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sexta-feira

24

dezembro 2004

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Alegria e tristezas – 2004

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Esse ano não vai ter essa balela de lista de melhores do ano com trocentas categorias no URBe. Minha memória é péssima, a cronológica então, pior ainda. Não presto pra fazer essas listas, embolo as datas, é um desastre.

Pra simplificar, sem pensar muito, alguns destaques (com links) nas duas categorias indicadas no título. Depois, três apostas para 2005. Quem for concordando, discordando e lembrando de mais coisas, participe nos comentários.

Alegrias

Tributo à Coxsone Dodd, na JAMAICA!
Mombojó, no Ballroom
Mad Professor no Circo Voador
Los Hermanos, na Fundição Progresso
Chemical Brothers, em São Paulo (acompanhado é sempre melhor)
Kill Bill
BB King, na Marina da Glória
Acabou la Tequila, no HPP
China, no HPP
Lucas Santtana, no Dulcina
Nego Moçambique, no Fosfobox
Basement Jaxx, no Skol Beats
Manu Chao, participando do show do Reggae B, no Circo Voador
Del Rey, no Teatro Odisséia
Festa de lançamento do URBe no Gardenal, no 00
Dub Echoes e suas várias viagens
Babylon by Gus, o ano do macaco vol. 1, o disco
Mr. Catra e os Apóstolos, na Vila Mimosa
Gregory Isaacs, em Juiz de Fora

Tristezas

Massive Attack, no Via Funchal (SP)
Lemonheadzzz, no Ballroom
TIM Fest, no Rio e em SP
Scissor Sisters, no Creamfields UK
The Doors of the 21st Century (fecha a porta! fecha!)
O esvaziamento cultural do Rio
Perder o Pixies em Curitiba
Bush de novo

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Claramente, mais coisas boas do que ruins. 2004 foi um bom ano, na música e no URBe. O saite cresceu, ganhou mais visibilidade, pavimentando o caminho para quando finalmente a convergência de mídias chegar.

Já que estamos aqui, três apostas fáceis, barbadas. Três nomes. Um que surgirá, um pra estourar e outro pra continuar por aí no ano que vem:

Mombojó – O septeto pernambucano chegou abrindo espaço e rapidamente conquistou o seu lugar. O excelente “Nadadenovo” conquistou uma legião de fãs, todos secos para ouvir o que mais vai sair da cabeça dessa mulecada do Recife. Melhor surpresa de 2004, o Mombojó tem tudo pra se firmar em 2005. Basta manter o nível e seguir a risca o título do primeiro disco.

Nervoso – André Paixão, o Nervoso, não é exatamente uma novidade no circuito underground carioca. Com passagens pelas baquetas do Acabou la Tequila, Beach Lizards e Autoramas, taí há um tempo. O lance é que o cara cansou de ficar escondido atrás de pratos e caixas e ton-tons, deu um passo a frente e lançou o ótimo “Saudades das minhas lembranças”, se revelando um front man dos bons. Assim como o próprio disco, que leva umas três, quatro audições pra descer direito, Nervoso aos poucos vai chamando mais e mais atenção. Em 2005 um nome pra acompanhar de perto.

Moptop – Mesmo parecendo demais com Strokes, Franz Ferdinand e com um vocal de timbre “Amarante rouco”, os cariocas do Moptop devem crescer. Por que? Exatamente por tudo isso. O público não é mesmo chegado a muita novidade, prefere referências fáceis, próximas. E disso o Moptop tá cheio. O grupo faz um pop rock esperto, com qualidade. Ninguém nasce pronto, com certeza com o tempo eles encontrarão o próprio caminho. Relatos dão conta de que Chico Neves (produtor do “Bloco do eu sozinho”, “Lado B Lado A”, entre outros) produz o disco. O chiclete “O rock acabou” vai martelar muito seu ouvido em 2005.

bônus

O dub sai da toca – Já botou a cabeça pra fora, isso todo mundo viu. Nunca o gênero teve tanta exposição por aqui. No entanto isso não significa que teremos diversos revivals dos clássicos setentistas. Lentamente o gênero vai se infiltrando em outros estilos, aparecendo de maneiras mais sutis, se fortalecendo como elemento, não apenas como influência. No Brasil isso fica cada vez mais óbvio. É um processo sem volta.

