los hermanos Archive

segunda-feira

12

setembro 2005

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De quatro

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Quem apostou que “4”, o novo (e triste, e lento, e calmo) disco do Los Hermanos, iria diminuir a euforia fãs, apostou errado. Em (mais) uma demonstração messiânica de aprovação aos novos caminhos propostos pela banda, 8 mil hermaníacos lotaram o Claro Hall ontem para assistir a primeira passagem do dos barbudos pelo Rio. Foi o maior show da banda em sua própria cidade.

Sem tentar amaciar o público com sucessos, o Los Hermanos abriu o show enfileirando músicas do “4”, começando por “Dois barcos”. Vendo o público cantar as novas canções como se fossem antigas, principalmente “O vento”, Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante sorriram um para o outro, num misto de “ufa!” com “não disse?”, de alívio e de certeza. Camelo deixou isso bem claro nas vezes que se dirigiu ao público, fazendo aquela média, pra dizer o quão importante os fãs são para a banda.

Ao vivo, as músicas do “4” se relacionam melhor com as já conhecidas do que a audição dos discos parece indicar. É como se “4” fosse um “Ventura” cabisbaixo, a introspecção de um fazendo contra ponto com os arranjos alegres do outro, mas ainda assim complementares. Enquanto algumas faixas poderiam tranquilamente estar no disco anterior e fazem sentido dentro do show, caso de “Morena” ou “Condicional”, outras, como “Sapato novo” ou “É de lágrima” e seu momento Pink Floyd dos trópicos, não se misturam e inauguraram uma categoria inédita até então nos shows do do Los Hermanos, a de “música pra buscar um chope”, como se constatou no Claro Hall.

A divisão do repertório do show pode ser feita em duas partes; metade dedicado ao “4”, tocado na íntegra, e metade composto de músicas antigas, para alegria do público. Assim, hits do primeiro disco (“Quem sabe”), do “Bloco do eu sozinho” (“Todo carnaval tem seu fim”, “Retrato pra Iaiá”, “A flor” e “Sentimental”) e do “Ventura” (“O vencedor”, “Cara estranho”, “Último romance”, “Além do que se vê”, “Do sétimo andar” e “Conversa de botas batidas”) tiveram vez e garantiram os coros ensurdecedores de sempre.

Só mesmo a histeria dos fãs pra abafar péssima qualidade de som do que saía do PA, fato inexplicável em se tratanto do lugar, da banda e da importância do show. Do lado esquerdo do palco, baixo e bateria estavam altos, enquanto agudos rodopiavam pelo ambiente como pequenos furacões. Do lado oposto, acontecia o contrário. A situação pioroava bastante com as músicas antigas, como se a passagem do som tivesse privilegiado as novidades. De qualquer maneira, deu pra perceber um Camelo mais afinado (talvez porque as paisagens sonoras do “4” exijam bem mais dele como cantor) e a evolução na bateria de Rodrigo Barba.

Na turnê de um disco com tantas mudanças em relação aos outros, o momento em que Camelo apareceu no palco, pela primeira vez, tocando violão, enquanto Amarante tocava vibrafone, foi emblemático. Uma imagem inimaginável no primeiro disco, impensável no segundo, provável no terceiro e, agora, finalmente uma realidade. No bis, em clima de festa, os hermanos convidaram o amigo e produtor Kassin e o baterista/percussionista Stephan San Juan, ambos integrantes da Orquestra Imperial, para dar uma canja na imperialística “Paquetá”.

No final do ano é provável que a tradicional temporada no Canecão se realize. Pela reação de ontem, o grito dos fãs em “Além do que se vê” continua valendo. Marcelo pergunta e a platéia responde: “assim é que se faz!”.

 

sábado

13

agosto 2005

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Kassin – entrevista

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fotos: Alex Werner

O novo disco do Los Hermanos, “4”, dividiu opiniões. Tem quem ame, tem quem odeie, lembrando o tipo de reação que o “Bloco do Eu Sozinho” despertou quando foi lançado, desagradando, principalmente, os fãs iniciais e os que embarcaram na onda “Anna Julia”.

Já disseram que “4” não parece coisa do Los Hermanos. Entretanto, só eles quatro podem dizer o que soa e o que não soa como Los Hermanos. Como no que foi publicado até agora na imprensa eles não falaram muito sobre isso, o URBe foi ao estúdio Monoaural conversar com Kassin, para compreender melhor as intenções da banda. E Kassin fala.

Produtor de “4” e do “Ventura”, baixista no “Bloco”, influência declarada por Marcelo Camelo para formação do Los Hermanos e amigo pessoal da banda, Kassin revela a existência de um arquivo de gravações inéditas do grupo, espinafra matérias apressadas e conta histórias de bastidor da produção do novo disco.

