emilio domingos Archive

sexta-feira

23

junho 2017

0

COMMENTS

Doc trailer: “Deixa na Régua”

Written by , Posted in Sem categoria

“Deixa na Régua” sobre o tradicional corte de cabelo é o novo filme do Emílio Domingos, diretor do “A Batalha do Passinho” e “L.A.P.A.”

quarta-feira

5

outubro 2016

0

COMMENTS

3 Perguntas: Emilio Domingos, diretor do filme “Deixa Na Régua”

Written by , Posted in Destaque, Imagem

Emilio Domingos Deixa na Régua URBe

A assessoria do cineasta Emilio Domingos nos enviou essa mini-exclusiva sobre o seu trabalho mais recente, o longa-metragem “Deixa na Régua”, que aborda o cotidiano das barbearias da periferia do Rio de Janeiro, estreia domingo, 09 de outubro, no Festival do Rio.

URBe: Qual a relação entre o seu novo filme, ‘Deixa na Régua’, com o anterior ‘A Batalha do Passinho’?

Emilio Domingos: Quando estava filmando A Batalha Do Passinho, percebi que os dançarinos iam toda semana nos barbeiros de suas comunidades. Sexta feira era dia de barbeiro. Os cortes de cabelo eram muito detalhistas e muitas vezes tinham desenhos ou frases escritas na cabeça. Isso me instigou a conhecer os barbeiros e salões. Os salões ficavam lotados com filas de 15 pessoas, aquilo tornava o salão um espaço de conversas longas sobre os mais diversos temas. Tem gente que vai no salão só pra bater papo e nem corta o cabelo. Através da pesquisa conheci os personagens retratados no filme, que são barbeiros de muita popularidade em suas regiões, praticamente pop stars, e que ganham a vida trabalhando praticamente o dia inteiro para atender à crescente clientela.

URBe: Você esteve em bairros bem distintos do Rio para captar as imagens do longa. Como foi a aproximação com os personagens e em quanto tempo realizou a filmagem e produção?

Emilio Domingos: Sim, o filme foi realizado na Vila da Penha, no Morro da Caixa D’água e Piabetá. Alguns personagens eu conheci pelo facebook. Outros conheci na Batalha dos Barbeiros que surgiu após o início da minha pesquisa. Cheguei à gravar a primeira edição em São Gonçalo. Antes mesmo de lançar o Batalha do Passinho, eu já tinha interesse nesse assunto. No Batalha já existem cenas que acontecem no salão de barbeiro. O processo todo levou 4 anos. Com o passar do tempo fui ganhando intimidade e a parceria dos próprios barbeiros na realização das filmagens. A partir desse momento o trabalho fluiu melhor. A filmagem mesmo durou 6 meses durante o ano de 2015.

URBe: ‘Deixa na Régua’ faz parte de uma trilogia sobre o corpo. Explica melhor o que te motivou a realizar esta série de filmes.

Emilio Domingos: Não foi algo planejado. Um filme acabou me levando ao outro. Nessa série de filmes procuro retratar o corpo de uma forma comportamental. Primeiro foi a dança, com a Batalha do Passinho; agora com o ‘Deixa na Régua’ é a estética dos cortes de cabelo’ e o filme que finaliza é sobre o universo feminino. Estou captando para realizá-lo o mais breve possível!

quarta-feira

2

outubro 2013

0

COMMENTS

Emilio Domingos e Batman Zavareze conversam sobre o Passinho

Written by , Posted in Música

Festival Multiplicidade - Passinho flyer

As véspera de lançar “A Batalha do Passinho”, Emílio Domingos encontrou tempo pra re-editar o próprio filme para participar da edição dessa quinta do Multiplicidade, no Oi Futuro, acompanhado pelo espanhol Alvaro Uña. O assesssor de imprensa do evento, Joca Vidal, organizou um papo entre o curador Batman Zavareze e Emílio conversaram sobre o passinho especialmente aqui para o URBe.

Batman entrevista Emilio:

Batman – Você aprecia estas experiências do além cinema, das propostas que expandem a tela convencional do cinema com recursos tecnológicos para novas experiências narrativas?

