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quinta-feira

27

junho 2013

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Músicas inspiradas nos recentes protestos

Written by , Posted in Destaque, Música


foto: I Hate Flash

Muita gente criticou o silêncio dos artistas durante as manifestações das últimas semanas, como se eles tivessem obrigação de compreender tudo que estava acontecendo instantaneamente – mesmo que ninguém mais estivesse conseguindo.

Ainda assim, vários artistas se arriscaram e se manifestaram através de suas redes sociais, repercutindo até na MTV dos EUA (mas quase nada na daqui). O ditado “em boca fechada não entra mosca” veio a mente ao ouvir o que O Rappa falou. Elza Soares foi bem melhor, citando Zé Keti em um show ainda no dia 15 de junho.

Outros, fizeram ou requentaram músicas. No espírito das reinvicações, tanto se pediu que alguns atenderam. Se isso foi bom ou ruim, tire você mesmo suas próprias conclusões.

Abaixo, as contribuições musicais de Tom Zé; Seu Jorge, Pretinho da Serrinha e Gabriel Moura; Latino; e Edu Krieger.

Tom Zé, “Povo Novo”:

A minha dor está na rua
Ainda crua
Em ato um tanto beato, mas
Calar a boca, nunca mais!
O povo novo quer muito mais
Do que desfile pela paz

Mas Quero muito mais
Quero gritar na
Próxima esquina
Olha a menina
O que gritar ah, o
Olha menino, que a direita
Já se azeita,
Querendo entrar na receita, mas
De gororoba, nunca mais

Já me deu azia, me deu gastura
Essa politicaradura
Dura,
Que rapa-dura!

Seu Jorge, Pretinho da Serrinha e Gabriel Moura, “Chega (Não é pelos 20 centavos)”:

Chega! De impunidade
Chega! De desigualdade
Todo mundo tá chegando
Não é pelos 20 centavos que estamos lutando

Chega! De não ter casa pra morar
Chega! De não ter grana pra pagar
O povo não está brincando
Não é só pelos 20 centavos que estamos lutando

Chega! Todo mundo vai pra rua
Chega! Você vai ficar na sua
É uma falta de respeito, canta forte por seus direitos

Brasil! Tá na tua hora
Brasil! Tem que ser agora
Não é só pelos 20 centavos que estamos lutando

Brasil! Pinta a sua cara
Brasil! É uma chance rara
Não é só pelos 20 centavos que estamos lutando

Chega! Todo mundo que saúde
Chega! Vamos mudar de atitude
Chega! Não estamos aguentando
Não é só pelos 20 centavos que estamos lutando

Chega! Diga não a violência
Chega! Diga não ao vandalismo
Chega! Não estamos aprovando
É pela paz no país que estamos marchando

Chega! Precisamos de escola
Chega! Não se vive só de bola
É o povo brasileiro que sustenta o país inteiro

Não é só pelos 20 centavos que estamos lutando
Você está muito enganado se é isso que está pensando

Latino, “O Gigante” (reciclada de 2012):

Esse é meu país,
Esse é meu Brasil!

É hora de vencer,
É hora de jogar
Quem nasce pra vencer
Não pode recuar

Amarra, amarra,
Amarra que é tudo nosso

Cruze os braços lá em cima
Que a sorte está lançada
Quem não sabe brincar
Não desce pro play e volta pra casa

O gigante acordou
Está disposto à lutar
Com fome de vencer
Com sede de querer
Vem nossos (?) enfim se revelar

Salve o hino da vitória
Salve o povo lutador
Verás que o filho teu
Não foge a luta não
Tem gabarito pra ser campeão: Brasil!

Amarra, amarra,
Amarra que é tudo nosso

(Ôôôôôôôôôô…)

Brasil!
É ordem e progresso!

Edu Krieger, “Gol da Vitória”

Vou narrar um tremendo gol de placa
Que marcou a virada da partida
Já cansada de ser tão iludida
Nossa equipe reage e contra-ataca
Decidiu que não sabe ser panaca
E depois de viver decepções
A coragem brotou nos corações
Que não têm mais pudor em ser feliz
Foi o gol da vitória de um país
Com duzentos milhões de campeões

Há quem diga que não vai dar em nada
Pois o jogo é de fato bem difícil
Mas à beira de um grande precipício
Quem é forte começa uma virada
Feito ponta de lança em arrancada
Pelas ruas vieram multidões
Entre gritos de guerra e palavrões
De quem sabe o que faz e o que diz
Foi o gol da vitória de um país
Com duzentos milhões de campeões

