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segunda-feira

18

fevereiro 2013

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Transcultura #106: Vincent Moon etnográfico // The Pirate Bay doc

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foto: Christian Ghezzi / divulgação

Meu texto da semana passada da “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo:

O outro lado de Vincent Moon: mostra etnográfica no Rio
por Bruno Natal

Conhecido pelas “Take away sessions”, série de curtas com algumas das bandas mais adoradas da atualidade (Phoenix, Yo La Tengo, Animal Collective, Arcade Fire, Bon Iver e diversas outras) que dirigiu para a página francesa La Blogothèque e cuja estética foi copiada mundo afora, o francês Mathieu Saura, mais conhecido como Vincent Moon, afastou-se do rock. Em sua segunda visita à cidade, onde aproveitou para filmar o carnaval, Moon, que já foi personagem de matéria aqui na Transcultura, escolheu curtas mais recentes, desde que virou suas lentes para assuntos de cunho etnográfico, para uma mostra na Maison de France, que acontece na segunda-feira, 18 de fevereiro, a partir das 18h.

— É muito bom estar na cidade durante o carnaval. Estava com medo de estar exausto, vindo direto do Chile, onde finalizei um filme sobre música popular. Mas encontrei o ritmo e consegui fazer ao menos um ótimo filme, acompanhando os bate-bolas da Zona Oeste — conta ele.
O novo filme não fará parte da mostra, intitulada “Projeções comentadas de Vincent Moon”, que traz uma ótima oportunidade de ver no cinema registros pouco usuais assinados por ele.

— Será uma sessão dupla, focada na nova música da Indonésia, Etiópia, Rússia, assim como velhas tradições, xamanismo, transes de todas as partes do planeta. A intenção é construir uma ponte entre os avós e seus netos e como eles podem se comunicar — diz.

Em sua página no Vimeo (vimeo.com/vincentmoon) dá para ver alguns do novos vídeos e perceber a mudança de rumo.

— A mudança foi bastante instintiva. Viajando por lugares desconhecidos para mim, fui ficando mais e mais obcecado com a ideia de ir mais a fundo nessas culturas e até descobrindo aspectos que meus amigos locais ignoravam. Tornou-se uma maneira fabulosa de entender o mundo além do reino da música — conta Moon. — Ao mesmo tempo, é também sobre tentar encontrar de onde vem a música, em sua forma mais antiga. E também sobre como abordar essas culturas hoje em dia, como representá-las visualmente e como isso pode impactar a percepção das gerações mais novas.

Após ter filmado tantos nomes do rock, Moon poderia ter cansado do assunto. Mas ele garante que não.

— Cansado, não. É muito exaustivo, pois faço isso tudo praticamente sem dinheiro, mas vivo uma vida bem confortável. Ainda gosto das bandas, no sentido de que mantenho os ouvidos abertos para o que as novas gerações estão fazendo com suas raízes, como as misturam, levam para outros lugares, que novos híbridos vemos atualmente, quais são as novas tradições.

A música, garante ele, continua sendo o personagem central do seu trabalho.

— A música está em toda parte, mas não quero dizer que ouvimos músicas nas ruas o tempo todo. É apenas questão de mudar de perspectiva e ouvir o próprio mundo, e tudo tem som. Tenho interesse em como o mundo soa, chamem isso de música ou não.

Tchequirau

Saiu o documentário sobre o processo que sofrem os três fundadores do The Pirate Bay, maior agregador de torrents do mundo. Chamado “TPB AFK”, a sigla significa “ThePirate Bay Away From the Keyboard” (The Pirate Bay, longe do teclado) e é o mote do filme, que mostra que a vida online é tão real quanto a offline. Dá pra comprar ou baixar o torrent em watch.tpbafk.tv e pra assistir no YouTube.

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segunda-feira

28

janeiro 2013

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Transcultura #105: CESRV // Facecarente

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Meu texto da semana passada da “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo, sobre a estreia do produtor CESRV no Rio:

A vez de uma outra pedrada musical
por Bruno Natal

A festa Só Pedrada Musical cresceu e, neste ano, vai sair da Comuna para o Studio RJ, onde há mais espaço para a quantidade de gente que tem acompanhado as sessões. Mas os fãs do hip-hop e do astral caseiro do sobrado de Botafogo não precisam ficar desconsolados. O DJ Tamempi preparou outra festa para continuar tocando na Comuna. É a Sound Proof, que será “voltada para sons modernos e esquisitos”, nas palavras do DJ, que dividirá os toca-discos com o também residente DJ Castro. Por “esquisito”, entenda-se hip-hop instrumental, glitch, dubstep, trap, IDM etc. A festa receberá sempre convidados, e Akin, Soul One, Psilosamples e Verkr estão na lista.