Emílio – Interesso-me muito. Tenho grande curiosidade. Gosto de me surpreender e essas experiências proporcionam isso.

Batman O que mais te impactou ao longo da realização de um longa dentro de favelas tão carentes e com artistas tão potentes?

Emílio – Ver uma cena de artistas tão inovadores e diferentes entre si, espalhados pela cidade. Sem recursos mas mobilizados pela internet. O youtube é espaço de pesquisa, de discussão e de divulgação do dançarino de passinho. Ver garotos entre 3 e 23 anos atuando através de uma arte tão sofisticada quanto o passinho numa frente como essa é impactante.

Batman – Particularmente, imagino que Pina Bausch se encantaria com dançarinos como, por exemplo o Gambá, e outros tantos virtuosos do passinho. Até onde o Passinho vai? É algo efêmero?

Emílio – O Passinho tem uma capacidade de renovação muito grande. É uma dança muito livre que absorve tudo ao seu redor. Tem cerca de 10 anos. Essa é a primeira geração, que vive uma fase de transição para uma segunda. O espaço do baile e da internet servem de laboratório, acho que enquanto eles existirem o Passinho permanecerá se renovando.

Emilio entrevista Batman:

Emílio – Tem interesse por documentários? Quais mais te marcaram?

Batman – Durante anos trabalhei com fotografia para a TV, desde meus 5 anos de MTV-Brasil, e depois em todos os canais a cabo que surgiam no Brasil nos anos 90. Depois entrei no cinema, que foi uma viagem a mundo desconhecido. Documentário é meu foco e minha paixão. Trago na minha bagagem alguns trabalhos com Belisário Franca, João Moreira Salles, Eduardo Coutinho e Bebeto Abrantes que são marcantes na minha experiência profissional. Gosto muito do cinema-direto ou o cinema veritá. A alma da minha camera trazia esta linguagem, ou tentava (risos). ‘Cabra Marcado’ é um filme que vi inúmeras vezes e muito contribuiu na minha formação. Gosto desta história de voltar e rever. Tive a honra de fazer a direção de fotografia de João Cabral de Melo Neto – ‘Recife Sevilha’ (com direção de Bebeto Abrantes). Mas são tantos outros filmes que prefiro citar somente um outro mais, ‘NOW’ de Santiago Alvarez, o cine-jornalismo da revolução cubana, um misto de linguagem de video-clipe com documentário jornalístico. Os filmes de Santiago Alvarez eu volto a todo momento, é um recorte profissional de minha formação.

Emílio – Se o Festival Multiplicidade fosse numa outra época, que artistas você gostaria de reunir?

Batman – Qualquer linguagem artistica que não use a eletricidade. As tecnologias pré-históricas. Só silêncio, vento, faísca, fogo, batuque e oralidade. Mas se for falar do ano de 2050, quero muito ver no palco do festival os neurocientistas enlouquecendo, expondo imagens e sons de nosso corpo, de nossas mentes.

Emílio – A impressão que se tem é que você é um workaholic, sempre em busca de novidades. Você tem rotina? Qual?

Batman – Eu durmo pouco e sou muito inquieto. E trabalho de mais. Ok, sou um workaholic. Eu busco um tipo de expressão nos meus trabalhos que é baseado numa curiosidade em coisas que eu nunca vi e que não faço ideia como será realizado. Agora imagina buscar fornecedores e parcerias profissisonais para encarar minha jornada. Tem que ter fôlego porque eu busco o desconhecido (ao menos para mim) até o ultimo segundo, até abrir as portas do publico estou em busca do meu melhor. Eu estou sempre vendo, estudando e buscando experiências. Quando fiquei velho eu inventei filho na minha vida, e aí acontece um caldeirão efervescente de novos valores, embelezamentos de sutilezas e redescobertas que só um ser humano puro de preconceitos é capaz de enxergar, escutar e sentir. Este é meu novo campo de pesquisa, campo da simplicidade que é a arte da complexidade. Eu só desligo quando eu durmo.

%d blogueiros gostam disto: