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terça-feira

9

setembro 2014

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O medo do medo do pop (pensamentos sobre a repercussão de um texto)

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O medo do medo do pop

A partir do texto “Kiko Dinucci e o medo do pop”, publicado aqui semana passada, um debate foi iniciado e só isso já fez valer ter escrito. Porque ao contrário de algumas interpretações apaixonadas (como cabe ao assunto), o objetivo não era estar certo, provar um ponto ou impor algo. Era sim abrir uma discussão sobre um assunto pouco falado: até que ponto os artistas independentes podem fazer concessões para serem comercialmente viáveis, ao mesmo tempo sem se descaracterizar?

Pausa para um pedido: antes de continuar lendo esse texto, peço que leia na ordem o texto “Kiko Dinucci e o medo do pop” e a resposta do Kiko, “Meu medo do pop”.

Como está escrito, era uma provocação. Quando o Kiko resolveu responder publicamente a essa provocação, o diálogo se abriu e o que veio daí ampliou os horizontes da conversa, revelou a importância do assunto – mesmo pra quem diz não se importar – e o tabu que o cerca.

À resposta do Kiko, muito educada e objetiva, não cabe tréplica. É a opinião dele. O texto está repleto de pontos com o qual concordo (que esses artistas e cena precisam de tempo – apesar de achar que alguns já tiveram bastante), uns que entendo (não era minha intenção apontar uma encruzilhada ou alguma dicotomia), alguns que discordo (a vitimização do artista “abortado pela indústria”) e outros que me parecem entendimento errado da parte dele do que quis dizer (desprezo pela música cabeçuda ou o que chamei de maneira bastante genérica de indie – culpa minha de ter me expressado mal, certamente).

Dos comentários que chegaram até mim a maior parte das manifestações das pessoas do meio se deu no espaço privado, através de emails, inbox, DM, chat, SMS. Foi interessante notar que entre artistas, produtores e jornalistas, de maneira geral os mais novos (menos de 25 anos) entenderam o texto como algo a se pensar, os da geração acima, com mais de 35 anos, como cobrança.

Foi dito que o interessado nesse assunto são os próprios artistas e que a “alfinetada carinhosa” era pra mostrar que dá pra querer muito mais. Um falou que a resposta do Kiko foi uma aula (para mim, especificamente), outra que ele chorou pitanga e fugiu do assunto. Teve um disse que meu texto inteiro era um eufemismo para questionar porque músicos não fazem coisas exatamente do meu gosto (mas, pro meu gosto pessoal, está ótimo como está).

O título do texto foi chamado de caça-clique (mesmo que Kiko não tenha tantos caçadores assim). Lembraram e questionaram o fato do Metá Metá não ter agradecido a um prêmio no Multishow, esnobando o espaço (“bem feito!”, falou um artista, “o canal nunca colocou uma música dessa galera no TVZ”).

Cravaram que não é questão de ser pop, é questão de talento. Que “esses artistas” são herméticos e pseudo elitistas, se colocam acima do público pra esconder o fato que não conseguem se comunicar. Que não é medo, e sim nojo do pop.

Tudo, como disse, conversado de maneira privada. Há muito receio em opinar.

O entendimento do que é pop ou o julgamento de valor imbuído ao termo foi o maior fator de discordância. Interpretaram “fazer concessões” como algo necessariamente negativo, “se adequar para soar aceitável, comercial, palatável”. Uma visão bastante estreita do que é pop (ou popular, como bem diferenciado pelo Kiko), o que ajuda a explicar até mesmo o citado medo.

Um dos aspectos mais problemáticos da cena brasileira é justamente essa incapacidade de se conviver com a crítica negativa. Ou se fala bem ou está fora de alguma espécie de grupo de camaradas; ou se joga a favor ou se está obrigatoriamente jogando contra.

Discordo por me parecer faltar justamente mais… sinceridade para as coisas evoluírem como um todo. Menos camaradagem, por assim dizer. E não falo aqui apenas dos músicos, falo sobretudo do público. A discussão vira certo x errado, não tem área de contato, o debate vira um embate, descambando para perda de tempo no lugar de troca de ideias.

