sexta-feira

30

outubro 2009

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“Da Lama Ao Caos”, 15 anos

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Caranguejo: a capa foi feita pelo DJ Dolores

Pra comemorar os 15 anos do lançamento desse que foi o disco brasileiro mais influente dos anos 90, “Da Lama Ao Caos”, do Chico Science & Nação Zumbi, o Leo Lichote convidou uma penca de gente pra dar depoimentos sobre o disco no blogue MPB Player.

Só a diversidade da lista de depoimentos já dá idéia de como o disco atingiu praticamente todo mundo: Arthur Dapieve, Mauro Ferreira e John Ulhoa (Pato Fu), Silvério Pessoa e MV Bill, Kassin e Tom Leão, Bruno Levinson e Rodrigo Lariú, Adilson Pereira, Pedro Sá e Berna Ceppas, Jam da Silva, Esdras Nogueiras (Móveis Coloniais de Acaju) e Henrique Portugal (Skank).

Toda vez que lembro que tive a sorte de ver a banda com essa formação ao vivo dou graças a Deus. Convidado para falar do disco, abaixo está o texto que escrevi.

O disco que apresentou Chico Science e Nação Zumbi para o mundo saiu em um ano que a música brasileira passava por uma renovação forte. Foi em 1994 que os Raimundos, O Rappa e Mundo Livre S/A lançaram seus primeiros trabalhos, o Skank estourava com seu segundo disco e o Planet Hemp estava as vésperas de chocar os mais sensíveis com seu discurso pró-legalização.

Foi também um ano agitado no país, com a morte do Senna, o tetra da Seleção e o início do Plano Real. O fato de “Da Lama ao Caos” ter se destacado em meio a tanta coisa fala muito da força da mistura de rock, maracatu, hip-hop, dub e música eletrônica proposta pelo CSNZ.

Difícil acreditar nisso hoje, mas numa época em a internet engatinhava e as mudanças no cenário musical ainda era ditadas pelas gravadoras e grande mídia, “Da Lama ao Caos” ter saído pela Sony foi um acontecimento importante tanto para o incipiente movimento mangue beat, quanto para toda geração que estava chegando a cena.

A lenda (confirmada por alguns integrantes da banda) conta que a gravadora acertou sem querer, pois ao contratar uma banda comentada de Recife esperava ter encontrado uma resposta ao fenômeno É o Tchan!, estouro de vendas do axé.

As marcas deixadas pelo disco são visíveis até hoje. “Da Lama ao Caos” envelheceu muito bem, soando moderno e contemporâneo mesmo 15 anos depois. Mais do que isso, a inovadora proposta sonora trouxe luz para longe do desgastado eixo cultural Rio-São Paulo.

Acelerou-se um processo em que artistas de outras regiões não mais dependem de estar em uma das duas cidades para acontecer nacionalmente, o que por si só é um grande mérito e uma evolução incalculável. Como dizia Chico Science: “um passo a frente e você não está mais no mesmo lugar”.

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