segunda-feira

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julho 2005

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O desafio

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Enquanto Lula não fala (afinal, quem é que manda no Planalto?), resta a seus decepcionados eleitores tentar enxergar algo de bom na confusão que, aliás, só aumenta.

A primeira constatação positiva é de que, felizmente, um escândalo desses não está passando em branco. Independente da idoneidade da fonte das acusações ou de que interesses estão por trás disso, pior seria se denúncias desse porte não causassem nada, ninguém ligasse.

Fala-se bastante da inexperiência da esquerda brasileira no poder como um dos principais fatores para a crise que assistimos. É verdade. No entanto, pensar somente em falta de capacidade administrativa é simplificar a questão.

Uma vez do outro lado do balcão, a falta de intimidade com os mecanismos que fazem Brasília girar — embora isso não sirva como justificativa — parece ser o maior dos problemas. A política brasileira há muito tempo funciona de maneira suja, através de propinas, nomeações e troca de favores. Mensalão é só mais um nome.

A corja de cobras-criadas raramente erra nesse ambiente por saber muito bem por onde estão se rastejando. O PT, por sua vez (acostumado a vigiar, e não a ser vigiado), luta para fazer a transição de oposição para situação, cometendo erros infantis no caminho.

Embora haja quem defenda que cada parte deveria manter-se no seu papel usual, experiência só vem com a prática e com o tempo. E todo aprendizado, como se sabe, envolve erros. A médio prazo, o processo terá sido bom para o amadurecimento político do país.

No final de semana em que bilhões de pessoas, na intenção de sensibilizar os líderes do G8 a tomarem medidas financeiras a favor da África, pararam para assistir ao Live 8, não é fácil dizer qual desafio é mais difícil de vencer: a pobreza na África ou a corrupção na América Latina.

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