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sábado

29

setembro 2012

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O HC família do Planet Hemp

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Sentado numa cadeira de praia logo a frente da bateria, vestindo uma camiseta do Dinosaur Jr, Marcelo D2 recuperava o fôlego entre cada música – por vezes até durante as músicas. Quem apostou nos atrasos do Circo Voador perdeu o início do show. Iniciado 0h30, apenas 30 minutos após o horário marcado. O tempo passou e não foi só para os integrantes do Planet Hemp.

O show de lançamento da turnê de reunião do enfumaçado grupo (planet é um anagrama de plante, nunca tinha percebido até digitar errado), após “dez anos longe dos palcos” (numa incompreensível insistência em ignorar o show de 2004, no Humaitá pra Peixe, sem falar na apresentação na comemoração dos 20 anos da MTV), reuniu fãs das antigas, prontos para pogar e revisitar a banda. A atmosfera era de túnel do tempo.

O impacto da Esquadrilha da Fumaça na cena cultura carioca e nacional pode ser medida também pela quantidade de talentos com quem trabalharam durante os anos: FleshBeck Crew, Apavoramento, Motilla/Cara de Cavalo, Matias Maxx, Pepa Filmes e tantos outros. Vários desses personagens da história do Planet estavam assistindo da lateral do palco ou trabalhando – filmando, fotografando, fazendo o telão.

Ainda que possa se chamar o quinteto no palco de formação clássica, fizeram muita falta Black Alien (focado no lançamento do seu próximo disco) e o DJ Zé Gonzales. Autor de vários versos memoráveis da banda, Black Alien foi a ausência mais sentida. Já Zégon poderia ter trazido mais groove pro som, que na sua ausência ficou mais focado no hardcore.

Não se pode esperar do Planet Hemp, mesmo com toda produção, com telão de LED e os muitos roadies, nada que não seja podreira. Apuro técnico não é o foco da banda, eles sobem no palco pra fazer barulho e promover anarquia. Para que as letras e o som mantenham esse caráter, é importante que a banda não deixe os anos de experiência interferirem e rebuscar demais.

Afinal, trata-se de uma visita, de um resgate de algo que aconteceu mais de uma década atrás e não teve continuidade. Portanto, seria até paradoxal se a banda tivesse ido além dos cinco ensaios, citados por D2 no palco, para incrementar a herança de Beastie Boys e Cypress Hill via Garage e Rua Ceará. Bom que as coisas tenham se mantido como são.

Olhando o público lá de cima, D2 e BNegão se divertiam com as invasões autorizadas do palco, até ajudando gente a subir para poder pular. Alguns desses aproveitaram para fazer manifestações. Meninas beijavam D2, marmanjos davam berros antes de saltar, partidários abraçavam BNegão enquanto mostravam o dedo do meio para D2, mostrando de que lado estavam nas eternas disputas internas da banda.

Mesmo que a pista do Circo tenha se tornado uma grande roda de pogo durante todo o show, a maior parte do público regulava em idade com a banda, com alguns moleques assistindo o Planet pela primeira vez. Se os quarentões já não tem a mesma energia, o público quicou sem parar, mandou incontáveis mosh (incluindo meninas) e não faltou soco, cotovelada, empurrão, pisão no pé e bico na canela durante as duas horas de show. Até pezada na cara sobrou vinda de gente caindo do céu.

No lugar do Sonrisal e água de coco, a ressaca de sábado foi regada a Dorflex. O tempo passa, para todos.

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As músicas:


foto: Ramon Moreira

1º ato – Usuário

Não compre, plante!
Legalize Já!
Deisdazseis
Dig dig dig (hempa)
Planet Hemp
Fazendo a cabeça
Futuro do país
Phunky Buddha
Bala perdida

2º Ato – Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Para

Zerovinteum
Queimando Tudo
Quem tem seda?
Gorilla Grip
Seus Amigos
Nega do cabelo duro
Hip Hop Rio
Adoled (Ocean)
100% hardcore

3º Ato- A Invasão do Sagaz Homem Fumaça

Ex-quadrilha da fumaça
Raprockandrollpsicodeliahardcoreragga
Stab
Contexto
Procedência C.D.

4º Ato – “O que vocês quiserem”

A culpa é de quem?
Samba Makossa (Chico Science & Nação Zumbi)
Mantenha o Respeito

Bis:

Medley com músicas dos 1º e 2º atos
Legalize Já!
Dig dig dig (hempa)

sexta-feira

17

agosto 2012

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Tame Impala chapa o Imperator

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E pensar que o show do Tame Impala ontem por pouco não aconteceu. Faltando algumas horas para apresentação, o equipamento ainda não havia chegado de São Paulo. Pelo que se sabe, o motorista do caminhão foi detido nas estrada, “confundido” com um “homônimo” foragido da justiça. E tem gente que ainda acha que é só pedir dinheiro na rede pra realizar um show. É cada um que é dois, viu.

