quinta-feira

3

março 2005

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Semeando o mal

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Na política, geralmente, notícia boa vem seguida de notícia ruim. Essa semana não foi diferente. Aprovada pela Câmara, a mesma Lei de Biossegurança que autoriza a pesquisa com células-tronco (+), também libera o plantio e comercialização de transgênicos (-).

O fato das sementes geneticamente alteradas terem recebido o sinal verde, sem que houvesse uma discussão aprofundada na sociedade, é agravado por se tratar de uma decisão sem volta. Pior ainda, economicamente míope.

O principal argumento a favor dos transgênicos é o aumento da produtividade. Essas sementes, mais resistentes, garantem um aproveitamento melhor da colheita. Bom demais pra ser verdade? Pois é mesmo.

Essa resistência não está relacionada somente a fatores climáticos , mas principalmente à tolerância a agrotóxicos tão fortes que garantem que nenhuma peste se propague pela lavoura. Não são pesticidas comuns, são especiais, elaborados pelas mesmas empresas que desenvolveram as sementes (Monsanto).

É venda casada. Sem esses pesticidas, de nada adianta plantar as sementes. Esses produtos são tão caros que, praticamente, o lucro com o aumento da produção é gasto para pagá-los.

Por conta da quantidade de veneno, uma vez iniciado o plantio com sementes alteradas, o solo não aceita outras. Mesmo aquele campo vizinho, que não utiliza transgênicos, vai acabar cedendo quando os pássaros e os ventos acidentalmente espalharem sementes, viciando também a terra dos outros.

Até aqui, problema dos agricultores, alguém pode dizer. Quase. Ainda não ficou claro se produtos que utilizarem transgênicos em sua receita terão que dizer isso em seus rótulos. Ou seja, pode ser que muita gente acabe comendo vegetais alterados em laboratório sem saber.

Se tudo isso não bastasse, tem a questão econômica. Com a adesão dos agricultores europeus aos transgênicos, produtos orgânicos como a soja brasileira são classificados como “premium” no mercado exterior. Valem muito mais.

A longo prazo, continuar plantando produtos naturais provavelmente viria a ser mais lucrativo. Agora já era.

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