quinta-feira

13

dezembro 2007

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Punk Cigano

Written by , Posted in Música, Resenhas


URBe Fotos

Numa época que bandas inexperientes, ou pior que isso, sem a menor idéia do que se fazer ao vivo em cima de um palco (o que, em muitos casos, poderia resolver o problema), sob a justificativa da “revolução da internet” apresentam porcamente seus MP3s nas principais cidades do planeta, um SHOW, com letras maiúsculas, como o do Gogol Bordello colocam as coisas em perspectiva.

Houve um tempo — não tão distante — em que não bastava aparecer igualzinho ao fotolog debaixo dos holofotes para se protagonizar um espetáculo. Era preciso, no mínimo, um pouco mais de carisma e talento — coisa que muitos nomes dessa geração possuem, somente não se dão o tempo de desenvolvê-lo antes de se profissionalizar virtualmente.

Diferente do batalhão que têm o Coachella, a maior concentração de bandas pequenas do planeta, como olimpo e objetivo final (sem saber o que fazer depois que, rapidamente, chegam lá; vide Clap Your Hands Say Yeah, Peter, Bjorn & John e outros tantos), o Gogol Bordello, que já passou pelo deserto californiano sem que isso tenha significado seu auge, tem um plano mais bem traçado.


Gogol Bordello

Pode ser que o fato de assistir ao show sentado num teatro (Hammersmith Apollo) influencie na leitura de que a performance é metade da apresentação, como no caso dos brasileiros do Brasov, Móveis Coloniais de Acaju ou Cordel do Fogo Encantado.

Seja como for, a mistura de sonoridades do leste europeu, acordeon, punk, dub via The Clash, dançarinas, coreografias e a figura central do vocalista/violonista Eugene Hütz, cantando, pulando, brincando com os roadies em cena ou dando esporro no segurança que tenta o impedir de pular na platéia, atrai muito mais que os frequentadores do MySpace.

Famílias inteiras assistiam ao show, como se fosse uma ida ao teatro, em vez de um show de punk. Gente que não conhecia nada da banda, se divertia tanto quanto os fãs vestidos a caráter, com camisetas rasgadas e com desenhos de estiligues, o logo do Gogol, feitos a mão.

Na banquinha, os discos eram vendidos a 10 pounds, metade do preço da camiseta. O grande produto do Gogol Bordello é o seu show. Como andam repetindo muito por aí, a grande saída para crise no mercado.

A diferença é que eles, de fato, tem um para vender.

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