Para a primeira edição, que acontece hoje, o convidado é o produtor paulista CESRV, tocando pela primeira vez no Rio e apresentando seu novo EP, “Chances”, ao vivo. Músico fascinado por estúdios, César Pierri, 27, começou no hardcore e trabalhou com trilhas sonoras antes de montar a banda de acid jazz Grooverdose. Hoje focado nas batidas do projeto eletrônico solo, César já lançou três EPs e tem tocado nas principais festas de hip-hop de São Paulo. As misturas vêm de longe.

— O hardcore foi algo muito natural na minha adolescência, sempre tive amigos músicos, meu pai é músico. Ouvir riff pesados, paredes de guitarras, foi algo que me influenciou muito na infância — lembra César.

O produtor também não enxerga tanta distância entre o hardcore e o rap, e aposta na parte instrumental do hip-hop:

— Comecei a resgatar coisas que eu ouvia no fim dos anos 1990, começo dos 2000, como DJ Shadow, DJ Krush, RJD2 e essa onda experimental, a maioria das vezes instrumental, que alguns definem como trip-hop. É uma vertente muito mais musical do que o hip-hop comercial que domina as rádios, onde o foco está sempre no MC e nunca na música.

César não se considera apenas um produtor de hip-hop. Entre muitas outras influências, ele cita a bass music:

— Temos uma cena bem difundida de bass music, que criamos com nossas próprias mãos, como é feito no hardcore. O espírito D.I.Y. (do it yourself) continua o mesmo, os beats continuam pesados, as festas continuam sendo independentes e as pessoas continuam saindo delas com algo para pensar, então creio que ainda existe muito do hardcore nas pessoas que estão envolvidas comigo nesse novo movimento.

O próprio nome do projeto reflete isso, como se uma pancada de grave tivesse embaralhado as letras do nome do produtor.

— CESRV é um glitch do meu próprio nome, traduz toda a minha intenção de experimentar coisas não tradicionais — diz ele, que faz parte do coletivo Low Hertz Colab, que diz ser responsável por “difundir a bass music para mentes com vontade de novas possibilidades”.

Para a estreia do CESRV no Rio, César vai mixar suas faixas abertas a partir de um laptop rodando no Ableton Live, uma das opções mais utilizadas atualmente. Isso possibilita intervenções infinitas sobre o material pré-gravado. Recentemente, o EP que lançou em dezembro de 2012, “Chances”, esteve em destaque na primeira página do Bandcamp.

— Nunca pensei que um dia iria tocar minhas próprias músicas para um público tão bom quanto esse que construímos — diz ele. — Nunca achei que alguém se interessaria pelos beats que fazia por lazer, entre um trabalho e outro. Nunca achei que algum gringo fosse ouvir minha música e achá-la relevante. Sempre fiz isso por amor e diversão. O simples fato de estar conseguindo levar isso a outras mentes já é algo alucinante.

Tchequirau

“Como está se sentindo?”. É, o Facebook anda carente… facecarente.tumblr.com

quinta-feira

10

janeiro 2013

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segunda-feira

7

janeiro 2013

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Transcultura #103: Botafogo alternativo // Ravi Shankar

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foto: PartyBusters

Primeiro texto de 2013 na “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Comuna cria point alternativo em Botafogo
Espaço está aberto há um ano e foi recém-reformado
por Bruno Natal

Numa madrugada qualquer, nas mesas de plástico espalhadas pelas calçadas em frente ao bar Alfa, alguns corajosos sentam-se na esquina, desafiando a sorte em um cruzamento muito movimentado. Casais se beijam como se estivessem sozinhos, enquanto várias pessoas jogam papo fora e cerveja pra dentro. Esqueça o Baixo Gávea ou o Baixo Botafogo. Cercado de galpões e oficinas que lembram mais uma zona industrial, em pouco tempo o trecho da Rua Sorocaba a partir da esquina com a Mena Barreto tornou-se um dos pedaços de chão mais significativos da noite alternativa carioca.

Tal qual uma versão reduzida de um quarteirão de bairros alternativos como Brooklyn (Nova York), Shoreditch (Londres) ou Kreuzberg (Berlim), o lugar transformou-se em ponto de encontro depois da inauguração da Comuna, há pouco mais de um ano, espaço que faz as vezes de bar, galeria e oficina de arte, boate, loja de roupas, restaurante e o que mais seus integrantes estiverem pensando. SILVA, Mahmundi, Dorgas e outras bandas e artistas fizeram seus primeiros shows na casa, que passou por uma reforma no fim do ano passado.

— A Comuna surgiu com o Palaflou, evento gratuito que fazíamos num restaurante em Botafogo e chamávamos de pós-praia-pré-night, com exposições de artistas amigos — explica Bruno Americano, um dos coordenadores do espaço, junto com Duda Pedreira, Marcelo Costa, Gabriel Cabral, Felipe Norkus, Julio Parente, Tatiana Fernandes, Luiz Farme Damoedo, Marcela Ceribelli, Barbara Rosalinski “e outros muitos”, mantendo o espírito comunitário do nome. — A proposta era ser um encontro divertido que gerasse novos encontros entre pessoas, ideias e projetos. Deu certo, e resolvemos expandir para um estabelecimento com funcionamento diário.

Os tipos atraídos para o encontro entre o bar Alfa e a Comuna fazem lembrar a calçada em frente à Bunker 94, na Rua Raul Pompeia, em Copacabana, nos anos 1990, quando muita gente passava a noite inteira no boteco Bem Estar, espremido entre o Mariuzinn e a Le Boy, vendo o vai e vem das figuras. Outra referência lembrada, essa mais recente, são as noitadas do Club 69, em Ipanema. Com a reforma, a Comuna melhorou estrutura elétrica, pisos e cozinha, podendo funcionar como restaurante, café e bar.

— A repercussão positiva que tivemos até agora é muito por conta da falta de opções do Rio, o que pra gente, como cariocas, não é bom. Queremos ver mais lugares fomentando cultura, feitos por pessoas que acreditam e querem ocupar a cidade — diz Bruno.

Mudanças nas redondezas, até agora, foram poucas. Afinal, a especulação imobiliária que assola a cidade já havia dado as caras pela área bem antes de a Comuna se estabelecer. Mesmo assim, os fundadores não se preocupam, dizem que, se precisar, mudam de lugar. Não seria uma mudança fácil. O espaço tem muitas vantagens.

— Botafogo é central, na Zona Sul, perto de vários bairros. Tem um clima diferente, menos pretensioso. Quando escolhemos a casa, queríamos algo por essas redondezas. Demos sorte de achar. A relação com os vizinhos é ótima. O Alfa é um barzinho aonde sempre vamos e que ajuda a movimentar a rua. O Cabidinho, ali perto, é uma larica ótima. Temos uma parceria bacana com o Meza Bar e nos amarramos no Audio Rebel. Esperamos em breve começar a contribuir de outras formas para a redondeza.

Tchequirau

Lá se foi Ravi Shankar. 2012 segue implacável. Sua música fica, ainda bem. É bom saber que sempre que precisar acalmar a mente, de onde estiver o Pandit poderá ajudar. Lembre-se disso.

sábado

8

dezembro 2012

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Comuna e Alfa, um acidente geográfico em Botafogo

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foto: Rio Show

Tava naquele boteco em frente a Comuna ontem – o Alfa, no qual quem senta nas mesas da esquina é um suicida em potencial, que confia demais na sorte ou nunca conversou com um taxista – pensando como aquela situação urbana é praticamente um acidente geográfico.

Uma grande extensão de uma rua Botafogo sem prédios residenciais (a Sorocaba), alguns galpões e casebres que mais se assemelham a zona industrial de Olaria, um pé-sujo perdido no nada, uma casa que era um cassino antes de ser revitalizado pela saudosa Calzone (é gente, tudo acaba…). O Shoreditch/Brooklyn/Kreuzberg carioca tem um quarteirão. Era um pico esperando pra acontecer. Até que aconteceu.

O boteco fica lotado, a molecada se pega debaixo dos holofotes como se estivesse num quarto escuro, uma fumaceira de todos modelos, mistura de tipos, alguns pulam direto pra dentro da Comuna, outros nunca entram. Democrático. Só falta o Mothafucka Ice Cream. E torcer para ambulantes não cagarem o esquema.

Achava que era o Fosfobox, mas né não. É aquele pedaço de terra que está herdando o espírito das redondezas da Bunker (a página é do Orkut!), em versão reduzida (teria que ser menos Zona Sul, concordo, antes que digam).

* Originalmente publicado na página do URBe no FB, segundo texto que escrevo direto lá.

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