terça-feira

27

abril 2010

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Mombojó no Rio: sem casa e melancólicos

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Mombojó, “Swinga”, com direito a parabéns pra você

Acompanho a banda desde o início e já fazia tempo que não assistia um show deles. Vendo a banda no Oi Futuro Ipanema me dei conta de que ainda não havia visto a formação atual, um quinteto.

Pode ser impressão pessoal, algo que já vinha percebendo pelos vídeos divulgados pela banda e até pela maneira que o grupo tem se comunicado com seu público online, uma certa melancolia parece ter acometido o grupo.

A passagem por uma Trama em clima de final de festa frustrou expectativas de resultados comerciais e expansão de público, logo após a celebrada estréia do Mombojó, como se os prognósticos mais positivos nunca tivessem se confirmado. Menos por culpa da gravadora e da banda do que de uma cena que na realidade não existe, com suas poucas bandas e pouco público.

A morte de ORafa e a saída de Marcelo Campello não apenas foram um baque emocional, como também desestruturam a sonoridade da banda, arrancando os alicerces brasileiros. Com a flauta, o violão e a melódica, foi-se muito da personalidade do Mombojó, hoje um power trio + teclado e vocal.

Repetidas vezes adiado, o lançamento do terceiro disco está previsto para junho — quatro anos após o lançamento de “Homem Espuma”. O que nos traz há um outro ponto: saem os meninos de 20 anos de 2004, entram rapazes de 26, com toda carga que as experiências dos cruciais vinte e poucos anos trazem.

As músicas antigas ressurgem adaptadas para nova formação, as vezes com mudanças desnecessárias. Além de Chiquinho nos sintetizadores, o guitarrista Marcelo Machado também solta efeitos, congestionando as bases. As quebras de andamento foram substituídas por mudanças de andamento, como se mexessem no “pitch” das músicas enquanto são tocadas, quase ralentando.

Vamos ver o que vem com o disco novo. “Casa Caiada” é muito bacana. Só que tá fazendo falta uma empolgação da banda no palco.


Los Sebozos Postizos

Por mais bonito e equipado que seja, o teatro da operadora celular não é o lugar ideal para um show. Ver o Mombojó sentado está longe do ideal. Recentemente o Los Sebozos Postizos passou por ali e o problema foi parecido.

O tamanho é perfeito para o diminuto público carioca, não fossem as cadeiras. O ideal seria que os assentos fossem retráteis, como acontece no teatro do ICA, em Londres, possibilitando duas organizações diferentes do espaço.

A casa tornou-se uma ótima opção, já que na Zona Sul não existe mais palcos médios ou pequenos e até mesmo na borbulhante Lapa portas vão fechando. A recém-inaugurada e bacana Casa de Jorge virará um restaurante.

Em todo caso, não é papel de um teatro suprir a falta de palcos de música no Rio (além desse, a Sala Baden Powell e o Teatro Nelson Rodrigues tem sido utilizado para esse fim). Para uma temporada de shows intimistas de qualquer banda seria, opções perfeitas, não fosses essas das poucas opções de se ver os artistas ao vivo.

Com tudo isso, talvez a melancolia não esteja mesmo no Mombojó.

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  1. alex werner
  2. Yves Alexeiv
  3. Bruno Natal
  4. Bruno Natal
  5. Elisa
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  7. Jeferson
  8. Pedro Daltro

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