cadu tenorio Archive

sexta-feira

24

janeiro 2014

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Ceticências, "II"

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ceticencias

Música retirada do próximo disco do Ceticências (mais um!), “Branco”, um EP de apenas duas faixas e que será lançado de maneira limitada: apenas 20 CD-Rs, vendidos em dois shows, no Rio e em SP, em fevereiro. O clipe foi dirigido pelo próprio Cadu Tenório, fundador do projeto.

Ceticências – II from VICTIM! on Vimeo.

quarta-feira

11

setembro 2013

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Numa Gamboa

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BotaNaRoda_Gamboa_2013_1.jpg
Bota na roda

Transitando pela Gamboa, do avesso há anos com tanta obra, você fica na dúvida se o Estado está muito ausente ou muito presente (mentira, basta olhar o abandona dos casarios e a falta de condições de quem mora lá para saber a resposta).

As redondezas andaram agitadas nesse final de semana por conta da movimentação trazida pelo Art Rio e o Art Rua (ouvi que extenderam a programação) e domingo estive lá pra conferir o Antimatéria, evento com o melhor da música experimental carioca realizado na sede da Super Uber.

De lá fui parar sétima edicão da festa Bota na Roda, num lugar inusitado que por si só valeu a visita.

Ceticencias_Antimateria_2013
Ceticências

No Antimatéria consegui chegar a tempo apenas de três shows: Dorgas, Ceticências e Epicentro do Bloquinho – perdi o Bemônio, sobre o qual quem viu falou muito bem. Vi apenas parte do Dorgas, o suficiente para comprovar que ao vivo soam tremendamente melhor do que no disco homônimo recém lançado, ainda que as viagens as vezes tornem a experiência um tanto hermética.

Para apresentar as experiências eletrônicas, glitch industriais do seu Ceticências, Cadu Tenório juntou-se a Sávio de Queiroz. Apesar de contar muito com a improvisação e a reação em tempo real a sons inesperados, é tudo bem controlado e resolvido, há uma direção compreensível dentro do caos. O resultado é uma narrativa que não aliena o ouvinte, pelo contrário, hipnotiza.

O mesmo não se pode dizer ainda do Epicentro do Bloquinho. Vítimas do próprio talento, o excesso de ideias – Lucas de Paiva (People I Know, Opala, Mahmundi, SILVA), Gabriel Guerra (DJ Guerrinha, Dorgas) e Sávio de Queiroz – polui a audição e a coisa toda fica com pinta de ensaio ou composição ao vivo. Coisa que não acontece nas produções gravadas do trio.

Esse espírito free jazz é parte da proposta, sem dúvida, porém essa seria uma justificativa fácil demais para a falta de uma ordenação mínima nos sons. Fica difícil acompanhar ou mesmo dançar – e é som pra pista, 4×4 boa parte do tempo – quando as programações estão sendo constantemente ajustadas na metade dos compassos.

Um “problema” dessa nova geração é uma certa aversão aso graves. Ah, como uma linha de baixo iria bem naquilo… O Epicentro do Bloquinho ainda é novo, boto fé que vai encontrar seu caminho. Pode ficar de olho.

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De lá fui parar na Bota na Roda, festa que começou na Comuna e encontrou num galpão abandonado, as vésperas de ser demolido, um bom motivo para fazer uma edição especial. A quantidade de desvios, ruas fechadas e desencontros tornavam chegar no local uma vitória por si só.

Bota Na Roda 7 from Daniel Santos on Vimeo.

O lugar (e a produção feita pela festa) era de fato a grande atração. Caindo aos pedaços, com partes ao ar livre devido a simples ausência de telhas, a atmosfera rústica dava o tom de rave dos anos 90 – é, eles estão voltando.

Entre o bar, pistas de dança, a bancada servindo caldinhos vegan de feijão e ervilha, havia também instalações, projeções e obras de arte interativas (a com quatro ventiladores montados acima de um canhão de luz estroboscópica apontando para o alto, em que era possível controlar a velocidade e direção das pás, assim como o bpm da luz, era divertida demais). O público que não parecia mto empolgado.

Saturada por festa temáticas, a noite alternativa do Rio borbulha novamente. Ótima notícia.