Com pouquíssimo tempo para contornar a situação, o problema foi resolvido e uma noite épica aconteceu. Esse show vai ficar sempre marcado como o do mimimi da Zona Sul. A quantidade de gente reclamando pelo show ser no Imperator e não no Circo Voador (que nem tinha a data) foi enorme. O motivo era exposto, sem constrangimentos, em comentários como “no MÉÉÉÉÉIER?!” publicados por alguns nas redes sociais. Foi triste de ver.

Longe é uma questão de perspectiva e, portanto, o que para uns era uma viagem para outros era um show na esquina. Nada mais justo. A cidade precisa circular e oxigenar outra áreas, porque enquanto o Méier for “longe”, vai continuar pra sempre longe. Essa circulação não precisa ser uma “caridade” (dia das aspas hoje, hein) e nem é bom que seja.

Quem esteve no Imperator ontem, morando na Zona Sul, Norte ou Oeste, ficou de cara com a estrutura do local, alto nível mesmo. Coisa pra encher de inveja os preconceituosos da Zona Sul e de orgulho quem gosta de música e não se guia por túneis. Ao menos, por conta disso tudo, abriu-se uma discussão, o que é quase sempre saudável. Os ingressos esgotados mostram que saldo final foi positivo.

Falando do show, especificamente, foi sensacional. A banda fez exatamente o que dela se espera, chapando o público com camadas de guitarras, distorções, efeitos, teclados e psicodelia shoegaze (literalmente, eles olhavam mais para os próprios pés do que um para os outros) e setentista. Com apenas um disco e EPs na bagagem, o repertório é limitado e o show foi muito curto – mais do que deveria, talvez, já que não tocaram todas as músicas do “Innerspeaker”.

Do próximo disco, apenas as já conhecidas “Apocalypse Dreams” e “Elephant” foram tocadas. O povo passou o show pedindo “Expecations”, sem ser atendido. Uma pena, pois foi um dos públicos mais apaixonados das mobilizações do Queremos! A página do evento está fervendo com comentários até agora. Foi por lá também que os fãs se organizaram para atender um pedido feito pelo vocalista e líder da banda, Kevin Parker, para conhecer mais música brasileira. Vários deles levaram discos para botar no palco e até um vinil do Chico entrou na roda.

Abaixo, algumas música do show, filmadas pelo público (o vídeo oficial do Queremos! vem logo mais):

segunda-feira

16

julho 2012

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Gal é nóis

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Existem muitos caminhos para um artista se atualizar musicalmente. Algumas delas: agarrar novidades e forçar a barra em modernices; colar em alguém (um produtor, músicos) que consiga fazer isso por você; ou cair dentro, misturar-se a produtores e músicos novos, aproximar-se das novidades, envolver-se e criar algo original.

Das opções listadas, a terceira é sem dúvida a que exige mais e também a que dá melhores resultados. Por mais óbvio que seja, nem sempre esse é o caminho listado. Não tem nada a ver com idade ou geração, está mais relacionado a postura artística. Exatamente por isso não é surpresa ver que Gal Costa – ao contrário de tantas cantorinhas da nova geração – escolheu o caminho mais difícil.

Pelo mais puro merecimento, cantando igual uma menina, voz intacta, Gal (res?)surge em “Recanto” como se o tempo não tivesse passado – ou não tivesse deixado que o tempo tenha passado por ela, no que pese os poperô cafona/maduro entre essa Gal e a dos anos 70. Quem cresceu nos anos 80 pode não ter lá as melhores lembranças; um disco e show como esses fazem o favor de ajustar as contas.

Concebido e escrito por Caetano Veloso, o eletrônico “Recanto” surpreendeu mais do que chocou no lançamento, ano passado. Surpreendeu pelo inesperado – Gal sobre bases eletrônicas do Kassin, Duplexx – causando estranheza. Ainda que alguns momentos trip hop tenham nascido datados, ao menos datam uma sonoridade boa. Mais que isso, sublinham a coragem de experimentar de Gal.

Acompanhada por Pedro Baby (violão/guitarra), Bruno Di Lullo (baixo/guitarra) e Rafael Rocha (MPC/bateria), ao vivo a viagem eletrônica de Gal funciona muito melhor. Conta muito para isso a esquentada que dá ver os músicos executando os temas, a bonita iluminação e, sobretudo, a presença magnética de Gal. E a voz, intacta (já falei isso?), atingindo as notas em clássicos cantados no tom original (a “mara-voz”, ela bem sabe).

