Murcof e a performance na música eletrônica
Written by urbe, Posted in Destaque, Música, Resenhas
Um apresentação memorável deve se destacar em dois quesitos (ao menos): o musical, óbvio, e a performance. Ontem, Murcof sobrou na primeira parte na sua apresentação no Novas Frequências. Construções ambiente com arranjos de cordas sinteizadas, cortes, batidas tortas, é um recital de um homem só.
É aí que vem o problema. Por se tratar de apenas uma pessoa sentada de frente para o computador, a performance simplesmente não existe. É um problema recorrente quando se fala em apresentações de música eletrônica, uma reclamação que vem desde quando se começou a colocar os DJs em cima do palco, amplificado na era da música de laptop.
É como se estivesse ouvindo um disco em grupo – o que em parte é o desejo de Murcof, que queria ter se apresentado totalmente no escuro, sem aparecer. A sensibilidade ao montar os arranjos ao vivo, controlando os efeitos, entrada e saídas de cada canal, num fluxo contínuo de sons é perceptível. O que faz falta mesmo para quem assiste é ter algo para acompanhar, uma vez que é um show, não uma audição.
Talvez um telão com uma câmera mostrando o que se passa na tela (quem nunca colou vendo guitarristas ao vivo?) e o uso dos periféricos talvez enriquecesse a experiência Talvez não, apenas tirasse o foco da música, dos sons. E era com isso, e somente com isso, que Murcof estava preocupado. Essa parte ele entregou, com louvor.




