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quarta-feira

7

agosto 2013

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Transcultura #119: Trio Eterno // SL-700

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trioeterno

Texto na da semana passada da “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Integrantes do Mombojó e do Bonsucesso Samba Clube formam nova banda
Trio Eterno lança disco coalhado de convidados
por Bruno Natal

A extensa lista de participações de “Suíte Pistache”, estreia do Trio Eterno — projeto de Felipe S (Mombojó), André Édipo (Bonsucesso Samba Clube) e Missionário José — dá uma boa ideia do que se esperar em termos de sonoridade. Lá estão Dengue (Nação Zumbi), Júlio Epifany (Stella Viva), Vicente Machado, Marcelo Machado e Chiquinho (Mombojó), Domenico Lancellotti (+2, Orquestra Imperial), Alberto Continentino (+2) e Renato da Mata. Prensado apenas em formato vinil, o disco, foi gravado entre 2011 e 2012 e produzido por Arthur Joly.

— O Trio Eterno começou comigo e com o André. O Missionário entrou na banda depois do disco pronto — explica Felipe, o vocalista do grupo. — Mesmo morando em Madri, o André continua na banda, até porque nossa principal vontade é compor novas músicas, e isso podemos fazer de qualquer lugar hoje em dia. O Missionário foi o técnico de gravação das bases do primeiro álbum do Mombojó. Já toquei com o André em vários projetos diferentes, então temos um entrosamento natural. Ainda estamos nos tornando uma banda.

O projeto surgiu de um convite de Joly, dono do selo paulista Reco-Head, para gravar algo inédito nas horas vagas do estúdio. Felipe não tenta disfarçar os ecos da sonoridade do Mombojó no Trio Eterno.

— Com o tempo, juntei várias músicas que não foram usadas pelo Mombojó e que eu sentia necessidade de gravar. Este disco teve um processo criativo diferente, mesmo que o resultado fique parecido, já que tem a minha voz — explica Felipe. — Não fiz nenhuma letra sozinho, busquei parceiros para todas as músicas, e esse processo foi muito divertido. O André tem referências muito diferentes do Mombojó, e temos em comum o fato de sermos fãs do Pixies.

Projetos paralelos não são novidade para os integrantes do Mombojó. Além do Del Rey, banda de covers de Roberto Carlos da qual vários deles participam, o tecladista Chiquinho está gravando o primeiro disco do Diatron, e Felipe ainda participa do Coisinha, projeto infantil capitaneado pelo cantor China.

— Estamos gravando repertório novo com o Mombojó. Vejo nossos projetos paralelos como algo saudável, para não ficarmos muito tempo tocando do mesmo jeito e sairmos da zona de conforto — diz o vocalista.
Nem bem lançou o seu primeiro disco e o Trio Eterno já tem outro em mente.

— O foco principal do trio é exercitar o ato de criar. Já estamos fazendo um segundo disco, que se chamará “Olinda 2031” — adianta Felipe. — Ano que vem queremos estar com ele pronto.

Tchequirau

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Após anos de especulação, finalmente um protótipo de um toca-discos de 45 polegadas (aqueles pequenos, geralmente com uma música de cada lado) apareceu em ação. O rapper Biz Markie utilizou um par do Technics SL-700 quando tocou num evento em Nova York semana passada e as fotos fizeram a festa dos colecionadores de vinil.

segunda-feira

28

março 2011

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Seu Jorge sem Jorge, as Almaz da Nação e o pop

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Bater pênalti parece mole, mas além de também ser gol, precisa de técnica. Com o projeto de versões Almaz, Seu Jorge dá mostras (mais uma vez) do quanto ele domina o que faz, não apenas nos aspectos artísticos. Sabe identificar os desejos do seu público antes mesmo dele próprio e não tem pudor nenhum em entregar o que a galera quer. O Circo Voador com 3 mil pessoas no sábado comprova.

Ruim seria um resultado impossível. Além da presença do próprio Seu Jorge, ao se fazer acompanhar por Lucio Maia, Dengue, Pupillo e Da Lua – a Nação Zumbi quase inteira, com direito a um salve a Du Peixe pelo empréstimo – até “Atirei O Pau No Gato” soaria sensacional. Ao vivo, a banda dá um banho no disco.

Como um Mark Ronson da Zona Sul carioca, o repertório cuidadosamente escolhido equilibra o cool e o popular, canções manjadas ou alternativas, dependendo a quem se pergunta: Kraftwerk (“The Model”), Tim Maia (“Cristina”), Michael Jackson (“Rock With You”), Roy Ayers (“Everybody Loves The Sunshine”), Jorge Ben (“Errare Humanus Est”), etc.

A grande sacada é justamente oferecer sons que fazem a “massa” se sentir “por dentro” ao reconhecê-las, ao mesmo tempo que são aprovadas pelos “entendidos”. O sucesso da Orquestra Imperial ou do Los Sebosos Postizos passa pelo mesmo caminho. A tal “cultura do DJ” também é isso aí.

A seleção eclética do Almaz é espelho de um artista que fagocita tudo que o interessa – a pose do Fela, a pegada do Gil, o apelo do Michael, o suinge do Ben – e devolve um resultado essencialmente pop. O objetivo é tão claro, desde os tempos do Farofa Carioca, que espanta a patrulha em cima do Seu Jorge.

A constante cobrança para que tome caminhos mais “cabeça” (e tomes aspas hoje, hein) muitas vezes vem de pessoas que reverenciam os mesmos ídolos pop de quem Seu Jorge pega emprestado. Esperar qualquer outra coisa é ignorar a trajetória do artista que promete lançar um disco de “Músicas Para Churrasco Vol. 1” ao mesmo tempo que diz que vai tocar com Roy Ayers no próximo festival Back2Black, ficou conhecido mundialmente no cinema, põe o Akon pra sambar no Jools Holland, o Alexandre Pires para sambalançar ou arrasa, com Ana Carolina, a música de Damien Rice (essa também não era difícil).

As críticas vem mesmo quando Seu Jorge busca o tal cabecismo, a sua maneira, tentando “educar” o “grande público” com um projeto como Almaz. Perto do final do show, após introduzir a banda e antes de emendar em “Mas Que Nada” (Jorge Ben), ele se apresenta: “eu sou Jorge Mario da Silva, de Belford Roxo para todo o planeta, geral!”.

Seu Jorge está pouco se importando com quem o critica. Faz bem ele. Ninguém é obrigado a ouvir o que ele toca.