Não vem à mente diva nenhum arriscando algo parecido no mundo, transgredindo de maneira expontânea, sem ser através de participações em projetos dos outros. Dando um passo além, Gal trouxe clássicos do seu repertório para a estética proposta, facilitando o entendimento para um público distante dessas sonoridades, pegando os fãs pela mão para conhecer outros sons.

As novas “Neguinho”, “Miami Maculelê”, “Tudo Dói”, “Recanto Escuro” ou “Autotune Autoerótico” são intercaladas com “Força Estranha”, “Vapor Barato”, “Baby”, “Barato Total”, “Dom de Iludir”, “Folhetim”, “Meu Bem, Meu Mal” ou “Modinha Para Gabriela”, ora as antigas transformadas pelo novos arranjos, ora em voz e violão, para dar uma moleza pra plateia. Ponto pra ela.

Emulando seu dueto com Tim em “Dia de Domingo”, fazendo os graves da voz do síndico, ou cantando neguinho é nós em “Neguinho”, cantando sozinha sobre um arranjo de violão e bateria minimalista ou sobre uma base de baile funk, Gal está sobrando.

Quem gosta de música sonha com momentos assim (ainda mais no Brasil, quando medalhões costumam ir por caminhos bem estranhos e caretas com a idade), poder ver um show de um artista importante que não tenha parado no tempo, sido modernizado na marra ou sofrido com uma falsa sofisticação dos arranjos. Gal, com a banda certa, cantando clássicos sem mofo, num dos shows do ano. Que presente.

sexta-feira

6

julho 2012

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Cícero (música nova, sem título)

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No show de terça, no Oi Futuro, Cícero experimentou uma nova formação, somente ele no violão e Bruno no teclado e MPC no palco. Teatro lotado, do lado de fora tinha público suficiente pra outra apresentação.

O formato tem potencial, só que não deu muito certo, precisa ajeitar, de repente trazer alguém para as programações (alô, Lucas Paiva!). O compositor aproveitou pra mostrar uma música nova, ainda sem título, apenas no violão e efeitos. Infelizmente a boa alma que filmou o momento colocou o dedo no microfone no meio da canção, mas dá pra sacar. Abaixo, a letra.

Antes de me ofender
Antes de me arranhar
Gosto de você pra começar
Gosto de você pra conversar

Antes de entristecer
Antes de se afastar
Gosto de você pra começar
Gosto de você, branquinha

Antes de se esquecer
Trate de se lembrar
Gosto de você pra acompanhar

Eu sinto muito
Eu sinto muito
É que eu minto

segunda-feira

25

junho 2012

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O 4-3-3 do Bixiga 70

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Em pleno solstício de inverno, o Bixiga 70 esquentou os cariocas nesse final de semana, em duas apresentações no Oi Futuro. Desde o início, antes mesmo do lançamento do disco homônimo, um dos melhores de 2011, a banda (formada durante as gravações do disco do Pipo Perogaro) prometia ao vivo. Finalmente desembarcando no Rio, os paulistas cumpriram. Foi uma sonzeira de respeito.

Divididos no palco em três meias-luas, eles jogam num 4-3-3 ofensivo, com os quatro metais empurrando o trio percussivo em direção ao ataque, formado por duas guitarras/teclado e um baixo, pressionando o tempo todo. Mesmo obedientes taticamente, o Bixiga 70 se destaca quando engrossa o caldo com a imprevisibilidade brasileira, justificando a década que carrega no nome.

O afrobeat é o novo dub”, disse Chico Dub, dia desses. Não em termos de sonoridade, mas sim de influência, principalmente no cenário independente brasileiro: da Céu ao Do Amor, de Lucas Santtana a Vanessa da Mata as afrobeat orchestras locais, o som nigeriano se entranhou por aqui. Cruzando os dois caminhos, vem o Bixiga 70, com versões dub de suas músicas de raiz afrobeat.

O que faz a banda a ser notada não é o apuro na execução da escola felakutiana de som. Pelo contrário, é justamente quando invertem a mão que fica mais interessante. Ao se afastar do afrobeat, ou melhor, o utilizar como matriz para transitar por outros terrenos – seja o dub, seja a música brasileira ou o jazz, suingando o tempo todo – o Bixiga 70 sai do puro retrô e ganha aquele algo a mais, que diferencia as bandas que prestam das que não prestam: personalidade.

Confira a homenagem da banda a Gonzagão: