Chico Buarque Archive

segunda-feira

18

setembro 2006

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Os opostos se atraem em SP

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Franz Ferdinand: “This fire” (vídeo: Lúcio Ribeiro)

Quando a produção de um evento sequer responde ao pedido de credenciamento, pode apostar que não vem algo muito organizado pela frente. Com o Motomix, nesse final de semana em São Paulo, não foi diferente. Como aliás, já não havia sido a edição carioca, em 2005.

Devido a falta de um alvará do Espaço das Américas, local dos shows, na sexta-feira o Motomix chegou a ser cancelado pela Prefeitura. Até as 14h de sábado, dia do evento, ainda não se sabia o que iria acontecer, apesar do saite informar que as 13h haveria um comunicado oficial.

Horas depois definiu-se que a programação original seria mantida, com todas as apresentações acontecendo no Espaço das Américas no próprio sábado. Mais tarde, nova mudança, dessa vez definitiva. As atrações foram divididas entre sábado e domingo, a primeira noite priorizando o rock e a segunda a eletrônica.

Como consequência, bastante gente que viajou apenas para assistir o evento, gastou dinheiro com ingressos, passagens e hotel, não pôde assistir metade do que estava programado. A solução? O que ouvi de um dos envolvidos na produção dantesca foi um “que pena”. E só.

Por sorte, restou a boa música.

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Chico Buarque
foto: divulgação/Patrícia Cecatti

Antes do Motomix, Chico Buarque no Tom Brasil, porque até essa turnê chegar ao Rio, falta um bocado. A temporada de “Carioca” em São Paulo está em sua terceira semana de casa lotada e a banda, já quente (Wilson das Neves virando nos pratos e o escambau), se prepara pra gravação do DVD.

Além das músicas do novo disco, Chico revisita seu repertório (“João e Maria”, “Futuros amantes”, “Bye, bye Brasil”, “Quem te viu, quem te vê”), algumas tocadas por ele pela primeira vez ao vivo.

O público se mantém sentado e em silêncio, respeitoso, o máximo de tempo possível. Na segunda metade do show, Chico se levanta e essa é a deixa pro pessoal começar a se soltar, terminando com a casa toda em pé. Clássico.

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Franz

O Franz Ferdinand, encerrando sua turnê mundial, deu aos paulistas um gostinho do que o Rio havia visto no Circo Voador, no início do ano. Se não teve o mesmo clima intimista, obviamente por se tratar de um lugar muito maior, a energia da banda estava bem parecida.

“Do you want to” foi a primeira música a levantar a platéia e “Take me out” fez o estrago de sempre. A temperatura foi subindo gradativamente durante a apresentação. Em “Outsiders”, integrantes do Radio 4, a DJ Annie e outros participaram tocando bateria com Paul Thomson e em peças avulsas do instrumento.

No encerramento, com “This fire”, o vocalista Alex Kapranos, sem camisa, incorporou Jim Morrison e balbuciava as letras como um poema, enquanto o teclado era entregue para galera destroçar e a bateria destruída no palco, como há muito tempo não via. Sensacional.

O show foi gravado para um especial da MTV que, se for feito com as mesmas imagens em preto e branco e documentais exibidas no telão, será um belo programa.

Aos nova-iorquinos do Radio 4 coube a ingrate tarefa de suceder o FF no palco. Não deu. Enquanto o vocalista forçava um patético sotaque britânico e o percussionista enganava (mal) nos atabaques, o baixo sofria distorções bizarras que só podia ser algum defeito, não estilo, porque sempre tentava-se corrigir.

Soando como pastiche do The Clash (com direito até a uma incursão sarapa pelo dub, com cara de Sublime), a banda renegou o sucesso que nunca veio e não tocou sua única música conhecida, “Party crashers”. O show fraco serviu de requiém do festival, já que a maior parte do público resolveu ir embora.

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Modeselektor

Os alemães do Modeselektor conseguiram, as 5h da manhã, fazer os presentes quicarem ao som do seu gélido dancehall robótico. Os graves vinham com força e a quebradeira também, enfeitados pelo telão bacana do grupo.

