Monthly Archive: setembro 2005

terça-feira

20

setembro 2005

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Embaralhando

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Relações perigosas

Sob o pretexto de permitir a 30 profissionais brasileiros as melhores condições possíveis de audição do novo trabalho de Maria Rita, a Warner Music Brasil montou um kit de imprensa em que constavam, além do CD e do DVD com o making of da gravação, um aparelho iPod Shuffle, com as músicas do disco Segundo previamente carregadas.

O iPod, que armazena grande quantidade de música num aparelho minúsculo, custa US$ 130 na loja oficial da Apple. Como não é fabricado no Brasil, só pode ser comprado no País em versão importada, cujo preço oscila, em sites de busca, entre R$ 562 (na loja virtual Gravit) e R$ 1.190 (no site Submarino).

O diretor de marketing da gravadora, Marcelo Maia, assim explica a promoção: “A Warner entrou em contato com a Apple para propor uma parceria num iPod customizado de Maria Rita. Não houve tempo operacional hábil para essa proposta se realizar. Cada uma foi então para o seu lado e a Warner optou por preparar um kit com a forma mais profissional para se escutar um disco com tão pouco tempo disponível antes das entrevistas”. Segundo Maia, a gravadora optou então por comprar os iPods, o que teria sido feito aqui no Brasil mesmo, por preços que ele disse não saber precisar.

CartaCapital recebeu um desses kits, ouviu o trabalho em CD e no iPod e devolveu o aparelho à gravadora. – PAS

terça-feira

20

setembro 2005

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Revolution

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Não, isso não é um controle remoto. Trata-se do controle do Nintendo revolution, novo console da Nintendo, que não é chamado “de revolução” à toa.

O visual clean segue a linha imposta pelo iPod, o formato de controle remoto tira o medo das pessoas de segurar um joystick, a jogabilidade, praticamente intuitiva, facilita a vida de quem nunca jogou antes. É a Nintendo entrando de cabeça no campo dos jogos casuais para jogadores casuais.

Com total noção de sua posição e orientação no espaço, esse controle faz botões parecerem coisa do passado. Quer tocar bateria? Faça do controle uma baqueta. Jogos de boxe? Segure dois controles e distribua jabs e ganchos ou distribua raquetadas num jogo de tênis.

Para Nintendo, pra se jogar videogame a partir de agora vai ser necessário um mínimo de preparo físico. Chega de ficar estatelado no sofá.

segunda-feira

19

setembro 2005

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Muita classe

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Inexplicavelmente, o Canecão não lotou para assistir Omara Portuondo, como aconteceu nas passagens do Buena Vista Social Club ou de Ibrahim Ferer, também revelado para o mundo no filme de Win Wenders. Quem esteve lá, viu uma apresentação antológica da cantora cubana. Pra sorte de quem perdeu, ela prometeu voltar. Agora, vai saber quando…

Mesclando clássicos da música cubana com faixas do seu disco mais recente, “Flor de amor” (co-produzido pelo brasileiro Alê Siqueira), o repertório foi acelerando aos poucos, passando por boleros até chegar ao tradiconal són, que é quando a pista ferve. Omara tornou difícil a vida de quem teve que assistir o show sentado. No palco, as violinistas/cantoras de apoio e a própria Omara dançaram o tempo todo.

A big band, na beca, veio completa, com direito inclusive a dois pianistas. Completavam o time o diretor musical Alfred Thompson, um trio de metais, dois percussionistas, um violonista e um contra-baixista. A banda conta ainda com outro brasileiro, Swamy Junior, na guitarra, além de uma composição de Carlinhos Brown, “Casa Calor”, cantada em português por Omara.

O pianista Emilio Morales, que tocou a maior parte do show, não conseguia ficar sentado, tocando de pé e dançando em vários momentos. Foi dele um dos momenotos mais aplaudidos, num solo que incluiu ate citação a “Garota de Ipanema”. Meio manjado, claro, mas “Guantanamera” é tão manjada quanto para os cubanos e por aqui todos adoraram ouvir.

Não faltaram músicas do disco que a tornou mundialmente famosa, “Buena Vista Social Club” (club, em espanhol, pronuncia-se como clube, com e mudo, e não club, em inglês, com se ouve por aí), como “Veinte años”.

Omara guardou o melhor pro final e encerrou o show com uma homenagem ao cantor Ibrahim Ferrer, morto há alguns meses. Ela cantou o clássico “Dos gardenias”, suas parceria com ele no disco “Buena Vista Social Club”, acompanhada apenas pelo jovem pianista Roberto Fonseca. Chorando, Omara deixou o palco sob aplausos. Ela não estava chorando sozinha.

segunda-feira

19

setembro 2005

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Nem mais, nem menos

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Um ótimo show, pra quem gosta do som. Pode parecer uma colocação óbvia, mas essa é uma boa definição da apresentação de Moby, sábado, no longíquo Riocentro. Não foi um show pra fazer ninguém virar-casaca: nem arrebatador o suficiente para conquistar novos fãs, nem abaixo do que se esperava, a ponto de fazer alguém deixar de gostar.