A passagem do disco de estréia para “Bloco do Eu Sozinho” foi um choque. Ao mesmo tempo em que espantou fãs do início da banda, fez sucesso de crítica e entre os chamados “formadores de opinião”, pavimentando o caminho para o disco seguinte, “Ventura”.

Esse, por sua vez, parece uma catalisação dos conceitos apresentados no “Bloco”, tornando-o mais fácil de compreender e ajudando a fixar o nome do Los Hermanos entre os grandes do rock brasileiro. Como produtor da metade dos discos da banda, para você, como “4” se encaixa no resto da discografia?

Como uma nova quebra. E é até o que eu gosto mais do disco, de ser uma quebra e não uma afirmação da idéia anterior. O que eu gosto bastante nesse disco é isso. Concordo com essa evolução que você apresentou. Essa quebra é principalmente de composição. Porque, mesmo a coisa de arregimentação das músicas é bastante relacionada a composição, então, não adianta empurrar certas coisas para determinadas composições porque não tem como.

Acho que a safra de composição que eles tinham no primeiro disco é diferente da do “Bloco”, da do “Ventura” e do “4”. Mas acho que existem semelhanças entre o “Bloco”, o “Ventura e entre o “4” também, existe um certo tipo de composição que é primo. Como em “Pois é”, por exemplo, poderia estar nos outros discos essa música. Existem certas intersessões, mas o que eu admiro é ter menos essas intersessões do que no “Ventura”. Embora eu goste dos dois, gosto de todos na verdade, gosto muito do primeiro também. Embora eu prefira as demos, são muito boas.

O que foi conversado entre você e a banda? Como foi seu primeiro papo com eles sobre esse disco?

Para falar sobre o esse disco especificamente, a gente teve um almoço no meio de 2004. O Marcelo falou que tinha 30 músicas prontas e o Ruivo [Rodrigo Amarante] falou que não tinha nenhuma. O Marcelo falou que tava querendo fazer um disco, naquela época, que fosse mais tocado pela banda, que tivesse mais coisas de improvisação. Ele estava querendo fazer uma coisa solta e livre e a idéia de um disco totalmente ao vivo, dentro do estúdio, com tudo valendo. A idéia era a gente ensaiar pra caralho, todo mundo, eu no baixo ou guitarra, e na hora de tocar, tocar na reta. Todo mundo junto, se olhando, como se fosse um show.

Passou duas semanas daquele almoço e o Marcelo falou, “cara, estou fazendo umas músicas novas que estou achando boas e elas não tem a ver com isso que a gente estava fazendo antes”. Ele rejeitou algumas das músicas que ele tinha e chegou nesse conceito das músicas dele. São bem mais plácidas, né. Elas não têm compromisso com o ritmo, a melodia vai e não volta… São músicas complexas, um pouco sinfônicas até. E o Ruivo começou a aparecer com essas músicas do disco também e, com o jeito que ele tocava, no violão e voz, já diziam um pouco de como os arranjos deveriam ser, no caso dos dois.

O Marcelo já tinha aquele negócio que era bem espaçado, com os tempos relaxados. Ouvindo aquilo, com todo mundo da banda, todo mundo já meio imaginou como aquilo poderia ser e já se viu que não seria um disco muito de rock, como não é, tem três músicas um pouco mais… Foi uma conseqüência da safra de composições que veio e todos naquele momento concordaram que essa composições serviriam para essa quebra, entendeu, mais que a safra passada.

Depois desse processo que o Marcelo falou que tinha novas músicas, o Rodrigo já apareceu com várias. A última música que entrou no disco foi “Condicional” e foi a última música que apareceu dessa safra. Ela entrou exatamente no penúltimo dia de ensaio para começar a gravar. Ali, já no final, com o disco fechado. Ele tinha umas outras músicas que a gente ensaiou e não entraram, o Marcelo também.

Não chegou nem a gravar essas?

Não. A gente decidiu que só gravaria o que fosse usar, o que foi ótimo, deu o mínimo de confusão. No disco anterior, algumas músicas a gente ficou deixando, deixando pra tirar e no final não tirava. Então dessa vez se optou por gravar só o que fosse usar.

Então existem sobras do “Ventura” gravadas?

Existem sobras, acho, de todos os discos. Eles fazem muita música, né. Desse disco também existe, tem uma que sobrou.

Música boa, poderia estar no disco?

Poderia, mas dentro do disco, não por qualidade, mas conceitualmente não faria sentido. Uma música do Marcelo muito boa. Ela mudou de nome algumas vezes, mas a gente chamava de “Perceber”, que era como começava a primeira estrofe.

A gente fez dois arranjos, gravamos de três jeitos diferentes. Um com a banda, outra com eu e o Bruno fazendo sapateado…

Como assim? Gravando o chão?

É sério! A gente fazendo umas batidas de sapateado. Gravação ridícula, cara! Eu e o Bruno suando pra caralho, “pô, difícil essa merda!” (risos). A gente gravou dobrando, pra dar aquela sensação de que era uma porrada de gente sapateando. Depois fizemos uma versão com percussões. Esses três arranjos foram gravados.

Em termos de som, o que se queria atingir com “4”? Quais eram as referências?

Não tinha muita referência, nunca teve, cara. Inclusive, saiu um negócio num jornal falando de Wilco e eu achei isso muito louco, porque ninguém tinha ouvido Wilco até bem no final [das gravações]. Quando saiu aquele disco com o ovo na capa [“A ghost is born”] eu ouvi esse disco com o Ruivo e eu lembro exatamente quando, por isso achei engraçado esse comentário. Foi um dia que a gente saiu pra comer e o Ruivo me mostrou o disco no carro, no dia que a gente tava passando o mix pra fita, o disco [do Los Hermanos] já tinha terminado. Achei engraçado terem falado que isso era uma referência, porque ninguém tinha ouvido aquilo até então.

Isso foi coisa do José Flávio [Jr., colaborador da Folha de S.Paulo], né, fazendo merda. Pronto, falei, falei, tava aqui ó! Achei que ele foi meio bundão naquela matéria lá. Posso falar porque eu já falei pra ele. Ele não tinha ouvido o disco e estava falando sobre um negócio partindo de opiniões de pessoas que ouviram vagamente, porque ninguém tinha ouvido. Só a gente e o Daniel [Carvalho, engenheiro de som], no estúdio.

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Se não tinham referências explícitas, como era a conversa com a banda?

O Marcelo queria um clima que o resto das coisas fosse uma paisagem, que o resto da banda não imprimisse tanto. A idéia de fazer um disco calmo. O disco é bem calmo, né? Mesmo as músicas um pouco mais agressivas, é um agressivo calmo.

O Barba falava que queria um som de bateria tal e aí me explicava. Ele usava um tipo de pele que meio mata o som, então a gente conversou sobre isso, testou umas outras peles. Ele queria que os tons cantassem mais, tudo tem nota. Acho que a parada passa menos por referências, passa mais por aí.

O Bruno queria ter Rhodes, piano acústico numa, ele tinha a idéia bem dele. O Bruno é incrível gravando, ele tem a idéia dele muito precisa. Dos quatro ele é o que tem o foco maior na gravação. Ele já vem com o som pronto, mexo muito pouco na parada dele. Até tem jogo, mas a concepção tá ali já.

O Marcelo e o Rodrigo também, pedem uns sons de guitarra. O Marcelo até trocou de guitarra, gravou quase tudo com uma semi-acústica. Ele comprou uma Hofner, indicada pelo Catatau [guitarrista do Cidadão Instigado, que participa do disco].

E o baixo, quem é que define?

O Ruivo tem um baixo que é muito legal, semi-acústico também, do Rio Grande do Sul, chama Sonelli. Com três captadores, um baixo esquisitão. Teve uma parada engraçada. Eles me mostraram as músicas e eu viajei, pra fora, com a Orquestra ou com o +2, não lembro. Entrei numa loja e vi um jogo de cordas de nylon, pretas, pra botar em baixo, e pensei “isso tem a ver com o disco do Los Hermanos”, comprei as cordas e esqueci disso, passou um tempão. Ficou aqui guardada um tempão, passaram-se meses. Quando o Ruivo chegou, com o baixo, na hora do ensaio, eu falei das cordas. Daí eu olhei e ele tinha as mesmas cordas no baixo dele! A gente pensou a mesma coisa!

Tu acabou gostando do disco ou não? Não curtiu não?

É… estou no meio do caminho. Sinceramente, se fosse outra banda, eu já tinha parado de ouvir, tinha desistido. Mas como é uma banda que eu respeito, ainda estou tentando entender o que está acontecendo, pra onde está indo. Fiquei mais perdido do que qualquer coisa, o que talvez seja bom. Achei as letras muito herméticas também, difíceis de se relacionar.

No “Bloco do Eu Sozinho”, se você ver as matérias que saíram na época – e a gente leu algumas até – elas são do mesmo jeito, ninguém fala nada do disco. Ficou todo mundo com o pé atrás, sem entender.

