rodrigo hermann Archive

sexta-feira

4

janeiro 2013

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SS Coachella na Jamaica

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James Murphy se prepara pra tocar

Colaborador costumaz do URBe, Rodrigo Hermann esteve a bordo do SS Coachella e conta como foi o primeiro cruzeiro promovido pelo festival californiano, saindo da Flórida para Jamaica (como ele mora em Seatlle, mesmo sendo letrado aboliu os acentos de sua vida):

Entenda o clima…

No gramado do navio, Grimes cantava números de um bingo e em caso de empate o vencedor era escolhido na base da dança.
Na boate do barco, Gaslamp Killer destruía a pista e o sistema de som enquanto as meninas do Warpaint dançavam do meu lado.
No bar da piscina, Nick Offer (vocalista do !!!) limpava o chao com água mineral e distribuia frutas praqueles que dançavam a mais de 8 horas consecutivas.
Duvida?

O ambiente do SS Coachella Jamaica foi todo nesse esquema. Quatro dias de artistas misturados com o público, shows intimistas e de ridiculo acesso, mordomia mor de cruzeiro com cama, comida e bebida liberada e eventos surreais como uma apresentação de Power Point feita pelo Jarvis Cocker.

Começamos bem, o cruzeiro zarpou em direção à Jamaica acompanhado de um DJ Set surpresa do James Murphy na piscina. Ele pegou leve colocando a galera pra balançar a cabeça aos poucos enquanto o por do sol baixava no oceano. Seu DJ set mais pesado viria numa madrugada 2 dias depois, claro claro, porque uma das grandes vantagens dessa história de cruzeiro é ter a chance de assistir seu artista preferido mais de uma vez.

Como todo Coachella o número de atrações é grande demais, e falar um por um nao só deixa essa resenha chata como tambem mostra que eu nao tenho cacife pra escrever a respeito de boa parte das bandas. Sendo assim, com sorte eu consigo escrever e te passar um pouco do que foi uma das melhores experiencias da minha vida.

Cloud Nothings e Grimes fizeram um bonito no primeiro dia no Sky Lounge (palco secundário), mas o primeiro a quase afundar o barco colocando todo mundo pra dançar em cima das cadeiras foi o Pulp no teatro principal. Eu que assisti o show no Coachella passado garanto, foi melhor, muito melhor, foi tipo isso:

Caiu a ficha?

Com uma piscininha e cerveja antes do almoço o segundo dia começa devagar. Chegando um pouco mais perto dá pra reparar que a faixa etária subiu um pouco e beira os 28. Varios casais e grupos pequenos de amigos procuram cadeiras ao sol pra curar a ressaca, já a outra metade parte pro ataque e inicia os trabalhos puxando conversas cheias de interesse e especulando quem era a dona do sutiã que Jarvis Cocker segurou logo antes de cantar Underwear.

A primeira supresa dessa vez aparece na grama com um tal de Bar Mar Superstar. Me chame de ignorante, mas eu nao fazia ideia de quem era, nem no line-up o cara aparecia. O fato é que ele arregalou meus olhos de ressaca, até pq o acompanhando na bateria estava Joshua Tilman, vocalista do Father John Misty e provavelmente o sujeito mais rockstar do barco.

Sigo no segundo dia com Tokimonsta, mais um show da Grimes (pior que o primeiro por conta de um enjoo), Hot Chip fazendo o feijao com arroz porrada de sempre e no fim um combo na pista de dança com James Murphy e DJ Harvey, dessa vez sim, colocando a pista em peso pra dançar. Minha noite ainda se arrastou até as 5 da manha com direito a um outro DJ set surpresa da Grimes metendo n referencias pops (Britney e Katy Perry inclusas). Pesado foi acordar cedo e desembarcar na Jamaica.

Não estamos falando de Kingston. O programa é um passeio turistico ok de poucas horas. De qualquer jeito algumas boas notícias: primeiro a minha ressaca passou no momento que eu dei um mergulho no mar do caribe; segundo, o passeio melhorou ao ver que eu estava acompanhado de toda a corja do Sleigh Bells; terceiro, e provavelmente mais im portante, numa mesa redonda com os bam bam bams do Coachella eles avisaram que adorariam que o cruzeiro passasse mais alguns dias na Jamaica, dando tempo pros embarcados rodarem por Kingston e ter uma visao melhor da Jamaica. Quem sabe no próximo? Fora isso a mesa ainda liberou que o próximo Coachella terá uma nova tenda, voltada mais a um eletronico experimental, bem longe do esquema Sahara.

