções o público pediu mais. O aviso de Lúcio de que não havia mais o que tocar foi recebido aos gritos de “repete!”, prontamente atendido. Exatamente como aconteceu com o curto EP, assim que acabou deu vontade de ouvir outra vez. O show poderia ter sido tocado novamente na íntegra que as pessoas não iriam achar ruim.

O “menos é mais” se provou uma boa estratégia. Num tempo em que as bandas só faltam oferecer as calças pro público, SILVA deixou todos na vontade, no EP e no show. Agora é a aproveitar e suprir as altas expectativas com os próximos lançamentos, para enfim se poder afirmar não se tratar de só mais um Silva que a estrela não brilha. É com ele.

Pra quem perdeu, hoje (domingo), tem um segundo show, de novo no Comuna.

quarta-feira

15

fevereiro 2012

15

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Céu, “Caravana Sereia Bloom” (2012)

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Duas coisas são extremamente estimulantes quando o assunto é ouvir música, pela ordem: conhecer um bom som (novo ou antigo) e ver um artista que gosto tentar novos caminhos – mesmo quando dá errado (mesmice é um saco).

Em “Caravana Sereia Bloom” Céu atende ambos os quesitos. A menina tímida dos primeiros shows vai dando lugar a uma cantora corajosa, amadurecendo como compositora, sem medo de tentar. Além de ter tomado a frente e escrito algumas das canções, ela também produziu e tocou as vinhetas no Garage Band.

http://youtu.be/_ocYyB8jS70

Mais ambientada com os parceiros e com o próprio processo de feitura de um disco, a influência do reggae continua forte, porém dessa vez Céu resolveu passear por outros lugares. Em entrevista para o Diginóis, Céu fala do “Caravana Sereia Bloom” como um road disco, uma viagem – sempre as viagens – pelas estradas da vida dos artistas.

O tema não determina a sonoridade, acabou sendo mais subjetivo e pode facilmente ser ignorado na audição, o que é bom. Mais determinante foi a troca de produtor. Sai o estilo mais polido de Beto Vilares, responsáveis pelos seus dois primeiros discos, entra a crueza e ambientação cinematrográfica de Gui Amabis, seu marido.

A vontade e em casa, o que deve ter ajudado a deixar passar algumas moduladas vocais ficarem “sem conserto” (o que é ótimo), Céu assina seis das 13 faixas. Sai a chanteuse, entra a artista, se expondo mais.

Essa ausência de um lugar fixo, o movimento conceitual, se reflete nas influências musicais do disco. Antes mais presa a groovezeira, dessa vez Céu dá um volta pela psicodelia do rock setentista (“Retrovisor”), a estética lo-fi (o visual do vídeo das gravações publicado no YouTube antes do lançamento já dava a dica), as programações terceiro-mundistas, sem deixar pra trás o rocksteady (“You Won’t Regret”, Lloyd Robinson e Glen Brown) e o afrobeat (“Contravento”).

O caldo tem Dustan Gallas, Fernando Catatau, músicos da Nação Zumbi (Lúcio, Dengue e Pupillo) puxando a sonoridade para o Norte/Nordeste, Bruno Buarque, Curumin e Lucas Martins pro Sudeste, versões de Nelson Cavaquinho e parcerias com Lucas Santtana (“Contravento” e “Streets Bloom”) e Jorge Du Peixe (“Chegar em Mim”).

Se fosse um vinil, o lado B seria mais interessante. Se na primeira metade do disco que Céu experimenta outros sons, é na segunda que as misturas estão mais bem resolvidas e onde também estão as duas jóias do disco. A dobradinha que fecha os trabalhos, “Streets Bloom” e “Chegar em Mim”, são Céu em seu melhor. Chapada, hipnótica, se descobrindo e, principalmente, se permitindo.