sexta-feira

11

junho 2004

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Funk, preconceito e justiça divina

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Nem bem voltou de Londres, onde tocou na versão local do Sónar, o dj Marlboro já está de malas prontas pra retornar à Europa. A turnê começa dia 17, na edição oficial do Sónar, em Barcelona, e passa pela França, Eslovênia e Croácia.

Há pouco menos de um ano, quando Marlboro tocou no festival Central Park Summer Stage, em NY, a primeira apresentação do funkeiro nos EUA chamou atenção da mídia. Agora, tão pouco tempo depois, tocar no exterior parece ter virado rotina.

Pra tentar entender o que mudou de lá pra cá e falar de algumas outras coisas, nada melhor do perguntar pro próprio.

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URBe – Como foi a apresentação na Inglaterra, tudo bem?

DJ Marlboro – Recebemos um e-mail do Ben Cave, produtor do The Breezeblock, da BBC Radio One, o maior programa de música eletrônica alternativa da Inglaterra e que já teve convidados como Radiohead e Björk. Ele disse que tinha ficado muito impressionado com o que ouviu no Sónar e me convidou pra produzir um set especial para o programa.

URBe – Suas músicas tem muitos samples de clássicos da década de 80. Você acredita que esse interesse do funk lá fora possa estar relacionado com o revival mundial dos anos 80?

DJM – Acho que não. O funk se alimenta de tudo, desde músicas dos anos 80 até músicas e elementos do nosso folclore, essas influências e essa mistura é que fazem do funk uma coisa inédita, apesar de conter samples. A popularização e reconhecimento do funk no exterior tem mais a ver com o vazio da cena dance atual, tá todo mundo atrás de algo novo. Nosso som está tendo um espaço e reconhecimento que já poderia ter tido há muito tempo, mas o preconceito de djs e promotores daqui deu uma retardada nisso. A justiça divina tarda, mas nunca falha. Tem muito mais coisas acontecendo, é que eu nao gosto de falar antes de concretizar. Coisas que, acho, nenhum dj brasileiro até hoje conseguiu.

URBe – Adianta pelo menos um pouco desse assunto. Algo relacionado a outros grandes festivais europeus (Glastonbury, Homelands, etc.)?

DJM – Sei não!

URBe – A última faixa do disco que veio encartado naquela revista/biografia sobre você, é um medley praticamente sem vocais. Essa vertente instrumental é um estilo dentro funk? Dá pra fazer um set inteiro dessa forma?

DJM – Claro que sim. Pelo tempo de existência e pelo o que o funk já se desenvolveu até hoje, dá pra fazer um set completo de qualquer uma de suas vertentes. Tem muita música que pra gente já passou, mas pro resto do mundo é novidade e bem legal. Isso é o resultado de ter ficado tanto tempo no submundo, se desenvolvendo nele. Hoje temos um história muito forte e vasta.

URBe – Falando de tendências dentro do funk, liste os principais estilos e os anos em que cada um surgiu.

DJM – Até 1988 era só funk internacional, a nacionalização se deu nesse ano e em 89 saiu o primeiro disco, “Funk Brasil Volume 01”. No início tudo era chamado de funk. Quando letras romanticas foram inseridas no estilo, nasceu o funk melody. O funk irrevente é mais atual, com a Taty [Quebra Barraco] e MC Serginho, apesar de já ter musicas há mais tempo. O funk relato, também conhecido como “proibidão”, surgiu quando os bailes foram fechados e a policia não permitia bailes nos clubes. Antes era a favela cantando pro asfalto, as músicas relatavam o orgulho da favela, de morar nela. Depois da perseguição, era a favela cantando pra favela, sob outras regras e outras visões. As músicas passaram a retratar a realidade das pessoas que moram sobre aquelas regras e leis. Funk montagem é o funk com trechos de outras músicas. Hoje bootleg é moda, mas o funk é bootleg muito antes de existir essa denominação. O mesmo serve pra música eletrônica, o funk é eletronico antes da denominaçao também!

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  1. cinha

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