Uns 40 minutos depois, o som caminhou para um tech-house pesado, o produtor que estava com uma camisa da Underground Resistance ficou só de camiseta e a coisa toda deu uma certa farofada. Tudo certo, já era hora de ir pra casa.

terça-feira

9

maio 2006

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Chico Buarque, "Desconstrução" (Biscoito Fino)

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“Desconstrução”, documentário que dirigi, produzi e filmei sobre as gravações de “Carioca“, novo disco de Chico Buarque (o primeiro pela gravadora Biscoito Fino) é daqueles projetos que tinha tudo pra não acontecer.

Chico Buarque é conhecido por ser uma pessoa reservada, a possibilidade de aceitar que sua intimidade no estúdio fosse invadida era mínima. Menor ainda se fosse por um completo desconhecido. Pra piorar, com uma câmera na mão.

Ainda bem que as coisas nem sempre seguem a lógica e, contrariando a própria, o projeto aconteceu. Começou com uma proposta ao produtor executivo da BF, Pedro Seiler, amigo desde os tempos de faculdade. Foi ele quem convenceu o empresário do Chico, Vínicius França, a autorizar a gravação, abrindo as portas para iniciar o projeto.

A idéia era filmar o Chico no estúdio. Só isso. No ínicio, não existia a noção de que esse material se tornaria um documentário. Era pra ser um material interno da gravadora, talvez um faixa interativa no CD. O interessante era a chance de acompanhar Chico em estúdio. O que surgiria disso, só se saberia depois.

O combinado era que eu fosse ao estúdio toda sexta-feira para filmar. Na primeira semana, em setembro de 2005, descumprindo o acertado, fui de segunda a sexta. Na semana seguinte, a mesma coisa. Depois de 15 dias, quando o Vinícius comentou “tá gostando de vir aqui, né, Bruno?”, já era tarde. Todos os dias que o Chico esteve em estúdio, eu estava lá também.

Surpreendentemente, Chico, desde o começo, embarcou na idéia. Ignorou a câmera, agia como se não estivesse sendo filmado. Conversava sobre tudo com os amigos, recebia a visita dos netos, compunha. Meu trabalho era ficar quieto e atento para não perder os detalhes, o resto era com ele, que simplemente tinha que ser ele mesmo.

Conversamos pouco sobre o documentário durante as gravações. Na única vez que falei com ele sobre isso, com duas ou três semanas de trabalho, foi para saber se podia fazer uma pergunta por dia, não mais que isso, só quando desse tempo. Ele topou.

Até o dia em que mostrei o primeiro corte do documentário — as edições começaram em dezembro de 2005, pois tinham que terminar junto com o disco, para irem pra fábrica juntos — Chico não tinha se dado conta do que estava sendo feito.

Depois de assistir o quanto havia sido registrado de seus dias no estúdio, a primeira pergunta que ele fez foi sobre a câmera. Ficou impressionado como um câmera daquele tamanho (uma mini dv, a Sony PDX10) podia ter capturado tantos detalhes com a qualidade de som e imagem tão boas.

Isso explica muito do sucesso do projeto. Soubesse ele o quanto se pode conseguir com uma câmera digital ou estivesse ali um diretor conhecido, tudo poderia ter sido diferente. Exatamente por não saber bem o que eu estava fazendo lá dentro, relaxou. E o grande mérito do trabalho é esse: ter flagrado o Chico relaxado.

70 dias de gravação, 42 horas de material bruto e 320 horas de edição depois, o resultado é o documentário “Desconstrução”.

Uma das coisas mais bacanas foi ter podido realizar isso tudo cercado de amigos. Além do Pedro Seiler, produtor executivo do projeto, o editor foi o Rafael Mellin, amigo de PUC e a pessoa que me ensinou a filmar. Mellin se envolveu tanto no projeto que dividimos o crédito de roteiro.

A parte gráfica ficou a cargo do Mateus Araujo e dos parceiros do 6D Estúdio. A correção de cor foi feita pelo Ricardo Rocha, antigo colega de Conspiração Filmes, onde foi feita a correção. A mixagem e finalização de áudio foi feita por João Filho e João Henrique, do Estúdio Lontra, onde fica a minha ilha de edição.

Enfim, estava tudo em casa.

terça-feira

9

maio 2006

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quinta-feira

27

abril 2006

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Desconstruindo

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desconstrucao.jpg
foto: Mario Canivello

Não sei nem como começar a falar disso aqui. Apesar de ser um blog, o URBe tem mais caráter jornalístico do que diário pessoal. Raramente os textos saem na primeira pessoa. Falar de mim mesmo então… Mais complicado ainda. Mas hoje não vai ter outro jeito. A notícia vazou.

