nação zumbi Archive

sexta-feira

23

julho 2010

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Maquinado, "Dandara"

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O clipe de “Dandara”, do segundo disco do Maquinado, projeto do Lúcio Maia.

quinta-feira

24

dezembro 2009

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Melhores shows de 2009

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Esse deve ter sido o ano em que menos fui a shows em muito, muito tempo. Culpa do cronograma de gravações mais cruel que já enfrentei (sempre noturnas, sempre em dias de bons shows). Ainda assim, teve MUITA coisa boa. Segue a lista, em nenhuma ordem específica.

Paul McCartney (Coachella, EUA)

“John Lennon também foi homenageado com “Here Today”. Obviamente, as músicas dos Beatles (”The Long and Winding Road”, “Blackbird”, “Eleanor Rigby”) causavam comoção. George Harrison também foi lembrado quando Paul tocou “Something” em um ukulele presenteado pelo próprio, seguida por “I’ve got a feeling”.”


Phoenix (Central Park, EUA)

“Lá pela metade da apresentação dos franceses no Rumsey Playfield, parte do Central Park Summerstage, pintou uma questão: como resenhar algo tão perfeito? Diante de tanto acerto, resta muito pouco além de elogios.”

Curumin (Cinemateque, Rio)

“Veio 2008 e Curumin lançou um dos melhores discos do ano. Ao filtrar melhor suas influências, “Japan pop show” acerta onde errou na estréia. O que antes era uma coleção de referências bem marcadas — seja samba-rock, afrobeat, dub — misturou-se com classe, começando a formar uma sonoridade própria, resultado da colisão disso tudo.”

TV On The Radio (Coachella, EUA)

“Cada vez que Kyp Malone dedilhava o baixo os sub-graves pareciam estar saindo de algum equipamento digital de tão fortes. Era cada catranco no peito que não era brincadeira. A densa massa servia de base para camadas e mais camadas de guitarra, num som que tinha que ser decifrado antes de fazer sentido.”

Lucas Santtana & Seleção Natural (Vale Open Air, Rio)

“Transpor essas músicas para o palco é complicado. Ainda mais porque algumas delas são bastante delicadas e bem resolvidas. Nesse sentido, Lucas Vasconcellos conseguiu uma façanha ao adicionar uma cama de teclados na balada “Nightime In The Backyard”, umas das melhores do disco, fazendo a canção crescer no palco.”

Radiohead (Apoteose, Rio)

“’Bom pra caralho’, como disse a banda em bom português ao final do show. Foi mesmo.”

Kraftwerk (Apoteose, Rio)

“Seja como for, toda vez que se assiste ao Kraftwerk o embasbacamento é o mesmo. É como se eles tivessem apertado e girado todos os botões de sintetizadores possíveis e imagináveis antes de todo o mundo.”

Franz Ferdinand (The Week, SP)

“Uma das poucas bandas de sua geração que não apenas conseguiram se estabelecer, mas também crescer, o Franz Ferdinand tem como trunfo um excelentes shows. Mostraram isso em suas visitas anteriores ao Brasil e dessa vez não foi diferente.”

Siba e a Fuloresta (Teatro Rival, Rio)

“O trabalho de Siba só surpreende dessa maneira aqueles que pouco conhecem o resto da história musical da região. Pasmos com a “modernidade”, a “contemporaneidade” do que lá se produz. É um tapa na cara, um belo “acorda aê”.”

Late Of The Pier (Coachella, EUA)

“Como se estivessem tocando num pub em Londres, fizeram o mesmo show de sempre, com as danças e roupas esquisitas, a gritaria, a quebra de andamento, as camadas de sintetizador e a programações esquisítissimas.”

M.I.A. (Coachella, EUA)

“O trabalho de pesquisa da estética dos países em desenvolvimento de M.I.A., tanto a visual quanto a musical, cresceu bastante em “Kala”. Provavelmente ciente de que sem o visual seu show não passava totalmente sua mensagem, M.I.A. se transformou numa Madonna do terceiro mundo.”

Dirty projectors (Teatro Odisséia, Rio)

“Quem lá esteve, no entanto, se encantou com a banda. Até os integrantes, conhecidos por sua postura fechada tanto no palco quanto fora dele, estavam soltinhos, fazendo piadas e rindo sem parar. É raro ter a chance de ver uma banda tão pouco preocupada com fórmulas pop tocando por aqui, ainda mais num lugar pequeno. Quando pinta, tem que aproveitar, inclusive para possibilitar novos eventos.”


