sexta-feira

21

junho 2013

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300 mil no Centro do Rio: o caldo entornou e isso não é bom #meus20centavos

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Passeata é algo desorientador, é muito fácil se deixar levar pelo fluxo, tanto literalmente, quanto intelectualmente. Nesse contexto, o trajeto escolhido já é um posicionamento político.

Cheguei na Av. Presidente Vargas pela Cidade Nova, em frente a prefeitura, e que vi era uma praça de guerra montada aguardando os manifestantes: cavalaria, choque, carros de polícia. Não tinha como dar certo, o confronto estava preparado, apenas aguardando para acontecer. Estava anunciado.

300 mil pessoas nas ruas (eram muito mais?) temperadas com uma boa dose de ingenuidade dão liga pra muita coisa ruim. Andando na contra-mão da passeata, vi jovens com a blusa na cara saindo na porrada com outros jovens com bandeiras, cartazes rasos e gente tomando cerveja curtindo o momento.

A atmosfera era tensa e toda hora pipocava uma correria. Não se via policiais no meio da multidão para ajudar a organizar minimamente (porque de um jeito ou de outro isso continua sendo o trabalho da polícia).

O que mais espantava eram os carros de som e, principalmente, as reações às vozes berrando no microfone. “Fora Dilma!”, “Abaixo a PEC 37!”, “Dudu, vai tomar no cu”, “Tomar no cu, Cabral!” eram comemorados de maneira inconsequente, como se tudo fosse uma grande festa, sem analisar os significados e implicações daquilo. Fossem os gritos “Quem sabe o que é PEC 37?” e a reação poderia ter sido o silêncio.

Essas demandas vazias são muito perigosas porque escondem agendas. Você já deve ter lido por aí sobre ameaças de golpe da direita, da esquerda, dos militares, no momento todas leituras são possíveis. Os quebra-quebras são apenas a parte visível disso. O Chris compilou os piores momentos da ronda policial fascista pelo Centro, Lapa e Laranjeiras após os protestos no Resistro, confira.

É impressionante a velocidade com que esse movimento essa movimentação mudou de figura. Começou contra o aumento das passagens, virou um “quero tudo” e ontem, lamentavelmente, as coisas tomaram um rumo preocupante. Não dá pra ir pra rua e querer resolver os problemas do mundo de uma só vez. Toma tempo.

Ter foco nas reivindicações é importante para evitar que as manifestações sejam utilizadas politicamente por algum grupo específico (vide o sucesso, ainda que parcial, do Movimento Passe Livre ao ter uma meta bem clara).

Pode ser hora uma boa hora de dar uma freada, as passeatas devem diminuir de volume e isso pode ser positivo. Não para deixar de exigir mudanças, mas para para tentar entender de que maneira essas manifestações estão sendo utilizadas pelos atores políticos e pela imprensa, mudando de opinião e abordagem a todo tempo, e compreendida pela sociedade. Sem alarmismo , apenas uma pausa para reflexão.

Enquanto isso, voltarei com a programação normal por aqui. Continue acompanhando as notícias pela home d’OEsquema.

Cuidado com os discursos simplistas e listas de reivindicações escorregadias espalhadas pela rede. Leia. Respire. Pense. Pesquise. Confirme. Filtre. Pense um pouco mais. Só então publique ou compartilhe algo. Como dizem os coleguinhas, “a paranóia é a melhor amiga do jornalista” (é um ditado da profissão, não um convite para ninguém ficar paranóico).

É sempre bom desconfiar da unanimidade, a cerca de qualquer assunto. Desinformação é uma arma poderosa.

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  1. jb
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  3. Luiza
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