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outubro 2013

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Emilio Domingos e Batman Zavareze conversam sobre o Passinho

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Festival Multiplicidade - Passinho flyer

As véspera de lançar “A Batalha do Passinho”, Emílio Domingos encontrou tempo pra re-editar o próprio filme para participar da edição dessa quinta do Multiplicidade, no Oi Futuro, acompanhado pelo espanhol Alvaro Uña. O assesssor de imprensa do evento, Joca Vidal, organizou um papo entre o curador Batman Zavareze e Emílio conversaram sobre o passinho especialmente aqui para o URBe.

Batman entrevista Emilio:

Batman – Você aprecia estas experiências do além cinema, das propostas que expandem a tela convencional do cinema com recursos tecnológicos para novas experiências narrativas?

Emílio – Interesso-me muito. Tenho grande curiosidade. Gosto de me surpreender e essas experiências proporcionam isso.

Batman O que mais te impactou ao longo da realização de um longa dentro de favelas tão carentes e com artistas tão potentes?

Emílio – Ver uma cena de artistas tão inovadores e diferentes entre si, espalhados pela cidade. Sem recursos mas mobilizados pela internet. O youtube é espaço de pesquisa, de discussão e de divulgação do dançarino de passinho. Ver garotos entre 3 e 23 anos atuando através de uma arte tão sofisticada quanto o passinho numa frente como essa é impactante.

Batman – Particularmente, imagino que Pina Bausch se encantaria com dançarinos como, por exemplo o Gambá, e outros tantos virtuosos do passinho. Até onde o Passinho vai? É algo efêmero?

Emílio – O Passinho tem uma capacidade de renovação muito grande. É uma dança muito livre que absorve tudo ao seu redor. Tem cerca de 10 anos. Essa é a primeira geração, que vive uma fase de transição para uma segunda. O espaço do baile e da internet servem de laboratório, acho que enquanto eles existirem o Passinho permanecerá se renovando.

Emilio entrevista Batman:

Emílio – Tem interesse por documentários? Quais mais te marcaram?

Batman – Durante anos trabalhei com fotografia para a TV, desde meus 5 anos de MTV-Brasil, e depois em todos os canais a cabo que surgiam no Brasil nos anos 90. Depois entrei no cinema, que foi uma viagem a mundo desconhecido. Documentário é meu foco e minha paixão. Trago na minha bagagem alguns trabalhos com Belisário Franca, João Moreira Salles, Eduardo Coutinho e Bebeto Abrantes que são marcantes na minha experiência profissional. Gosto muito do cinema-direto ou o cinema veritá. A alma da minha camera trazia esta linguagem, ou tentava (risos). ‘Cabra Marcado’ é um filme que vi inúmeras vezes e muito contribuiu na minha formação. Gosto desta história de voltar e rever. Tive a honra de fazer a direção de fotografia de João Cabral de Melo Neto – ‘Recife Sevilha’ (com direção de Bebeto Abrantes). Mas são tantos outros filmes que prefiro citar somente um outro mais, ‘NOW’ de Santiago Alvarez, o cine-jornalismo da revolução cubana, um misto de linguagem de video-clipe com documentário jornalístico. Os filmes de Santiago Alvarez eu volto a todo momento, é um recorte profissional de minha formação.

Emílio – Se o Festival Multiplicidade fosse numa outra época, que artistas você gostaria de reunir?

Batman – Qualquer linguagem artistica que não use a eletricidade. As tecnologias pré-históricas. Só silêncio, vento, faísca, fogo, batuque e oralidade. Mas se for falar do ano de 2050, quero muito ver no palco do festival os neurocientistas enlouquecendo, expondo imagens e sons de nosso corpo, de nossas mentes.

Emílio – A impressão que se tem é que você é um workaholic, sempre em busca de novidades. Você tem rotina? Qual?

Batman – Eu durmo pouco e sou muito inquieto. E trabalho de mais. Ok, sou um workaholic. Eu busco um tipo de expressão nos meus trabalhos que é baseado numa curiosidade em coisas que eu nunca vi e que não faço ideia como será realizado. Agora imagina buscar fornecedores e parcerias profissisonais para encarar minha jornada. Tem que ter fôlego porque eu busco o desconhecido (ao menos para mim) até o ultimo segundo, até abrir as portas do publico estou em busca do meu melhor. Eu estou sempre vendo, estudando e buscando experiências. Quando fiquei velho eu inventei filho na minha vida, e aí acontece um caldeirão efervescente de novos valores, embelezamentos de sutilezas e redescobertas que só um ser humano puro de preconceitos é capaz de enxergar, escutar e sentir. Este é meu novo campo de pesquisa, campo da simplicidade que é a arte da complexidade. Eu só desligo quando eu durmo.

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