A parada das letras é um pouco mais hermética mesmo. Mas tem uma parada musical, que se você for julgar esteticamente, no primeiro, no segundo e no terceiro discos, não é que seja um clichê, mas existe um modo de compor que ele é repetido. Acho que isso é o normal de compositores. Se você pegar caras que tem uma carreira extensa, com coisas diferentes, tipo Jorge Ben, Caetano ou Gil, existe uma certa maneira, como se fosse um Gestalt da pessoa, que aquilo raramente se quebra. E acho que isso é o que acontece nesse disco: aquilo se quebra. Tem uma parada do Marcelo realmente estar fazendo um tipo de composição que ele nunca fez, e o Rodrigo também.

É o que eu gosto nesse disco, esse é o ponto que eu acho legal. Quando me mostraram as músicas eu pensei “pô, maneiro, isso nem parece eles”. Dentro do disco, ele parece dois discos, um lado e um outro lado. Isso é uma parada do disco que eu gosto, dele ter essa riqueza. Eu acho uma riqueza, não acho uma fraqueza, me dá uma sensação de “do caralho!”.

A mudança é interessante. Foi muito legal o que aconteceu do primeiro disco pro segundo e do segundo para o terceiro. Depois de ter encontrado um caminho mais pop no “Ventura”, cristalizando os conceitos do “Bloco”, se eles se repetissem teria sido muito chato. Teria virado uma fórmula.

Acho que na verdade, o “4” é mais “Bloco” do que “Ventura”.

Então essa quebra de formato do “4” em relação ao “Ventura” pode ser um desenho de algo que virá mais bem resolvido no próximo disco?

Não tem como prever como o cara vai compor, nem ele tem. Acho inclusive que essa quebra não é planejada por eles. Aconteceu de, num determinado momento, o Ruivo ter aquelas músicas e o Marcelo aquelas e esse conjunto ter se formado.

marcelo_gravacao.jpg

Sendo que músicas do Marcelo estão mais diferentes do que se conhecia dele do que as do Amarante estão em relação as suas, comparando em paralelo.

É, exatamente. Eu acho isso também.

Dessa vez, o processo de pré-produção pareceu mais solto, com a banda dando continuidade a agenda de shows, sem tanto isolamento. Acompanhando pelo saite, pareceu que vocês não estavam tão imersos no processo quanto das outras vezes. Qual foi a diferença dessa estada do sítio em relação as outras vezes?

Da outra vez a banda sumiu porque já estava no final da turnê mesmo, já não tinha tantos shows. Dessa vez tinha um monte de show pra fazer, mas eles estavam falando que tinham que gravar um disco. Então, no primeiro momento do disco, não teve show, no primeiro mês e meio eles sumiram mesmo. No sítio já tinha shows, ensaiava durante a semana e descia pra fazer tocar no final de semana. Da outra vez também foi assim.

Esse sítio de agora era melhor que o anterior. O outro era mais gelado e tinha menos coisa pra fazer na casa. Dessa vez era em Araras, que já era mais perto do que o outro, tinha pingue-pongue, totó, piscina, então tinha mais recreação que no outro. O lugar era bem mais relaxado.

De cara, a principal diferença é que os metais parecem mais mansos. O Marcelo Camelo tem escutado, literalmente, muitas “Coisas” do Moacir Santos. Essa mudança passa por aí?

Acho que não, porque não parece com os arranjos dele. O arranjo de metais que tem em “Horizonte distante” parece bastante com Los Hermanos, o de “Dois barcos” é que não. A gente começou a ouvir esse disco na época do “Ventura”, fomos pro sítio uma vez ouvindo “Coisas”.

As quebras de andamento também deram uma acalmada, né?

As músicas eram mais lentas, não tinha nem jeito de fazer quebras de andamento.

A estética das músicas do Camelo e do Amarante parecem mais distantes do que nunca. Isso foi uma questão na produção do disco? Como você resolveu isso, em termos de unidade na produção?

Isso foi uma questão pra mim. Isso pra mim sempre foi o maior problema, parecia ter dois discos diferentes. Ouvindo em casa o disco saiu melhor do que eu pensava, achei que ouvindo você não tem a sensação, quando muda de música, que a produção ficou aquém para uma ou outra. Para o produtor essa é a parte difícil.

Quando você tem um disco com faixas tão distintas, a gravação muda muito. Se você tem uma banda de rock tocando rock o tempo inteiro, é muito mais fácil você gravar e mixar um disco coeso e bom. Porque quando você tem uma música com uma pegada muito leve e outra com os caras enfiando a porrada, muda como eu armo o estúdio, como monto a bateria, muda a afinação, os microfones, as distâncias dos microfones…

Quando você mixa um disco, o plano da voz é uma parte importante, o volume que aquilo vai estar. Ter dois cantores já é uma questão pra isso. Se você tem dois cantores, você tem que ter a o som da voz de um, o som da voz de outro e aquilo que dá a impressão geral do disco, a banda entra dentro daquilo. Só que quando você tem uma música de rock, as vozes são mais baixas, porque você tem uma banda. Porque se não soa como se tivesse meio magro, sabe, você vai tirando som da banda pra aumentar a voz. E eu passava de música rock pra uma música totalmente violão e voz e quase nada, e um vibrafone… Isso pra produção é um momento que é difícil de ter coesão.

