segunda-feira

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janeiro 2013

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Transcultura #103: Botafogo alternativo // Ravi Shankar

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foto: PartyBusters

Primeiro texto de 2013 na “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Comuna cria point alternativo em Botafogo
Espaço está aberto há um ano e foi recém-reformado
por Bruno Natal

Numa madrugada qualquer, nas mesas de plástico espalhadas pelas calçadas em frente ao bar Alfa, alguns corajosos sentam-se na esquina, desafiando a sorte em um cruzamento muito movimentado. Casais se beijam como se estivessem sozinhos, enquanto várias pessoas jogam papo fora e cerveja pra dentro. Esqueça o Baixo Gávea ou o Baixo Botafogo. Cercado de galpões e oficinas que lembram mais uma zona industrial, em pouco tempo o trecho da Rua Sorocaba a partir da esquina com a Mena Barreto tornou-se um dos pedaços de chão mais significativos da noite alternativa carioca.

Tal qual uma versão reduzida de um quarteirão de bairros alternativos como Brooklyn (Nova York), Shoreditch (Londres) ou Kreuzberg (Berlim), o lugar transformou-se em ponto de encontro depois da inauguração da Comuna, há pouco mais de um ano, espaço que faz as vezes de bar, galeria e oficina de arte, boate, loja de roupas, restaurante e o que mais seus integrantes estiverem pensando. SILVA, Mahmundi, Dorgas e outras bandas e artistas fizeram seus primeiros shows na casa, que passou por uma reforma no fim do ano passado.

— A Comuna surgiu com o Palaflou, evento gratuito que fazíamos num restaurante em Botafogo e chamávamos de pós-praia-pré-night, com exposições de artistas amigos — explica Bruno Americano, um dos coordenadores do espaço, junto com Duda Pedreira, Marcelo Costa, Gabriel Cabral, Felipe Norkus, Julio Parente, Tatiana Fernandes, Luiz Farme Damoedo, Marcela Ceribelli, Barbara Rosalinski “e outros muitos”, mantendo o espírito comunitário do nome. — A proposta era ser um encontro divertido que gerasse novos encontros entre pessoas, ideias e projetos. Deu certo, e resolvemos expandir para um estabelecimento com funcionamento diário.

Os tipos atraídos para o encontro entre o bar Alfa e a Comuna fazem lembrar a calçada em frente à Bunker 94, na Rua Raul Pompeia, em Copacabana, nos anos 1990, quando muita gente passava a noite inteira no boteco Bem Estar, espremido entre o Mariuzinn e a Le Boy, vendo o vai e vem das figuras. Outra referência lembrada, essa mais recente, são as noitadas do Club 69, em Ipanema. Com a reforma, a Comuna melhorou estrutura elétrica, pisos e cozinha, podendo funcionar como restaurante, café e bar.

— A repercussão positiva que tivemos até agora é muito por conta da falta de opções do Rio, o que pra gente, como cariocas, não é bom. Queremos ver mais lugares fomentando cultura, feitos por pessoas que acreditam e querem ocupar a cidade — diz Bruno.

Mudanças nas redondezas, até agora, foram poucas. Afinal, a especulação imobiliária que assola a cidade já havia dado as caras pela área bem antes de a Comuna se estabelecer. Mesmo assim, os fundadores não se preocupam, dizem que, se precisar, mudam de lugar. Não seria uma mudança fácil. O espaço tem muitas vantagens.

— Botafogo é central, na Zona Sul, perto de vários bairros. Tem um clima diferente, menos pretensioso. Quando escolhemos a casa, queríamos algo por essas redondezas. Demos sorte de achar. A relação com os vizinhos é ótima. O Alfa é um barzinho aonde sempre vamos e que ajuda a movimentar a rua. O Cabidinho, ali perto, é uma larica ótima. Temos uma parceria bacana com o Meza Bar e nos amarramos no Audio Rebel. Esperamos em breve começar a contribuir de outras formas para a redondeza.

Tchequirau

Lá se foi Ravi Shankar. 2012 segue implacável. Sua música fica, ainda bem. É bom saber que sempre que precisar acalmar a mente, de onde estiver o Pandit poderá ajudar. Lembre-se disso.

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