Obrigado a vocês, meus quatro leitores, que fazem valer a pena continuar escrevendo aqui. Bom 2005 e vamo que vamo!

terça-feira

30

novembro 2004

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sexta-feira

17

setembro 2004

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O Globo, 17/09/2004

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Matéria sobre viagem à Inglaterra, para filmar o documentário “Dub Echoes”, que escrevi para o Rio Fanzine (O Globo).

Clique na imagem para ler.

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Maior viagem de eco

Após a bem sucedida passagem pela Jamaica, a Inglaterra era o destino lógico para a equipe do “Dub Echoes”, na verdade, uma dupla formada com o pesquisador e roteirista Chico “dub” Linhares. Num país apavorado com a possibilidade de um ataque terrorista e onde até as lixeiras do metrô foram substituídas por sacos plásticos transparentes, protestos pacifistas na porta do Parlamento não são o suficiente pra trazer o bem estar de volta. No “Verão da Psicodelia”, como foi apelidado pela revista Mixmag, os cogumelos alucinógenos aparecem como solução para escapar da realidade.

Desde que foi encontrada uma brecha na lei permitindo o cultivo e o comércio, os cogumelos estão por toda parte em Londres, vendidos livremente nas ruas e feiras como se fosse shitake. Os junkies de Brixton, praticamente uma atração turística da cidade, que se cuidem. Seus dias podem estar contados. Com os ingleses precisando desesperadamente relaxar, dub parecia mesmo o assunto perfeito.

O documentário pretende mostrar a importância do dub no desenvolvimento da música eletrônica e do hip hop. Para isso, depois de entrevistas com ícones do reggae dos anos 70, como o produtor Bunny Lee, o baterista Sly Dunbar e o cantor U-Roy, faltava falar com o outro lado da história, nomes atuais conscientes da influência dos experimentos jamaicanos nos seus trabalhos. Com o apoio da American Airlines, acreditando num projeto totalmente independente, e a ajuda de alguns amigos cedendo um cantinho na sala, mais rápido do que se possa dizer dubwise, a equipe cruzou o Atlântico em direção à ilha onde a libra corrói o bolso.

À caminho da Europa, uma passagem estratégica por Nova York e Los Angeles pra falar com três jamaicanos: os expatriados Scientist e Bullwackie e o visitante King Jammy. Scientist e Jammy foram aprendizes de ninguém menos que King Tubby. Além de entrevistas com Ticklah, produtor do “Dub Side of the Moon”, e Thievery Corporation, em Washington. E o caldo estava só começando a engrossar.

Logo na primeira entrevista na terra da rainha mãe, Mad Professor começou a turvar a água dizendo que, ao contrário do que se acredita, não há uma cena de dub e reggae na Inglaterra, o que existe são eventos isolados. A estranha afirmação, repetida algumas vezes por outros entrevistados, parecia querer se confirmar quando o festival Reggae in the Park foi cancelado. O motivo oficial foi a recente publicidade negativa em torno do reggae, tornando impossível encontrar um lugar disposto a correr o suposto risco de abrigar os shows de Sizzla, Gregory Isaacs, Freddie McGregor e Barrington Levy. Veio o final de semana e com ele o carnaval de Notting Hill, festança caribenha de dois dias que domina a cidade. Certamente deve ser uma questão de parâmetros, porque um lugar que tem uma festa dessas (sem falar nas muitas outras, nas lojas de disco especializadas, etc.) tem que ter uma cena forte.

Entre muitos trios elétricos de calipso, soca e salsa, os sound systems jamaicanos se destacavam. Apesar da festa originalmente ser de Trinidad e Tobago, pouco a pouco a Jamaica vai tomando conta, espalhando suas equipes de som por pontos estratégicos e colorindo a festa com as cores rasta. É espantoso o número de pessoas com camisetas, casacos, tênis e acessórios fazendo referência à ilha. Geralmente os sound systems mais disputados são os do Jah Shaka, que esse ano não tocou, e do Aba Shanti I, que quebrou logo no início. Restou correr para o Channel One, sem nenhuma relação com o lendário estúdio, pra curtir freqüências graves de engasgar. O grande problema é conseguir ir de um ponto ao outro. Com mais de um milhão de pessoas nas ruas, atravessar a massa de gente não é mole.

