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junho 2003

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JB Online, 05/06/03

Written by , Posted in Imprensa

Rio 65 Trio – “Rio 65 Trio” e “A hora e vez da M.P.M.”

Quem perdeu a apresentação de Dom Salvador no Chivas Jazz Festival semana passada, ainda tem chance de escutar o pianista. Aproveitando a passagem do músico pelo Brasil, onde não se apresentava há 30 anos, a Universal relança dois discos do Rio 65 Trio, conjunto que contava ainda com o baixista Sergio Barroso e o baterista Édison Machado.

Logo após de ter integrado o Copa Trio, liderado pelo baterista Dom Um Romão, e antes de ter fundado o seu Salvador Trio, com o qual excursionou pelo exterior, Dom Salvador fez parte do Rio 65 Trio. O conjunto acompanhou diversos artistas, como Elis Regina e Jorge Ben.

O primeiro disco, homônimo, saiu no ano que inspirou o nome, 1965. No repertório, clássicos da bossa nova, três temas próprios e ainda Quincy Jones, com Mau, mau, e Sonny Rollins, com Sonnymoon for two.

O samba jazz do Beco das Garrafas mostra sua força em releituras de Tem dó (Baddena Powel / Vínicius de Moraes), Manhã de carnaval (Luiz Bonfá / Antonio Maria) e Preciso aprender a ser só (Marcos e Paulo Sérgio Valle). Entre os temas próprios, todos de autoria de Dom Salvador, destaca-se Meu fraco é café forte, que o tempo transformou em um clássico.

A edição original incluía ainda Aruanda, mas, segundo a gravadora, a reedição da música não foi autorizada pelo autor e, portanto, não foi incluída nesta reedição.

Em A Hora e vez da M.P.M., de 1966, a formação do trio foi mantida, assim como o nome, apesar da passagem de ano. O texto do encarte original do disco, reproduzido na íntegra neste relançamento, fala de como a Música Popular Moderna do título estava sendo ameaçada e vista como decadente na época em virtude da ascensão do “iê, iê, iê” e da música jovem em geral. Qualquer paralelo com a atual situação da indústria fonográfica é mera coincidência.

Algumas músicas desse disco são de autores também relidos no primeiro. Estão presentes os irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle, junto com Pingarillo, em Seu encanto, e a dupla Badden/Vínicius em Apelo. No entanto não há releituras de artistas estrangeiros e apenas um tema original, Rio 65 Trio tema, outra vez de Salvador. Tem também Zé Keti (Ponte aérea) Noel Rosa (Vem chegando a madrugada, parceria com Adil de Paula) e Jonhy Alf (Ilusão à toa).

A impressão geral dos dois discos é muito boa. A pergunta que encerra um dos textos de Ruy Castro, especiais para esta reedição, resume bem: “Dá para acreditar que foi feito a quase quarenta anos?”.

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