Comparado ao espelho de idéias que vão se transformando as redes sociais (em que algoritmos digitais – e filtros pessoais – nos põe em contato com quem pensa igualzinho a nós mesmos), faz falta o tempo em que comentários de blogs eram fóruns de debate mais ativos, onde, sem filtros digitais, as pessoas eram confrontadas com ideias opostas.

Esses artistas são talentosos e bem sucedidos no seu público, por isso merecem algo maior. E se conseguirem esse algo maior, será melhor para eles e para o público, principalmente os que sequer os conhece ainda, colaborando para mudar um panorama tão criticado. Mesmo que o artista não queira nada disso, o que é uma escolha pessoal, a proposta da discussão continua vinda através de um viés positivo.

O próximo texto sobre como, em determinados casos, ceder uma música para a publicidade de uma corporação, de graça até, pode ser bom para o próprio artista. Assunto velho até, mas é sempre bom atualizar o debate.

segunda-feira

1

setembro 2014

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segunda-feira

25

novembro 2013

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Lições do debate com o prefeito Eduardo Paes sobre mobilidade

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hangout_prefeito_eduardopaes_mobilidade_debate_2013

Ao se despedir dos participantes do debate online sobre mobilidade ocorrido ontem, do qual fui um dos entrevistadores, Eduardo Paes chamou todos de “grandes cariocas”. Porém, ressaltou, ali só ele era o prefeito. Uma frase tão boba quanto emblemática.

O encontro foi mediado por Rodolfo Schneider (Band News) e também contou com a participação de Clarisse Linke (vice-diretora do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento), Fernando MacDowell (professor de Engenharia Urbana e Ambiental da PUC-Rio) e Izabella Lentino (urbanista, arquiteta e professora da PUC).

Estava eu, na qualidade de entusiasta, interessado no assunto e alguém que já viajou bastante e conhece outras realidades (assim me foi explicado pelos organizadores quando foi feito o convite), entre especialistas na questão da mobilidade. Estava confiante que, apesar de discordar da ausência de regras e ciente de todas questões apresentadas, algo sairia dali, talvez por ser um encontro ao vivo e público. Não foi isso que aconteceu.

O encontro é um grande acerto – sobretudo para o prefeito. A iniciativa – copiada da estratégia do presidente dos EUA, Barack Obama- é louvável. Em tempos de repressão tem que aplaudir o espaço para o diálogo. O risco, porém, é calculado.

Ao se dispor a conversar com seus críticos, o prefeito exercita a democracia e sai muito bem na foto. De quebra, através das pessoas que escolhe para entrevistá-lo, ainda consegue audiência com quem normalmente não lhe daria ouvidos, conseguindo pregar para além dos convertidos (olha você lendo sobre ele aqui no URBe, por exemplo).

Mesmo estando em minoria frente a quatro entrevistadores, o prefeito está todo tempo em vantagem: nas duas horas de conversas, cada um de nós conseguiu fazer apenas três perguntas; ao responder 12 perguntas o prefeito tem um tempo de fala proporcionalmente muito maior.

Essas não são críticas a iniciativa — que repito, é muito importante e deveria ser mais copiada — são apenas observações. O jogo é esse e sabia bem as condições antes de aceitar participar. De qualquer maneira, o grande trunfo do prefeito também não está em nenhum dos pontos levantados.

Dono de uma retórica invejável, Paes é um animal político. Ele não baixa a guarda, ainda que a disfarce e sente-se plenamente confortável na condição de sabatinado. Ligado, Paes não perde uma oportunidade de tangenciar e, quando atacado, de contra-atacar.

Não sou eleitor do Paes porque discordo da sua visão, abordagem e, consequentemente, dos seus projetos, não por questionar seu talento como administrador. O problema, para mim, está exatamente nesse seu talento. Ao afastar a gestão da cidade do espectro político o máximo que pode, seu discurso aguado é provavelmente um dos grandes trunfos para o sucesso com um eleitorado que enche o peito pra dizer “não suporto política”.

A questão é que ao tocar ao Rio tal qual um síndico, simplesmente administrando o que já há, preocupado em manter a conta no verde (o que sim, é importante), nem sempre se faz o melhor pra cidade. É preciso arriscar e tomar decisões independente da lógica de mercado. Afinal, o prefeito não é um síndico ou administrador, é sim um político.

Assim, com a mesma naturalidade que diz que paga o que for para Woody Allen filmar no Rio (ótima divulgação para cidade, sem dúvida, mas não é esse o ponto aqui) ou anuncia a construção de uma pista de esqui em Madureira (nada contra o esqui ou Madureira, que merece muito mais, de novo não é esse o ponto), o prefeito diz que não há dinheiro para executar 6km cruciais para ligar o metrô ao terminal Alvorada.

Por conta dessa postura, há um abismo entre a cidade do discurso de Paes, que recebe prêmios como Smart City e convite para palestrar no TED, da que a de fato os cariocas vivem.

Nas duas reuniões com a equipe do prefeito que antecederam o debate e nos emails e mensagens de whatsapp que se seguiram, um ponto era martelado: “vocês estão participando desse bate-papo como integrantes da sociedade civil”. O objetivo, claro, era despolitizar a discussão, o que nem seria de todo ruim e poderia ajudar a focar no assunto proposto, mobilidade.

O grande erro foi acreditar que o hangout era de fato um bate-papo, quando era um debate político em que a ausência de regras privilegiou o prefeito (“é pra ser um bate-papo”, diziam quando reclamei que sem regras isso se transformaria num palanque, o que de fato aconteceu).

Foi meu terceiro encontro com o prefeito, dois deles nas condição de entrevistador. No segundo, longe das câmeras e microfones, a conversa foi bem mais franca e objetiva, ainda que nada de concreto tenha saído dela.

O que vi ontem foi o Paes do primeiro encontro, político, fugindo das perguntas com o que já considero uma cortina de fumaça clássica do seu repertório, um simples e direto “você tem razão” (“mas continuarei fazendo o que estou fazendo”, poderia complementar) e as utilizando para promover suas plataformas (chegando ao extremo de fazer anúncios para “imprensa que estivesse assistindo” durante as respostas).

Para se conseguir alguma resposta efetiva teria que ser adotar uma tática do jornalista inglês Jeremy Paxman, que não cabia no formato de debate proposto. Consegui fazer três perguntas:

1) sobre o método utilizado para calcular o aumento das tarifas de ônibus, uma conta que considera as despesas declaradas pela própria empresa + 8% de margem de lucro (que ele explicou como estava tentando melhorar a transparência desses dados, mas não respondeu sobre mudar o método para algo mais realista em relação as regras de mercado);

2) sobre a opinião pessoal dele sobre a composição da CPI dos ônibus, presidida por quem votou contra sua instituição (que ele não respondeu, mesmo quando insisti);

3) sobre a obsessão de medir o sucesso das ciclovias através da quilometragem da malha, sem discutir as condições das mesmas (como o fato de grande parte ser simplesmente trechos de calçadas pintadas de vermelho, quando tanto) e, sobretudo, o foco em bicicleta como lazer e não transporte, que é para o que se dispõe boa parte dessa malha (após essa pergunta o prefeito sugeriu que minha opinião era a de quem “anda de bicicleta pela Zona Sul”, como se isso fosse algum demérito).

É importante ressaltar que as críticas que fiz não são baseadas apenas em minha experiência pessoal, diversas reportagens recentes não falam nada bem do estado das ciclovias da Zona Oeste, parte do projeto do próprio prefeito, citado elogiosamente por ele mesmo em sua resposta).

Nessa, pontos importantes levantados na entrevista sobre bicicletas que realizei com o prefeito ano passado continuam sem resposta ou solução (migrar bicicletas da pasta de meio ambiente para a de transporte; campanhas de educação e conscientização; organização do fluxo e respeito a leis de trânsito, como carros manterem distância de 1,5 metro dos ciclistas).

Também foram apresentados dados que comprovam que por mais que a prefeitura diga que é contra o carro, não executa medidas nesse sentido, pelo contrário. O próprio prefeito chamou ônibus de “quentão” e disse que não os utilizaria, entendendo o transporte público como uma opção ao carro.