Friendly Fires (Circo Voador, Rio)

“Se baixas expectativas são o combustível para uma grande surpresa, os ingleses fizeram sua parte. Confirmando a fama de bons de palco, os ingleses sacudiram a tenda sem parar com ótima presença de palco, principalmente do vocalista Ed MacFarlane, requebrando sem parar.”

Lykke Li (Coachella, EUA)

“a loirinha sentou a puia na galera que tostava sob o sol. Toda de preto e pulando sem parar, Lykke Li mostrou um show ainda melhor do que o usual, utilizando suas mil traquitanas e sem se preocupar em posar de gatinha.”

Little Joy (Circo Voador, Rio)

“Feliz, depois de tanto tempo sem tocar no Brasil, Amarante estava visivelmente contente e não cansava de agradecer, cumprimentar rostos conhecidos na platéia e dizer como era bom estar de volta em casa. No entanto, era Fabrizio Moretti, aparentemente doidaralhaço, quem ganhava os holofotes.”

Faith No More (Metropolitan, Rio)

“Quando um show dessas bandas parecem perder o sentido e essas reuniões ressoam como meros caça-níqueis, surge um outro fator. Servem também pra lembrar que um dia também fomos novos. E tome air-guitar (para os que já tinham parado, né), sacudida de cabeça e soco no ar.”

Skatalites (Circo Voador, Rio)

“Sempre exaltando Coxsone Dodd e o Studio One, casa da banda, os jamaicanos fizeram um show preciso, sem uma nota fora do lugar, perfeito, mesmo com arranjos complicados, viradas e quebras de andamento de entortar as costas.”

Nação Zumbi (Circo Voador, Rio)



“De uma tenda na Lapa, o Circo passou a melhor casa do Rio, com direito a uma longa crise, quando a casa foi fechada. De uma novidade em “Da Lama Ao Caos”, a Nação tem hoje o show mais poderoso do Brasil, sem esquecer do baque que foi a perda de Chico Science.”

Mexican Institute of Sound (Coachella, EUA)

“Os mexicanos presentes lotaram o segundo palco ao ar livre pra balançar ao som de cumbia digital, tirações de onda com “Macarena” e hip hop temperado com tequila.”

segunda-feira

9

novembro 2009

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Da Lama ao Caos, ao vivo

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Nação Zumbi no Circo Voador
foto: leojorge

Num final de semana disputado, repleto de shows internacionais em São Paulo (com os festivais Planeta Terra e Maquinária), Belo Horizonte (festival Eletrônica) e mesmo no Rio (Ellen Allien na Moo), um dos melhores programas não foi exatamente uma novidade: Nação Zumbi no Circo Voador.

Som redondinho, graves pesados, repertório infalível e casa cheia. Não tinha como dar errado.

Com o Circo abarrotado para ouvir um dos discos mais importantes da música brasileira, “Da Lama Ao Caos”, ser tocado na íntegra e na ordem, pintou até um elemento surpresa. Não se pode chamar exatamente de pontualidade, já que estava marcado para as 22h, mas um show no Circo começar as 0h30 merece comemoração.

“Rio 40 graus, quem não aguenta passa mal”, cantou o guitarrista Lúcio Maia, citando “Terremoto”, do Turbo Trio. Originalmente a letra fala em 50 graus, temperatura mais próxima da realidade.

Em meio a suadeira intensa, a banda foi saudada com uma adaptação do canto da torcida do Flamengo para o goleiro Bruno (“Puta que pariu / É a maior banda do Brasil / Nação!). “Só se for porque tem oito caras no palco”, brincou Jorge Du Peixe.

Além da formação original, Fred Zero Quatro, pedra fundamental do mangue beat e figura central até mesmo no disco da Nação em questão, participou de quase todo o show, curtindo justamente a celebração. Seu Jorge e Pitty também deram canja.

O Circo Voador e da Nação Zumbi tem histórias paralelas que se confundem. Como a própria banda ressaltou, eles evoluíram junto com o espaço.

