quarta-feira

19

dezembro 2012

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Os melhores shows de 2012

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Dando início as listas de 2012, começando pelos melhores shows, tendo como filtro aqueles que me empolguei o suficiente pra sentar e escrever uma resenha. Tirando os dois primeiros, James Blake e Gal – os shows do ano – o resto segue em nenhum ordem específica.

Só clicar no “leia mais” pra conhecer os escolhidos.

James Blake (Circo Voador)

O piano clássico é entortado por timbragens pesadas; batidas sincopadas de dubstep ecoam fora do grave; reverbs abertos emulando os ecos de uma catedral são filtrados por vocoder, potencializando o alcance vocal e afastando-os de simplesmente remeter a uma igreja. Você ouve Blake e pensa: o problema é a ferramenta ou quem não sabe usá-la? Pois é.

Gal Costa (Vivo Rio)

Pelo mais puro merecimento, cantando igual uma menina, voz intacta, Gal (res?)surge em “Recanto” como se o tempo não tivesse passado – ou não tivesse deixado que o tempo tenha passado por ela, no que pese os poperô cafona/maduro entre essa Gal e a dos anos 70. Quem cresceu nos anos 80 pode não ter lá as melhores lembranças; um disco e show como esses fazem o favor de ajustar as contas.

Metronomy (Coachella, EUA)

O dia começou bem, com o Metronomy fritando o coco no palco menor, transformando o gramado numa pista de dança. Josh Homme (Queens of the Stone Age) foi tietar a banda nos bastidores após o show e foram embora juntos.

Céu (Circo Voador)

http://youtu.be/b_uFsbJbA2k

No primeiro, mais soltinha e iluminada, tocou as músicas de pegada mais ensolarada, com referências de samba, rock steady e jovem guarda. No segundo, com um vestido de noite, brilhoso, enveredou pelas influências mais soturnas, do trip hop e chapações. Em ambas as metades, Céu está segura no palco. Dança, faz charme, se ajoelha no chão, coisas que ante a timidez não permitiria. E não tem nada melhor para um artista do que se permitir (diz aí, Lulu, hahaha!).

Snoop Dogg, Dre e “Tupac” (Coachella, EUA)

Durante o dia já rolava um falatório sobre a participação virtual do Tupac, o próprio holograma (papo que você vem escutando falar aqui no URBe pelo menos desde 2006) sendo citado. Não deu outra. E mesmo sem ser exatamente uma surpresa, causou espanto no sentido estrito da palavra. Mais do que uma comoção ou celebração, a visão de Tupac no palco, gritando “qualé Coachellaaaa”, deixou o clima meio sombrio. Era mais como ver um espírito do que o artista.

Mallu (Solar de Botafogo)

A faceta artística da vida de Mallu vem acontecendo como um “The Truman Show” musical. Apresentada aos 15 anos e observada de perto, pro bem e pro mal, a menina hoje tem 19 anos. É uma mulher, que do palco faz declarações de amor para o namorado, Marcelo Camelo, na primeira fila (na estreia da temporada, no Dia dos Namorados, ele participou em “Janta“, parceria dos dois), canta ameaçando se insinuar, sem ir tão longe.

Tame Impala (Imperator)

A banda fez exatamente o que dela se espera, chapando o público com camadas de guitarras, distorções, efeitos, teclados e psicodelia shoegaze (literalmente, eles olhavam mais para os próprios pés do que um para os outros) e setentista. Com apenas um disco e EPs na bagagem, o repertório é limitado e o show foi muito curto – mais do que deveria, talvez, já que não tocaram todas as músicas do “Innerspeaker”.

Real Estate (Coachella, EUA)

O indie preguiçoso se destaca pela guitarra enxarcada de Matthew Mondaline (também do Ducktails) e pelas longas incursões instrumentais, apoiadas em camadas de teclado (o pai do tecladista mora no Rio e trabalha na Bloomberg, ele contou depois).

SBTRKT (Coachella 2012)

Passando uma lixa na produção detalhada do disco, tirando todo polimento pop, “Never Never” vira um dubstep dark, “Something Goes Right” não repete as programações, o sintetizador some e surge reta e seca. “Wildfire”, na versão com Drake e cantada por Yukimi Nagano (do Little Dragon), que deveria ser a mais adaptada devido a ausência dos intérpretes, é praticamente tocada como é gravada, antes de um final em que é toda entortada.

Bixiga 70 (Levada Oi)

Divididos no palco em três meias-luas, eles jogam num 4-3-3 ofensivo, com os quatro metais empurrando o trio percussivo em direção ao ataque, formado por duas guitarras/teclado e um baixo, pressionando o tempo todo. Mesmo obedientes taticamente, o Bixiga 70 se destaca quando engrossa o caldo com a imprevisibilidade brasileira, justificando a década que carrega no nome.

Santigold (Back2Black)

Sempre cercada de bons produtores, Santigold tem um bom repertório de sacolejos a disposição . Com uma banda com um pé no reggae e outro no synthpop, uma mão no pós-punk e outra no new wave, Santi ofereceu algo irrecusável: groove. Sempre infalível.

Pole (Novas Frequências)

Fazendo valer a velha frase do mundo dub, meditate on bass weight (medite no peso dos graves), a atmosfera foi mesmo como uma sessão de meditação coletiva. Um estado semi-acordado, cabeças tombando e voltando, em algum lugar entre o transe e o sono e o alerta total. Uma cacetada na moleira que não foi brincadeira não.

Criolo (Circo Voador)

O carnaval ainda não chegou e Criolo já teve sua apoteose. O que se viu no Circo no sábado foi único. Não apenas por se tratar de um artista de São Paulo sendo aclamado no Rio, tendo seu nome urrado (é notório o quanto carioca implica muito mais com paulista do que vice-versa) ou todas as letras cantadas pelo público. Principalmente pela velocidade com que isso aconteceu.

Rapture (Circo Voador)

O tempo passou e isso ficou claro; tanto na atitude mais contida dos integrantes no palco quanto na evolução sonora, menos punk e mais bem acabada. Ganha-se de um lado, perde-se do outro, menos explosão em troca de músicas mais elaboradas. Porém é sempre melhor ver uma banda que não se repete do que eternos pastiches dela mesma.

Frank Ocean (Coachella, EUA)

http://youtu.be/NoxNmh7LVHg

Ao Frank Ocean restou fazer o que sabe, cantar. Bem a vontade frente a multidão, ele perdeu bastante tempo reclamando do som. O público não viu tanto problema, as meninas soltando gritinhos sem parar.

Arctic Monkeys (Coachella, EUA)

Com quatro discos nas costas, projetos paralelos e sabe-se lá quantas horas de palo, Alex Turner sente-se a vontade como front man. Isso é bom e ruim. Se por um lado o domínio de palco propicia um espetáculo mais controlado, é justamente esse controle que tira um pouco do frescor juvenil que foi uma parte tão importante no estouro da banda.

Mayer Hawthorne (Circo Voador)

Mayer Hawthorne voltou ao Circo Voador e provou que a visita foi proveitosa: um público muito maior e conhecendo melhor as músicas saudou o soulman branquelo de Detroit. A festa foi longe, até altas horas da madrugada, com os DJ sets do Nepal e do próprio Mayer.

Feist (Circo Voador)

http://youtu.be/fGgM3vzTOQM

E que beleza foi esse show ontem.

Jaques Lu Cont (Coachella, EUA)

E essa cara é um groove borrachudo, sirenes de synth, camadas de melodia se cruzando, a bateria 909 estourando no peito, em remixes de “Harder Better Faster Stronger” (Daft Punk), “Blue Monday” (New Order) e “Mr. Brightside” (The Killers, de quem também produziu o terceiro disco).

Hype Williams (Novas Frequências)

Aos chamados de “louder!” (mais alto!) no microfone, a camada de sintetizadores ia crescendo. Só que o pedido era real e não parte do roteiro, para resolver um problema em um dos microfones. Logo o clima atmosférico deu lugar a espasmos conjuntos de bateria e saxofone (ó o free jazz aí de novo), destoando bastante das expectativas lo-fi do que se conhece do Hype Williams gravados.

Mogwai (Circo Voador)

O SHOW DO MOGWAI FOI UMA EXPERIÊNCIA TRANSCENDENTAL, UMA ELEVAÇÃO ESPIRITUAL CAUSADA PELA ENTREGA AOS TRANSES PROPOSTOS PELOS ESCOCESES. OS QUE PRESENCIARAM O MASSACRE ESTÃO ASSIM HOJE, FALANDO ALTO A BEÇA, COM OS OUVIDOS AINDA ZUNINDO DE ONTEM.

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