Mesmo com o saldo total de três perguntas sem resposta, ainda assim continuo disposto a continuar participando, debatendo e colaborando. É a única maneira de se avançar, quem sabe até conseguir fazer com que Paes reveja algumas coisas, o que seria muito importante para cidade.

quinta-feira

23

dezembro 2010

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O Globo, Dez/2010

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Abaixo, a versão sem cortes do texto que escrevi sobre a prisão dos MCs de funk proibidão, publicado no jornal O Globo hoje.

O polêmico proibidão no centro do debate
O diretor Leandro HBL organiza hoje no Estação Botafogo o evento ‘Em defesa do funk’

Acusados de apologia e associação ao tráfico de drogas, os MCs Smith, Frank, Tikão, Max e Dido, todos cantores do estilo conhecido como proibidão, foram presos na semana passada. Hoje, o evento “Em Defesa do Funk”, organizado pelo diretor do documentário “Favela On Blast”, Leandro HBL, a partir das 10h da manhã na sala 2 do cinema Estação Botafogo, com exibição do filme seguida de debate, discute a questão.

Autor do polêmico “Rap Das Armas” e da Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (Apafunk), MC Leonardo enxerga a liberdade de expressão, com seus bônus e ônus, como o ponto central do caso.

– A acusação é exagerada. Não concordo com o que eles estão cantando, mas também não concordo com a polícia, estão fazendo um crime maior que o dos MCs. O Bope canta “Homens de preto qual é a sua missão? / Entrar na favela e deixar corpo no chão”, tem funk no YouTube. Como fica isso? Estamos vivendo a era dos games, no GTA não tem bandido e mocinho, apresentador de TV fala em “largar o aço”, pra “fazer um carinho” em bandido, endossando a tortura. Os valores estão invertidos em todo lugar, inclusive no funk, ainda mais por acontecer dentro da favela, onde há uma inversão de valores há muito tempo.

O proibidão é a vertente mais polêmica do funk, causando mais choque até do que as letras e coreografias eróticas. Nele, os MCs cantam o dia-a-dia da favela do ponto de vista dos traficantes, muitas vezes na primeira pessoa, não raro exaltando nominalmente os líderes do tráfico. “O papo é reto, ouça bem o que te digo / Olha bem dentro do blindado vocês ficam protegido / Você leram no jornal e também viram na TV / Os amigos da Penha botando os verme pra correr”, canta MC Smith em “Mega Operação”. As faixas fazem sucesso nos bailes das comunidades, circulando em CDs caseiros e também pela rede. Por isso, a polícia enxergou então esses MCs como parte do “marketing” das facções criminosas.

Participante da mesa do encontro, assim como o MC Leonardo, o DJ e produtor Sany Pitbull acredita que a prisão dos MCs é combater o sintoma, não a causa.

– O que aconteceu com o funk é o que aconteceu com todas as favelas. O funk foi abandonado, cresceu nas favelas sem apoio nenhum de governo. Esses garotos já poderiam ter parado de cantar proibidão. O MC Sapão saiu da Fazendinha, hoje ele canta Caetano, Gil, com roupagem funk, banda no palco. Sempre que encontro com eles eu pergunto se eles não se preocupam com as crianças. Sou contra, não toco proibidão e falo pra todos para não tocar, mas entendo porque eles cantam.

O assunto é espinhoso. Os muitos convites para opinar sobre a questão feito a compositores da música brasileira foram declinados, a maior parte com um educado “não conheço o suficiente o caso, prefiro não falar”. Haveria um véu de silêncio sobre a questão?

O teor das letras é indiscutivelmente de mau gosto e nocivo. Milhares de crianças e jovens são afetados por essas mensagens negativas, contribuindo para degradação social das comunidades. Celebrar os bandidos também ajuda a criar mitos. Porém, até que se comprove uma associação direta entre os MCs e as práticas criminosas, a música não deveria ser esse elo.

Nos EUA, rappers como Snoop Dogg, Ice Cube ou Dr. Dre foram ícones do estilo gangsta rap, de pegada bem similar. Apesar de ter sido detido diversas vezes pela polícia por porte de drogas, armas e acusação de envolvimento em um assassinato, Snoop Dogg nunca foi preso por suas letras.

Num vídeo feito na prisão pela equipe do Globo Online, MC Frank fala: “Nós nascemos no Complexo do Alemão, tem pessoas que nasceram na Barra e fala sobre surfe, da praia. Quando nós começamos a cantar foi dentro da comunidade e o que nós víamos lá dentro é a criminalidade”.

O documentário “Grosso Calibre”, de Guilherme Arruda, Ludmila Curi e Thiago Vieira, exibido na ONU e concorrendo ao prémio Shooting Poverty da ONG Oxfam, um dos MCs presos, Smith, aborda a questão da forte presença das armas nas comunidades através do proibidão, acompanhando o MC Smith em seu dia-a-dia nos bailes.

– O que eles cantam é um reflexo do cotidiano em muitas comunidades, e é uma musica que encontra eco entre as pessoas que compartilham do mesmo histórico. Eu conheço o Smith e ele se refere a ele mesmo na terceira pessoa, como se fosse um personagem. No filme ele mesmo fala, “O MC Smith não faz apologia ao crime, o MC Smith não faz apologia ao tráfico, o MC Smith retrata o que acontece na comunidade” – conta Ludmila.

No Twiter, Sany Pitbull citou a música “Charles Anjo 45”, de Jorge Ben Jor, interpretada também por Caetano Veloso, Paralamas do Sucesso e outros, sobre o “Robbin Hood dos morros, rei da malandragem”. O cartunista André Dhamer declarou que não é fã de funk, mas perguntou “acha justo prender o Dr. Silvana por cantar ‘taca a mãe pra ver se quica'”?“.

– Eles tem o direito de falar o que quiserem, na constituição não diz como você pode falar do problema, em primeira ou terceira pessoa. Não é só o José Padilha que pode falar o que acontece dentro da favela, ele não mora lá. Vc pode falar o que quiser, agora é uma música de massa, música você escuta até sem querer, as crianças ouvem , tem que ter responsabilidade – diz Leonardo.

O funk fala do que vive, a favela canta pra favela, diz Sany. Segundo ele, favelado não gosta de polícia porque sempre foi esculachado e por muito tempo os traficantes faziam o que o Estado não fazia.
– Agora que está mudando, a polícia mudando. Tem que dar cultura, não adianta só tirar as armas. Não é trazer a Orquestra de NY, é alimentar o que já está lá com coisas boas. Se nada for feito vão aparecer outros Frank, Tikão, Smith e Max e tantos outros.

O MC Leonardo cobra atitudes e soluções educacionais e preventivas, e acredita que faltou conversa.

– Porque não chamou todo mundo pra conversar, mandar tirar os vídeos do YouTube, fazer um acordo? Eles não tem importância na hierarquia. Quem não é pago pelo tráfico pra cantar em avela que atire a primeira pedra, vai ter que prender todo mundo da música brasileira que cantou em favela. Ocupar quadras de favelas ocupadas e ocupar clubes das redondezas. Tem que desenvolver essa ética com educação e família. Entendo a acusação de apologia, mas associação ao tráfico é forçar de barra.

Para Sany, o governo deveria retomar o funk, como fazem com as favelas, numa espécie de UPP cultural.

– Ficar expondo cinco garotos, fora os que ainda vão ser presos, não resolve nada. E a galera que está aqui fora e não tem apoio pra produzir bailes na favela? Porque o governo nunca fez? A questão não é proibir, a questão é dar para aquele moleque e para aquela música abandonada a condição de crescer de maneira correta.

Na última sexta, o multi-instrumentista Curumin, durante seu show no Teatro Rival, tocou uma versão de “Feira de Acari”, do MC Batata, clássico do funk que detalha o funcionamento do mercado de usados que também foi conhecido como “robauto”, onde eram comercializados produtos roubados. Com mais de 20 anos, a música não causou espanto, tampouco o músico paulistano recebeu voz de prisão.

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