Com um público bem abaixo dos 18 mil esperados, cerca de 6 mil pessoas (1.500 pagantes e 4.500 convidados, disseram) enfrentaram a chuva, a estrada e o preço dos ingressos para conferir o careca, pela primeira vez com sua banda no Rio.

Moby jogou pra platéia e enfileirou — empolgando — sucessos dos seus dois principais discos, “Play” e “18”, evitando as do mais recente, o fraco “Hotel”, e encontrando espaço para outras mais antigas. No entanto, apesar da banda que o acompanha (baixo, guitarra, samples, vocalista…) manter o nível lá em cima o tempo todo, as músicas funcionam melhor nos discos que Moby costuma fazer sozinho em seu quarto.

A qualidade do som, principalmente por ser ao ar livre, estava excelente. Graves com pressão, vocais perfeitamente audíveis, volume alto. A produção do evento ainda teve o cuidado de ir contra o costume crescente de reservar totalmente a área em frente ao palco para os tais dos VIPs, deixando o público pagante, que é o que importa, próximo do artista.

No intervalo entre as músicas, o discurso continua o mesmo, com pedidos de desculpas pelas trapalhadas de Bush e por sua América natal estar se tornando um país de extrema-direita. Faltou explicar quando exatamente é que os EUA não foram direita, mas isso é outra história.

Fora a constrangedora versão de “Creep” (Radiohead), a citação a “Whole lotta love” (Led Zeppelin) e a lastimável versão de Break on Through (The Doors), o show foi exatamente o que se esperava. O que foi bom para uns e nem tanto para outros.

quinta-feira

15

setembro 2005

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(Já) Era dos festivais

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Na tentativa de revitalizar o formato dos velhos festivais da canção das décadas de 60 e 70, a TV Cultura escalou duas ex-VJs da MTV, um repórter no estilo “mágico de festa infantil” e uma apresentadora de cabelo rosa-choque para ancorar o Festival Cultura, a nova música do Brasil. E foi só o que foi feito para atualizar a idéia.

Ancorar, aliás, parece mesmo o verbo correto. Estacionado no tempo, a produção copiou o formato manjado, enquanto a curadoria tratou de repetir os personagens e o tipo de repertório, ignorando os 40 anos (de história, de cultura, de comportamento, de evolução musical) que nos separam daquela época. A média de idade alta dos atuais participantes contrasta com os 22 anos que Chico Buarque tinha quando ganhou com “A banda”, em 1966.

Alguns nomes e currículos de músicos envolvidos na grande final são suficientes para comprovar o ponto. Lula Queiroga, Pedro Luís e Zé Renato — todos com com um ou mais discos lançados e parcerias com nomes conhecidos — não são novidade pra ninguém. Marília Medalha então, autora de “Cassotiba” e sua letra de fedegoso hortelã, participou ativamente da chamada era dos festivais de anos atrás.

Nesse panorama, qualquer sub-Lenine trazia esperança de que algo minimamente novo furasse a bolha criada pela pseudo-vanguarda paulista. Nada feito. Ganhou a música “Contabilidade” que, fora o conceito interessante da letra, não empolgou. Defendida pela dupla Danilo Moraes e Ricardo Teperman com apenas dois violões, acompanhados por um tambor, “Contabilidade” surpreendentemente levou ainda o prêmio de melhor arranjo.

A interpretação de Ceumar para “Achou!” (de Dante Ozetti e Luis Tatit), foi a única música capaz de levantar as pessoas das cadeiras — e também a canção com maior potencial de provocar a histeria coletiva que, aparentemente, se esperava ressucitar. “Achou!” é praticamente um clichê do que deveria ser uma “música de festival”. Mesmo assim, ficou em segundo lugar.

É de se pensar que tipo de recepção provocariam artistas como Mr. Catra, uma aparelhagem de tecno brega do Pará, DJ Dolores, Mombojó ou mesmo os deturpadores da sacrossanta bossa nova, Bossacucanova e Zuco 103. A entrevista de Inezita Barroso, num dos intervalos do programa, dá a pista. Ela bradou, “Viva os compositores que não estão alterando nossos ritmos! Viva o samba! Viva a valsa!”.

Os exemplos, ironicamente, são perfeitos. Os dois gêneros, citados como genuinamente brasileiros — nesse conceito podre de geração espontânea de ritmos — não poderiam servir melhor para ilustrar justamente o contrário: que a riqueza da música brasileira é feita exatamente disso, da quebra de conceitos e da miscigenação de estilos.

A MPB, sigla que deveria ser abrangente, virou um gênero, deixou de ser popular e se tornou erudita. É música para academia, para iniciados, de entendidos para entendidos. Nada contra a MPB. Simplesmente, num festival com o sub-título “a nova música do Brasil”, pareceu fora de lugar.

Ao contrário do que acontecia no auge dos festivais, essa música, hoje, não tem nenhuma conexão com as ruas, não dialoga com o público, ponto fundamental para afirmar sua condição de popular. Perdeu seu poder de comunicação com as massas. E sem a massa, não tem festival.