De uma tenda na Lapa, o Circo passou a melhor casa do Rio, com direito a uma longa crise, quando a casa foi fechada. De uma novidade em “Da Lama Ao Caos”, a Nação tem hoje o show mais poderoso do Brasil, sem esquecer do baque que foi a perda de Chico Science.

De onde uma banda que canta que “computadores fazem arte” e que “os artistas pegam carona” foi parar no centro de uma confusão sobre compartilhamento de arquivos na internet é difícil de entender. A julgar pela molecada que comparecu ao circo, a rede criou as carreiras e os artistas levam a fama. Felizmente.

O que fica muito claro vendo a celebração desse disco (não que já não fosse) é que a banda não é só o Chico Science. ÓBVIO que ele foi elemento catalisador, a liga de tudo, porém o discurso musical e sonoro do manguebit é tão importante quanto as letras.

Tanto é assim que não apenas a banda continuou tocando após a morte de seu líder, como não se esconde de mostrar as músicas desse disco e de “Afrociberdelia”. E não tem medo de dar sequência a festa com material feito após o trágico acidente que matou Chico.

Mais do que celebrar “Da Lama Ao Caos”, o show comemorativo dos 15 anos de seu lançamento exaltam a própria Nação Zumbi. Apesar do clima nostálgico, é pra frente que se anda. Poucos sabem disso tão bem quanto eles.

sexta-feira

30

outubro 2009

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“Da Lama Ao Caos”, 15 anos

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Caranguejo: a capa foi feita pelo DJ Dolores

Pra comemorar os 15 anos do lançamento desse que foi o disco brasileiro mais influente dos anos 90, “Da Lama Ao Caos”, do Chico Science & Nação Zumbi, o Leo Lichote convidou uma penca de gente pra dar depoimentos sobre o disco no blogue MPB Player.

Só a diversidade da lista de depoimentos já dá idéia de como o disco atingiu praticamente todo mundo: Arthur Dapieve, Mauro Ferreira e John Ulhoa (Pato Fu), Silvério Pessoa e MV Bill, Kassin e Tom Leão, Bruno Levinson e Rodrigo Lariú, Adilson Pereira, Pedro Sá e Berna Ceppas, Jam da Silva, Esdras Nogueiras (Móveis Coloniais de Acaju) e Henrique Portugal (Skank).

Toda vez que lembro que tive a sorte de ver a banda com essa formação ao vivo dou graças a Deus. Convidado para falar do disco, abaixo está o texto que escrevi.

O disco que apresentou Chico Science e Nação Zumbi para o mundo saiu em um ano que a música brasileira passava por uma renovação forte. Foi em 1994 que os Raimundos, O Rappa e Mundo Livre S/A lançaram seus primeiros trabalhos, o Skank estourava com seu segundo disco e o Planet Hemp estava as vésperas de chocar os mais sensíveis com seu discurso pró-legalização.

Foi também um ano agitado no país, com a morte do Senna, o tetra da Seleção e o início do Plano Real. O fato de “Da Lama ao Caos” ter se destacado em meio a tanta coisa fala muito da força da mistura de rock, maracatu, hip-hop, dub e música eletrônica proposta pelo CSNZ.

Difícil acreditar nisso hoje, mas numa época em a internet engatinhava e as mudanças no cenário musical ainda era ditadas pelas gravadoras e grande mídia, “Da Lama ao Caos” ter saído pela Sony foi um acontecimento importante tanto para o incipiente movimento mangue beat, quanto para toda geração que estava chegando a cena.

A lenda (confirmada por alguns integrantes da banda) conta que a gravadora acertou sem querer, pois ao contratar uma banda comentada de Recife esperava ter encontrado uma resposta ao fenômeno É o Tchan!, estouro de vendas do axé.

As marcas deixadas pelo disco são visíveis até hoje. “Da Lama ao Caos” envelheceu muito bem, soando moderno e contemporâneo mesmo 15 anos depois. Mais do que isso, a inovadora proposta sonora trouxe luz para longe do desgastado eixo cultural Rio-São Paulo.

Acelerou-se um processo em que artistas de outras regiões não mais dependem de estar em uma das duas cidades para acontecer nacionalmente, o que por si só é um grande mérito e uma evolução incalculável. Como dizia Chico Science: “um passo a frente e você não está mais no mesmo lugar”.