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domingo

4

março 2012

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A estrela do SILVA

Written by , Posted in Destaque, Música, Resenhas

Em sua estreia nos palcos, o SILVA teve que enfrentar uma sequência de dificuldades: o bacana Comuna não é uma casa de shows; o calor abissal no ambiente fez com que boa parte das mais de 100 pessoas saíssem antes do fim; e, mais do que qualquer coisa, a missão de entreter a platéia por tempo o suficiente para justificar o caro ingresso de R$30 tendo apenas um EP de cinco músicas para apresentar.

O capixaba Lúcio Souza superou a tarefa ingrata graças as boas músicas de um dos melhores lançamentos de 2011. As poucas músicas do EP – mais três inéditas que devem fazer parte de um próximo EP, antes do primeiro disco sair –  foram cantadas por um público composto basicamente por fãs de primeira hora (com “ôôôs” à la Arcade Fire, guardadas as proporções) , felizes de estar vendo o artista iniciar sua carreira.

A transposição para o formato ao vivo de gravações contemplativas, mais confortáveis num par de fones do que em grandes caixas de som, funcionou, ainda que prejudicada pelo PA tímido (o grave não saía). Tocando teclado na maior parte do tempo (além de guitarra e violino em duas músicas), Lúcio montou uma banda (baixo, bateria/programação e outro tecladista/efeitos), encorpando o som.

Nesse ponto o espaço diminuto do Comuna colaborou. As músicas podem ser chapadas demais para segurar um show mais longo em um lugar maior com esses arranjos – como as três mil pessoas esperadas no palco do Sónar SP em que o SILVA se apresentará. Mesmo de andamentos lentos, as músicas do EP tem elementos dançantes. Pode ser o caso de explorar e alongar esses momentos, para ajudar a dar mais dinâmica.

Ao final das oito canções o público pediu mais. O aviso de Lúcio de que não havia mais o que tocar foi recebido aos gritos de “repete!”, prontamente atendido. Exatamente como aconteceu com o curto EP, assim que acabou deu vontade de ouvir outra vez. O show poderia ter sido tocado novamente na íntegra que as pessoas não iriam achar ruim.

O “menos é mais” se provou uma boa estratégia. Num tempo em que as bandas só faltam oferecer as calças pro público, SILVA deixou todos na vontade, no EP e no show. Agora é a aproveitar e suprir as altas expectativas com os próximos lançamentos, para enfim se poder afirmar não se tratar de só mais um Silva que a estrela não brilha. É com ele.

Pra quem perdeu, hoje (domingo), tem um segundo show, de novo no Comuna.

sexta-feira

2

março 2012

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quinta-feira

5

janeiro 2012

27

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Melhores discos nacionais de 2011

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Ao contrário de 2010, em 2011 sobrou música nova – e mais importante – vindas de artistas novos. Muitos nomes surgindo, e nesse top 10 tem banda que entrou pelo conjunto de músicas avulsas que soltou ao longo do ano. Renovação é sempre muito bom.

Lista é lista, sempre complicado hierarquizar música, então a ordem está mais baseada na quantidade de vezes que ouvi cada disco.

Diga nos comentários o que você ouviu e gostou em 2011, pra conversa (e a troca de dicas) continuar.

–-
10.

Cícero, “Canções de Apartamento”

9.

Criolo, “Nó Na Orelha”

8.

Kassin, “Sonhando Devagar”

7.

Marcelo Camelo, “Toque Dela”

6.

Autoramas, “Música Crocante”

5.

Bixiga 70, “Bixiga 70”

4.

Dorgas, “Loxhanxha” + “Dito Antes” e “Fez-se cristo” + “Grangongon”

3.

Chico Buarque, “Chico”

2.

Silva, “SILVA”

1.

Wado, “Samba 808”

Bônus: outros bons discos de 2011 que merecem ser escutados.

Burro Morto, “Baptista Virou Máquina”

Pipo Pegoraro, “Taxi Imã”

Pélico, “Que Isso Fique Entre Nós”

Me & The Plant, The Romantic Journeys of Pollen”

Domenico, “Cine Privê”

Gui Amabis, “Memórias Luso/Africanas”

Faria & Mori, “Faria & Mori”

Karina Buhr, “Longe de Onde”

E esse ano pode ser a vez do doo doo doo, Sobre a Máquina e Labrador, que já botaram a cara pra fora em 2011. Vamos ver o que aprontam.

segunda-feira

24

outubro 2011

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Transcultura # 063: SILVA // Wado

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Meu texto da semana passada da coluna “Transcultura”, que publico todas as sextas no jornal O Globo:

O doce embalo do SILVA
por Bruno Natal

Esses dias, um EP surgiu na rede e logo chamou atenção. Entitulado apenas “SILVA”, assim mesmo, com tudo em maiúsculas, o link se espalhou pelas redes sociais e a notícia estava dada: tem um artista novo na praça. O nome por trás das faixas é o capixaba Lúcio Souza, 23, terminando a faculdade de violino. As referências eruditas param por aí. As sonoridade mais próximas do lo-fi feito por bandas como Youth Lagoon, Toro Y Moi e El Guincho, música contemplativa, de batidas eletrônicas discretas, pra espreguiçar, e letras em português remetendo a Los Hermanos e Moreno Veloso.

Latest tracks by SILVΑ

– Inicialmente queria um som seco e orgânico, mas aos poucos fui descobrindo um movimento eletrônico com vocal que me agradou bastante. Estava ouvindo o que está rolando na música de vários lugares e quis contextualizar minha música, fazer um som que escapasse um pouco do que eu estava acostumado a ouvir em português. Nessa era da internet não é muito fácil citar todas as influências. Ultimamente tenho ouvido muito os lançamentos da Hemlock, sou fã do Kanye West, gosto de El Guincho, Andrew Bird, gosto da Céu. Gosto de ouvir tantas coisas que não conseguiria apontar uma raíz – explica o Lúcio.

Produzido pelo amigo Lucas Paiva, o disco levou 5 meses pra ficar pronto e todos os instrumentos foram gravados pelo próprio Lúcio, tirando algumas participações. A masterização foi feita por Matt Colton, responsável pelo disco do James Blake.

– Gravei com os instrumentos que tinha em casa: violino, piano, piano elétrico, guitarra, surdo, caixa, sintetizador. O Paiva criou um dos riffs de “Cansei” e em “Acidental”, criou vários elementos e aquele clima embaçado da música. Também convidei um trompetista para gravar as linhas de sopro de “12 de maio”. O EP foi gravado em três lugares diferentes, no Visom, na minha casa e no Costa Brava (casa do Paiva, que co-produziu e mixou o trabalho). Eu toquei o que podia, o Paiva tocou uns synths e só. Eu e o Paiva já gostávamos do trabalho do Matt Colton com o Sandwell District, Frozen Border, Horizontal Ground e alguns trabalhos da cena eletrônica da Europa. O Matt trabalha muito bem com o grave e a intenção era fazer o disco soar assim – lista.

Antes desse projeto, Lúcio já havia tido outras bandas, claro. A experiência mais marcante foi como músico nas ruas da Irlanda, em 2009.

– Cheguei em Dublin no auge da crise econômica e aquele foi o trabalho que apareceu e me sustentou. As pessoas de lá conheciam a banda que tocava na Grafton Street todos os dias. Depois vieram os pubs e os festivais de música independente que acontecem por lá. Acho que isso mudou bastante a minha cabeça musical, antes eu nem pensava em usar meu violino no meu som. A banda tocava uma mistura de blues, r&b, disco e cada um era de um país diferente.

A experiência de gravar sozinho foi produtiva, porém Lúcio está montando uma banda para poder levar o SILVA para os palcos e finalmente interagir com parceiros musicais.

– Fazer sozinho é bem solitário, mas foi a forma que arrumei de fazer o som que me vinha à cabeça. Não consegui achar pessoas próximas a mim que estivessem dispostas a gastar tempo com as músicas. Meus amigos da faculdade são daqueles que lêem partituras como ninguém, mas não conseguem criar um riff de guitarra sequer. Também tenho amigos que tocam muito bem seus instrumentos, mas não têm paciência de investir na idéia. Para fazer todos os arranjos do disco no palco, teria que chamar pelo menos umas seis pessoas. Quero fechar com quatro, mudar alguma coisa ou outra e deixar tudo bem verdadeiro. Estou tentando preencher os vazios com pessoas que tenho conhecido ao longo do caminho.

Tchequirau

Nasceu o disco do Wado. “Samba 808” passa muito bem, tem dez músicas e participações de Marcelo Camelo, Curumin, entre outros, e pode ser visitado (e adotado) em wado.com.br

sexta-feira

7

outubro 2011

5

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Silva, "Silva" (EP)

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Nas últimas horas recebi o link desse EP do Andre Paste, do Rafael Salim, saiu no Party Busters… Das duas uma: ou esse capixaba Lúcio Silva de Souza é muito bem relacionado ou o som é bem bom. Ouça e decida. Na primeira orelhada, “SILVA” soou como se o Los Hermanos (ou só o Camelo) tivessem surgido em 2011 através de um Moreno Veloso morando em Londres e fazendo post-dubstep e chillwave – isso é pra ser um elogio, viu.

SILVA by silvasilva