Tem bandido que finge ser do time
Faz gol contra e caminha pro abismo
Pois quem joga fazendo vandalismo
É tão vândalo quanto quem reprime
Mas a paz é a tática sublime
Dando fim a conflitos e explosões
Coroando centenas de milhões
Que já estavam vivendo por um triz
Foi o gol da vitória de um país
Com duzentos milhões de campeões

Finalmente depois desse golaço
O gigante acordou mostrando força
Nas esquinas escuras há quem torça
Pra que não se prossiga nesse passo
Mas a gente não deixa que o cansaço
Tome conta das boas intenções
Quero ver despertar nas eleições
Um Brasil bem maior que mil Brasis
Foi o gol da vitória de um país
Com duzentos milhões de campeões

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sexta-feira

21

junho 2013

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300 mil no Centro do Rio: o caldo entornou e isso não é bom #meus20centavos

Written by , Posted in Destaque, Urbanidades

Passeata é algo desorientador, é muito fácil se deixar levar pelo fluxo, tanto literalmente, quanto intelectualmente. Nesse contexto, o trajeto escolhido já é um posicionamento político.

Cheguei na Av. Presidente Vargas pela Cidade Nova, em frente a prefeitura, e que vi era uma praça de guerra montada aguardando os manifestantes: cavalaria, choque, carros de polícia. Não tinha como dar certo, o confronto estava preparado, apenas aguardando para acontecer. Estava anunciado.

300 mil pessoas nas ruas (eram muito mais?) temperadas com uma boa dose de ingenuidade dão liga pra muita coisa ruim. Andando na contra-mão da passeata, vi jovens com a blusa na cara saindo na porrada com outros jovens com bandeiras, cartazes rasos e gente tomando cerveja curtindo o momento.

A atmosfera era tensa e toda hora pipocava uma correria. Não se via policiais no meio da multidão para ajudar a organizar minimamente (porque de um jeito ou de outro isso continua sendo o trabalho da polícia).

O que mais espantava eram os carros de som e, principalmente, as reações às vozes berrando no microfone. “Fora Dilma!”, “Abaixo a PEC 37!”, “Dudu, vai tomar no cu”, “Tomar no cu, Cabral!” eram comemorados de maneira inconsequente, como se tudo fosse uma grande festa, sem analisar os significados e implicações daquilo. Fossem os gritos “Quem sabe o que é PEC 37?” e a reação poderia ter sido o silêncio.

Essas demandas vazias são muito perigosas porque escondem agendas. Você já deve ter lido por aí sobre ameaças de golpe da direita, da esquerda, dos militares, no momento todas leituras são possíveis. Os quebra-quebras são apenas a parte visível disso. O Chris compilou os piores momentos da ronda policial fascista pelo Centro, Lapa e Laranjeiras após os protestos no Resistro, confira.

É impressionante a velocidade com que esse movimento essa movimentação mudou de figura. Começou contra o aumento das passagens, virou um “quero tudo” e ontem, lamentavelmente, as coisas tomaram um rumo preocupante. Não dá pra ir pra rua e querer resolver os problemas do mundo de uma só vez. Toma tempo.

Ter foco nas reivindicações é importante para evitar que as manifestações sejam utilizadas politicamente por algum grupo específico (vide o sucesso, ainda que parcial, do Movimento Passe Livre ao ter uma meta bem clara).

Pode ser hora uma boa hora de dar uma freada, as passeatas devem diminuir de volume e isso pode ser positivo. Não para deixar de exigir mudanças, mas para para tentar entender de que maneira essas manifestações estão sendo utilizadas pelos atores políticos e pela imprensa, mudando de opinião e abordagem a todo tempo, e compreendida pela sociedade. Sem alarmismo , apenas uma pausa para reflexão.

Enquanto isso, voltarei com a programação normal por aqui. Continue acompanhando as notícias pela home d’OEsquema.

Cuidado com os discursos simplistas e listas de reivindicações escorregadias espalhadas pela rede. Leia. Respire. Pense. Pesquise. Confirme. Filtre. Pense um pouco mais. Só então publique ou compartilhe algo. Como dizem os coleguinhas, “a paranóia é a melhor amiga do jornalista” (é um ditado da profissão, não um convite para ninguém ficar paranóico).

É sempre bom desconfiar da unanimidade, a cerca de qualquer assunto. Desinformação é uma arma poderosa.

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