Mas calma que no terceiro dia tem show também. Assim que o barco despontou de volta à Miami eu assisti na sequencia Father John Misty, Warpaint, Yeasayer e Black Lips.

Father John Misty foi um primor, Joshua Tilman canta muito e de quebra ainda tem uma senhora presença de palco quebrando pelo menos três tripés. Fez fácil um dos melhores shows do festival. Warpaint teve sérios problemas de som com a guitarra a ponto da Thereza largar o instrumento de lado e atuar como cheerleader durante pelo menos umas duas músicas. Yeasayer me mostrou o quanto eu sou ignorante por nunca ter prestado muita atenção neles e o Black Lips testou a infra estrutura do barco ao gerar um mosh pit ininterrupto de uma hora.

Como de costume o quarto dia começa devagar, mas em vez da piscina eu vou em direção a um Bloody Mary com as meninas do Warpaint, um bingo com a Grimes, um acustico com o Joshua Tilman (pedindo educadamente pra evitar videos já que tocaria músicas novas) e outro show do Bar Mar Superstar. Tudo parecia calmo, pausa pra janta e na volta Warpaint, dessa vez funcionando bonito seguido de Sleigh Bells soltando o grave no palco principal. Daí eu paro, respiro, olho em volta e quando vejo to numa sala pra umas 200 pessoas batendo bundinha com Warpaint ao som do Gaslamp Killer. Uma maravilha sem tamanho que infelizmente foi interrompido quando o sistema de som estourou. É, a porrada foi desse calibre.

Talvez tenha sido melhor assim, afinal me deu um tempo de passar no quarto, pegar um roupao e assistir de cima do palco o Girl Talk fechar o teatro principal. Loucura monstra. Público tao em extase que ao fim do show todos se abraçavam e cantavam Celine Dion.

Acabou? Nao. Teve pelo menos mais umas 6 horas de música pela frente. !!! entrou a meia noite no segundo palco, deu tudo o que podia e ainda chamou gente do Warpaint, Father John Misty e Yeasayer pra cantar This is Christmas, afinal, era Natal.

De lá quem ainda tinha energia dançou no bar da piscina até as seis da manha. E lá estou eu, virado de cansaço, vestindo um roupão, com Miami se aproximando, coreografando com Nick Offer, arrancando sorrisos da Emily Kokal, cantando Love Boat e pensando que esse tal de SS Coachella foi uma festa bem legal. Ano que vem eu volto.

Ano que vem tô lá também.

domingo

4

novembro 2012

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Cat Power cura suas loucuras em Seattle

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Cat Power

Cat Power anda confusa. Esses dias cancelou e em seguida reconfirmou sua turnê européia por “problemas financeiros e de saúde” (como deixar de trabalhar ajuda a parte financeira é difícil entender). O Rodrigo conferiu Chan Marshall em meio a dias turbulentos, em Seattle, e conta como foi:

Sabe aquele sábado que você sai pra jantar na esquina de casa sem pensar muito e do nada, duas horas depois, tem a Chan Marshall cantando no seu ouvido? Pois é, aconteceu comigo essa semana.

Quatro anos atrás encontrei com a Cat Power no mesmo endereço, nós dois bonitinhos de cabelo penteado e camisa pra dentro da calca. Eu na plateia quieto, dando todo o espaço do mundo pra ela colocar toda sua dor pra fora a cada estrofe, mas apesar de todos os seus perrengues, Chan tava lá, loirinha, bonitinha, angelical. Deixou saudade.

Hoje a história é bem diferente. Bastou eu aparecer sem avisar, comprando um ingresso minutos antes do show (impensável no universo sold-out the Seattle) pra ver a verdadeira face de Chan Marshall.

Num rock pesado de garagem a banda de abertura The Goat me fez conferir o ingresso, afinal, eles não tem nada em comum com a Cat Power que eu conheço. Haha, seu ingênuo.