Como você solucionou isso?

Quebrando muito a cabeça. Tiveram coisas que eu evitei, durante a produção, desde os ensaios. Por exemplo, evitei, dentro das próprias músicas, ter dinâmicas muito acentuadas porque acho que isso acentuaria mais no disco inteiro, se fosse mais esquizofrênico de dinâmica. Como o “Ventura” é um pouco mais, as músicas t}em muito sobe e desce, mas quase tudo tem o som parecido. Nesse, como as músicas eram tão diferentes, eu achava que isso poderia ser um problema. Tentei aliviar um pouco nos arranjos mesmo.

Também tem a parada de não ter tantas distâncias nas freqüências do disco todo. Não ter músicas com mais grave ou mais agudos do que outras. Por exemplo, do baixo ser agudo numa música e na outra ser extremamente grave. O som das guitarras nunca tinha um som realmente estragado, pesado e podre, pra dar unidade pelo menos nisso no disco. Os agudos sempre têm um certo padrão para não ter um super agudo ou um super médio atacando e depois numa outra música não ter.

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Algumas músicas remetem a outras bandas do círculo de amizade de vocês. “Paquetá” parece tirada do repertório da Orquestra Imperial, “O vento” lembra o tema do programa Ensaio Geral, do próprio LH, “Condicional” tem algo de Moreno Veloso. Isso pode ser conseqüência de todos esses nomes terem sua participação, ou na produção ou como integrante?

Acho que “Condicional” remeteria mais a “Cara estranho” do que ao Moreno, é a mesma escala. “Paquetá” tem um toque de Orquestra sim. A gente é um grupo de amigos, acho que isso é completamente normal, mas eu não concordei com a sua pergunta. Concordo com o que você está falando, mas não coma a sua pergunta, porque eu não achei essas semelhanças especificamente. Mas quando você está num grupo amigos, que tocam juntos, se vêem e ouvem música juntos, isso é completamente natural. Poderia até existir bem mais nesse disco do que existe. Dessas, talvez, acho que só “Paquetá” lembre realmente a Orquestra, bastante. Acho isso normal, saudável. Uma troca boa.

Existe o risco desses artistas transitarem numa intersessão, ficando todos muito parecidos entre si? Não seria o caso de se variar um pouco as parcerias?

Acho isso impossível de acontecer. No caso do +2 [grupo mutante formado por Kassin, Moreno Veloso e Domenico Lancelotti], por exemplo, trocando então de foco. A gente tem o projeto de fazer três discos, Moreno+2, Domenico+2 e Kassin+2. Os dois primeiros já são totalmente diferentes entre si. Isso não é uma coisa só pensada. Cada pessoa tem suas características de talentos, né, o que você pode fazer quando está em determinada função e suas limitações. Tem um certo tipo de coisa que eu vou fazer bem se estiver naquela posição e, sei lá, se eu estivesse indo pra bateria eu faria de outro jeito. Então esse grupo de pessoas, mudando a função, já delimita diferenças. Mesmo que você esteja pensando de um certo jeito, é impossível o meu disco ser parecido com o do Moreno, porque eu não vou cantar daquele jeito.

No caso deles [Los Hermanos], acho que eles têm uma unidade de banda e que isso permanece. Por mais que tenham influência de um, aquela influência de um — por exemplo, no caso da Orquestra influenciando o Ruivo — aquilo nunca vai ser totalmente passado para os outros, por mais que ele queira, porque são grupos diferentes. É impossível. Aquela música especificamente não soa Orquestra, não tem os metais… É uma música totalmente Los Hermanos em termos de letra. O jeito de pensar é outro, é o Bruno tocando piano, é o Barba tocando bateria.

E em termos de técnicas de gravação, desses artistas utilizarem o mesmo estúdio [o Monoaural], não pode gerar essas semelhanças entre os trabalhos?

Acho que não. Pensa nos discos que saem daqui, tem um jeito com Gameboy [do projeto Artificial], tem os do +2, tem o “Ventura” e o “4”, que são completamente diferentes de som. Acho difícil disso acontecer em qualquer disco, em qualquer grupo. Mesmo que um cara faça umas canções muito parecidas umas com as outras, ele foi gravar em outro lugar, outro dia… Já é outro dia.

Por mais que “Paquetá” pudesse caber na Orquestra, talvez outras músicas do Ruivo também poderiam caber, e vice-versa. É óbvio que cada um pode tocar suas coisas, mas a partir do momento que cada um toca, aquilo imprime de um jeito que é diferente. Por exemplo, Ramones é mole de tocar, não é? Qualquer imbecil toca Ramones. Aí você vê qualquer imbecil tocando Ramones e não é a mesma coisa. Fica uma merda, porque não são aqueles caras, é outro lance. O Raimundos tocando Ramones é o Raimundos tocando Ramones. Raimundos é uma banda do caralho, adora Ramones, daí o nome, só que quando eles tocam Ramones eles são os Raimundos e você ouve isso.

kassin_estudio_gravacao.jpg

Isso é algo que pode acontecer, um produtor colocar demais a sua cara numa produção?

Existe esse tipo de produção, de fazer aquele som, aquela parada. Mas isso é mais uma limitação. O que eu acho de produção, quando eu acho maneiro, é quando você tem um disco e você fala “pô, o que eu vou fazer com esse disco agora?” e aí você pensa como vai ser aquela parada. Você planeja como vai ser o som daquela porra ali, como aquilo ali deve soar. Isso que eu acho que é a parada, pensar cada disco.

Outra coisa é que o produtor é um cara que fica num mundo muito melhor do que o do artista. O artista leva uma vida, que pra mim parece ruim, mas pra muitas pessoas pode parecer um glamour, mas é um cara pega um avião por dia. Ele passa a semana inteira numa cidade diferente a cada dia, que ele não conhece, que geralmente é no interior de não sei aonde, que pode ser um lugar legal, pode ser um lugar que não tenha nada. Acorda de manhã pega um ônibus, fica no hotel, vai pra passagem de som, volta pro hotel, faz o show, dorme seis horas, pega o primeiro vôo no outro dia. Ele vive uma parada que é foda, sacou.

Pra mim, que tenho uma vida que eu acho ótima, saio de casa, venho pro trabalho, cada dia faço uma coisa diferente, eu acho que cada disco o máximo que o produtor consegue tirar do artista pra aquilo que está sendo gravado seja verdade, o que o cara realmente acredita, é isso é que faz a parada ficar boa. Porque é ele que vai fazer essas viagens que depois eu não vou fazer. Nesse momento agora, o Marcelo deve estar no interior de São Paulo, não sei aonde, hipoteticamente. O cara deve estar fazendo uma viagem de ônibus, cada dia uma cidade, essas paradas assim. Eu tô aqui, tranqüilo, batendo papo contigo, vou subir pro estúdio e fazer um pouco Os Gardenais [banda de Minas que Kassin está produzindo, nenhuma relação com o portal que hospeda o URBe], vou dormir na minha própria cama… É uma vida diferente, por isso, por mais que o produtor interfira, o disco é do artista, porque ele é que vai lá ralar. O meu trabalho acaba quando o disco lança, o dele se estende por mais dois anos.

quarta-feira

26

janeiro 2005

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"Eu não vou mudar"

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* Confira um trecho do show na URBe TV

Primeiro foi Moreno+2, depois Domenico+2. Agora é a vez do Kassin+2. Assim como as duas primeiras variações, o grupo manteve a tradição e mostrou no HPP — em primeira mão — o novo formato, completando o rodízio.

Antes deles, Donatinho, filho de João Donato apresentou seu funk-acid-jazz, com influências de Herbie Hancock à Jamiroquai. Acompanhado por uma boa banda, com destaque pra groovezeira grosseira do baixista André Vasconcelos, o tecladista apresentou músicas próprias e versões, como “Fever”, que já foi regravada por Madonna.

Além dos muitos problemas de equipamento no palco (causados, talvez, pela enorme quantidade de pedais, talk box e instrumentos), depois de um tempo o virtuosismo cansou e a platéia esvaziou. Como diz um amigo meu, show de jazz deveria ter uma regra limitando à apenas uma demonstração de técnica por instrumentista.

O espaço lotou novamente quando o Kassin+2 subiu no palco. Num show concorrido, cheio de nomes conhecidos na platéia (Chrissie Hynde, Los Hermanos, Nelson Motta, Hermano Vianna, etc.) a banda mostrou as músicas que estarão no seu próximo disco, que ainda nem começou a ser gravado.

Na abertura, um tiro certo: “Tranquilo”, música de sua autoria também gravado por Thalma de Freitas. Um pouco nervoso, pela primeira vez na posição de homem de frente, Kassin manteve ao seu lado papéis com as letras das músicas. “Não tenho saco pra decorar”, explicou. Coube ao baterista Domenico o papel de pilar da banda, não deixando desandar nem quando Kassin errou e pediu pra voltar. Domenico seguiu em frente e o conjunto se acertou.

