sábado

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janeiro 2004

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O Globo Online, Fev/2002

Written by , Posted in Imprensa

Minha primeira colaboração para o Rio Fanzine, publicado somente na versão online.

Muito sério

Moby está se levando a sério, com tudo que isso traz de bom e de ruim. Na passagem da turnê de seu disco mais recente, “18”, por Madri, no último dia 25, tanto o lado positivo quanto o negativo desta seriedade ficaram claros.

Embora a formação no palco, com Moby tocando guitarra e uma banda de apoio completinha, possa dar outra impressão, de maneira geral as pessoas vão numa apresentação do Moby para dançar. A expectativa é muito mais de um show de música eletrônica do que de rock. Exatamente por isso, as pausas entre quase todas as músicas acabam atrapalhando, funcionando como um anticlímax. Fica a impressão de que está querendo valorizar além da conta cada música, em outras palavras, se levando a sério demais.

Logo após tocar o que talvez seja seu maior sucesso, “Porcelain” — na Espanha serve até de trilha para a vinheta de um canal local — Moby resolveu falar sério, e dessa vez a seriedade era justificada. Pedindo desculpas, em nome do povo dos Estados Unidos, pelas recentes atitudes do seu presidente, chamou George W. Bush de “un hombre muy estúpido”. A julgar pelas palmas, o público parece ter gostado bastante do discurso, mas fica difícil saber ao certo, já que espanhol tem mania de bater palma para tudo. Olé!

O repertório é baseado quase somente nos discos “Play” e “18”, incluindo as músicas mais calminhas, como “Sleep alone”. O show só embala mesmo na segunda metade. Os graves, até então meio tímidos, resolvem dizer presente, junto com as músicas mais conhecidas: “Honey”, “We are all made of stars”, “In this world”, em versão mais lenta, “Find my baby” e “Natural Blues”. Moby apresenta “Bodyrock” como a fusão das duas coisas que mais gosta, “punk rock e hip-hop”, para logo em seguida deixar a influência punk ainda mais óbvia com uma versão crua para a clássica Blitzkreig Bop, do Ramones (Hey, Ho! Let’s go!). Outra banda que também dá as caras é o Radiohead, com “Creep”, do primeiro disco da banda.

A verdade é que depois de duas horas, a seriedade toda compensa na produção do show; bem cuidado, com som bom e repertório para satisfazer qualquer fã. Só não dá para achar que virou rock star.

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