Cat Power no palco, e o que um dia era uma bandinha comportada com uma loirinha encolhida se transformou numa banda dark e uma vocalista de jaqueta de couro e cabelo moicano.

Musica após musica ficava cada vez mais claro. Sintetizadores no fundo, guitarras arranhadas, duas baterias aumentando o peso do bumbo no meu ouvido. Chan encontrou novos amigos e finalmente conseguia colocar pra fora toda a dor que corre dentro dela.

Sei lá como explicar esse show, um rock industrial ancorado por uma voz blues absurda? Se você tiver chance de assistir faça um favor a si mesmo e vá, só não espere um encontro com a girl next door, a situacao agora é bem diferente, e pra melhor.

Tinha um papo de que ela estava a caminho do Brasil. Deve ter caído.

segunda-feira

7

maio 2012

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Willis Earl Beal em Seattle

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Willis Earl Beal @ The Barboza

O Rodrigo conferiu o Willis Earl Beal em Seattle e mandou o relato:

“Rolou uns dias de atraso e as paredes ainda cheiravam a tinta, mas finalmente a mais nova casa de show de Seattle foi inaugurada. The Barboza (com trocadilho) abriu no subsolo de outra famosa casa e me fez pensar que por aqui tem mais casa de show do que loja de sucos no Rio de Janeiro.

“Com uma lotação de 200 pessoas o foco são shows mais intimistas, e foi isso que Willis Earl Beal fez ao subir no palco. Quer dizer, primeiro ele mandou toda a social do fundo calar a boca. Fez efeito, mas criou um buraco entre ele e a plateia só contornado quando após a primeira música ele deixou claro: ‘Não sou grosseiro, só quero ser ouvido, como todo ser humano’.

“Foi fácil dar razão ao cara. Uma voz grave rasgada invejável e revezando entre uma guitarra e um gravador de fita ele cantava, suava, sofria sozinho no palco. Um Tom Waits ainda mais primata, ao ponto usar como percussão seu cinto batendo contra uma cadeira.

“O ambiente ficava tenso e Willis sabendo disso fazia piada entre as músicas. Depois de derrubar seu copo de cerveja alguém da plateia lhe pagou a segunda rodada, Willis agradeceu: ‘Obrigado! Cara, você parece o Drake’.

“O album ‘Acousmatic Sorcery’ tem uma qualidade de banheiro sujo e só traça um rascunho do que está por vir. Willis Earl Beal tem uma voz absurda, sabe onde pisa e ainda tem muito pra contar. Dificilmente encherá estádios, mas garanto que os que calarem a boca e escutarem o que ele tem a dizer não sairão arrependidos.”

Escute o disco de Willis inteiro. “Evening’s Kiss” é bem boa:

E confira uma apresentação ao vivo, em Los Angeles, no dia seguinte ao show que o Rodrigo foi.

quarta-feira

7

setembro 2011

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Warpaint, Broken Social Scene, Kills e mais no Bumbershoot 2011

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Correspondente do URBe em Seatlle, Rodrigo conta como foi esse festival cheio de bandas a caminho do Brasil:

Domingo na meiuca do feriado em Seattle e pra ficar melhor com um solzinho aconchegante. Lá fui eu aproveitar um dois dias floridos de shows no modesto mas eficaz Bumbershoot Festival. No cardápio: Mad Rad, Broken Social Scene, Tennis, Warpaint, Toro Y Moi e The Kills. Como de costume, festival q é festival nao se consegue ver tudo, e portanto fui obrigado a deixar Toro Y Moi de lado em busca de um lugar mais juntinho do duo do de Kills.

Eis o que rolou, por ordem de chegada:

Mad Rad

Pra quem nao sabe Mad Rad é um grupo de rappers braquelos de Seattle que fazem um certo barulho por letras pesadas acompanhadas de umas batidas eletrônicas q me lembram o minimalismo do Kraftwerk. Estranho, diferente e contagiante. Divertiu bem e serviu bastante pra começar o dia.

