sábado

17

dezembro 2005

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O ano não acabou

Written by , Posted in Resenhas

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Parece que listas de melhores do ano sempre são fechadas antes ha hora. Tá certo que faltou essa categoria alguns textos abaixo, mas se tivesse sido perguntado “qual foi o melhor set de 2005”, a pergunta teria vindo cedo demais. Sexta a noite, espremido entre as apresentações do Turbo Trio, Instituto e Guru, praticamente ignorado por boa parte do (pouco) público, tomando cerveja do lado de fora, Mike Relm fez o melhor DJ set de 2005.

Para resumir, pode-se dizer que Relm mistura hip hop underground com rock, boas doses de turntablismo e referências cinematográficas. O japinha americano exibiu uma técnica pefeita no comando de três toca-discos (um deles plugado num laptop, via Final Scratch ou similar) e um DVJ, fazendo colagens absurdamente bem ensaiadas e uma seleção musical de encher qualquer pista.

No melhor estilo “DJ de casamento” (se esses conseguissem avançar no repertório), as pedradas eram variadas e vinham de todos os lados. Quem foi a Circo Voador ouviu versões de Jimmy Hendrix (“Fire”), White stripes (“Seven Nation Army”), Chemical Brothers (“Let forever be”)acapela da Björk sobre um pancadão, tema do desenho animado Snoop, Dr. Dre (“Nuthin’ but a G thang”), Led Zeppelin, Rage Against The Machine (“Bulls on parade”), The Cure, Outfield (“Your love“, aquela do refrão I just wanna use your love, toniiight…) e uma versão MONSTRA de “Billie Jean”, do Michael Jackson, num back-to-back assustador.

Essas versões são a base do trabalho de Relm, tendo inclusive sido lançadas na compilação “Radio Fryer” e mostradas ao vivo no DVD “Suit yourself”. Tudo, aparentemente, sem autorização. Em seu saite oficial, o repertório do disco vem acompanhado de um aviso: “a maior parte dos nomes foram alteradas para proteger os inocentes”, antes de títulos como “Seven Nation Billie”, “Looking for a New Order”, “Jimi Handtrix” ou “Bust This Teen Spirit”.

Utilizando um DVJ (equipamento que toca DVDs como se fossem discos, possibilitando, por exemplo, scratches na imagens), Relm dá conta ainda do telão, utilizando trechos de filmes (como a clássica cena do espancamento da impressora de “Office space”, pro aqui traduzido porcamente para “Como enlouquecer seu chefe), clipes das músicas tocadas e mensagens em através de cartelas escritas a mão, inspirado no clipe de “Subterranean homesick blues”, do Bob Dylan.

Encerrando, Relm tocou uma versão de “Imagine”, pedindo pra platéia levantar isqueiros e acompanhar a letra no telão. Meio mela-cueca, porém dentro do contexto.

Ah, sim, teve o tal do Guru também. Deve ser aquele cara fanfarrão que tocou por último, cheio da marra, chamando gente da platéia pra porrada e que foi vaiado sem parar. Papelão.

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4 Comments

  1. veiga
  2. Salazar

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