Menos experimental que Domenico+2 e mais pop que o Moreno+2, as composições são calmas, de letras leves, bem diferente do que vê quando Kassin está tocando no Acabou la Tequila. Sua voz é pequena, sim, mas encaixa na proposta. Levadas de guitarrada paraense se misturavam ao cello de Moreno com naturalidade, sem forçar, mostrando que nada ali era gratuito. Boa trilha prum final de tarde, como o estampado no tênis do Kassin.

No repertório, música pra recém-chegada filha, “Quando Nara Ri”, para casais apaixonados e a excelente “Eu não vou mudar”. Da metade pro final, Kassin já estava solto, fazendo brincadeiras, dando gritos de “uhu!” e “Bahia!”, empolgado com o toque nordestino da bateria. Kassin não aguentou e desceu a não nas últimas três músicas, bem mais pesadas, como “Astronauta” e seu vocoder assustador.

Qual será o próximo passo do trio após essa formação é um mistério. Ele tanto pode acabar quanto virar apenas +2, juntando o melhor de cada formação e seguir adiante. Tomara que continuem.

sexta-feira

24

dezembro 2004

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Alegria e tristezas – 2004

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Esse ano não vai ter essa balela de lista de melhores do ano com trocentas categorias no URBe. Minha memória é péssima, a cronológica então, pior ainda. Não presto pra fazer essas listas, embolo as datas, é um desastre.

Pra simplificar, sem pensar muito, alguns destaques (com links) nas duas categorias indicadas no título. Depois, três apostas para 2005. Quem for concordando, discordando e lembrando de mais coisas, participe nos comentários.

Alegrias

Tributo à Coxsone Dodd, na JAMAICA!
Mombojó, no Ballroom
Mad Professor no Circo Voador
Los Hermanos, na Fundição Progresso
Chemical Brothers, em São Paulo (acompanhado é sempre melhor)
Kill Bill
BB King, na Marina da Glória
Acabou la Tequila, no HPP
China, no HPP
Lucas Santtana, no Dulcina
Nego Moçambique, no Fosfobox
Basement Jaxx, no Skol Beats
Manu Chao, participando do show do Reggae B, no Circo Voador
Del Rey, no Teatro Odisséia
Festa de lançamento do URBe no Gardenal, no 00
Dub Echoes e suas várias viagens
Babylon by Gus, o ano do macaco vol. 1, o disco
Mr. Catra e os Apóstolos, na Vila Mimosa
Gregory Isaacs, em Juiz de Fora

Tristezas

Massive Attack, no Via Funchal (SP)
Lemonheadzzz, no Ballroom
TIM Fest, no Rio e em SP
Scissor Sisters, no Creamfields UK
The Doors of the 21st Century (fecha a porta! fecha!)
O esvaziamento cultural do Rio
Perder o Pixies em Curitiba
Bush de novo

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Claramente, mais coisas boas do que ruins. 2004 foi um bom ano, na música e no URBe. O saite cresceu, ganhou mais visibilidade, pavimentando o caminho para quando finalmente a convergência de mídias chegar.

Já que estamos aqui, três apostas fáceis, barbadas. Três nomes. Um que surgirá, um pra estourar e outro pra continuar por aí no ano que vem:

Mombojó – O septeto pernambucano chegou abrindo espaço e rapidamente conquistou o seu lugar. O excelente “Nadadenovo” conquistou uma legião de fãs, todos secos para ouvir o que mais vai sair da cabeça dessa mulecada do Recife. Melhor surpresa de 2004, o Mombojó tem tudo pra se firmar em 2005. Basta manter o nível e seguir a risca o título do primeiro disco.

Nervoso – André Paixão, o Nervoso, não é exatamente uma novidade no circuito underground carioca. Com passagens pelas baquetas do Acabou la Tequila, Beach Lizards e Autoramas, taí há um tempo. O lance é que o cara cansou de ficar escondido atrás de pratos e caixas e ton-tons, deu um passo a frente e lançou o ótimo “Saudades das minhas lembranças”, se revelando um front man dos bons. Assim como o próprio disco, que leva umas três, quatro audições pra descer direito, Nervoso aos poucos vai chamando mais e mais atenção. Em 2005 um nome pra acompanhar de perto.

Moptop – Mesmo parecendo demais com Strokes, Franz Ferdinand e com um vocal de timbre “Amarante rouco”, os cariocas do Moptop devem crescer. Por que? Exatamente por tudo isso. O público não é mesmo chegado a muita novidade, prefere referências fáceis, próximas. E disso o Moptop tá cheio. O grupo faz um pop rock esperto, com qualidade. Ninguém nasce pronto, com certeza com o tempo eles encontrarão o próprio caminho. Relatos dão conta de que Chico Neves (produtor do “Bloco do eu sozinho”, “Lado B Lado A”, entre outros) produz o disco. O chiclete “O rock acabou” vai martelar muito seu ouvido em 2005.

bônus

O dub sai da toca – Já botou a cabeça pra fora, isso todo mundo viu. Nunca o gênero teve tanta exposição por aqui. No entanto isso não significa que teremos diversos revivals dos clássicos setentistas. Lentamente o gênero vai se infiltrando em outros estilos, aparecendo de maneiras mais sutis, se fortalecendo como elemento, não apenas como influência. No Brasil isso fica cada vez mais óbvio. É um processo sem volta.

Obrigado a vocês, meus quatro leitores, que fazem valer a pena continuar escrevendo aqui. Bom 2005 e vamo que vamo!

sexta-feira

16

julho 2004

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Botando ordem na casa, resenha conjunta de três eventos que valeram a pena: Los Sebosos Postizos, no Teatro Rival, Mundo Livre S/A, no novo Teatro Odisséia, e a Febre!, na Casa da Matriz.

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“Uma noite do Ben” (01/07/04)

Era esse o nome do show do Los Sebosos Postizos, projeto paralelo de Jorge Du Peixe, Lúcio Maia e Pupilo (Nação Zumbi) e Bactéria (Mundo Livre S/A). Focado no repertório da década de 70 de Jorge Ben, teve muita coisa do disco “Tábua de esmeralda”, além de “Komachi”, “Rosa, mas que nada”, “Domingas”, “Rosa, menina, Rosa” e outras.*

A melhor descrição das versões é também a mais óbvia: Nação Zumbi toca Jorge Ben. A sonoridade final funciona e é exatamente a que se espera dessa fusão — o que não é pouca coisa. É como se todas músicas atravessassem um filtro de dub e do outro lado saíssem desaceleradas, grudentas e ainda mais viajantes. Isso tudo sem perder o groove. A excessão foi “Que pena”, com leitura Jovem Guarda.

O Rival estava lotado, mas ainda assim não estava apertado, garantindo o conforto de quem estava lá dentro. Um cuidado quem nem toda produção go$ta de ter.

Quando a banda voltou para o bis, Jorge Du Peixe pisou o palco falando pra platéia, “acende! acende outro!”. Antes de começar a tocar, o vocalista continuou: “Quem não gosta de reggae, bom sujeito não é. É uma das músicas mais sinceras do planeta”. Na sequência veio “King Tubby meet Rockers Uptown”, do disco homônimo. Precisa dizer mais alguma coisa?

* nomes “adaptados”, a memória falhou.

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Mundo livre (11/07/04)

O Teatro Odisséia, casa de shows bacana, na Lapa, foi bem no mês de inauguração. Estreiou, em festa fechada, com show do Los Hermanos, já teve B Negão e Acabou la Tequila.

O Mundo Livre S/A tinha tudo para engrossar a lista de bons shows da estréia da casa, bastava repetir as ótimas apresentações do Teatro Rival, no lançamento de “O outro mundo de Manoela do Rosário”. Mas não foi isso que aconteceu.

O show teve seus bons momentos, claro, principalmente com músicas do primeiro disco. No entanto, de maneira geral, não foi tão bom quanto os outros. Muito disso porque pareciam estar poupando os momentos acachapantes. O baixo até amassava, mas não com a mesma força dubtrônica de outros shows. E a falta do transe provocado pelas linhs de baixo, tornou a batida da guitarra e do cavaquinho um tanto repetitiva.

Pode estar na hora de lançar outro disco pra dar um novo gás.

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Temperatura alta (15/07/04)

Pela segunda vez a Febre, principal festa de db do Rio, começou com um set de dub. A idéia é boa e tá com cara de que vai pegar.

O som se encaixa no espírito da festa — além de fazer parte da linha evolutiva do db, tanto Calbuque quanto Da Lua são fãs do gênero — e, a julgar pela quantidade de gente dançando, esse pode vir a se tornar um diferencial e tanto.

Logo depois, foi a vez do Marcelinho da Lua fazer um set avassalador de jungle. Mostrando toda sua competência, e sem sair do clima que estava rolando, Da Lua começou com o reggae “Fade away” (Junior Byles) emendando num remix da mesma música. A mixagem — em cima da melodia e não da batida, ou seja, na guitarra e não na bateria — foi cirúrgica. Dali pra frente, não dá pra escapar do clichê: foi quebradeira geral.

Fazia tempo que Febre não andava tão legal. Boa notícia.