Em paralelo, em Liverpool, acontecia o Creamfields, evento que aterrisa no Brasil em novembro, só em São Paulo. Mesmo sendo um dos maiores festivais do mundo, a escalação desse ano estava mais caprichada que o normal: Plump DJs, Audio Bullys, Scissor Sisters (fraco…), Deep Dish, decepcionando com um set reto e sem groove, FC Kahuna, Scratch Perverts, Mark Farina, Josh Wink, Jeff Mills, Layo & Bushwacka, Dave Clarke, estavam todos lá.

Numa estratégia pra conseguir espalhar o público de 40 mil pessoas pelo espaço, as três principais atrações entraram em cena simultaneamente, no auge da noite: Darren Emerson, Sasha e o Chemical Brothers. Tom Rowlands e Ed Simmons fizeram uma apresentação avassaladora, irretocável. Sendo fã ou não da dupla, esqueça tudo que falaram de mal sobre a última passagem dos químicos por aqui e comece a juntar dinheiro pra ir pra São Paulo (de novo?! alô, alô, produtores cariocas!) em outubro pra conferir de perto. Papo sério.

Em meio a tanta coisa, a lista de entrevistados continuava crescendo. Simon Ratcliffe (Basement Jaxx), Adam Freeland, Audio Bullys, Congo Natty, Dennis Bovell, Dr. Das (Asian Dub Foundation), Dreadzone, Glyn Bush (Rockers Hi Fi), Groove Corporation, Kode 9 (do coletivo Dubstep), LTJ Bukem, Roots Manuva. Impressionante o que dá pra se conseguir apenas enviando o e-mail certo para os lugares corretos. Some a isso duas palavrinhas mágicas, Brasil e dub, e de uma hora pra outra você pode estar tomando um chá na casa de alguns dos artistas mais arredios a entrevistas de que se tem notícia.

Londres não pára. Um final de semana qualquer na cidade pode guardar uma escalação de djs digna de um grande festival, transformar a sexta e o sábado em uma verdadeira peregrinação a procura da batida perfeita. Na quinta você está na Movement conferindo o Artificial Intelligence, Flight, Ill Logic & Raf e Addiction, na sexta está na Fabric, curtindo a festa de lançamento do “Two Culture Clash” (já resenhado aqui no RF) com boa parte dos produtores que participaram do projeto (Howie B, Jon Carter, Kid 606, Switch, General Degree) botando som enquanto na pista ao lado, Randall, High Contrast, Fabio e Grooverider se revezam nas batidas quebradas.

Falando em batidas quebradas, mas não as do drum and bass, o onipresente breakbeat é sem dúvidas o estilo da vez. No mesmo sábado, Barry Ashworth (do Dub Pistols) e Matt Cantor (do Freestylers) bagunçavam a Rythm Factory praticamente na mesma hora em que Adam “We want your soul” Freeland sacudia a Fabric. É preciso se virar em dois pra conseguir acompanhar tudo.

Após quase 30 entrevistas, as malas voltaram mais pesadas. Chicodub ganhou mais de 100 discos, fora a pilha de CDs recebidas ao longo do caminho, incluindo 3/4 do catálogo da Blood & Fire. Ossos do ofício.

Box 1

Bizarrices

– O gente boa Dennis Bovell interrompeu a entrevista duas vezes para vomitar. A culpa foi do presente dado por sua mãe na noite anterior: uma garrafa de rum de Barbados

– Já Congo Natty ficou bem à vontade; só de cueca e camiseta.

– Depois da gravação o figuraça Howie B fez um set particular. Destaque para as músicas do “Last Bingo em Paris”, seu projeto paralelo, lançado apenas na França.

– Simon Ratcliffe, do Basement Jaxx, vai para Hong Kong com seu sound system de reggae, o Hometown Hi Fi, nome em homenagem ao ss do King Tubby

– O Thievery Corporation está com estúdio novo. O lugar parece uma casa mal assombrada.

Box 2

No forno

– O próximo disco do Thievery Corporation sai em fevereiro de 2005. Entre as participações, Sister “Bam bam” Nancy, Perry Farrel e Flaming Lips.

