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julho 2014

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Transcultura #141: Chet Faker // Explosão estelar

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ChetFaker
foto: divulgação / via Facebook

Texto da semana retrasada da “Transcultura” (coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo) e que faltou republicar aqui:

A múltipla personalidade de Chet Faker
Misturando palavras e sonoridades, o cantor australiano lança intrigante disco de estreia

por Bruno Natal

“Sou James Murphy, Nicholas James Murphy”, poderia se apresentar Chet Faker para um desconhecido. E ele precisaria mesmo se apresentar, pois é fácil fazer confusão com os “nomes” do cantor e compositor australiano, o de origem e o artístico. Além de o primeiro ser parecido com o de James Murphy, cabeça do LCD Soundsystem e da gravadora DFA, ainda há o trocadilho do segundo com o do lendário trompetista de jazz Chet Baker.

Quando esteve nas páginas da Transcultura em 2011, a reboque do seu hit de estreia, uma versão manhosa para “No diggity”, sucesso do grupo Blackstreet em 1996, ele explicou assim sua “homenagem”: “Chet Baker é o James Dean do jazz, muito talentoso, porém mais interessado em manter a fama de bad boy do que em tocar trompete. O nome é para me lembrar de fazer uma música que atenda a uma imagem, o que é uma piada para mim mesmo. Sou fã de música orgânica e sem amarras. Iniciar um projeto com o objetivo oposto soa um pouco falso pra mim, por isso o ‘faker’ (fingido)”.

Na prática — como mostra seu disco de estreia, “Built on glass” — essa sonoridade se aproxima bastante de outro James: o Blake. As influências de r&b, os reverbs nos vocais, as camas de sintetizadores e os loops eletrônicos estão presentes nos trabalhos de ambos. No entanto, apenas a primeira metade das faixas do álbum de Faker podem ser enquadradas nessa comparação. Caso de “No advice (Airport version)”, por exemplo. Já “Talk is cheap”, música escolhida pra ganhar clipe e puxar a divulgacão, lembra mesmo sua versão de “No diggity”. A segunda parte do disco se arrisca por batidas de pista, como em “1998”, e é quando o trabalho perde um pouco do frescor.

Faker regravou “Built on glass” duas vezes antes de considerá-lo pronto. Isso significa que ele gravou o disco, não gostou, tentou de novo, ainda não gostou e só se satisfez na terceira fez. É o tipo de perfeccionismo que se traduz mais na busca por uma linguagem pessoal do que propriamente na produção, sempre muito boa.

A virada entre os lados A e B do disco se dá com a vinheta “/”, de 19 segundos, com estalidos de vinil e uma voz convidando para relaxar um pouco mais e curtir o restante das músicas. O resultado dessa busca é um disco que mantém sua unidade, mesmo que varie entre batidas de pista, experimentações vocais e até música tema de casal da novela (a lindeza “To me”, marcada por um grave pulsante, rasgado por um sample de sax e contratempos fazendo sutis variações).

Apresentado-se sozinho no palco durante o recente festival SxSW, nos Estados Unidos, essa escolha faz mais sentido. Dividindo-se entre os vocais, Rhodes, pads para disparar os loops e uma mesa de efeitos, ao vivo Faker amacia a plateia com as baladas e chapações da primeira metade do disco para depois acelerar e partir pra festa. A estratégia funciona, e é admirável a sutileza com que a transição se dá, característica que marca também algumas de suas músicas.

Com apenas um disco cheio e um EP lançados, o australiano — mais um na cada vez mais longa linhagem de artistas e bandas saindo de lá para o mundo, incluindo Tame Impala e Jagwar Ma — está apenas começando. Marque esse nome para não se confundir.

Tchequirau

A NASA divulgou um vídeo captado pelo telescópio Hubble registrando a explosão de uma estrela a 20 mil anos luz de distância da Terra. Condensado em apenas 50 segundos, as imagens do vídeo aconteceram ao longo de quatro anos. Coisa linda de se ver.

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