Broken Social Scene


O Main Stage costumava ser num campo aberto esquema Apoteose, mas dessa vez transferiram pra dentro do Key Arena, considerado como o pior estádio da NBA na época que Seattle ainda tinha time de basquete. Bom, o time se foi, mas o estádio continua a mesma porcaria. Com uma acustica péssima o show do BSC saiu todo distorcido ecoando por todos os lado. No fim ainda rolou um cover do Modest Mouse (q é de Seattle) com The World At Large, mas nao foi o suficiente pra me deixar empolgado.

Tennis

Volto pro sol sem ter a menor noção do que assistiria pela frente. Dou de cara com mais uma banda querendo ser o She & Him. Meus queridos, eu já assisti Beach House, Best Coast e sei lá quantas outras bandas tentando meter esse sonzinho retrô sunset, nunca colou. Em todos eles falta o charme da Zoey e principalmente a categoria do M. Ward. Mas vamos tirar dois pontos positivos nessa história: (1) as músicas anunciadas como novas eram absurdamente melhores, ou seja, pode vir coisa boa por aí. (2) A vocalista com seus cabelos cacheados me fez lembrar os bons tempos onde eu assistia Atração Fatal no Supercine e morria de medo da Glenn Close.

Warpaint


Agora sim. Sério. QUE BANDA É ESSA MEU DEUS! Se vc pode ir nesse show, faça um favor a si mesmo e vá! As músicas se alongando, o improviso tomando conta, as meninas sorrindo entre elas, o baixo certeiro ditando o ritmo enquanto a linha de frente das guitarras passeia. Undertow pode ser o hit bonitinho delas, mas ao vivo perde importâcia tamanha a quantidade de música boa. Melhor show do dia, daqueles q vc sai com gosto de quero mais e sai assinando qualquer registro pra fã clube.

Pois é, perdi o Toro Y Moi e tive q aturar o Shithole Surfers. O telão abusando dos filmes gore conseguiu ser engraçado por quase duas músicas. Ruim demais.

The Kills


Antes do show começar eu começo a me aproximar do palco procurando um lugar mais perto, surpresa supresa, sem esforço nenhum eu grudo na grade. A unica explicacao é q o povo em boa parte saiu em direção ao Main Stage pra assistir ao Wiz Khalifa. Ahh e on a side note, quem diabos é Macklemore? Nunca vi tanta menininha de 13 anos vestindo a mesma camiseta.
Anyway, voltando ao Kills, eu esperava algo mais pancada no esquema Sleigh Bells, com um grave estourado saltando por sobre a voz da vocalista. Ledo engano, o andamento é travado como nos álbuns, a guitarra do Jamie Hince reveza com a voz limpa e fenomenal da Alison. A performance dela é de outro mundo, eu ali na primeira fila deu vontade de chorar ao fim de The Last Goodbye. Bonito pra caceta e imperdível.


terça-feira

16

novembro 2010

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Of Montreal @ Seattle

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O Planeta Terra está chegando e o Of Montreal vem aí. Nosso correspondente em Seattle, Rodrigo, viu o show há duas semanas e conta como foi:

Voltei do show do Of Montreal, no Paramount, que é um lugar fenomenal, mas o som tava UM LIXO, os caras passaram o show inteiro saindo na porrada com os microfones e guitarras.

Agora, tirando o som, a empolgação e doidera dos caras é fora do padrão, rolou desde uma simples chuva de penas até o vocalista enrabando uma mulher vestida de porca. Crowd surfing do guitarrista foram dois, e eu perdi a conta do dos coreógrafos (ou sei lá o nome de quem fica dançando igual, fantasiado no palco).

Fora isso uma cena inédita na minha história de shows: guitarrista desce no meio da platéia e ajoelha, e com isso toda a comissão da frente da platía ajoelha junto! No fim todos pulam juntos quando a batida recomeça.

O bis foi um aburdo, com eles abrindo com “Thriller”, emendando “Wanna Be Starting Something”, do Michael Jackson.

Foi bom o show? Foi. Entrará pra história? Não. Culpa do som =(

ahhh e eu PS gigante: conhece a Janelle Monáe? Ela fez o show de abertura, canta pacas num som meio funk/soul com um sintetizador forte no fundo. Juro que teve uma hora que me senti assistindo uma coisa meio Jackson5 com Outkast.

Falta menos de uma semana para o show no Brasil.

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