– Dando seqüência a série “Dubplates from the Elephant House”, o G-Corp prepara o terceiro volume, dessa vez com uma banda ao vivo, a “The Mighty Three”

– O Asian Dub Foundation também vai entrar em estúdio. Cada integrante produziu faixas individualmente e agora as idéias vão ser filtradas. Dr. Das está numa onda breakbeat.

– O Audio Bullys começou a gravar o sucessor de “Ego War”. Ao que parece vai tender ainda mais pro hip hop.

– Gorillaz, Chemical Brothers e Roni Size também estão trancados finalizando os novos trabalhos.

Box 3

Ingla is a bitch

– Libra 6 x 1 Real

– no país da noitadas, o transporte público pára as 0h

– tanta coisa pra fazer que sempre se perde alguma boa

Box 4

God save the queen

– mais discos de reggae do que na Jamaica

– o povo prestativo não te deixa se perder

– tanta coisa pra fazer que é difícil se meter em roubada

sexta-feira

3

setembro 2004

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O Globo On Line, 03/09/04

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Durante a viagem para os EUA e Inglaterra para fazer o documentário “Dub Echoes”, escrevi uma coluna no Globo On Line, espécie de diário de bordo atualizado sempre que possível.

Essa foi a sexta entrada.

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A capital inglesa é um carnaval

Londres é mesmo a capital da música. Somente em aqui é possível entrevistar, em menos de uma semana, Audio Bullys, Groove Corporation, Asian Dub Foundation, LTJ Bukem, Bigga Bush, Dreadzone, David Katz (autor de “People Funny Boy”, biografia oficial do Lee Perry, e tambem de “Solid Foundation”), conferir o Creamfields, o carnaval de Notting Hill e ainda deixar engatilhado bate-papos com pelo menos outros cinco grandes nomes da cena.

Bully é uma gíria inglesa pra encrenqueiro. Numa tradução grosseira, Audio Bullys pode ser entendido como “encrenqueiros do áudio”. No entanto, nada pode ser mais distante disso do que chegar na casa de um dos integrantes e receber uma xícara de chá para passar o tempo enquanto ele acaba de passar roupa ou pede licença para atender o telefone. Durante a entrevista que encerrou a semana passada, a dupla mostrou não sacar da história do dub, mas foi enfática em reconhecer a importância do gênero no som que eles produzem.

O final de semana foi pouco produtivo para o documentário por dois motivos. Primeiro porque segunda era feriado (Bank Holyday, um dos mais importantes daqui). Segundo porque estava rolando o Notting Hill Carnival, festança caribenha que dura dois dias e domina a cidade.

Entre muitos trios eletricos de calipso, soca e salsa, os sound systems jamaicanos se destacavam. Apesar da festa originalmente ser de Trinidad e Tobago, pouco a pouco a Jamaica vai tomando conta da situação, espalhando suas equipes de som por pontos estratégicos e colorindo a festa com as cores rasta. É impressionante o número de pessoas com camisetas, casacos, tênis ou acessórios fazendo referência à ilha. Geralmente os sound systems mais disputados são os do Jah Shaka, que esse ano não tocou, e do Aba Shanti I, que quebrou logo no comecinho do set. Restou correr para o Channel One, sem nenhuma relação com o lendário estúdio, para curtir freqüências graves de deixar engasgado. O grande problema é conseguir ir de um ponto ao outro. Com mais de um milhão de pessoas nas ruas, atravessar a massa de gente nao é mole.

Um dia antes do inicio do Carnaval, foi a vez do Creamfields, em Liverpool. Um dos maiores festivais de música eletrônica do mundo, aterrisando no Brasil no final do ano (só em Sao Paulo), o line up desse ano estava tão caprichado que mesmo os organizadores não se cansavam de alardear que era um dos melhores da história do evento: Plump DJs, Audio Bullys, Scissor Sisters (fraco…), Deep Dish decepcionando com um set reto e sem groove, FC Kahuna, Scratch Perverts, Mark Farina, Josh Wink, Jeff Mills, Layo & Bushwacka, Dave Clarke, estavam todos la.