Depois de 7 meses de trabalho, o documentário que dirigi, produzi e filmei sobre as gravações de “Carioca“, novo disco de Chico Buarque (o primeiro pela gravadora Biscoito Fino), começa a ganhar as ruas.

“Desconstrução”, título do doc, é daqueles projetos que tinha tudo pra não acontecer. Chico Buarque é conhecido por ser uma pessoa reservada, a possibilidade de aceitar que sua intimidade no estúdio fosse invadida era mínima. Menor ainda se fosse por um completo desconhecido. Pra piorar, com uma câmera na mão.

Ainda bem que as coisas nem sempre seguem a lógica e, contrariando a própria, o projeto aconteceu. Começou com uma proposta ao produtor executivo da BF, Pedro Seiler, amigo desde os tempos de faculdade. Foi ele quem convenceu o empresário do Chico, Vínicius França, a autorizar a gravação, abrindo as portas para iniciar o projeto.

A idéia era filmar o Chico no estúdio. Só isso. No ínicio, não existia a noção de que esse material se tornaria um documentário. Era pra ser um material interno da gravadora, talvez um faixa interativa no CD. O interessante era a chance de acompanhar Chico em estúdio. O que surgiria disso, só se saberia depois.

O combinado era que eu fosse ao estúdio toda sexta-feira para filmar. Na primeira semana, em setembro de 2005, descumprindo o acertado, fui de segunda a sexta. Na semana seguinte, a mesma coisa. Depois de 15 dias, quando o Vinícius comentou “tá gostando de vir aqui, né, Bruno?”, já era tarde. Todos os dias que o Chico esteve em estúdio, eu estava lá também.

Surpreendentemente, Chico, desde o começo, embarcou na idéia. Ignorou a câmera, agia como se não estivesse sendo filmado. Conversava sobre tudo com os amigos, recebia a visita dos netos, compunha. Meu trabalho era ficar quieto e atento para não perder os detalhes, o resto era com ele, que simplemente tinha que ser ele mesmo.

Conversamos pouco sobre o documentário durante as gravações. Na única vez que falei com ele sobre isso, com duas ou três semanas de trabalho, foi para saber se podia fazer uma pergunta por dia, não mais que isso, só quando desse tempo. Ele topou.

Até o dia em que mostrei o primeiro corte do documentário — as edições começaram em dezembro de 2005, pois tinham que terminar junto com o disco, para irem pra fábrica juntos — Chico não tinha se dado conta do que estava sendo feito. Depois de assistir o quanto havia sido registrado de seus dias no estúdio, a primeira pergunta que ele fez foi sobre a câmera. Ficou impressionado como um câmera daquele tamanho (uma mini dv, a Sony PDX10) podia ter capturado tantos detalhes com a qualidade de som e imagem tão boas.

Isso explica muito do sucesso do projeto. Soubesse ele o quanto se pode conseguir com uma câmera digital ou estivesse ali um diretor conhecido, tudo poderia ter sido diferente. Exatamente por não saber bem o que eu estava fazendo lá dentro, relaxou. E o grande mérito do trabalho é esse: ter flagrado o Chico relaxado.

70 dias de gravação, 42 horas de material bruto e 320 horas de edição depois, o resultado é o documentário “Desconstrução”.

Uma das coisas mais bacanas foi ter podido realizar isso tudo cercado de amigos. Além do Pedro Seiler, produtor executivo do projeto, o editor foi o Rafael Mellin, amigo de PUC e a pessoa que me ensinou a filmar. Mellin se envolveu tanto no projeto que dividimos o crédito de roteiro.

A parte gráfica ficou a cargo do Mateus Araujo e dos parceiros do 6D Estúdio. A correção de cor foi feita pelo Ricardo Rocha, antigo colega de Conspiração Filmes, onde foi feita a correção. A mixagem e finalização de áudio foi feita por João Filho e João Henrique, do Estúdio Lontra, onde fica a minha ilha de edição. Enfim, estava tudo em casa.

Agora é voltar pro “Dub Echoes“, que tá passando da hora de ficar pronto. Vai que dá certo outra vez.

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ATUALIZAÇÃO: Nesse domingo o Fantástico exibiu uma reportagem com trechos do documentário. Dá para assistir na Globo.com (não precisa de senha).