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terça-feira

28

maio 2013

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segunda-feira

10

dezembro 2012

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O Hype, o Williams, a aspereza e o Cadu

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E lá se foi a segunda edição do Novas Frequências. Diferente do ano passado, quando a curadoria foi mais eclética, esse ano as atrações seguiam todas uma linha minimamente parecida de se utilizar os erros e acasos como parte central de suas composições – e quase todas de maneira bem etérea.

Por um lado isso fez com que tenha se perdido amplitude de idéias. Por outro, deu uma linha central e uma abordagem contemporânea por onde se analisar produções distintas. Em sua última noite, porém, o leque esteve aberto, iniciando com a anarquia ruidosa de Cadu Tenório e fechando com a combinação de graves e glitchs friamente calculada do Hype Williams.

Os primeiros minutos do Cadu Tenório no palco pareciam o clichê de um show experimental em algum filme sobre jovens na faculdade. Enquanto operava um ventilador microfonado e organizava loops, uma fotógrafa filmava os movimentos enquanto esfregava um pano na lente para criar algum efeito visual.

Foi curioso o pedido de silêncio vindo da plateia quando se ouviu algum cochicho. Numa apresentação pautada pela ambiência – e com samples de diálogos – conversas paralelas, mesmo que indesejadas, poderiam ser facilmente incorporadas a massa sonora.

As coisas melhoraram quando outros músicos foram entrando em cena – um guitarrista, um baterista e um saxofonista, integrantes do Sobre a Máquina, uma das muitas bandas da qual Cadu faz parte, e do Chinese Cookie Poets – mas não imediatamente. Iniciou-se uma viagem free jazz ruidosa, com cada um indo pra um lado, soando um tanto gratuito.

Os quatro somente encontram-se de fato nas duas últimas músicas, quando a execução – ou, melhor, a percepção dela – melhorou sensivelmente. Parte disso se deveu ao papel mais marcado da bateria, ajudando a consolidar o tempo. Com isso, todo o grupo se viu obrigado a, ao menos, seguir pela mesma trilha, sem perder os espaço para os improvisos e ruídos.

O clima estava, literal e figurativamente falando, tenso para entrada do Hype Williams. Nos corredores, uma pessoa reclamava com o seguranças por ter sido respondida aos palavrões ao pedir para uma pessoa que se plantou a sua frente chegar para o lado durante a apresentação do Cadu. O irritado era uma das metades do Hype Williams.

Com o palco coberto de fumaça e com luzes piscando sem parar em direção a plateia, era possível distinguir os integrantes do grupo e uma moto. A neblina ajudava a manter o anonimato buscado pelo Hype Williams, assim como a moto e a mulher nela sentada, ambas sem nenhuma função técnica além de cenografia, também contribuiam para desviar a atenção do olhar.

Aos chamados de “louder!” (mais alto!) no microfone, a camada de sintetizadores ia crescendo. Só que o pedido era real e não parte do roteiro, para resolver um problema em um dos microfones. Logo o clima atmosférico deu lugar a espasmos conjuntos de bateria e saxofone (ó o free jazz aí de novo), destoando bastante das expectativas lo-fi do que se conhece do Hype Williams gravados.

Em mais uma curva, batidas quebradas e o vocal feminino (fraco) começaram a escancarar as referências noventistas, via Bristol, do Hype Williams. Graves pesados caíam como pedradas e sub-graves faziam a barriga vibrar, algumas vezes até com a testada e aprovada combinação com os sons de uma melódica/escaleta e toda herança jamaicana típica dos sons vindos a Inglaterra.

Em diversos momentos o jungle e o garage eram lembrados, enquanto sons sobre os quais ninguém conversa a respeito, mas todos conhecem, como a intereferência provocada por um celular tocando perto das caixas de som de um computador, eram adicionados a equação. A alusão ao Massive Attack chega a ser óbvia, porém um dos méritor do Hype Williams é justamente ter conseguido atualizar e recontextualizar uma sonoridade tão característica quanto datas, sobretudo pelos timbres.

O som de fita cassete gasta, as batidas sujas, até uma certa calma presente das gravações, deram vez a uma interpretação mais agressiva, alternando momentos agradáveis com outros meramente calcados no choque. Contrapostos, esses dois momentos se complementam, servindo de parâmetro um para o outro. Ao contrário dos outros artistas do festival, o caos do Hype Williams é ordenado e aponta para intenções de expansão, exacerbado pelo cuidado com a faceta performática.

Um belo encerramento para semana em que a cidade foi energizada pelos graves, da precisão germânica do Pole ao rastafarianismo do Aba Shanti I.