Numa estratégia pra conseguir espalhar o público de 40 mil pessoas pelo espaóo, as três principais atrações entraram em cena simultaneamente no auge da noite: Darren Emerson, Sasha (o furão do último Skol Beats) e Chemical Brothers destruíram a galera. Sem poder ver os três, fiquei com o Chemical e, mesmo sem ter visto os outros dois, posso afirmar: foi a escolha certa. Tom e Ed fizeram uma apresentação avassaladora, irretocável. Portanto, sendo fã ou não da dupla, é hora de juntar dinheiro pra ir pra São Paulo (de novo?! alô, alô, produtores cariocas!) no final do ano e conferir de perto o que talvez seja o melhor show de música eletrônica da atualidade. Só isso.

Essa semana, até agora, já foram devidamente entrevistados o Dr. Das (baixista do Asian Dub Foundation), Richard Wittingham (cabeça da gravadora Different Drummer), o figuraça LTJ Bukem, Bigga Bush (Rockers Hi-Fi), Dreadzone e ainda teve visita ao estúdio do Groove Corporation, o Elephant House, com direito a dub mix ao vivo e o escambau. A viagem está acabando, mas a lista de entrevistados ainda não. Vem mais por aí.

terça-feira

31

agosto 2004

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O Globo On Line, 31/08/04

Written by , Posted in Imprensa

Durante a viagem para os EUA e Inglaterra para fazer o documentário “Dub Echoes”, escrevi uma coluna no Globo On Line, espécie de diário de bordo atualizado sempre que possível.

Essa foi a quinta entrada.

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Ingla is a bitch

A principal preocupação antes de viajar pra Inglaterra era arrumar onde ficar. Tudo por aqui é caro demais. Acabei conseguindo ficar uns dias na casa de uns amigos da Chris Magnavita, ex-colega de MTV. Primeiro na casa do Marcelo, o cara que comanda a comunidade brazuca aqui em Londres através do seu restaurante, o Brasil by Kilo, que aos poucos vai se transformando num centro de cultura brasileira. O prédio de seis andares tem locadora de filmes nacionais, comidas típicas, internet cafe, serviço completo. Quando estão na área, Marky e Patife sempre dão as caras. Depois, foi a vez do Joao hospedar a equipe.

Logo no primeiro dia, três entrevistas foram feitas, começando pelo Mad Professor. O dubman deve pintar no Brasil ainda esse ano para promover sua versão psicodélica do disco “Tranquilo”, do “Marcelino de Lua”, como ele fala. Depois, Kode 9, do coletivo Dubstep, falou sobre as raízes jamaicanas do UK Garage.

Pra fechar, Steve Barrow, um dos chefões da Blood and Fire, principal selo de relançamentos de reggae. Barrow, autor de livros como a bíblia “Rough Guide to Reggae”, tambem é conhecido como o maior colecionador de compactos do estilo, guardando cerca de 9 mil bolachas, organizadas em ordem alfabética, em um dos quartos de sua casa.

No dia seguinte, foi a vez de conhecer o responsável pela Congo Natty, gravadora especializada em jungles rastas até não poder mais.Totalmente em harmonia com sua filosofia, o sujeito nos buscou na estação de trem vestindo um uniforme da Etiópia e falou bastante sobre as mensagens rastafaris das suas músicas e de como isso pode ajudar a empurrar os jovens pra bem longe de lixos pop. Durante a entrevista ele ficou só de cueca e camiseta. Surreal.

Os festivais de verão ainda não acabaram, esse final de semana ainda tem Reading Festival, Leeds, Creamfields e Notting Hill Carnival, o que significa dizer que praticamente todos os artistas do mundo estão ou estarão em Londres por esses dias. Foi durante o ensaio para o Reading que o Roots Manuva falou para o documentário. Talvez em nenhum outro som a fusão entre hip hop e dub feita pelo Roots Manuva saia tão bem e o assunto, claro, foi exatamente isso.

Já Howie B, produtor, entre outras coisas, de “Drum and bass stripped to the bone”, estrelando os riddim twins Sly & Robbie, falou da cena eletrônica como um todo. À vontade na propria casa, Howie defendeu a repetição da música eletrônica e ainda deu a receita ideal para transformar alguem num fissurado em dub: amarre-o pelado em um sofá, raspe todos os pêlos do seu corpo e depois jogue queijo parmesão em cima. Segundo ele, é batata, o sujeito vira dubhead na hora. O resto do papo gravitou nesse mesmo nível de insanidade, com muitas boas declarações.

Semana corrida, agora é visitar o Audio Bullys e David Katz, outro estudioso do assunto. E esses são só os primeiros dias.