quarta-feira

15

outubro 2008

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São Paulo, Brasil

Written by , Posted in Urbanidades


foto: holgalicious

Quando o avião pousou no Brasil, imediatamente tocou “Copacabana”, seguida de “Chega de saudade”. Só faltou mesmo o “Samba do avião”, mas seria esticar demais o conceito. Afinal estávamos em São Paulo, escala hoje obrigatória antes de se chegar ao Rio, suposto cartão postal do país.

Nesse ano na Europa, todas as vezes (não é figura de linguagem, realmente foram TODAS AS VEZES) que falei que era do Brasil, a inevitável pergunta era “from San Paolo?”. Nunca tinha visto isso antes, o Rio costumava ser a primeira cidade citada pelos estrangeiros.

Antes que algum paulista se sinta agredido, não tenho nada contra a cidade, onde tenho vários amigos, um sócio, visito frequentemente e elogio sempre, principalmente na questão dos serviços, o que faz qualquer estadia parecer uma viagem para o exterior.

Simplesmente não consigo me ver morando em São Paulo (e olha que a pressão tá grande), gosto demais do Rio, da geografia da cidade principalmente, mas isso é outra história.

Claro que, como carioca, dá uma pontada de ciúme ver essa mudança acontecendo, seria hipócrita negar. Porém, simplesmente substituir Rio por São Paulo no imaginário internacional não é uma virada suficiente para solucionar um dos grandes problemas que temos por aqui.

Poucas coisas podem ser melhores para o Brasil do que mais cidades se destacando, espero que isso vá muito além do Rio-São Paulo de sempre. É justamente essa concentração — de renda, de população, política, de oportunidades, de eventos — em apenas duas cidades que atrapalha um país tão grande a crescer.

De toda forma, buscando explicações para essa nova (nova?) associação do Brasil com São Paulo, encontrei ao menos três, bem simples:

– a quantidade de imigrantes do estado na Europa (o sotaque paulista domina, junto com o mineiro e o goiano) fortalecendo o nome de São Paulo no imaginário local;

– o nível de desenvolvimento econômico de São Paulo, milhas a frente do resto do país, inevitavelmente chamando atenção para o estado;

– e, claro, o limbo político-cultural que o Rio se meteu na última década, principalmente nos anos Garotinho-Rosinha, fazendo a cidade sumir do mapa e perder importância e relevância a galope.

A filmografia atual (e factual) da cidade que tem chegado na Europa também não ajuda a vender a imagem de um lugar vencedor (“Cidade de Deus”, “Ônibus 174”, “Tropa de elite”) — não é pra entender como “São Paulo só tem vez porque o Rio baixou a guarda, blá, blá, blá”, esse antagonismo não é necessário.

Dos três, apenas um dos motivos está ao alcance imediato dos cariocas para tentar fazer o Rio se reerguer. Você sabe bem do que estou falando.

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  1. Geraldo
  2. Leonardo
  3. edson
  4. HORIOSVALDO DA SILVA

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